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[MODELO] Restabelecimento de Benefício de Aposentadoria por Idade: Suspensão indevida pelo INSS

EX­MO. (A) SR. (A) DR. (A) ­JUIZ (A) FE­DE­RAL

DA______________________________________

_____, bra­si­lei­ro, apo­sen­ta­do, por­ta­dor da Cédula de Identidade nº ______, ins­cri­to no CPF sob o nº ___________, re­si­den­te na rua _______, Comarca de _____ -, por seu ad­vo­ga­do que es­ta subs­cre­ve, vem, mui res­pei­to­sa­men­te, à pre­sen­ça de V. Exa. pa­ra pro­por a pre­sen­te

Ação pre­vi­den­ciá­ria de res­ta­be­le­ci­men­to de be­ne­fí­cio

em fa­ce de o ­INSS – Instituto Nacional do Seguro Social, Autarquia Federal, com superintendência regional na ci­da­de de São Paulo, com en­de­re­ço à Rua Xavier de Toledo, nº 280, 13º an­dar, Centro, São Paulo–SP, CEP: 01048-000, pe­los mo­ti­vos de fa­to e de di­rei­to a se­guir ex­pos­tos.

I – DOS FA­TOS

A autora é pes­soa hu­mil­de, que não exer­ce qualquer ati­vi­da­de la­bo­ra­ti­va, so­men­te rea­li­zan­do tra­ba­lhos do­més­ti­cos em sua re­si­dên­cia.

Em vir­tu­de de sua ida­de, co­mo é co­mum a to­das as pes­soas nes­ta fai­xa etá­ria, tem pro­ble­mas de pres­são al­ta, dor nas cos­tas e nas per­nas, im­pe­din­do des­ta for­ma, qual­quer ati­vi­da­de que pos­sa pro­ver de seu sus­ten­to.

Não obs­tan­te es­te fa­to, a si­tua­ção em que vi­ve sua fa­mí­lia, ou se­ja, ela e seu ma­ri­do, vem se tor­nan­do ca­da vez ­mais di­fí­cil em vir­tu­de da pró­pria rea­li­da­de eco­nô­mi­ca do ­País.

Apesar da si­tua­ção de­mons­tra­da, o re­ce­bi­men­to do seu be­ne­fí­cio de aposentadoria por idade lhe aju­da­va em man­ter um mí­ni­mo de dig­ni­da­de, com com­pra de re­mé­dios e ali­men­tos. Con­tu­do, o ­INSS, em ati­tu­de ar­bi­trá­ria e des­leal, can­ce­lou o seu be­ne­fí­cio sem jus­ti­fi­ca­ti­va al­gu­ma, ale­gan­do ir­re­gu­la­ri­da­des na con­ces­são.

Com mui­tas des­pe­sas, sem po­der tra­ba­lhar e vi­ven­do ape­nas com es­ta apo­sen­ta­do­ria, bus­cou jun­to ao Ins­ti­tu­to-réu rea­ti­var o seu pa­ga­men­to. En­tre­tan­to, no se­tor de aten­di­men­to do Posto da Previdência do bair­ro de Santana, foi-lhe ne­ga­do sob jus­ti­fi­ca­ti­va de que a con­ces­são do be­ne­fí­cio fora ir­re­gu­lar, não ten­do a autora feito o mí­ni­mo de con­tri­bui­ção, ne­ces­sá­ria pa­ra a ob­ten­ção dele.

Desta for­ma, vem a juí­zo a autora re­que­rer o res­ta­be­le­ci­men­to do be­ne­fí­cio aposentadoria por idade, pos­to que não po­de a Autarquia, sob uma jus­ti­fi­ca­ti­va não con­fir­ma­da, sem di­rei­to a de­fe­sa e sem o de­vi­do pro­ces­so le­gal, can­ce­lar o be­ne­fí­cio de seu se­gu­ra­do, res­tan­do a este so­men­te se va­ler da tu­te­la ju­ris­di­cio­nal no sen­ti­do de im­pe­dir ­mais uma ar­bi­tra­rie­da­de do Ins­ti­tu­to-réu.

II – DOS FUN­DA­MEN­TOS

Primeiramente, im­por­tan­te sa­lien­tar que se en­con­tra em ane­xo, a de­ci­são in­de­fe­ri­tó­ria do res­ta­be­le­ci­men­to do be­ne­fí­cio aposentadoria por idade no Posto de Atendimento de Santana, do ­INSS.

