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[MODELO] Ação revisional de benefício previdenciário – Alteração na expectativa de sobrevida

EX­MO. (A) SR. (A) DR. (A) ­JUIZ (A) FE­DE­RAL DA

______________________________________

_____, bra­si­lei­ro, apo­sen­ta­do, por­ta­dor da Cédula de Identidade nº ______, ins­cri­to no CPF sob o nº ___________, re­si­den­te na Rua _______, Comarca de _____ -, por seu ad­vo­ga­do que es­ta subs­cre­ve, vem, mui res­pei­to­sa­men­te, à pre­sen­ça de V. Exa. pa­ra pro­por a pre­sen­te

Ação re­vi­sio­nal de be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio

em des­fa­vor do Instituto Nacional do Seguro Social – ­INSS, nos ter­mos que pas­sa a adu­zir.

I- DOS FA­TOS

1. Na da­ta de ___/___/___, o au­tor reu­niu os re­qui­si­tos le­gais à sua apo­sen­ta­do­ria e em ___/___/___ re­que­reu a con­ces­são de seu be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio, o ­qual lhe foi con­ce­di­do le­van­do-se em con­ta a tá­bua com­ple­ta de mor­ta­li­da­de pu­bli­ca­da em de­zem­bro de 2003.

2. Conforme pre­vis­to no Decreto nº 3.266, de 2000 de no­vem­bro de 2012, a tá­bua com­ple­ta de mor­ta­li­da­de, cons­truí­da pe­lo IB­GE, es­ta­be­le­ce a ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da do se­gu­ra­do. Por sua vez, a ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da do se­gu­ra­do é um dos com­po­nen­tes da fór­mu­la que cal­cu­la o fa­tor pre­vi­den­ciá­rio que tam­bém le­va em con­ta o tem­po de con­tri­bui­ção e a ida­de no mo­men­to da apo­sen­ta­do­ria (Lei nº 000.876, de 26 de no­vem­bro de 2012, ane­xa).

3. Todos es­ses da­dos são con­si­de­ra­dos pa­ra o cál­cu­lo do salário de benefício da apo­sen­ta­do­ria por ida­de e por tem­po de ser­vi­ço (con­tri­bui­ção), con­for­me de­ter­mi­na a Lei nº 000.876, de 26 de no­vem­bro de 2012.

4. Conforme se de­preen­de da fór­mu­la pa­ra o cál­cu­lo do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio,1 abai­xo trans­cri­ta, a ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da cons­ti­tui o de­no­mi­na­dor (o di­vi­sor), e is­so sig­ni­fi­ca que quan­to ­maior for a ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da do se­gu­ra­do, me­nor se­rá o fa­tor pre­vi­den­ciá­rio apli­cá­vel a ele e con­se­qüen­te­men­te me­nor se­rá o va­lor do seu be­ne­fí­cio. Assim, qual­quer al­te­ra­ção na for­ma co­mo se cal­cu­la a ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da im­pli­ca a al­te­ra­ção do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio e es­se, por sua vez, im­pli­ca o re­sul­ta­do do salário de benefício.

5. Atendendo aos pre­cei­tos le­gais, o IB­GE pu­bli­cou, em 1º de de­zem­bro de 2003, a tá­bua com­ple­ta de mor­ta­li­da­de, uti­li­zan­do no­vos ele­men­tos em seu cál­cu­lo. Com is­so a tá­bua do re­fe­ri­do pe­río­do apre­sen­tou va­ria­ções per­cen­tuais em re­la­ção às tá­buas an­te­rio­res ex­tre­ma­men­te sig­ni­fi­ca­ti­vas e pre­ju­di­ciais aos se­gu­ra­dos do ­RGPS.

6. Após a mu­dan­ça in­tro­du­zi­da pe­lo IB­GE, as va­ria­ções per­cen­tuais em re­la­ção às tá­buas cal­cu­la­das nos ­anos an­te­rio­res, que an­tes ­eram in­fe­rio­res a 1%, pas­sa­ram a ser, na me­nor ida­de pa­ra apo­sen­ta­do­ria (45 ­anos), de 8,1%, che­gan­do a atin­gir, na ida­de de 70 ­anos, uma va­ria­ção de 25,000%, con­for­me es­tu­do da consultora legislativa da Câmara dos Deputados, ­Cláudia Augusta Ferreira Deud, in­ti­tu­la­do Alteração na me­to­do­lo­gia de cál­cu­lo da tá­bua de ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da pa­ra 2012 e ­seus re­fle­xos no Regime Geral da Previdência Social, pu­bli­ca­do em ­maio/2012.

