{"id":8917,"date":"2023-07-13T19:20:06","date_gmt":"2023-07-13T19:20:06","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-13T19:20:06","modified_gmt":"2023-07-13T19:20:06","slug":"manifestacao-sobre-a-replica-acao-ordinaria-de-indenizacao","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/manifestacao-sobre-a-replica-acao-ordinaria-de-indenizacao\/","title":{"rendered":"[MODELO] Manifesta\u00e7\u00e3o sobre a r\u00e9plica  &#8211;  A\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria de indeniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A\u00c7\u00c3O ORDIN\u00c1RIA DE INDENIZA\u00c7\u00c3O &#8211; MANIFESTA\u00c7\u00c3O <\/p>\n<p>SOBRE A R\u00c9PLICA<\/p>\n<\/p>\n<p>Excelent\u00edssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da &#8230;. Vara C\u00edvel da <\/p>\n<p>Comarca de &#8230;. <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>Processo n\u00ba <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, qualificada nos autos do processo n\u00ba &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, A\u00c7\u00c3O <\/p>\n<p>INDENIZAT\u00d3RIA que lhe movem &#8230;&#8230;&#8230;&#8230; e &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, vem <\/p>\n<p>respeitosamente, em aten\u00e7\u00e3o ao contido na NE &#8230;\/&#8230;. (fls. ..), dizer e <\/p>\n<p>requerer conforme segue:<\/p>\n<p>DA IN\u00c9PCIA DA INICIAL<\/p>\n<p>1. Embora os Autores afirmem que &quot;(&#8230;) nem mesmo nos <\/p>\n<p>Requerimentos ou ao longo das raz\u00f5es de defesa, existe expressamente <\/p>\n<p>ou implicitamente, alega\u00e7\u00e3o das Preliminares enunciadas no  art. 337 do <\/p>\n<p>NCPC&quot; (fls. ..), \u00e9 f\u00e1cil verificar-se que tal aspecto foi abordado na <\/p>\n<p>contesta\u00e7\u00e3o, em seus itens &#8230;. a &#8230;. (fls. ..) e &#8230;. a &#8230;. (fls. ..).<\/p>\n<p>2. Todavia, antes de se extinguir o processo com base na in\u00e9pcia da <\/p>\n<p>inicial, \u00e9 necess\u00e1rio ao menos empreender-se a tentativa de <\/p>\n<p>identifica\u00e7\u00e3o da causa de pedir e do pedido, verificar se ambos existem <\/p>\n<p>e se entre eles h\u00e1 nexo.<\/p>\n<p>3. Mesmo que, para tal verifica\u00e7\u00e3o, demande-se tremendo esfor\u00e7o de <\/p>\n<p>interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8. E, com vistas a isso, a R\u00e9 chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a causa de <\/p>\n<p>pedir \u00e9 o v\u00edcio de consentimento (erro), que acarretaria a anula\u00e7\u00e3o do <\/p>\n<p>neg\u00f3cio, o que se verifica nas seguintes assertivas dos Autores:<\/p>\n<p>&quot;A requerida mostrou pessoalmente o im\u00f3vel para os requerentes, <\/p>\n<p>indicando, inicialmente, o n\u00ba &#8230;&#8230;, indicado num esdr\u00faxulo mapa, <\/p>\n<p>anexo.&quot; <\/p>\n<p>(fls. &#8230;)<\/p>\n<p>&quot;Os requerentes, desta vez acompanhados de um corretor de im\u00f3veis <\/p>\n<p>da Imobili\u00e1ria &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, verificaram n\u00e3o ser o im\u00f3vel indicado, mas, o <\/p>\n<p>im\u00f3vel n\u00ba &#8230;&#8230;, conforme mapa apresentado pela requerida&quot; (fls. &#8230;)<\/p>\n<p>&quot;Verificando, ent\u00e3o, junto \u00e0 Prefeitura Municipal de &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, souberam <\/p>\n<p>n\u00e3o se tratar de \u00e1rea rural, mas, de LOTEAMENTO IRREGULAR&quot;. <\/p>\n<p>(fls. &#8230;)<\/p>\n<p>&quot;Contudo, o mapa elaborado na \u00e9poca, indicando o LOTEAMENTO <\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, traz a certeza da burla, est\u00e1, tamb\u00e9m, indicado no documento <\/p>\n<p>a cria\u00e7\u00e3o do loteamento. Assim, fica bem caracterizado a inten\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>enganarem os requerentes, corroborado pela indica\u00e7\u00e3o trocada do <\/p>\n<p>im\u00f3vel.