(ou en­tão a carta de in­for­me da sus­pen­são do be­ne­fí­cio, en­via­da pe­lo ­INSS).

Sendo as­sim, as ra­zões pa­ra o res­ta­be­le­ci­men­to do be­ne­fí­cio da autora se­rão es­po­sa­das a se­guir, pas­san­do a de­li­near ini­cial­men­te os mo­ti­vos que dão o di­rei­to a ob­ter o be­ne­fí­cio de apo­sen­ta­do­ria por ida­de.

Isto pos­to, re­la­ta a autora que se fi­liou à Previdência Social em 1º de ju­nho de 1.00056, quan­do da sua ad­mis­são na em­pre­sa ______________, con­for­me cons­ta em seu re­gis­tro na Carteira de Trabalho.

Nesta em­pre­sa per­ma­ne­ceu exer­cen­do sua fun­ção até o dia 31 de mar­ço de 1.00058, quan­do foi de­mi­ti­da sem jus­ta cau­sa.

Passando por al­gu­mas em­pre­sas, cum­priu seu úl­ti­mo ter­mo de tra­ba­lho quan­do en­trou na em­pre­sa _________, em 1º de ou­tu­bro de 1.0000005, ten­do si­do de­mi­ti­da aos 7 de ­abril de 1.000000000.

Desta for­ma, e pe­lo de­vi­do pro­ces­so le­gal de con­ces­são de be­ne­fí­cio, foi afe­ri­do que pos­suía o mí­ni­mo de con­tri­bui­ções exi­gi­das e te­ria di­rei­to à aposentadoria por idade segundo a le­gis­la­ção vi­gen­te, ou se­ja, tinha 110 con­tri­bui­ções de ida­de de 60 ­anos em ja­nei­ro de 2.000.

Ocorre que o Ins­ti­tu­to-réu, na im­pos­sí­vel jus­ti­fi­ca­ti­va de que lhe fal­tam con­tri­bui­ções pa­ra que fa­ça jus ao be­ne­fí­cio, ces­sou o seu pa­ga­men­to sem se­guir o de­vi­do pro­ces­so le­gal e sem res­pei­tar os princípios da Administração Pública, ine­ren­tes a si.

A Au­tar­quia pre­vi­den­ciá­ria não po­de uni­la­te­ral­men­te sus­pen­der o pa­ga­men­to do be­ne­fí­cio con­ce­di­do à autora, sem lhe ga­ran­tir o exer­cí­cio da am­pla de­fe­sa pa­ra con­tes­tar e, ain­da, por en­ten­der con­fi­gu­ra­da a na­tu­re­za ali­men­tar do be­ne­fí­cio.

Não obs­tan­te pos­sa a Administração re­ver a qual­quer tem­po os ­atos pa­ra cor­ri­gir as ir­re­gu­la­ri­da­des, des­de que ei­va­dos de ví­cios ou com­pro­va­da má-fé, tem o ad­mi­nis­tra­do o di­rei­to cons­ti­tu­cio­nal à de­fe­sa de seu di­rei­to.

São inú­me­ros os jul­ga­dos que re­pu­diam a re­du­ção ou can­ce­la­men­to de be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio sem a ins­tau­ra­ção do com­pe­ten­te pro­ces­so ad­mi­nis­tra­ti­vo no ­qual se ga­ran­ta a am­pla de­fe­sa ao se­gu­ra­do, a exem­plo dos se­guin­tes acór­dãos, cu­jas emen­tas trans­cre­ve­mos:

AGRA­VO DE INS­TRU­MEN­TO – ­PREVIDENCIÁRIO – RES­TA­BE­LE­CI­MEN­TO DE BENEFÍCIO – TU­TE­LA AN­TE­CI­PA­DA.

1. Não de­mons­tra­do pe­la Au­tar­quia de que o can­ce­la­men­to do be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio te­nha ocor­ri­do ­após os trâ­mi­tes do de­vi­do pro­ces­so le­gal, e em fa­ce do ca­rá­ter ali­men­tar do be­ne­fí­cio sus­pen­so, há de se re­co­nhe­cer a pre­sen­ça dos re­qui­si­tos au­to­ri­za­do­res da tu­te­la an­te­ci­pa­tó­ria.

