{"id":7093,"date":"2023-07-13T18:00:09","date_gmt":"2023-07-13T18:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-13T18:00:09","modified_gmt":"2023-07-13T18:00:09","slug":"apelacao-criminal-decisao-contraria-as-provas-e-erro-na-aplicacao-da-pena","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/apelacao-criminal-decisao-contraria-as-provas-e-erro-na-aplicacao-da-pena\/","title":{"rendered":"[MODELO] Apela\u00e7\u00e3o Criminal  &#8211;  Decis\u00e3o Contr\u00e1ria \u00e0s Provas e Erro na Aplica\u00e7\u00e3o da Pena"},"content":{"rendered":"<p>Raz\u00f5es de Recurso de Apela\u00e7\u00e3o \u2013 J\u00fari Decis\u00e3o Manifestamente Contr\u00e1ria as Provas dos Autos e erro ou injusti\u00e7a na Aplica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong><em>RAZ\u00d5ES DE RECURSO <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Protocolo  N\u00ba &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Apelante<em>:&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Apelado : Justi\u00e7a P\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\t<strong><em>Egr\u00e9gio Tribunal,<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\t\t\t\t\tColenda C\u00e2mara,<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\t\t\t\t\t<\/em><\/strong>Versa o presente recurso, do inconformismo, do Apelante, com o veredicto condenat\u00f3rio proferido pelo Conselho de Senten\u00e7a, vez que manifestamente contr\u00e1rio as provas dos autos, bem como a  senten\u00e7a de fls. &#8230;., da lavra da Juiza Presidente do Tribunal do J\u00fari da comarca de &#8230;&#8230;. , por haver erro e injusti\u00e7a no tocante \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da pena, nos termos do artigo. 593, III, \u201ca\u201d, \u201dc\u201d e \u201cd\u201d,  do C\u00f3digo de Processo Penal, face aos motivos, raz\u00f5es e fundamentos a seguir expostos.<\/p>\n<h2>S\u00daMULA DOS FATOS<\/h2>\n<p> \t\t\t\t\tConforme ficou apurado nos autos, o Apelante, no dia &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. , por volta das &#8230;&#8230;.. horas, ao sair de uma quermesse que se realizava na par\u00f3quia do bairro &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. , em companhia de seus irm\u00e3os e co-r\u00e9us <strong><em>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. E &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/em><\/strong><em>,<\/em> o \u00faltimo foi abordado pela v\u00edtima que fez um gesto de sacar uma arma do interior de uma bolsa, quando foi alvejado por &#8230;&#8230;&#8230; com v\u00e1rios disparos de arma de fogo, provocando les\u00f5es que foram a causa de sua morte.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tEm todas ocasi\u00f5es em que foi ouvido o co-r\u00e9u &#8230;&#8230;&#8230; , admitiu ter desferido todos disparos que provocaram a morte da v\u00edtima.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tA \u00fanica testemunha, possivelmente ocular, <strong><em>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/em><\/strong> ao ser ouvida na delegacia afirmou: <\/p>\n<p><strong><em>Fls. 35 \u2013 \u201cQUE era por volta das &#8230;&#8230;.. quando a depoente saiu da barraca  para em sua resid\u00eancia  que fica muito perto do local; QUE estava a depoente quase chegando em sua resid\u00eancia quando ouviu dois  tiros  aproximadamente; QUE em seguida a depoente ouviu dizer que ram tiros de revolver  e com medo a depoente recuou  em dire\u00e7\u00e3o a barraca da festa.\u201d<\/em><\/strong> (Grifei).<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tJ\u00e1 em Ju\u00edzo, a referida testemunha, altera sistematicamente a vers\u00e3o apresentada, por ocasi\u00e3o dos fatos,  ao afirmar:<\/p>\n<p>Fls. 82v. \u201cestava  na barraquinha quando a v\u00edtima convidou a depoente para ir at\u00e9 a porta com ele; Que a depoente achou estranho a v\u00edtima a ter convidado  para ir at\u00e9 a porta com ele; (&#8230;) Que a v\u00edtima ao montar na moto j\u00e1 foi recebendo os tiros os quais foram detonados por &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; e &#8230;&#8230;&#8230;..;\u201d<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tPercebe-se, claramente que as vers\u00f5es apresentadas pela testemunha &#8230;&#8230;&#8230; s\u00e3o visceralmente contradit\u00f3rias, imprest\u00e1veis para fundamentar um ju\u00edzo condenat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tN\u00e3o h\u00e1 registro nos autos de nenhuma testemunha que tenha presenciado o fato.