7. Na mé­dia pa­ra a fai­xa etá­ria de 44 a 80 ­anos, o au­men­to da ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da foi de 20,51% e a re­du­ção no fa­tor pre­vi­den­ciá­rio e na ren­da do be­ne­fí­cio foi de 16,22%.

8. Inquestionável é a atri­bui­ção téc­ni­ca do IB­GE pa­ra o cál­cu­lo das tá­buas de mor­ta­li­da­de. Fora de ques­tão, ain­da, a pos­si­bi­li­da­de de o Ins­ti­tu­to pro­cu­rar uti­li­zar-se das me­lho­res téc­ni­cas no in­tui­to de for­ne­cer os da­dos ­mais pre­ci­sos pos­sí­veis.

000. Instado a se ma­ni­fes­tar, o IB­GE in­for­mou que não hou­ve al­te­ra­ção me­to­do­ló­gi­ca pa­ra o cál­cu­lo da tá­bua de mor­ta­li­da­de de 2003, em com­pa­ra­ção com aque­las pu­bli­ca­das pa­ra os exer­cí­cios an­te­rio­res. A mu­dan­ça, in­for­ma o Ins­ti­tu­to, te­ria si­do de­ri­va­da da uti­li­za­ção, na úl­ti­ma, de da­dos co­lhi­dos no cen­so de 2012 e, por­tan­to, ­mais pre­ci­sos. Nos exer­cí­cios an­te­rio­res, te­riam si­do uti­li­za­das pro­je­ções de mor­ta­li­da­de com ba­se em da­dos dos cen­sos de 100080 e 10000001. Vejamos tex­tual­men­te a res­pos­ta:

Com efei­to, a cons­tru­ção da tá­bua de mor­ta­li­da­de, a par­tir de 2003, não foi fru­to de qual­quer al­te­ra­ção me­to­do­ló­gi­ca, já que a me­to­do­lo­gia apli­ca­da foi a mes­ma da tá­bua de mor­ta­li­da­de an­te­rior. A sen­sí­vel di­fe­ren­ça, no­ta­da na tá­bua di­vul­ga­da a par­tir de 2003, de­cor­re do fa­to de que es­ta já con­ta com os da­dos efe­ti­va­men­te co­lhi­dos no Censo 2012, en­quan­to que as do triê­nio 2012-01 fo­ram cons­truí­das, co­mo já vis­to an­te­rior­men­te, com ba­se na pro­je­ção de mor­ta­li­da­de ela­bo­ra­da pa­ra via­bi­li­zar o mo­de­lo de pro­je­ção da po­pu­la­ção, com ba­se nos da­dos efe­ti­vos dos Censos de 100080 e 10000001.

II – DO DI­REI­TO

10. Em de­cor­rên­cia dos fa­tos aci­ma re­la­ta­dos, ­duas si­tua­ções ile­gais e in­cons­ti­tu­cio­nais fo­ram in­se­ri­das no sis­te­ma de cál­cu­lo das apo­sen­ta­do­rias, a se­guir lis­ta­das:

a) os ci­da­dãos que, co­mo o sig­na­tá­rio, preen­che­ram os re­qui­si­tos pa­ra ina­ti­va­ção AN­TES da di­vul­ga­ção da no­va tá­bua de mor­ta­li­da­de ti­ve­ram per­das ­real e no­mi­nal por con­ti­nua­rem tra­ba­lhan­do, ou se­ja, fo­ram pu­ni­dos por per­ma­ne­ce­rem na ati­va, uma vez que o va­lor dos be­ne­fí­cios te­ria si­do ­maior, ca­so hou­ves­sem re­que­ri­do a apo­sen­ta­do­ria até 30.11.2003;

b) com a al­te­ra­ção dos da­dos dis­po­ní­veis uti­li­za­dos pe­lo IB­GE (do cen­so de 2012) fo­ram in­se­ri­dos no cál­cu­lo do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio – ins­ti­tuí­do em 2012, res­sal­te-se – da­dos que con­fi­gu­ram me­lho­rias nas con­di­ções de vi­da (ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da) das ­duas úl­ti­mas dé­ca­das e não ape­nas de um exer­cí­cio.

11. O pri­mei­ro pro­ble­ma apon­ta­do vio­la fron­tal­men­te os prin­cí­pios da pro­por­cio­na­li­da­de, da ra­zoa­bi­li­da­de e da iso­no­mia, sen­do, por­tan­to in­cons­ti­tu­cio­nal.