2. É man­sa a ju­ris­pru­dên­cia no sen­ti­do de que, não com­pro­va­do que te­nha ocor­ri­do o can­ce­la­men­to do be­ne­fí­cio ­após o trâ­mi­te do pro­ce­di­men­to ad­mi­nis­tra­ti­vo com­pe­ten­te, inob­ser­va­do, por­tan­to, o de­vi­do pro­ces­so le­gal, é de se re­for­mar a de­ci­são que não sus­pen­deu os efei­tos da de­ci­são ad­mi­nis­tra­ti­va que sus­pen­deu uni­la­te­ral­men­te o pa­ga­men­to do au­tor.

(AI nº 42.201 (2012.05.000000.000553-6) – 1ª Vara da Comarca de Cajazeiras–PB, Relator desembargador Marcelo Navarro – Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, 31 de agos­to de 2012, por una­ni­mi­da­de, ne­ga pro­vi­men­to ao Agravo de Instrumento do ­INSS)

CONS­TI­TU­CIO­NAL – ­BENEFÍCIO AS­SIS­TEN­CIAL – SUS­PEN­SÃO – ­INO­B­SERVÂNCIA AO ­DUE PRO­CESS OF LAW – IM­POS­SI­BI­LI­DA­DE.

1. Não ha­ven­do com­pro­va­ção de que foi con­ce­di­da opor­tu­ni­da­de pa­ra que o se­gu­ra­do se de­fen­da em pro­ce­di­men­to ad­mi­nis­tra­ti­vo de sus­pen­são de be­ne­fí­cio, res­ta vio­la­do o prin­cí­pio da am­pla de­fe­sa.

2. Agravo im­pro­vi­do.

(­AGTR nº 37.368-CE, Rel. des. federal Luiz Alberto Gurgel de Faria, ­julg. 6.11.2012)

PREVIDENCIÁRIO E ­PROCESSUAL CI­VIL – TU­TE­LA AN­TIC­PA­DA – RE­QUI­SI­TOS PREEN­CHI­DOS – SUS­PEN­SÃO DE ­BENEFÍCIO – APO­SEN­TA­DO­RIA POR TEM­PO DE SER­VI­ÇO – VIO­LA­ÇÃO AOS ­PRINCÍPIOS CONS­TI­TU­CIO­NAIS DA AM­PLA DE­FE­SA E DO ­CONTRADITÓRIO.

1. O di­rei­to à am­pla de­fe­sa e ao con­tra­di­tó­rio de­ve ser as­se­gu­ra­do em to­da sua ple­ni­tu­de em ob­ser­vân­cia aos in­ci­sos LIV e LV, do art. 5º, da Constituição Federal em vi­gor.

2. O ato ad­mi­nis­tra­ti­vo de sus­pen­são de be­ne­fí­cio só po­de se efe­ti­var ­após o exau­ri­men­to de to­das as opor­tu­ni­da­des de de­fe­sa e fa­ses re­cur­sais, sob pe­na de ser con­si­de­ra­do ile­gal. Precedentes dos TRFs da 1ª e 4ª Regiões.

3. Tutela an­te­ci­pa­da con­ce­di­da. Presentes os re­qui­si­tos elen­ca­dos no art. 273, do CPC.

4. Agravo Provido.

(­AGTR nº 38842-CE, Rel. des. federal José Maria Lucena, ­julg. 20.2.2003, 1ª Turma)

A con­du­ta uni­la­te­ral da Administração de sus­pen­der o pa­ga­men­to de be­ne­fí­cios pre­vi­den­ciá­rios – re­ves­ti­dos de ní­ti­do ca­rá­ter ali­men­tar –, sem aten­ção aos pos­tu­la­dos do de­vi­do pro­ces­so le­gal ad­mi­nis­tra­ti­vo, ofen­de as ga­ran­tias cons­ti­tu­cio­nais da am­pla de­fe­sa e do con­tra­di­tó­rio e, ­mais, co­li­de com o en­ten­di­men­to su­mu­la­do no ex­tin­to TFR, o ­qual tra­ze­mos a co­la­ção:

SU­MU­LA Nº 160: A sus­pei­ta de frau­de na con­ces­são de be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio não en­se­ja, de pla­no, a sua sus­pen­são ou can­ce­la­men­to, mas de­pen­de­rá de apu­ra­ção em pro­ce­di­men­to ad­mi­nis­tra­ti­vo.