&quot; (fls. &#8230;)<\/p>\n<p>&quot;Afasta-se, tamb\u00e9m, toda e qualquer alega\u00e7\u00e3o de n\u00e3o terem os <\/p>\n<p>requerentes, tomado imediatamente posse do im\u00f3vel, pois, restava <\/p>\n<p>d\u00favidas e indica\u00e7\u00e3o err\u00f4nea a cerca do lote.&quot; <\/p>\n<p>(fls. &#8230;)<\/p>\n<p>&quot;Os requerentes ficaram por longo tempo buscando junto \u00e0 requerida, <\/p>\n<p>depois, com a corretora de im\u00f3veis, onde o anterior propriet\u00e1rio <\/p>\n<p>trabalhava, Sr. &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, para localizar especificamente o terreno <\/p>\n<p>comprado (&#8230;)&quot; (fls. &#8230;)<\/p>\n<p>5. O pedido feito \u00e9 o seguinte: &quot;2) requer, aplica\u00e7\u00e3o da pena de <\/p>\n<p>indeniza\u00e7\u00e3o, por perdas e danos, considerando o valor pago pelo <\/p>\n<p>terreno, acrescido de juros de mora, corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e custas <\/p>\n<p>processuais&quot; (fls. &#8230;).<\/p>\n<p>6. Embora verifique-se que, dos fatos narrados resulte a interpreta\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>de que a alega\u00e7\u00e3o feita \u00e9 de exist\u00eancia de v\u00edcio de consentimento, o <\/p>\n<p>pedido feito \u00e9 de aplica\u00e7\u00e3o de &quot;pena de indeniza\u00e7\u00e3o&quot;.<\/p>\n<p>7. Todavia, ao pedirem a &quot;indeniza\u00e7\u00e3o&quot;, os autores querem receber de <\/p>\n<p>volta o que pagaram pelo terreno. Isto nada mais \u00e9 que pedir que a <\/p>\n<p>senten\u00e7a anule o contrato e, assim, produza o efeito de fazer com que <\/p>\n<p>as partes retornem ao estado anterior.<\/p>\n<p>8. \u00c9 o que ensina Orlando Gomes (Contratos, 15\u00aa ed., 10000005. ed. <\/p>\n<p>Forense, p. 182):<\/p>\n<p>&quot;Seja qual for a causa, a resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 modo de dissolu\u00e7\u00e3o dos contratos <\/p>\n<p>com tra\u00e7os n\u00edtidos e inconfund\u00edveis, embora se assemelhe no modo de <\/p>\n<p>exerc\u00edcio e nos efeitos, \u00e0 anula\u00e7\u00e3o. Um contrato anul\u00e1vel deixa de <\/p>\n<p>existir no momento em que sua invalidade \u00e9 decretada por iniciativa do <\/p>\n<p>interessado. Ao contr\u00e1rio do contrato nulo, que n\u00e3o produz efeitos <\/p>\n<p>desde sua forma\u00e7\u00e3o, o contrato anul\u00e1vel \u00e9 eficaz at\u00e9 o momento em <\/p>\n<p>que \u00e9 anulado, produzindo efeitos, portanto, durante algum tempo. <\/p>\n<p>Mas, declarada a sua anula\u00e7\u00e3o extingue-se como se fosse resolvido. <\/p>\n<p>Para ser anulado, \u00e9 preciso, como ocorre na resolu\u00e7\u00e3o, que o <\/p>\n<p>interessado requeira ao juiz a invalida\u00e7\u00e3o. Extingue-se unicamente por <\/p>\n<p>efeito de senten\u00e7a judicial. Sup\u00f5e a anula\u00e7\u00e3o, com efeito, a interven\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>do juiz. Por isso se diz