Cobrança legal: entre a efetividade e os limites jurídicos
A cobrança de dívidas é uma atividade legítima e necessária para a saúde financeira de qualquer negócio — mas precisa ser conduzida dentro dos limites estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), pelo Código Civil e pela legislação de proteção de dados. Profissionais jurídicos que assessoram credores precisam conhecer os procedimentos legais corretos para garantir que a cobrança seja eficaz sem expor o cliente a riscos de responsabilidade civil ou administrativa.
1. Notificação extrajudicial: o primeiro passo
Antes de qualquer medida judicial, a notificação extrajudicial é o procedimento padrão de cobrança. Ela formaliza a comunicação da dívida ao devedor, estabelece prazo para pagamento e constitui a mora em casos em que ela não decorre automaticamente do vencimento. A notificação deve ser enviada por meios que garantam comprovação de recebimento: carta com AR (aviso de recebimento), cartório de ofício de títulos e documentos ou notificação por WhatsApp com confirmação de leitura documentada.
2. Protesto de títulos
O protesto é um ato formal praticado pelo cartório de protesto que comprova o inadimplemento de uma obrigação. Cheques, duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito podem ser protestados, gerando um instrumento de cobrança poderoso — inclusive como requisito para algumas ações judiciais. O protesto indevido de título já pago ou prescrito gera responsabilidade civil objetiva do credor, com indenização por danos morais.