A exi­gên­cia de pré­vio pro­ces­so ad­mi­nis­tra­ti­vo de­ve se es­ten­der in­clu­si­ve à ins­tân­cia re­cur­sal – a di­zer: a sus­pen­são do be­ne­fí­cio pres­su­põe a de­ci­são ad­mi­nis­tra­ti­va de­fi­ni­ti­va.

A Au­tar­quia pre­vi­den­ciá­ria tem o po­der-de­ver de can­ce­lar os be­ne­fí­cios de­fe­ri­dos sem a ob­ser­vân­cia dos re­qui­si­tos pre­vis­tos no or­de­na­men­to ju­rí­di­co que não é o ca­so da autora. No en­tan­to, tal pro­vi­dên­cia de­ve ser pre­ce­di­da de re­gu­lar pro­ce­di­men­to ad­mi­nis­tra­ti­vo, no qual estejam as­se­gu­ra­dos a am­pla de­fe­sa e o con­tra­di­tó­rio.

Tendo em vis­ta, ain­da, a na­tu­re­za ali­men­tar dos pro­ven­tos, re­ve­la-se abu­si­va a sus­pen­são do be­ne­fí­cio, pro­mo­vi­da an­tes de apre­cia­do, de mo­do de­fi­ni­ti­vo, no âm­bi­to ad­mi­nis­tra­ti­vo, o ca­so con­cre­to, já que, con­for­me a pró­pria Constituição federal, o di­rei­to de de­fe­sa de­ve ser exer­ci­do me­dian­te o em­pre­go de to­dos os ­meios e re­cur­sos ad­mi­ti­dos no sis­te­ma nor­ma­ti­vo.

De ou­tro la­do, va­mos pas­sar a ana­li­sar a sus­pen­são do pon­to de vis­ta dos princípios administrativos.

A sus­pen­são de pa­ga­men­to de be­ne­fí­cios man­ti­dos pe­lo ­INSS é uma ques­tão co­mum nos ­dias de ho­je.

Recentemente, a 6ª Turma do STJ man­te­ve o di­rei­to de uma pen­sio­nis­ta do Instituto de Previdência do Rio Grande do Sul (Ipergs) a re­ce­ber pen­são por mor­te. O ins­ti­tu­to pre­ten­dia mo­di­fi­car de­ci­são do ­TJRS, se­gun­do a ­qual, mes­mo ­maior de 21 ­anos de ida­de, a autora tem di­rei­to ao be­ne­fí­cio por­que preen­che os re­qui­si­tos de lei es­ta­dual es­pe­cí­fi­ca.

Ao ana­li­sar o ca­so, o mi­nis­tro Paulo Medina ob­ser­vou que a ques­tão de­ba­ti­da no pro­ces­so se re­fe­re ao pra­zo de de­ca­dên­cia de cin­co ­anos con­ce­di­do à Administração pa­ra anu­la­ção de ­seus ­atos, quan­do de­tec­ta­da qual­quer nu­li­da­de. De acor­do com o mi­nis­tro, o STJ já fi­xou o en­ten­di­men­to nes­ses ca­sos.

Em agos­to do ano pas­sa­do, um ca­so se­me­lhan­te foi apre­cia­do pe­lo mi­nis­tro Hamilton Carvalhido. Naquela oca­sião, fi­cou es­ta­be­le­ci­do que: ­

após de­cor­ri­dos cin­co ­anos, a Administração Pública não po­de ­mais anu­lar ato ad­mi­nis­tra­ti­vo ge­ra­dor de efei­tos no cam­po de in­te­res­ses in­di­vi­duais, por is­so que se ope­ra a de­ca­dên­cia.

No mes­mo sen­ti­do, ou­tra ­ação foi re­la­ta­da pe­lo mi­nis­tro Gilson Dipp, em ju­nho de 2003. Na con­clu­são da de­ci­são, o re­la­tor afir­ma que:

nos ter­mos do ar­ti­go 54 da lei 000.784/000000, o di­rei­to da Administração, de anu­lar os ­atos ad­mi­nis­tra­ti­vos de que de­cor­ram efei­tos fa­vo­rá­veis pa­ra os des­ti­na­tá­rios de­cai em cin­co ­anos, con­ta­dos da da­ta em que fo­ram pra­ti­ca­dos, sal­vo com­pro­va­da má-fé.