que \u00e9 nulidade dependente de rescis\u00e3o. No <\/p>\n<p>modo de exerc\u00edcio, por conseguinte, anula\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o se parecem, <\/p>\n<p>pois que se realizam mediante a\u00e7\u00e3o judicial. Assim tamb\u00e9m nos efeitos. <\/p>\n<p>A anula\u00e7\u00e3o, assim como a resolu\u00e7\u00e3o, tem efeito retroativo. Tudo o que <\/p>\n<p>foi executado anteriormente desaparece como se o contrato jamais <\/p>\n<p>tivesse existido. Sob esse aspecto, tamb\u00e9m \u00e9 como a resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se confundem. Distinguem-se pela causa. A anula\u00e7\u00e3o tem as <\/p>\n<p>seguintes causas: 1\u00aa) incapacidade relativa de um dos contratantes; 2\u00aa) <\/p>\n<p>v\u00edcio do consentimento.&quot;<\/p>\n<p>000. Tamb\u00e9m merecem transcri\u00e7\u00e3o outros coment\u00e1rios do autor acerca <\/p>\n<p>da anula\u00e7\u00e3o de contrato (op. cit. p. 10008 e 10005):<\/p>\n<p>&quot;A nulidade \u00e9 incur\u00e1vel, mas os contratos anul\u00e1veis podem ser <\/p>\n<p>purificados. Sana-se o v\u00edcio origin\u00e1rio e, em conseq\u00fc\u00eancia, convalesce.<\/p>\n<p>A convalescen\u00e7a d\u00e1-se por tr\u00eas modos:<\/p>\n<p>a) a confirma\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>b) a convalida\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>c) a prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Convalesce finalmente o contrato anul\u00e1vel pela prescri\u00e7\u00e3o. Se a parte <\/p>\n<p>legitimada a propor a a\u00e7\u00e3o de anula\u00e7\u00e3o n\u00e3o age no lapso de tempo <\/p>\n<p>estabelecido na lei para a defesa do seu interesse, tranca-se a <\/p>\n<p>possibilidade de anular o contrato via de a\u00e7\u00e3o, o que, no entanto, <\/p>\n<p>poder\u00e1 obter-se por via de exce\u00e7\u00e3o. Extinto o direito \u00e0 anula\u00e7\u00e3o, o <\/p>\n<p>contrato convalesce, tornando-se definitivos seus efeitos.&quot;<\/p>\n<p>10. Esclarecido o que ocorre no plano do direito material, resta <\/p>\n<p>esclarecer como, de acordo com o direito processual, pode subsistir <\/p>\n<p>uma a\u00e7\u00e3o que narra uma causa de pedir de anula\u00e7\u00e3o contratual e <\/p>\n<p>termina por pedir &quot;indeniza\u00e7\u00e3o&quot;:<\/p>\n<p>&quot;Ao lado da falta do pedido ou da causa de pedir, a lei contempla, <\/p>\n<p>como esp\u00e9cie de in\u00e9pcia, a incompatibilidade, desarmonia ou <\/p>\n<p>desencontro entre a causa de pedir e o pedido.<\/p>\n<p>A peti\u00e7\u00e3o inicial cont\u00e9m um silogismo. \u00c9 li\u00e7\u00e3o velha. Nela est\u00e1 uma <\/p>\n<p>premissa maior (fundamentos de direito), uma premissa menor <\/p>\n<p>(fundamentos de fato) e uma conclus\u00e3o (pedido). Consequentemente, <\/p>\n<p>entre os tr\u00eas membros desse silogismo deve haver, para que se <\/p>\n<p>apresente como tal, um nexo l\u00f3gico. Portanto, se o fato n\u00e3o autoriza as <\/p>\n<p>conseq\u00fc\u00eancias jur\u00eddicas, a conclus\u00e3o \u00e9 falha; se as conseq\u00fc\u00eancias <\/p>\n<p>jur\u00eddicas n\u00e3o guardam coer\u00eancia com os fatos, igualmente; e, por <\/p>\n<p>\u00faltimo, se a conclus\u00e3o est\u00e1 em desarmonia com as premissas, ela \u00e9 <\/p>\n<p>inconseq\u00fcente.