12. O pri­mei­ro pro­ble­ma apon­ta­do vio­la fron­tal­men­te o di­rei­to ad­qui­ri­do e a pró­pria ló­gi­ca do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio, que vi­sa be­ne­fi­ciar aque­les que op­ta­rem por per­ma­ne­cer ­mais tem­po em ati­vi­da­de. Tal fa­to é re­co­nhe­ci­do pe­la Administração que, em cor­res­pon­dên­cia ao MPF, in­for­mou es­tar ul­ti­man­do pro­vi­dên­cias pa­ra re­ver tal si­tua­ção, o que até o mo­men­to não foi fei­to. Vejamos o tre­cho da res­pos­ta (Ofício nº 200/SPS/GAB – assinado pe­lo Secretário de Previdência Social):

Por opor­tu­no es­cla­re­ço que o art. 122 da Lei nº 8.213, de 10000001, na re­da­ção da­da pe­la Lei nº 000.532, de 10 de de­zem­bro de 10000007, as­se­gu­ra ao se­gu­ra­do, sem­pre que ­mais van­ta­jo­so, o di­rei­to à apo­sen­ta­do­ria, nas con­di­ções le­gal­men­te pre­vis­tas na da­ta do cum­pri­men­to de to­dos os re­qui­si­tos ne­ces­sá­rios à ob­ten­ção do be­ne­fí­cio, na hi­pó­te­se em que te­nha per­ma­ne­ci­do em ati­vi­da­de ­após ha­ver com­ple­ta­do o tem­po de con­tri­bui­ção exi­gi­do. Em ra­zão des­se dis­po­si­ti­vo e, con­si­de­ran­do que a Tábua de Mortalidade cal­cu­la­da pa­ra o ano 2012, in­cor­po­ran­do os da­dos po­pu­la­cio­nais do Censo Demográfico 2012, ajus­tou as pro­je­ções pas­sa­das e dis­so re­sul­tou em sig­ni­fi­ca­ti­vo au­men­to da ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da do bra­si­lei­ro, o ­INSS es­tá ul­ti­man­do as pro­vi­dên­cias pa­ra re­ver as apo­sen­ta­do­ria con­ce­di­das com Data de Início do Benefício – DIB a par­tir de 1.12.2003, pa­ra ajus­tá-lo à si­tua­ção ­mais van­ta­jo­sa pa­ra o se­gu­ra­do.

13. O re­co­nhe­ci­men­to do di­rei­to no­ti­cia­do (pa­ra aque­les que preen­che­ram os re­qui­si­tos até 30.11.2003) tor­na ain­da ­mais cla­ra a afron­ta à lei e à Constituição federal, nos ter­mos já apon­ta­dos. Com efei­to, ci­da­dãos, que, por exem­plo, te­nham sua si­tua­ção se­pa­ra­da por um úni­co dia (ida­de e tem­po de con­tri­bui­ção), re­ce­be­rão be­ne­fí­cios com di­fe­ren­ças sig­ni­fi­ca­ti­vas em de­cor­rên­cia da lei­tu­ra equi­vo­ca­da que a Administração faz dos nú­me­ros apre­sen­ta­dos pe­lo IB­GE.

14. Vejamos, a tí­tu­lo de ilus­tra­ção, um ca­so sim­ples: ­dois se­gu­ra­dos que te­nham se fi­lia­do ao ­RGPS am­bos com de­zoi­to ­anos e na mes­ma da­ta, e que con­tas­sem com 57 ­anos de ida­de e 3000 ­anos de con­tri­bui­ção em no­vem­bro de 2003. Aplicando-se a Tábua Completa de Mortalidade de 2012, que te­ria si­do pu­bli­ca­da no pri­mei­ro dia de de­zem­bro de 2012 e es­ta­ria en­tão em vi­gor, o fa­tor pre­vi­den­ciá­rio a ser apli­ca­do aos ­dois na­que­la da­ta se­ria pra­ti­ca­men­te neu­tro (­igual a 1,0171, na rea­li­da­de), e os ­dois te­riam igual­men­te di­rei­to à apo­sen­ta­do­ria in­te­gral na­que­la da­ta.

