{"id":48005,"date":"2023-11-29T09:11:54","date_gmt":"2023-11-29T12:11:54","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?p=48005"},"modified":"2024-07-16T10:30:33","modified_gmt":"2024-07-16T13:30:33","slug":"direito-do-consumidor-nas-casas-noturnas-ate-que-ponto-as-cobrancas-sao-validas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/direito-do-consumidor-nas-casas-noturnas-ate-que-ponto-as-cobrancas-sao-validas\/","title":{"rendered":"Direito do consumidor nas casas noturnas &#8211; at\u00e9 que ponto as cobran\u00e7as s\u00e3o v\u00e1lidas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">As casas noturnas s\u00e3o locais que as pessoas costumam ir para se divertir e aproveitar o que o tempo livre da noite pode proporcionar. A casa noturna \u00e9 o nome de uma categoria que abrange diferentes estabelecimentos que funcionam no per\u00edodo da noite. S\u00e3o exemplos: bares, discotecas, casas de shows e boates.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de ser um local voltado para a divers\u00e3o do p\u00fablico, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que aconte\u00e7am cobran\u00e7as abusivas e que geram dores de cabe\u00e7a para o cliente. Por isso, para <\/span><a href=\"https:\/\/easyjur.com\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">defender o direito do consumidor nas casas noturnas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e garantir justi\u00e7a, acompanhe neste artigo, um pouco mais sobre os elementos que comp\u00f5em este assunto.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Consuma\u00e7\u00e3o m\u00ednima\u00a0<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A consuma\u00e7\u00e3o m\u00ednima \u00e9 uma taxa m\u00ednima, estabelecida unilateralmente pelos donos das casas noturnas, onde os clientes s\u00e3o obrigados a consumir ao entrar no estabelecimento. Caso a pessoa n\u00e3o queira ou n\u00e3o consiga consumir o valor pago, n\u00e3o ter\u00e1 seu dinheiro de volta, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 escolha: ou consome a sua cota ou ir\u00e1 pagar por algo que n\u00e3o consumiu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora seja uma pr\u00e1tica muito comumente utilizada pelos donos das casas noturnas, essa cobran\u00e7a \u00e9 conden\u00e1vel desde 1991, quando entrou em vigor a Lei Federal n\u00ba 8.078\/90 C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O CDC estabeleceu, de forma bem clara, no art. 39, inciso l, quando estabelece que \u00e9 vedado o fornecimento de produto ou servi\u00e7o condicionado \u00e0 compra de outro produto ou servi\u00e7o. \u00c9 a chamada \u201cvenda casada\u201d, pr\u00e1tica considerada totalmente abusiva e ilegal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Logo, \u00e9 proibido um estabelecimento obrigar que algu\u00e9m consuma, seja a bebida ou comida, um valor m\u00ednimo exigido na entrada. A casa noturna n\u00e3o pode condicionar a entrada de uma pessoa em seu recinto, estabelecendo o quanto ela dever\u00e1 gastar. O cliente pode entrar quando quiser e consumir o que bem entender.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, cobrar consuma\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u00e9 proibido por lei. O que os donos de bares e casas noturnas poderiam fazer \u00e9 cobrar um valor fixo de ingresso para a entrada no estabelecimento. Isso reduziria o valor cobrado a t\u00edtulo de consuma\u00e7\u00e3o m\u00ednima e o consumidor n\u00e3o seria obrigado a consumir ou a pagar por algo que n\u00e3o queira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vale ressaltar que para <\/span><a href=\"https:\/\/easyjur.com\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">garantir o direito do consumidor nas casas noturnas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 importante e providencial que solicite a nota fiscal das casas noturnas que cobrarem a consuma\u00e7\u00e3o m\u00ednima, fazendo com que conste a prova na nota fiscal que o cliente est\u00e1 pagando pela consuma\u00e7\u00e3o m\u00ednima obrigat\u00f3ria da casa noturna. De posse dessa nota fiscal, o consumidor lesado consegue pedir a devolu\u00e7\u00e3o em dobro daquilo que pagou indevidamente.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3088262\" aria-describedby=\"caption-attachment-3088262\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3088262 size-full\" src=\"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/barrado-na-entrado-do-clube.webp\" alt=\"barrado na entrado do clube\" width=\"750\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/barrado-na-entrado-do-clube.webp 750w, https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/barrado-na-entrado-do-clube-300x180.