(&#8230;)<\/p>\n<p>D\u00eaem-me os fatos e lhes darei o direito (da mihi factum dabo tibi <\/p>\n<p>jus), velho e conhecido brocardo que afirma saber o juiz o direito, <\/p>\n<p>apenas cumprindo \u00e0s partes indicar-lhe os fatos e explicar as <\/p>\n<p>conseq\u00fc\u00eancias pretendidas. Isso significa n\u00e3o haver necessidade de o <\/p>\n<p>autor, como j\u00e1 visto, se exato na indica\u00e7\u00e3o dos dispositivos legais <\/p>\n<p>aplic\u00e1veis, nem mesmo na nomea\u00e7\u00e3o correta da figura t\u00edpica <\/p>\n<p>configurada pelo fato que narrou. O que lhe cumpre \u00e9 narrar o fato com <\/p>\n<p>clareza e precis\u00e3o e concluir postulando as conseq\u00fc\u00eancias que desse <\/p>\n<p>fato juridicamente decorrem. Seu risco e seu erro \u00e9 colocar mal os <\/p>\n<p>fatos ou concluir mal em rela\u00e7\u00e3o aos fatos que exp\u00f4s.(&#8230;)<\/p>\n<p>Se os fatos narrados, entretanto, guardam coer\u00eancia l\u00f3gica com o <\/p>\n<p>pedido formulado, pouco importa a tipifica\u00e7\u00e3o que lhes deu o autor: a <\/p>\n<p>peti\u00e7\u00e3o inicial n\u00e3o ser\u00e1 inepta, porquanto a senten\u00e7a pela proced\u00eancia \u00e9 <\/p>\n<p>poss\u00edvel, sem viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio dispositivo.&quot;<\/p>\n<p>(J.J. Calmon de Passos, Coment\u00e1rios ao C\u00f3digo de Processo Civil, 7\u00aa <\/p>\n<p>ed., 10000008, Forense, p. 265 e 266)<\/p>\n<p>&quot;Inepta \u00e9 a peti\u00e7\u00e3o inicial quando: a) os fatos tenham sido narrados de <\/p>\n<p>tal maneira que deles n\u00e3o se possa tirar o que serviria \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>causa para a lide; b) os fundamentos jur\u00eddicos, de que se valeu a parte <\/p>\n<p>ou o procurador judicial, s\u00e3o t\u00e3o evidentemente inadmiss\u00edveis, ou <\/p>\n<p>inintelig\u00edveis, que nenhuma senten\u00e7a poderia ser dada com base neles; <\/p>\n<p>c) se o pedido \u00e9 eivado de incerteza absoluta(&#8230;)<\/p>\n<p>A letra b) compreende: a impossibilidade f\u00edsica dos fatos narrados; a <\/p>\n<p>impossibilidade gnoseol\u00f3gica ou cognoscitiva, pela ininteligibilidade, ou <\/p>\n<p>por falta de sentido; a impossibilidade l\u00f3gica, pela perplexidade ou <\/p>\n<p>contradi\u00e7\u00e3o das proposi\u00e7\u00f5es sobre os fatos, ou sobre os fundamentos <\/p>\n<p>jur\u00eddicos; a impossibilidade jur\u00eddica, pela falta de qualquer <\/p>\n<p>admissibilidade conceptual ou proposicional no direito; a <\/p>\n<p>impossibilidade moral, que se subsume na anterior, uma vez que \u00e9 em <\/p>\n<p>virtude de regras de direito que se atende \u00e0 relev\u00e2ncia da moral nos <\/p>\n<p>atos jur\u00eddicos, materiais ou processuais.(&#8230;)<\/p>\n<p>O juiz h\u00e1 de ter prud\u00eancia e certa magnanimidade no declarar inepta a <\/p>\n<p>peti\u00e7\u00e3o (1\u00aa Turma do Supremo Tribunal Federal, 17 de outubro de <\/p>\n<p>10008000, R. dos T., 201, 581, O D., 68, 201: &#8216;&#8230;deve ser medida de <\/p>\n<p>exce\u00e7\u00e3o, usada com a m\u00e1xima cautela, a fim de que o Estado n\u00e3o se <\/p>\n<p>furte \u00e0 presta\u00e7\u00e3o jurisdicional, devida, em princ\u00edpio, aos cidad\u00e3os&#8217;; 2\u00aa <\/p>\n<p>Turma do Tribunal de Justi\u00e7a d Esp\u00edrito Santo, 6 de fevereiro de 100050, <\/p>\n<p>R. dos T., de J., V, 52: &#8216;O ideal seria, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, pedidos bem <\/p>\n<p>articulados e processos bem ordenados. Mas, se a