Diante des­sas de­ci­sões, a ale­ga­da vio­la­ção das ­leis apon­ta­das pe­lo Ipergs te­ve sua aná­li­se pre­ju­di­ca­da no STJ.

Os ­atos po­dem ser re­vo­ga­dos por mo­ti­vo de con­ve­niên­cia ou opor­tu­ni­da­de, res­pei­ta­dos os di­rei­tos ad­qui­ri­dos, res­sal­va­da, em to­dos os ca­sos, a apre­cia­ção ju­di­cial. (STF – Resp. nº 633228)

Por ou­tro la­do, a des­cons­ti­tui­ção de apo­sen­ta­do­ria, no âm­bi­to ad­mi­nis­tra­ti­vo, pa­re­ce pos­sí­vel por ine­gá­vel o de­ver de au­to­con­tro­le nos ca­sos em que não te­nham de­cor­ri­do ­mais de cin­co ­anos do ato ad­mi­nis­tra­ti­vo da con­ces­são do be­ne­fí­cio que se pre­ten­de re­ver. Todavia, não se po­de, a tí­tu­lo de exer­cí­cio do con­tro­le dos ­atos ad­mi­nis­tra­ti­vos, per­mi­tir a inob­ser­vân­cia dos prin­cí­pios bá­si­cos que re­gem a pú­bli­ca ad­mi­nis­tra­ção, a par­tir de sua fi­na­li­da­de éti­ca e da es­tri­ta ob­ser­vân­cia da le­ga­li­da­de (art. 37 da Constituição da República).

Tanto pa­ra a cons­ti­tui­ção do ato da apo­sen­ta­do­ria co­mo pa­ra o de sua des­cons­ti­tui­ção, a ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca es­tá vin­cu­la­da à lei.

A Ad­mi­nis­tra­ção Pública não é li­vre em re­sol­ver so­bre a con­ve­niên­cia do ato ou de seu con­teú­do. Só lhe ca­be cons­ta­tar a ocor­rên­cia dos mo­ti­vos, e, com ba­se ne­les, pra­ti­car o ato, co­mo dis­ser­ta Saebra Fagundes, em sua fes­te­ja­da mo­no­gra­fia so­bre O con­tro­le dos atos administrativos (4ª ed., p. 82).

Não se des­cons­ti­tui ato ju­rí­di­co per­fei­to sem ob­ser­vân­cia da for­ma de­ter­mi­na­da em lei. A sim­ples amea­ça de sus­pen­são do pa­ga­men­to do be­ne­fí­cio dá ao se­gu­ra­do di­rei­to de bus­car o am­pa­ro da jus­ti­ça pa­ra ga­ran­tir o seu re­ce­bi­men­to men­sal.

É que, des­de 100046, a Constituição da República, em seu ar­ti­go 141, pa­rá­gra­fo 4º, no ca­pí­tu­lo “Dos Direitos e Garantias Individuais”, já de­ter­mi­na­va que a lei não po­de­ria ex­cluir da apre­cia­ção do Poder Judiciário qual­quer le­são a di­rei­to in­di­vi­dual. De lá pa­ra cá se con­sa­grou na dou­tri­na e na ju­ris­pru­dên­cia o en­ten­di­men­to de que o ad­mi­nis­tra­do não pre­ci­sa exau­rir a via ad­mi­nis­tra­ti­va pa­ra in­gres­sar em juí­zo. A nor­ma se man­tém, com ­maior abran­gên­cia, na Constituição federal de 100088, com a re­da­ção pos­ta no seu ar­ti­go 5º, in­ci­so ­XXXV.

A Súmula 473 do STF, de ha­bi­tual uso pe­lo ­INSS, tam­bém as­se­gu­ra em to­dos os ca­sos a apre­cia­ção ju­di­cial, con­for­me tex­to ofi­cial que trans­cre­ve­mos:

A ad­mi­nis­tra­ção po­de anu­lar ­seus pró­prios ­atos, quan­do ei­va­dos de ví­cios que os tor­nam ile­gais, por­que de­les não se ori­gi­nam di­rei­tos; ou re­vo­gá-los, por mo­ti­vo de con­ve­niên­cia ou opor­tu­ni­da­de, res­pei­ta­dos os di­rei­tos ad­qui­ri­dos, e res­sal­va­da em to­dos os ca­sos a apre­cia­ção ju­di­cial.

