{"id":7793,"date":"2023-07-13T18:18:00","date_gmt":"2023-07-13T18:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-13T18:18:00","modified_gmt":"2023-07-13T18:18:00","slug":"ordem-de-habeas-corpus-prisao-eleitoral-exercicio-do-direito-de-voto","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/ordem-de-habeas-corpus-prisao-eleitoral-exercicio-do-direito-de-voto\/","title":{"rendered":"[MODELO] Ordem de Habeas Corpus  &#8211;  Pris\u00e3o Eleitoral  &#8211;  Exerc\u00edcio do Direito de Voto"},"content":{"rendered":"<p><strong>EXMO. SR. DR. JUIZ ELEITORAL DO ESTADO DO ACRE<\/strong><\/p>\n<h3>Ref. Processo n\u00ba 2002.30.00.000811-4<\/h3>\n<p><strong>Impetrante: ERINALDA SILVA DA ROCHA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Autoridade Coatora: M.M. Juiz da 3\u00aa Vara Federal da Se\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria do Estado do Acre<\/strong><\/p>\n<h2><strong>Colenda Turma<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Egr\u00e9gio Tribunal<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eminente Juiz Relator<\/strong><\/p>\n<p><strong>O DEFENSOR P\u00daBLICO DA UNI\u00c3O <\/strong>infra assinado, por designa\u00e7\u00e3o legal, vem respeitosamente \u00e0 presen\u00e7a de Vossa Excel\u00eancia, com fundamento nos artigos 234 (\u201cNingu\u00e9m poder\u00e1 impedir ou embara\u00e7ar o exerc\u00edcio do sufr\u00e1gio); Art. 235 (\u201cO juiz Eleitoral ou o Presidente da Mesa Receptora, pode expedir salvo-conduto com a comina\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o por desobedi\u00eancia at\u00e9 (05) cinco dias em favor do eleitor que sofrer viol\u00eancia, moral ou f\u00edsica, na sua liberdade de votar, ou pelo fato de haver votado\u201d. <strong>Par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong>. A medida ser\u00e1 v\u00e1lida para o per\u00edodo compreendido entre 72 (setenta e duas) horas at\u00e9 48(quarenta e oito) depois do pleito. Art. 236 (\u201cnenhuma autoridade poder\u00e1 desde 5 (cinco) dias antes e at\u00e9 48 (quarenta e oito) depois do encerramento da elei\u00e7\u00e3o, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em virtude de senten\u00e7a criminal condenat\u00f3ria por crime inafian\u00e7\u00e1vel, ou por desrespeito a salvo-conduto\u201d   <strong>\u00a7 1\u00ba  &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. ; \u00a72\u00ba <\/strong>\u201cocorrendo qualquer pris\u00e3o, o preso ser\u00e1 imediatamente conduzido \u00e1 presen\u00e7a do Juiz competente, que se verificar a da deten\u00e7\u00e3o, a relaxar\u00e1 e promover\u00e1 a responsabilidade do coator. \u201c Tudo do C\u00f3digo Eleitoral, e e, art. 5\u00ba, inciso LXVIII da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, impetrar a presente ordem de <strong>HABEAS CORPUS, <\/strong>EM FAVOR DE ______________________ PELOS FATOS QUE A SEGUIR ADUZ: <\/p>\n<p>O PACIENTE SE ENCONTRAA PRESO NA __________________ , localizada________________________________ desde _____________ , em virtude de pris\u00e3o contra sua pessoa, por acusa\u00e7\u00e3o de crime de ______________________.<\/p>\n<p>Considerando que  paciente \u00e9 eleitor, e quer exercer o direito de votar, com amparo na legisla\u00e7\u00e3o eleitora, e o constrangimento \u00e9 evidente, \u00e9 a presente para mui respeitosamente requer a Vossa Excel\u00eancia se digne de conceder a presente ordem de <strong>habeas corpus, <\/strong>expedindo-se o competente alvar\u00e1 de soltura em favor do paciente, o que se pede como medida de Direito do cidad\u00e3o  de Justi\u00e7a, observando-se para tanto as formalidades legais.<\/p>\n<p>Nestes termos, pede deferimento.<\/p>\n<p>Rio Branco, <\/p>\n<p><strong>ERINALDA SILVA DA ROCHA<\/strong>, brasileira, solteira, dom\u00e9stica, portadora da carteira de identidade n\u00ba 377922, expedida pelo SJSP\/AC, residente e domiciliada nesta capital, na rua Cearense, n.