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3088262\" class=\"wp-caption-text\">barrado na entrado do clube<\/figcaption><\/figure>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Consumidor barrado na entrada<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Perante o CDC, as casas noturnas s\u00e3o classificadas como fornecedoras de servi\u00e7os de entretenimento, enquadradas no artigo 3\u00ba. Os seus clientes, por sua vez, s\u00e3o considerados consumidores, est\u00e3o enquadrados no artigo 2\u00ba. Sendo assim, n\u00e3o pode o estabelecimento impedir os consumidores de ingressar em seu recinto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando uma pessoa jur\u00eddica abre as suas portas para o p\u00fablico geral, \u00e9 expressamente proibido discriminar ou distinguir as pessoas que pretendem consumir no local. Quem se dispor a pagar por um determinado produto ou servi\u00e7o, tem que efetivamente obter tal produto ou servi\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O artigo 39 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor diz que a recusa na venda de bens ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0queles que querem adquiri-los mediante pagamento \u00e9 considerada pr\u00e1tica abusiva. Portanto, se um seguran\u00e7a ou porteiro barrar o consumidor na porta de seu estabelecimento sem uma justificativa muito bem fundamentada, est\u00e1 configurada uma pr\u00e1tica imoral e ilegal de abuso contra o consumidor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se pode negar a entrada de uma pessoa em um com\u00e9rcio. A Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica garante o direito de ir e vir de todos os brasileiros e brasileiras, assim como o <\/span><a href=\"https:\/\/easyjur.com\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">direito \u00e0 honra e \u00e0 imagem<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (artigo 5\u00ba). Ocorre tamb\u00e9m o crime de inj\u00faria (artigo 140 do C\u00f3digo Penal), que d\u00e1 deten\u00e7\u00e3o de 1 a 6 meses ou multa ao infrator. Em caso de barrar a entrada por motivo de ra\u00e7a, cor ou origem, o crime tipificado \u00e9 o de discrimina\u00e7\u00e3o, de car\u00e1ter inafian\u00e7\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Apresenta\u00e7\u00e3o de bandas covers ou artistas<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ir a uma casa noturna e poder desfrutar da apresenta\u00e7\u00e3o de um grupo musical ou a performance de um artista. Essa apresenta\u00e7\u00e3o, que muitas vezes \u00e9 programada para atrair mais clientes ao local, pode ter um pre\u00e7o para o cliente. \u00c9 o famoso couvert art\u00edstico, valor que corresponde ao servi\u00e7o dos artistas e deve ser direcionado aos profissionais. Eles, no caso, devem ter um contrato de trabalho com o estabelecimento em que se apresentam. Al\u00e9m disso, s\u00f3 pode ser cobrado do cliente quando houver a combina\u00e7\u00e3o de 2 fatores: o oferecimento de show ou m\u00fasica ao vivo, por m\u00fasicos e artistas profissionais e a informa\u00e7\u00e3o antecipada sobre o valor cobrado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o artigo 6\u00ba, inciso III, o consumidor deve ser previamente comunicado, de maneira clara e ostensiva, preferencialmente na entrada do estabelecimento, que o couvert ser\u00e1 cobrado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso significa que a taxa n\u00e3o pode ser uma surpresa para o cliente na hora do pagamento. A sua cobran\u00e7a, assim como a sua quantia, que deve ser fixa, devem ser informadas de forma clara desde o in\u00edcio. O estabelecimento pode fazer essa comunica\u00e7\u00e3o de algumas maneiras. Ele pode utilizar um letreiro, papel ou no formato digital. A informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 precisa estar vis\u00edvel na entrada do evento, junto da atra\u00e7\u00e3o ou nas mesas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, \u00e9 assegurado ao consumidor o direito de optar se deseja pagar por esse servi\u00e7o ou n\u00e3o e, caso n\u00e3o deseje, ele pode consumir em outro estabelecimento. O artigo 39\u00b0 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor destaca que \u00e9 vedado ao fornecedor de produtos ou servi\u00e7os, dentre outras pr\u00e1ticas abusivas: Os servi\u00e7os prestados e os produtos remetidos ou entregues ao consumidor sem solicita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via equiparam-se \u00e0s amostras gr\u00e1tis, inexistindo obriga\u00e7\u00e3o de pagamento.