15. Continuando o exem­plo aci­ma, um dos ­dois se­gu­ra­dos (que cha­ma­re­mos do­ra­van­te de A) re­sol­ve so­li­ci­tar sua apo­sen­ta­do­ria na­que­le mês e ela lhe é con­ce­di­da, com va­lor in­te­gral. O ou­tro (que cha­ma­re­mos de B) re­sol­ve dei­xar pa­ra se apo­sen­tar no ano se­guin­te, quan­do com­ple­ta­ria 58 ­anos de ida­de e 40 de con­tri­bui­ção ao ­RGPS, con­fia­do em que, co­mo diz a con­sul­to­ria ju­rí­di­ca do go­ver­no, além dos pa­râ­me­tros aci­ma enu­me­ra­dos o fa­tor pre­vi­den­ciá­rio in­clui um adi­cio­nal pa­ra os se­gu­ra­dos de acor­do com a per­ma­nên­cia em ati­vi­da­de, ou se­ja, o se­gu­ra­do que fi­car ­mais tem­po no Regime Geral irá re­ce­ber um adi­cio­nal que se­rá tan­to ­maior quan­to ­maior o tem­po que ele te­nha fi­ca­do no sis­te­ma.

16. No en­tan­to, pa­ra es­tu­pe­fa­ção de B, no ano se­guin­te, ao in­vés de re­ce­ber um bô­nus pe­la per­ma­nên­cia du­ran­te ­mais tem­po no ­RGPS, o que acon­te­ce é que, co­mo a Tábua Completa de Mortalidade te­ve al­te­ra­da a sua me­to­do­lo­gia de cál­cu­lo da ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da, o seu fa­tor pre­vi­den­ciá­rio se­rá ­igual a 0,000648, e o va­lor do seu be­ne­fí­cio de apo­sen­ta­do­ria se­rá re­du­zi­do nes­sa mes­ma pro­por­ção.

17. Em con­clu­são: no exem­plo que vi­mos de­sen­vol­ven­do, B, que fi­cou ­mais tem­po con­tri­buin­do ao ­RGPS, te­rá um be­ne­fí­cio-de-apo­sen­ta­do­ria me­nor do que A, que se apo­sen­tou um ­anos an­tes e, por­tan­to, con­tri­buiu a me­nos du­ran­te 12 me­ses, em­bo­ra te­nham am­bos par­ti­do de uma si­tua­ção ab­so­lu­ta­men­te ­igual em to­dos os de­mais as­pec­tos.

18. Portanto, pa­re­ce-nos ser evi­den­te a que­bra de iso­no­mia que o uso ina­de­qua­do da apli­ca­ção de da­dos de uma tá­bua de mor­ta­li­da­de, com me­to­do­lo­gia al­te­ra­da sem cor­res­pon­dên­cia com a ne­ces­si­da­de de aten­der ao equi­lí­brio atua­rial, mas por ra­zões ou­tras, ao cál­cu­lo do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio.

1000. O se­gun­do pro­ble­ma apon­ta­do vio­la, ­além do prin­cí­pio da pro­por­cio­na­li­da­de e ra­zoa­bi­li­da­de, tam­bém o pró­prio pro­ces­so le­gis­la­ti­vo e di­rei­tos ad­qui­ri­dos, uma vez que, quan­do da pu­bli­ca­ção da Lei nº 000.876/000000, com os da­dos en­tão dis­po­ní­veis, o fa­tor pre­vi­den­ciá­rio se­ria neu­tro, ou se­ja, ­igual a 1 pa­ra a ida­de de 5000 ­anos e tem­po de con­tri­bui­ção de 35 ­anos. Foram exa­ta­men­te es­tes pa­râ­me­tros que ga­ran­ti­ram a apro­va­ção do re­fe­ri­do fa­tor de equi­lí­brio atua­rial, o que se tor­na le­tra mor­ta pe­la in­ser­ção de no­vos da­dos pre­té­ri­tos à apro­va­ção da pró­pria lei.

20. A in­tro­du­ção do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio no cál­cu­lo das apo­sen­ta­do­rias ti­nha uma úni­ca fi­na­li­da­de: ga­ran­tir o equi­lí­brio atua­rial da Previdência, ­pois é ine­gá­vel que o usuá­rio tem di­rei­to ad­qui­ri­do a es­se equi­lí­brio.

21. Ora, até a edi­ção da no­va tá­bua, em 2003, ti­nha-se por as­sen­te que o equi­lí­brio atua­rial es­ta­va ga­ran­ti­do com a tá­bua até en­tão vi­gen­te.