triste realidade \u00e9 <\/p>\n<p>outra, cumpre ao tribunal, sempre que poss\u00edvel, aproveitar os <\/p>\n<p>processos irregulares, al\u00e9m de demorados e custosos, e decidir afinal a <\/p>\n<p>contenda, no seu merecimento&#8217;; 2\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel do Tribunal de Justi\u00e7a <\/p>\n<p>de Minas Gerais, 13 de mar\u00e7o de 100050, R. F., 13000, 277: &#8216;N\u00e3o <\/p>\n<p>obstante confusa, n\u00e3o \u00e9 inepta a peti\u00e7\u00e3o inicial, desde que, por sua <\/p>\n<p>leitura, se fique sabendo o que o autor pretende'(&#8230;)&quot;<\/p>\n<p>(Pontes de Miranda, Coment\u00e1rios ao C\u00f3digo de Processo Civil, Tomo <\/p>\n<p>II, 2\u00aa ed., 100058, Forense, p. 823 e ss.)<\/p>\n<p>&quot;O fato que o autor alega, seja no crime ou no c\u00edvel, recebe da lei <\/p>\n<p>determinada qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Por exemplo, o matar algu\u00e9m <\/p>\n<p>capitula-se como crime de homic\u00eddio (CP, art. 121); for\u00e7ar algu\u00e9m, <\/p>\n<p>mediante viol\u00eancia f\u00edsica ou amea\u00e7a, a celebrar um contrato configura <\/p>\n<p>coa\u00e7\u00e3o (v\u00edcio do consentimento, CC, art. 0008, c\/c art. 187, inc. II). Mas <\/p>\n<p>o que constitui a causa petendi \u00e9 apenas a exposi\u00e7\u00e3o dos fatos, n\u00e3o a <\/p>\n<p>sua qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Por isso \u00e9 que, se a qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica <\/p>\n<p>estiver errada, mas mesmo assim o pedido formulado tiver rela\u00e7\u00e3o com <\/p>\n<p>os fatos narrados, o juiz n\u00e3o negar\u00e1 o provimento jurisdicional (&#8230;).&quot;<\/p>\n<p>(Antonio Carlos de Ara\u00fajo Cintra et alli, Teoria Geral do Processo, 10\u00aa <\/p>\n<p>ed., Malheiros , 10000008, p. 25000)<\/p>\n<p>11. Dessa forma, embora a qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dada pelos Autores <\/p>\n<p>(indenizat\u00f3ria), n\u00e3o se coadune com os fatos narrados, pode o <\/p>\n<p>processo subsistir.<\/p>\n<p>12. A inten\u00e7\u00e3o da R\u00e9, ao n\u00e3o pedir em contesta\u00e7\u00e3o a extin\u00e7\u00e3o do <\/p>\n<p>processo sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito, por in\u00e9pcia da inicial, \u00e9 que seja <\/p>\n<p>aproveitada a rela\u00e7\u00e3o processual, reconhecendo-se a prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>13. O que evitaria que os Autores batessem \u00e0 porta do Foro <\/p>\n<p>novamente, com outra a\u00e7\u00e3o, narrando os mesmos fatos, com o mesmo <\/p>\n<p>pedido, mas com &quot;nome&quot; diferente.<\/p>\n<p>DO LITISCONS\u00d3RCIO<\/p>\n<p>18. Manifestam-se os Autores, ainda, a respeito da inexist\u00eancia de <\/p>\n<p>litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio (fls. &#8230;).<\/p>\n<p>15. Seu entendimento \u00e9 no sentido de que seria o caso de denuncia\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>da lide , a ser promovida pela R\u00e9 (fls. &#8230;).<\/p>\n<p>16. Com rela\u00e7\u00e3o ao litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, o CPC assim disp\u00f5e: (n\u00e3o encontrei correspond\u00eancia)<\/p>\n<p>&quot;Art. 87. H\u00e1 litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio quando, por disposi\u00e7\u00e3o de lei ou <\/p>\n<p>pela natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, o juiz tiver de decidir a lide de modo <\/p>\n<p>uniforme para todas as partes; caso em que a efic\u00e1cia da senten\u00e7a <\/p>\n<p>depender\u00e1 da cita\u00e7\u00e3o de todos os litisconsortes no processo.