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Cobran\u00e7a dos 10% do gar\u00e7om e a lei da gorjeta<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dar gorjeta aos gar\u00e7ons sempre foi uma pr\u00e1tica comum em bares. Mas, at\u00e9 algum tempo atr\u00e1s, n\u00e3o havia nada que regulamentasse tal pr\u00e1tica. Quem gosta do atendimento dava a gratifica\u00e7\u00e3o ao gar\u00e7om ou ao estabelecimento tamb\u00e9m poderia cobrar uma taxa de servi\u00e7o dos clientes e optar por repass\u00e1-la ou n\u00e3o aos gar\u00e7ons ou dividi-la entre a equipe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, n\u00e3o havia um consenso em como distribuir ou repassar as bonifica\u00e7\u00f5es recebidas, o que acabava gerando alguns conflitos. Em 2017, criou-se a Lei n\u00ba 13.419 ou a Lei da Gorjeta para <\/span><a href=\"https:\/\/easyjur.com\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">regulamentar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> as gorjetas em bares, restaurantes e h\u00f3teis, estabelecendo que:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com a Lei da Gorjeta: \u201cConsidera-se gorjeta n\u00e3o s\u00f3 a import\u00e2ncia espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como tamb\u00e9m o valor cobrado pela empresa, como servi\u00e7o ou adicional, a qualquer t\u00edtulo, e destinado \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o aos empregados.\u201d<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ou seja, a taxa de servi\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 considerada como gorjeta, embora, no geral, ela seja dividida entre todos os funcion\u00e1rios e n\u00e3o s\u00f3 os gar\u00e7ons. Al\u00e9m disso, ela n\u00e3o entra como receita do estabelecimento, mas como gratifica\u00e7\u00e3o destinada aos funcion\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isto posto, informamos que o cliente n\u00e3o \u00e9 obrigado a pagar os 10% do gar\u00e7om. O cliente pode ou n\u00e3o concordar em pagar a porcentagem estabelecida pelo estabelecimento. Isto \u00e9, ele pode pagar mais ou menos, se assim quiser. Se o consumidor for atendido por gar\u00e7ons despreparados e mal-educados, pode perfeitamente exercer o seu direito de n\u00e3o pagar a gorjeta. E, finalmente, o cliente pode, ainda, dar a gorjeta diretamente para o gar\u00e7om e n\u00e3o pagar a taxa de servi\u00e7o do estabelecimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">Perda da comanda<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o existe nenhum tipo de lei que obrigue quem perdeu a comanda a pagar uma quantia a t\u00edtulo de multa ou taxa. Isso se caracteriza como extors\u00e3o. A cobran\u00e7a de multa sobre a perda de comanda \u00e9 um abuso e \u00e9 considerada ilegal pelo CDC.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 obriga\u00e7\u00e3o do prestador de servi\u00e7os vender fichas no caixa ou ter um sistema eletr\u00f4nico de controle sobre as vendas de bebidas e comidas dentro de seu pr\u00f3prio recinto. Se a casa n\u00e3o tem um controle sobre o que foi vendido, n\u00e3o pode explorar o cliente pois, em direito do consumidor nas casas noturnas, o \u00f4nus da prova \u00e9 sempre do comerciante ou prestador de servi\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Insistir nessa pr\u00e1tica extorsiva \u00e9 considerado Constrangimento ilegal (Art. 146 do C\u00f3digo Penal), pois constranger algu\u00e9m mediante viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a a fazer o que a lei n\u00e3o manda (no caso, a pagar uma multa extorsiva) \u00e9 crime, podendo o gerente e o dono do estabelecimento serem presos e condenados \u00e0 pena de deten\u00e7\u00e3o, que varia de 3 meses a 1 ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em alguns casos, a coisa fica at\u00e9 mais grave pois o cliente inocente que perdeu a comanda \u00e9 impedido por seguran\u00e7as de deixar a casa se n\u00e3o pagar a tal taxa abusiva. Isso \u00e9 um absurdo e \u00e9 considerado crime de C\u00e1rcere privado, (Art. 148 do C\u00f3digo Penal), que prev\u00ea pena de pris\u00e3o de 1 a 3 anos ao infrator.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">O software da EasyJur como aliado na Defesa dos Direitos do Consumidor nas casas noturnas<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><a href=\"https:\/\/easyjur.com\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">EasyJur<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 uma ferramenta valiosa e de alto valor agregado para auxiliar os advogados que querem fazer com que os seus servi\u00e7os sejam feitos de uma forma ainda melhor, com mais praticidade e mais agilidade.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As casas noturnas s\u00e3o locais que as pessoas costumam ir para se divertir e aproveitar o que o tempo livre da noite pode proporcionar. 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