A Lei 000.784/000000, que re­gu­la o pro­ces­so ad­mi­nis­tra­ti­vo no âm­bi­to da Administração Pública federal, em seu ar­ti­go 55, tam­bém é fa­vo­rá­vel ao se­gu­ra­do amea­ça­do de sus­pen­são do be­ne­fí­cio e as­sim dis­põe:

Art. 55. Em de­ci­são na ­qual se evi­den­cie não acar­re­ta­rem le­são ao in­te­res­se pú­bli­co nem pre­juí­zo a ter­cei­ros, os ­atos que apre­sen­ta­rem de­fei­tos sa­ná­veis po­de­rão ser con­va­li­da­dos pe­la pró­pria Administração.

Nesse sen­ti­do é a orien­ta­ção dou­tri­ná­ria, co­mo lem­bra­va Wagner Balera, já na edi­ção de 2012 de seu tra­ba­lho de­no­mi­na­do: Processo administrativo Previdenciário, Ed. LTR, 2012, p. 2000000, no ­qual dis­cor­re so­bre as atri­bui­ções do ple­ná­rio do Conselho de Recursos da Previdência Social, in ver­bis:

… No de­cur­so do pro­ces­so, é co­lo­ca­da em pa­ta­mar ­mais ele­va­do a mis­são ins­ti­tu­cio­nal do Pleno. Agirá, o Colégio, co­mo guar­dião dos di­rei­tos cons­ti­tu­cio­nais do be­ne­fi­ciá­rio, di­rei­tos que, emer­gin­do co­mo ine­quí­vo­cos, exi­gem a ime­dia­ta in­te­gra­ção do res­pec­ti­vo ti­tu­lar no pla­no de se­gu­ri­da­de que lhe ca­be ­fluir.

… Pode-se di­zer, dan­do cur­so a ou­tra or­dem de ar­gu­men­tos, que o agen­te pú­bli­co ha­bi­li­ta­do a con­ce­der e a man­ter as pres­ta­ções é ani­ma­do pe­la re­gra im­plí­ci­ta que, acer­ta­da dou­tri­na, cha­ma de prin­cí­pio da cor­re­ta atua­ção ad­mi­nis­tra­ti­va, ex­pres­são ele­men­tar da le­ga­li­da­de, se­gun­do o ­qual a Administração Pública de­ve con­si­de­rar to­dos os ele­men­tos ap­tos a in­fluir na de­ci­são fi­nal.

Conclui-se, ­pois, que bas­ta­ria que a Ad­mi­nis­tra­ção pas­sas­se a res­pei­tar os prin­cí­pios da le­ga­li­da­de, im­pes­soa­li­da­de, mo­ra­li­da­de, pu­bli­ci­da­de e efi­ciên­cia, cons­ti­tu­cio­nal­men­te fi­xa­dos no ar­ti­go 37 da Constituição federal, e tam­bém pre­vis­tos na Lei 000.784/000000, ar­ti­go 2º, que ain­da con­sa­gra os prin­cí­pios da fi­na­li­da­de, mo­ti­va­ção, ra­zoa­bi­li­da­de, pro­por­cio­na­li­da­de, am­pla de­fe­sa, con­tra­di­tó­rio, se­gu­ran­ça ju­rí­di­ca, in­te­res­se pú­bli­co e efi­ciên­cia no pro­ces­so ad­mi­nis­tra­ti­vo pa­ra que as sus­pei­tas de frau­de ou ir­re­gu­la­ri­da­des ocor­ri­das no ato da con­ces­são de be­ne­fí­cios pre­vi­den­ciá­rios fos­sem de­vi­da­men­te apu­ra­das e cor­ri­gi­das sem a ne­ces­sá­ria in­ter­ven­ção da já tão as­so­ber­ba­da Justiça.