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O juiz ordenar\u00e1 ao autor que promova a cita\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>todos os litisconsortes necess\u00e1rios, dentro do prazo que assinar, sob <\/p>\n<p>pena de declarar extinto o processo.&quot;<\/p>\n<p>17. Na doutrina encontra-se coment\u00e1rio a respeito de quando existe a <\/p>\n<p>necessidade de senten\u00e7a uniforme a todos:<\/p>\n<p>&quot;Na segunda proposi\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio quando, &#8216;pela <\/p>\n<p>natureza da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, o juiz tiver de decidir a lide de modo <\/p>\n<p>uniforme para todas as partes&#8217;. Mas a proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 in\u00e1bil para, sozinha, <\/p>\n<p>definir a exist\u00eancia do litiscons\u00f3rcio daquele tipo, porque, como j\u00e1 se <\/p>\n<p>mostrou, a decis\u00e3o uniforme pode acontecer em caso de litiscons\u00f3rcio <\/p>\n<p>facultativo (&#8230;). Para completar a delimita\u00e7\u00e3o dos casos de <\/p>\n<p>litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, \u00e9 preciso usar a regra da parte final do artigo, <\/p>\n<p>o qual diz que, quando houver esse tipo de litiscons\u00f3rcio, &#8216;a efic\u00e1cia da <\/p>\n<p>senten\u00e7a depender\u00e1 da cita\u00e7\u00e3o de todos os litisconsortes no processo&#8217;.<\/p>\n<p>Cita\u00e7\u00e3o s\u00f3 se faz de r\u00e9u, nunca de autor, ou de terceiro. Vale dizer <\/p>\n<p>que, em conseq\u00fc\u00eancia, quando o litiscons\u00f3rcio decorrer da <\/p>\n<p>obrigatoriedade de decis\u00e3o uniforme da causa, ele s\u00f3 ser\u00e1 necess\u00e1rio <\/p>\n<p>se for passivo, isto \u00e9, se a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica em discuss\u00e3o ou o direito em <\/p>\n<p>lit\u00edgio tiverem v\u00e1rios titulares.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Surge, ent\u00e3o, naturalmente, a pergunta: quando \u00e9 que, pela natureza da <\/p>\n<p>rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, a decis\u00e3o deve ser uniforme em rela\u00e7\u00e3o a todos os <\/p>\n<p>interessados?<\/p>\n<p>Chiovenda, em li\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje influi, entende que a necessidade de <\/p>\n<p>decis\u00e3o uniforme s\u00f3 existe quando a a\u00e7\u00e3o for constitutiva, porque esse <\/p>\n<p>tipo de a\u00e7\u00e3o tem como caracter\u00edstica modificar um estado jur\u00eddico. E, <\/p>\n<p>se esse estado jur\u00eddico interessa a v\u00e1rias pessoas, a modifica\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>somente poder\u00e1 ser feita para prevalecer em rela\u00e7\u00e3o a todas elas, e, <\/p>\n<p>nesse caso, \u00e9 imprescind\u00edvel sejam todas elas participantes do processo.