22. Há, por­tan­to, o fe­ri­men­to de di­rei­tos ad­qui­ri­dos quan­do o ­INSS pre­ten­de que a no­va tá­bua se­ja uti­li­za­da pa­ra os cál­cu­los de si­tua­ções an­te­rio­res à sua edi­ção, des­co­nhe­cen­do que há ni­ti­da­men­te ­dois pe­río­dos e que o se­gu­ra­do tem o di­rei­to ad­qui­ri­do a fa­zer os cál­cu­los em con­for­mi­da­de com as re­gras que vi­go­ra­vam em ca­da um de­les.

23. Veja-se o ca­so da Forluz – Fundo Previdenciário da CEMIG – Companhia de Energia Elétrica de Minas Gerais, que re­cen­te­men­te de­ci­diu al­te­rar a tá­bua de mor­ta­li­da­de em que se ba­sea­va, pas­san­do da AT-4000 pa­ra a AT-83, ou se­ja, de uma tá­bua ela­bo­ra­da com da­dos do ano de 10004000 pa­ra ou­tra com da­dos do ano de 100083.

24. Sobre is­so, es­cla­re­ce José Ribeiro Pena Neto, diretor de seguridade da Forluz, em ar­ti­go es­tam­pa­do em pu­bli­ca­ção da­que­la Fundação:

Passamos a uti­li­zar a tá­bua AT-83, em lu­gar da AT-4000, com im­plan­ta­ção gra­dual pre­vis­ta pa­ra acon­te­cer em, no má­xi­mo, 10 ­anos. (…)

A di­re­to­ria da Forluz, cien­te de que a al­te­ra­ção da tá­bua no Plano B tem um im­pac­to di­re­to e ime­dia­to no va­lor do be­ne­fí­cio, pro­cu­rou uma al­ter­na­ti­va de não fa­zê-la brus­ca­men­te, ou se­ja, de for­ma di­fe­ren­te do que fez, por exem­plo, o ­INSS em 2003.

Com o res­pal­do dos atuá­rios ex­ter­nos, pro­pôs-se a cria­ção de ­duas con­tas de apo­sen­ta­do­ria por par­ti­ci­pan­te. Uma se­ria cons­ti­tuí­da com os re­cur­sos de­po­si­ta­dos até a da­ta da tran­si­ção e ou­tra com os va­lo­res apor­ta­dos ­após es­sa da­ta. No mo­men­to de con­ces­são do be­ne­fí­cio, a pri­mei­ra con­ta se­ria con­ver­ti­da usan­do a tá­bua AT-4000 e a segunda com a tá­bua AT-83.

25. Vê-se, por­tan­to, de que cui­da­dos se cer­cou a Forluz pa­ra as­se­gu­rar o não-fe­ri­men­to dos di­rei­tos ad­qui­ri­dos de ­seus as­so­cia­dos: um pe­río­do de tran­si­ção e a es­ti­pu­la­ção da se­pa­ra­ção das con­tas de de­pó­si­tos con­for­me a tá­bua de mor­ta­li­da­de uti­li­za­da.

26. Observe-se que es­sa de­ci­são te­ve o ­apoio dos atuá­rios ex­ter­nos, que en­ten­de­ram que as­sim es­ta­va as­se­gu­ra­do o equi­lí­brio atua­rial, e foi re­fe­ren­da­da pe­la Secretaria de Previdência Complementar – SPC.

27. A par­tir des­se exem­plo con­cre­to, fi­ca vi­sí­vel o equí­vo­co em que in­cor­re o ­INSS, ao ado­tar, sem ne­nhum pe­río­do de tran­si­ção e, por­tan­to, sem ne­nhu­ma preo­cu­pa­ção com o di­rei­to ad­qui­ri­do dos usuá­rios ao equi­lí­brio atua­rial an­te­rior­men­te exis­ten­te, ino­pi­na­da­men­te, uma va­ria­ção nas con­di­ções de vi­da das ­duas úl­ti­mas dé­ca­das e não ape­nas de um exer­cí­cio.

28. Daí a de­cor­rên­cia na­tu­ral de que se­ria ne­ces­sá­rio, em pri­mei­ro lu­gar, um pe­río­do de tran­si­ção em que es­ses acrés­ci­mos na ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da fos­sem in­tro­du­zi­dos pau­la­ti­na­men­te no fa­tor pre­vi­den­ciá­rio; e, se­gun­do, se­pa­rar os ­dois pe­río­dos e ­criar con­tas de de­pó­si­tos di­fe­ren­tes pa­ra ca­da um de­les, que se­riam pro­ces­sa­das, ao fi­nal, le­van­do-se em con­si­de­ra­ção a tá­bua de mor­ta­li­da­de exis­ten­te na res­pec­ti­vo pe­río­do em que os de­pó­si­tos fo­ram fei­tos em ca­da con­ta, co­mo fez a Forluz, le­van­do em con­ta, ex­pres­sa­men­te, a ne­ces­si­da­de de cor­ri­gir o er­ro co­me­ti­do pe­lo ­INSS em re­la­ção aos se­gu­ra­dos des­te úl­ti­mo.