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tDa\u00ed abstrai-se, que restou inexistente qualquer prova jurisidicioonalizada que confirmasse a participa\u00e7\u00e3o do Apelante na execu\u00e7\u00e3o do crime. Sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong> (Amigo da V\u00edtima)<\/p>\n<p><strong><em>FLS &#8230;&#8230;.. &#8211; \u201c&#8230; \u00c8 amigo da v\u00edtima &#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u201c&#8230; Quando estava pagando a conta quando ouviu v\u00e1rios tiros &#8230; saiu na porta da barraca e j\u00e1 viu a v\u00edtima ca\u00eddo ao lado de sua moto&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>FLS &#8230;.. &#8211; \u201c &#8230;QUE estava no balc\u00e3o quando ouviu v\u00e1rios tiros&#8230;\u201dquando chegou a porta da barraquinha viu somente um veiculo se distanciando e pelo coment\u00e1rio era um Chevette&#8230;,diz que viu somente esse veiculo se afastar , mas n\u00e3o era o ve\u00edculo que estava os elementos que matou &#8230;&#8230;&#8230;..\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>FLS &#8230;..-  &quot;&#8230; Estava no dia &#8230;&#8230;&#8230;&#8230; do corrente ano, estava nesta barraca quando ouviu  v\u00e1rios tiros&#8230;,quando saiu viu somente um veiculo de cor branca, tipo Chevette , que j\u00e1 se distanciava sendo que ap\u00f3s o fato tomou conhecimento que naquele Chevette estava sendo socorrido o Sr. &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&quot;<\/em><\/strong><\/p>\n<h1>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/h1>\n<p><strong><em>FLS &#8230;&#8230;&#8230;.-  &quot;&#8230;Que logo que a vitima saiu ouviu uns 10 tiros mais ou menos quando saiu s\u00f3 viu v\u00e1rias pessoas socorrer &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t<strong><em>FLS &#8230;&#8230;.&quot;&#8230; Estava neste bar ouvindo musica a quase uma hora quando ouviu varias detona\u00e7\u00f5es de bala&#8230;quando cessou os tiros ele saiu do a porta do bar e viu um ve\u00edculo de cor branca sair em desabalada carreira&#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tOs fatos <em>retro <\/em>narrados s\u00e3o incontroversos em todo processado, de modo que nenhuma das testemunhas, presenciou o Apelante disparar contra a pessoa da v\u00edtima, pois,  todas, de forma un\u00e2nime, afirmam que apenas  <strong><em>ouviram <\/em><\/strong> os referidos tiros.<\/p>\n<p><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\tPor outro lado, o juiz presidente, ao prolatar sua senten\u00e7a de fls&#8230;&#8230;.. equivocou-se quando atribuiu algumas quest\u00f5es judiciais desfavor\u00e1veis ao Apelante, principalmente ao afirmar, de forma absurda, que a v\u00edtima n\u00e3o contribuiu de forma decisiva para eclos\u00e3o do evento, exacerbando, assim, a reprimenda injustificadamente,  devendo ser corrigida por Este Egr\u00e9gio Sodal\u00edcio<em>.<\/em> <\/p>\n<p><strong><em>DO DIREITO<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>I \u2013 DA DECIS\u00c3O MANIFESTAMENTE CONTR\u00c1RIA A PROVA DOS AUTOS<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tPelo conjunto de provas produzido durante a instru\u00e7\u00e3o criminal, sob o manto do princ\u00edpio constitucional do contradit\u00f3rio e  do devido processo legal, outra conclus\u00e3o no h\u00e1 sen\u00e3o a de que o Conselho de Senten\u00e7a proferiu veredicto manifestamente contr\u00e1rio \u00e0s provas dos autos, tanto com rela\u00e7\u00e3o ao reconhecimento autoria, como tamb\u00e9m ao negar a exist\u00eancia de qualquer atenuante em favor do r\u00e9u quando ficou provado que o mesmo n\u00e3o teve qualquer participa\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o do fato delituoso.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tA soberania dos veredictos proferidos pelo Conselho de Senten\u00e7a n\u00e3o d\u00e1 sinal aberto que permita aos Jurados tomarem decis\u00f5es estrabil\u00e1rias, dissociadas dos princ\u00edpios reguladores da norma jur\u00eddica, a ponto de julgar de modo pouco respons\u00e1vel, ignorando totalmente a prova coligida nos autos e valer-se de uma vers\u00e3o pouco prov\u00e1vel, sobretudo do ponto de vista l\u00f3gico, e desacompanhada de qualquer evid\u00eancia, sob pena de se transformar sua decis\u00e3o  em arremedo de justi\u00e7a, o que imp\u00f5e ao Ju\u00edzo <em>ad quem<\/em> a determina\u00e7\u00e3o de que o Apelante seja submetido a novo julgamento.