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Mas esse ponto de vista foi vantajosamente refutado por Redenti, o <\/p>\n<p>qual mostra que n\u00e3o se deve ter em vista a natureza da a\u00e7\u00e3o e da <\/p>\n<p>senten\u00e7a, mas sim a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica sobre a qual ela incide. Argumenta <\/p>\n<p>ele que \u00e9 inadmiss\u00edvel afirmar que a a\u00e7\u00e3o de anula\u00e7\u00e3o de um contrato <\/p>\n<p>com v\u00e1rios contratantes (a\u00e7\u00e3o constitutiva) acarreta a forma\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, enquanto a a\u00e7\u00e3o para declarar a nulidade <\/p>\n<p>absoluta desse mesmo contrato (a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria) n\u00e3o leve tamb\u00e9m \u00e0 <\/p>\n<p>forma\u00e7\u00e3o daquele tipo de litiscons\u00f3rcio. Assim, se a a\u00e7\u00e3o vai versar <\/p>\n<p>sobre direitos de todos, vai declarar nulo o contrato, \u00e9 de rigor a <\/p>\n<p>forma\u00e7\u00e3o do litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio.&quot;<\/p>\n<p>(Celso Agr\u00edcola Barbi, Coment\u00e1rios ao C\u00f3digo de Processo Civil, 000\u00aa <\/p>\n<p>ed., vol. I, 10000008, Forense, p. 165 e 166)<\/p>\n<p>18. O coment\u00e1rio acima reproduzido bem se ajusta ao caso em tela.<\/p>\n<p>1000. Como seria poss\u00edvel anular-se o contrato se um dos contratantes <\/p>\n<p>n\u00e3o integra o processo?<\/p>\n<p>20. O contrato seria anulado somente entre um vendedor e os <\/p>\n<p>compradores e permaneceria v\u00e1lido com rela\u00e7\u00e3o ao outro vendedor?<\/p>\n<p>21. Verifica-se que o caso \u00e9 realmente de litiscons\u00f3rcio passivo <\/p>\n<p>necess\u00e1rio e n\u00e3o de denuncia\u00e7\u00e3o da lide.<\/p>\n<p>22. N\u00e3o h\u00e1 evic\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 caso de direito regressivo, pois, como <\/p>\n<p>acima foi demonstrado, a causa de pedir da a\u00e7\u00e3o \u00e9 a anula\u00e7\u00e3o de um <\/p>\n<p>contrato.<\/p>\n<p>DO M\u00c9RITO<\/p>\n<p>23. Embora a impugna\u00e7\u00e3o quanto ao m\u00e9rito j\u00e1 tenha sido objeto da <\/p>\n<p>contesta\u00e7\u00e3o de fls. &#8230;, algumas quest\u00f5es suscitadas na r\u00e9plica merecem <\/p>\n<p>considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>28. Os Autores dizem que a R\u00e9 tenta induzir o Ju\u00edzo em erro, alterando <\/p>\n<p>a verdade dos fatos.<\/p>\n<p>25. Isso \u00e9 puro falat\u00f3rio, eis que n\u00e3o se atreveram os Autores a fazer <\/p>\n<p>pedido de condena\u00e7\u00e3o por litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n<p>26. Como amplamente demonstrado acima (item n\u00ba 3), ressaltando-se, <\/p>\n<p>ipsis litteris, a narra\u00e7\u00e3o dos fatos feita na inicial, o caso \u00e9 de anula\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>de contrato, chame-se a a\u00e7\u00e3o de anulat\u00f3ria, indenizat\u00f3ria, ou outro <\/p>\n<p>nome qualquer.<\/p>\n<p>27. Transcrevendo afirma\u00e7\u00e3o feita em contesta\u00e7\u00e3o, de que &quot;somente <\/p>\n<p>perceberam o erro quando estiveram no local acompanhados de um <\/p>\n<p>corretor de im\u00f3veis da Imobili\u00e1ria &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, cujo nome n\u00e3o apontaram&quot;, <\/p>\n<p>alegam que tal afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde ao ocorrido.<\/p>\n<p>28. Dizem que, na verdade, &quot;(&#8230;) aduziu-se que os requerentes, no <\/p>\n<p>local, constataram existir no local morador, dizendo-se propriet\u00e1rios. A <\/p>\n<p>constata\u00e7\u00e3o deu-se no momento que foi mostrado o im\u00f3vel pela <\/p>\n<p>requerida, mediante o mapa acostado&quot; (fls. &#8230;).