Desta for­ma, ­mais uma vez de­ve o Poder Judiciário apre­ciar e de­ter­mi­nar a con­clu­são do ób­vio, que é o res­ta­be­le­ci­men­to do be­ne­fí­cio da autora de ime­dia­to.

III – DA AN­TE­CI­PA­ÇÃO DOS EFEI­TOS DA TU­TE­LA

Com ful­cro no ar­ti­go 273, do CPC, re­quer a autora a an­te­ci­pa­ção dos efei­tos da tu­te­la, ­pois de­mons­tra­do que há o fun­da­do re­ceio de ocor­rên­cia de da­no ir­re­pa­rá­vel pe­lo não-re­ce­bi­men­to des­de já está, e an­tes da de­ci­são de­fi­ni­ti­va de mé­ri­to – do be­ne­fí­cio men­sal de aposentadoria por idade que já era re­ce­bi­do e que fo­ra sus­pen­so, saliente-se que a autora tem di­fi­cul­da­de em con­se­guir pa­gar ­suas con­tas, bem co­mo se ali­men­tar ou se me­di­car ade­qua­da­men­te pe­las des­pe­sas que vem a seu en­con­tro em vir­tu­de de sua ida­de. Temerário se­ria aguar­dar o jul­ga­men­to fi­nal da ­ação, ha­ja vis­ta, ser no­tó­ria e pú­bli­ca a cons­tan­te e in­sis­ten­te prá­ti­ca do Ins­ti­tu­to-réu em pro­te­lar pa­ga­men­tos e con­ces­são de be­ne­fí­cios, ­além dos inú­me­ros re­cur­sos e pra­zos da­dos à Autarquia.

Também pro­va­da a ve­ros­si­mi­lhan­ça da ale­ga­ção pe­la autora, tra­zen­do aos au­tos a com­pro­va­ção do tem­po de con­tri­bui­ção pe­las có­pias dos re­gis­tros de tra­ba­lho, no ca­so de con­ces­são de be­ne­fí­cio de apo­sen­ta­do­ria por ida­de e da car­ta in­de­fe­ri­tó­ria do ­INSS sem ter ha­vi­do o de­vi­do pro­ces­so le­gal.

Da mes­ma for­ma, fi­ca de­mons­tra­do e ca­rac­te­ri­za­do o fu­mus bo­ni iu­ris, pe­la apli­ca­ção dos di­rei­tos pre­vis­tos em nos­sa Constituição, ou sejam, a am­pla de­fe­sa e o con­tra­di­tó­rio.

IV – DO PE­DI­DO

Diante de to­do o ex­pos­to, re­quer se­ja a Autarquia ci­ta­da e in­ti­ma­da, na pes­soa de seu re­pre­sen­tan­te ju­di­cial, no en­de­re­ço de­cli­na­do no preâm­bu­lo pa­ra, que­ren­do, apre­sen­tar a con­tes­ta­ção que en­ten­der ca­bí­vel, de­ven­do a de­man­da, ao fi­nal, ser jul­ga­da pro­ce­den­te, con­de­nan­do-a a res­ta­be­le­cer o be­ne­fí­cio aposentadoria por idade à autora, des­de a ci­ta­ção, com o pa­ga­men­to in­te­gral dos va­lo­res atra­sa­dos, em ca­so do de­fe­ri­men­to da tu­te­la an­te­ci­pa­tó­ria.

Pelos mo­ti­vos ex­pos­tos, re­quer a an­te­ci­pa­ção dos efei­tos da tu­te­la, com ful­cro no ar­ti­go 273 do CPC, res­ta­be­le­cen­do e reim­plan­tan­do o be­ne­fí­cio à autora.

Requer, ou­tros­sim, que lhe se­ja con­ce­di­da a Assistência Judiciária gra­tui­ta dian­te da sua con­di­ção, e por for­ça da na­tu­re­za da cau­sa, que tem cu­nho ali­men­tar.

Indica as pro­vas per­ti­nen­tes, sem ex­clu­são de qual­quer.

Requer, por der­ra­dei­ro, ho­no­rá­rios ad­vo­ca­tí­cios em 20% do va­lor to­tal da con­de­na­ção.

Dá à cau­sa o va­lor de R$__________________________ pa­ra efei­tos de al­ça­da.

N. Termos,

P. E. de­fe­ri­men­to.

_____________, _____/________/ 200__

__________________________________

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