\u00ba 798, Bairro 06 de Agosto, vem, respeitosamente, perante V.Ex.\u00aa, por interm\u00e9dio do Defensor P\u00fablico da Uni\u00e3o \u201cin fine\u201d assinado, impetrar o presente <strong>HABEAS CORPUS <\/strong>em face do 9\u201dNIN M.M. Juiz da 3\u00aa Vara Federal da Se\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria do Estado do Acre, com base no art. 648, inciso VI, do C\u00f3digo de Processo Penal e nos termos do art. 209 e ss., do Regimento Interno deste Egr\u00e9gio Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o, pelas raz\u00f5es que passa a expor<strong>:<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal ofereceu den\u00fancia em face da impetrante, imputando-lhe a pr\u00e1tica, nos termos do art. 29 do C\u00f3digo Penal, dos crimes dos art. 125,XIII, da Lei n\u00ba 6.815\/80 e 299 do C\u00f3digo Penal, em concurso Material, dando in\u00edcio a A\u00e7\u00e3o Penal, cujo Processo recebeu o n\u00ba. 2002.30.00.000811-4.<\/p>\n<p>Aos vinte dias do m\u00eas de agosto do corrente ano foi realizada audi\u00eancia de interrogat\u00f3rio da r\u00e9 Erinalda Silva da Rocha.<\/p>\n<p>O referido ato realizou-se sem a pr\u00e9via assist\u00eancia e presen\u00e7a de defensor, contrariando o que disp\u00f5em os artigos 261, 263 e 265, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n<p>Desta forma, inviabilizou-se o exerc\u00edcio das garantias constitucionais da ampla defesa e contradit\u00f3rio, previstos no artigo 5\u00ba, inciso LV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, devendo o processo, portanto, ser declarado nulo desde o interrogat\u00f3rio, nos termos do artigo 564, inciso III, al\u00ednea <em>c<\/em>, do CPP.<\/p>\n<p>Foi arg\u00fcida, em sede de Defesa Pr\u00e9via, a nulidade do processo desde o interrogat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O eminente Magistrado indeferiu o requerimento de nulidade, fundamentando sua decis\u00e3o, inclusive, em entendimento jurisprudencial emitido pelo Egr\u00e9gio Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo. No entanto, conclui-se pela imprescindibilidade da presen\u00e7a de um defensor no ato do interrogat\u00f3rio da leitura do pr\u00f3prio entendimento jurisprudencial transcrito, <em>in verbis:<\/em><\/p>\n<p>TJSP: \u201c A lei n\u00e3o determina que o juiz nomeie defensor para o acusado antes do interrogat\u00f3rio. <strong>Somente quando se apresente para aquele ato e afirme n\u00e3o ter defensor e n\u00e3o poder constitu\u00ed-lo est\u00e1 o julgador obrigado a lhe nomear um dativo.\u201d<\/strong> (RT 574\/347) (grifei)<\/p>\n<p>Da referida decis\u00e3o extrai-se que o Juiz, de fato, n\u00e3o est\u00e1 obrigado a nomear um defensor para o r\u00e9u antes da audi\u00eancia de interrogat\u00f3rio, mas se este se apresentar sem defensor e afirmar que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de constituir um, estar\u00e1 o Juiz, neste momento, obrigado a nomear-lhe um defensor dativo para que o acompanhe durante a pr\u00e1tica daquele ato. Em nenhum momento se entendeu pela desnecessidade de defensor durante interrogat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Evidentemente \u00e9 no ato do interrogat\u00f3rio que tem o acusado a oportunidade de exercer, por si pr\u00f3prio, o direito de defesa, indicando, inclusive, eventualmente, as provas que pretende produzir, momento esse em que o juiz obter\u00e1 a impress\u00e3o pessoal do r\u00e9u.<\/p>\n<p>Veja-se, a prop\u00f3sito, o mandamento contido no art. 261 do C.P.P., segundo o qual<\/p>\n<p><em>\u201cnenhum acusado, ainda que ausente ou foragido,ser\u00e1 <\/em><strong><em>processado<\/em><\/strong><em> ou julgado sem defensor\u201d <\/em>(grifei).