<\/p>\n<p>2000. Dessa frase, verdadeiro monumento a obscuridade e a <\/p>\n<p>ambig\u00fcidade, podem advir as seguintes conclus\u00f5es: a)atrav\u00e9s do mapa <\/p>\n<p>viram que o local estava ocupado (o que seria absurdo); b) que, tendo <\/p>\n<p>estado no local, juntamente com a requerida, verificaram que o im\u00f3vel <\/p>\n<p>estava ocupado.<\/p>\n<p>30. Se estava o im\u00f3vel ocupado (o que se diz por mera argumenta\u00e7\u00e3o), <\/p>\n<p>se viram que estava ocupado, porque compraram?<\/p>\n<p>31. Invocam, a seguir, a Lei do Parcelamento do Solo Urbano, dizendo <\/p>\n<p>que a R\u00e9 n\u00e3o cumpriu as exig\u00eancias legais quando efetuou a venda.<\/p>\n<p>32. Ora, como j\u00e1 afirmado em contesta\u00e7\u00e3o, a R\u00e9 adquiriu e vendeu o <\/p>\n<p>im\u00f3vel com boa-f\u00e9. N\u00e3o tinha obriga\u00e7\u00e3o alguma de saber se o <\/p>\n<p>loteamento era ou n\u00e3o regular.<\/p>\n<p>33. Os requisitos da Lei n\u00ba 6.766\/7000 devem ser observados por aquele <\/p>\n<p>que constitui loteamento, o loteador.<\/p>\n<p>38. Loteador \u00e9 o propriet\u00e1rio do im\u00f3vel a ser loteado, do conjunto <\/p>\n<p>todo; o que n\u00e3o era o caso da R\u00e9, propriet\u00e1ria de fra\u00e7\u00e3o ideal.<\/p>\n<p>35. Todavia, existe disposi\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 6.766\/7000 aplic\u00e1vel \u00e0 quest\u00e3o, <\/p>\n<p>e que traz orienta\u00e7\u00e3o a respeito do que deveriam ter feito os Autores <\/p>\n<p>para regularizarem o registro de seu im\u00f3vel:<\/p>\n<p>&quot;Art. 81 &#8211; Regularizado o loteamento ou desmembramento pela <\/p>\n<p>Prefeitura Municipal, ou pelo Distrito Federal quando for o caso, o <\/p>\n<p>adquirente do lote, comprovando o dep\u00f3sito de todas as presta\u00e7\u00f5es do <\/p>\n<p>pre\u00e7o aven\u00e7ado, poder\u00e1 obter o registro de propriedade do lote <\/p>\n<p>adquirido, valendo para tanto o compromisso de venda e compra <\/p>\n<p>devidamente firmado.&quot;<\/p>\n<p>36. Poderiam, ainda, voltar-se contra quem injustamente possua o <\/p>\n<p>im\u00f3vel que lhes pertence, eis que o mesmo n\u00e3o &quot;perdeu-se&quot; como <\/p>\n<p>afirmam.<\/p>\n<p>37. O im\u00f3vel est\u00e1 onde sempre esteve. Se outros o ocupam hoje, isto <\/p>\n<p>se deu por in\u00e9rcia dos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Isto Posto, requer:<\/p>\n<p>a) Seja ordenado aos Autores que promovam a cita\u00e7\u00e3o do Sr. <\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;, litisconsorte passivo necess\u00e1rio;<\/p>\n<p>b) Seja julgada antecipadamente a lide, na forma do art. 355, I e II, do <\/p>\n<p>NCPC, eis que n\u00e3o existe necessidade de produzir prova em audi\u00eancia;<\/p>\n<p>c) Reitera a R\u00e9 o quanto pedido em contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Autor\/requerente aberto \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o\/media\u00e7\u00e3o, conforme a nova sistem\u00e1tica da Lei 13.105 de 2015.<\/p>\n<p>N. Termos,<\/p>\n<p>P. E. Deferimento.<\/p>\n<p>Local e data.<\/p>\n<p>(a) Advogado.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[843],"class_list":["post-8917","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-parcelamento-de-solo-urbano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/8917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=8917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}