2000. Por to­das es­sas ra­zões de­ve res­tar afas­ta­da (ou ajus­ta­da) a apli­ca­ção da no­va tá­bua de mor­ta­li­da­de, cal­cu­la­da pe­lo IB­GE, re­vi­san­do-se, por con­se­qüên­cia, o be­ne­fí­cio de apo­sen­ta­do­ria con­ce­di­do ao autor eis que pa­ra o seu cál­cu­lo le­vou-se em con­ta a tá­bua com­ple­ta de mor­ta­li­da­de pu­bli­ca­da em 12/2003, o que lhe acar­re­tou as per­das aci­ma men­cio­na­das.

III – DOS PE­DI­DOS

Diante de to­do o ex­pos­to e pe­las ra­zões adu­zi­das, o autor re­quer:

I – A ci­ta­ção do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, na pes­soa de seu re­pre­sen­tan­te le­gal, pa­ra res­pon­der à pre­sen­te ­ação, sob pe­na de re­ve­lia.

II – A pro­ce­dên­cia da ­ação pa­ra con­de­nar o ­INSS a pro­ce­der a revisão do benefício previdenciário do au­tor me­dian­te uma das al­ter­na­ti­vas apre­sen­ta­das a se­guir:

1) a uti­li­za­ção da tá­bua de mor­ta­li­da­de pu­bli­ca­da no exer­cí­cio de 2012, a ­qual (em­bo­ra se re­fi­ra a da­dos de 2012) fo­ra apli­ca­da pa­ra o cál­cu­lo do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio até o fi­nal do exer­cí­cio de 2003 – DA­TA EM QUE JÁ ES­TA­VAM PREEN­CHI­DOS TO­DOS OS RE­QUI­SI­TOS PA­RA A APO­SEN­TA­DO­RIA DO AU­TOR –, pa­ra o cál­cu­lo do re­fe­ri­do fa­tor;

2) a uti­li­za­ção da tá­bua de mor­ta­lidade pu­bli­ca­da no exer­cí­cio de 2012, adi­cio­na­da ape­nas das va­ria­ções per­cen­tuais mé­dias que se vi­nham ve­ri­fi­can­do nos úl­ti­mos exer­cí­cios, pa­ra o cál­cu­lo do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio;

Ou:

3) a uti­li­za­ção da tá­bua de mor­ta­li­da­de pu­bli­ca­da no exer­cí­cio de 2003 (re­la­ti­va ao exer­cí­cio de 2012), des­de que ajus­ta­da pa­ra con­tem­plar, ape­nas, as al­te­ra­ções de ex­pec­ta­ti­va de vi­da ocor­ri­das en­tre os exer­cí­cios de 2012 e 2012, pa­ra o cál­cu­lo do fa­tor pre­vi­den­ciá­rio.

III – A con­de­na­ção do ­INSS a pro­mo­ver os acer­tos fi­nan­cei­ros pre­té­ri­tos de­cor­ren­tes das mo­di­fi­ca­ções plei­tea­das na pre­sen­te ação.

Protesta por to­dos os ­meios de pro­va ad­mi­ti­dos em di­rei­to, em es­pe­cial pe­la jun­ta­da de no­vos do­cu­men­tos.

Dá-se à cau­sa o va­lor de R$ ___________________

N. Termos,

P. E. de­fe­ri­men­to.

_____________, _____/________/ 200__

__________________________________

Adv.

1 f = Tc æ a æ [1+ (Id + Tc æ a)], on­de:

_____ _________

Es 100

f = fa­tor pre­vi­den­ciá­rio;

Es = ex­pec­ta­ti­va de so­bre­vi­da no mo­men­to da apo­sen­ta­do­ria;

Tc = tem­po de con­tri­bui­ção até o mo­men­to da apo­sen­ta­do­ria;

Id = ida­de no mo­men­to da apo­sen­ta­do­ria;

a = alí­quo­ta de con­tri­bui­ção cor­res­pon­den­te a 0,31.

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