<\/p>\n<p>Com isso, o legislador ordin\u00e1rio apenas traduz a dimens\u00e3o do alcance da garantia constitucional reportada. A partir dessa disposi\u00e7\u00e3o processual, FREDERICO MARQUES esclarece em seu incontest\u00e1vel magist\u00e9rio que <\/p>\n<p>\u201cassist\u00eancia t\u00e9cnica e profissional de advogado, para a defesa do r\u00e9u, durante o processo e julgamento da acusA\u00e7\u00e3o contra ele articulada, \u00e9 assim um injun\u00e7\u00e3o legal, como o diz a Exposi\u00e7\u00e3o de Motivos (&#8230;) e desatendido esse imperativo da lei, ocorre nulidade nos temos do que preceitua o artigo 564, III, letra c do C\u00f3digo de Processo Penal\u201d (<em>in<\/em> \u201cElementos de Direito Processual Penal, vol. II, p. 71, ed. Boodseller, 1997.<\/p>\n<p>A imprescindibilidade da assist\u00eancia t\u00e9cnica do defensor \u00e9 refor\u00e7ada pela regra contida no art. 265, par\u00e1grafo \u00fanico, do C.P.P., que prev\u00ea a substitui\u00e7\u00e3o circunstancial do advogado em caso de aus\u00eancia, mesmo que motivada.<\/p>\n<p>Especificamente quanto \u00e0 assist\u00eancia no interrogat\u00f3rio, \u00e9 ainda FREDERICO MARQUES quem adverte:<\/p>\n<p>\u201cO interrogat\u00f3rio em ju\u00edzo \u00e9 dirigido e feito pelo pr\u00f3prio magistrado a que est\u00e1 afeto o processo. As partes nele n\u00e3o interv\u00eam, embora <strong>devam estar presentes ao ato (n\u00e3o s\u00f3 o Minist\u00e9rio P\u00fablico, como ainda o defensor do r\u00e9u). <\/strong>Na falta do defensor do acusado, o juiz est\u00e1 obrigado a nomear pelo menos um patrono <em>ad hoc<\/em> para assistir \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do interrogat\u00f3rio (artigos 263 e 265, par\u00e1grafo \u00fanico)&#8230;\u201d (op. Cit., p. 300.)<\/p>\n<p>Ademais, <em>venia concessa, <\/em>constituiria verdadeiro absurdo fazer letra morta do Texto Constitucional para admitir-se que as garantias da ampla defesa e do contradit\u00f3rio s\u00f3 vigem na sua plenitude depois do principal ato processual de instru\u00e7\u00e3o para ao acusado, , qual seja o interrogat\u00f3rio judicial.<\/p>\n<p>Observe-se mais que se trata tamb\u00e9m do exerc\u00edcio de outra garantia constitucional, ou seja, da assist\u00eancia judici\u00e1ria gratuita (artigo 5\u00ba, inciso LXXIV, da C.F.(, quando o acusado \u00e9 patrocinado pela Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o. <em>In casu,<\/em> n\u00e3o se teve a oportunidade de qualquer contato pr\u00e9vio como denunciado para viabilizar sua defesa t\u00e9cnica e dele obter informa\u00e7\u00f5es sobre as provas que pretende produzir. A Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o foi chamada a ingressar no feito j\u00e1 para apresentar defesa pr\u00e9via. Como exerc\u00ea-la sem o referido e indispens\u00e1vel contato pr\u00e9vio ? Como desempenhar de forma satisfat\u00f3ria o seu <em>munus publico<\/em>? Pensar o contr\u00e1rio, <em>data v\u00eania,<\/em> seria admitir o mero exerc\u00edcio da defesa formal.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o preju\u00edzo \u2013 <em>ultima ratio <\/em>da nulidade \u2013 para o acusado \u00e9 evidente.<\/p>\n<p>Por todo o exposto, requer seja declarada a nulidade do presente processo desde o interrogat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Nestes termos, pede e espera deferimento.<\/p>\n<p>Rio Branco, 27 de setembro de 2002.<\/p>\n<h1>Rodrigo Esteves Rezende<\/h1>\n<p>Defensor P\u00fablico da Uni\u00e3o<\/p>\n<p>Erinalda Silva da Rocha<\/p>\n<p>Impetrante<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[812],"class_list":["post-7793","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo--habeas-corpus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/7793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=7793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}