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tDeste modo, a \u00edntima convic\u00e7\u00e3o deve prevalecer quando respaldada e arrimada em provas cuja validade seja prescrita na norma processual penal (contradit\u00f3rio), principalmente quando a repercuss\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o temer\u00e1ria recai de modo dr\u00e1stico no <em>status libertatis<\/em> de qualquer cidad\u00e3o. Se o Juiz monocr\u00e1tico n\u00e3o pode ser liberal em mat\u00e9ria de provas para condenar, inconceb\u00edvel que se  outorgue ao Juiz leigo o poder discricion\u00e1rio ilimitado, irrestrito para editar veredicto no campo nebuloso e movedi\u00e7o da incerteza e da  d\u00favida com rela\u00e7\u00e3o a negativa de ter sido r\u00e9u o autor dos disparos que provocaram a morte da v\u00edtima: <\/p>\n<p><strong><em>&quot;A soberania do J\u00fari n\u00e3o se traduz no arb\u00edtrio irrespons\u00e1vel dos jurados. \u00c9 certo que n\u00e3o fundamentam sua decis\u00e3o. Mas, esta deve se circunscrever \u00e0 prova dos autos. Se avulta a prova em sentido contr\u00e1rio, for\u00e7a \u00e9 concluir que a decis\u00e3o contrariou a evid\u00eancia e outra alternativa n\u00e3o h\u00e1 que outro julgamento se realize&quot; (TJSP &#8211; Ap. &#8211; rel. Des.Cunha Bueno &#8211; RT 609\/322).<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>&quot;N\u00e3o pode ser mantida a decis\u00e3o do Conselho de Jurados que contraria a prova dos autos, ante o que se extrai do conjunto probat\u00f3rio. Anula-se o julgamento para que o r\u00e9u a outro seja submetido, em conson\u00e2ncia com os ditames legais&quot; (TJMT &#8211; Ap. &#8211; rel. Des. On\u00e9simo Nunes Rocha &#8211; RT 606\/395).<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tConforme foi exposto nos depoimentos transcritos, nas presentes raz\u00f5es, inexiste prova segura de que tenha sido o Apelante o autor dos disparos que provocou a morte da v\u00edtima, pelo que se traduz ter o Conselho de Senten\u00e7a decidido manifestamente contra as provas dos autos, tornando imperioso que este Colendo Tribunal decrete a anula\u00e7\u00e3o do julgamento para que seja submetido a outro.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tSe a parte acusadora n\u00e3o produziu provas suficientes da autoria, injustific\u00e1vel a manuten\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o lastreada no terreno nebuloso e movedi\u00e7o da d\u00favida. <\/p>\n<p>\t\t\t\t\tConforme recente julgado proferido no HC n\u00ba 18 084-1\/213, o Desor. <strong><em>Byron Seabra Guimar\u00e3es, <\/em><\/strong>em iluminado voto reverberou a seguinte li\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cNo direito penal da culpa, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o jur\u00eddico para a presun\u00e7\u00e3o de culpabilidade. O \u00f4nus processual de prova pertence \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ao sujeito defesa, que de forma alguma precisa demonstrar a veracidade de suas desculpas, vez que o que impera \u00e9 a tutela do sil\u00eancio. Vale dizer, o acusado n\u00e3o est\u00e1 obrigado a provar que \u00e9 inocente.\u201d (GRIFEI)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tArremata o Ilustre Desembargador:<\/p>\n<p> <strong><em>\u201cNingu\u00e9m duvida que o NULLUM CRIMEN SlNE ACTIO seja princ\u00edpio reitor do direito penal do fato. E o agente ativo da conduta f\u00e1tica s\u00f3 pode ser punido pelo fato existente na realidade. Jamais pela presun\u00e7\u00e3o. E diga-se: regra incompat\u00edvel com o princ\u00edpio da n\u00e3o culpabilidade. (Vide ensinamento de Bobio).\u201d(GRIFEI)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u00c9 no mesmo sentido o entendimento esposado pelos tribunais  superiores:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cProcesso Penal. Prova. Inexist\u00eancia de certeza absoluta para um ju\u00edzo condenat\u00f3rio. Exegese do artigo 386,VI, do CPP. l. \u00c9 correta a senten\u00e7a absolut\u00f3ria que se baseou no fato de que a \u00fanica testemunha que prestou depoimento mediante o contradit\u00f3rio legal n\u00e3o logrou delinear em que contexto positivo se desenrolou a a\u00e7\u00e3o, e que a prova trazida pela parte autora consistia em meras declara\u00e7\u00f5es do agente da autoridade no inqu\u00e9rito policial, despedido ainda as formalidades ilegais, para julgar improcedente o pedido articulado na pe\u00e7a exordial do Minist\u00e9rio P\u00fablico. 2. A prova no processo penal democr\u00e1tico exige a prova ser madura, robusta, isenta de incertezas, e n\u00e3o t\u00e3o-somente indicativa diante do artigo 386, VI, do CPP. Recurso improvido para manter a senten\u00e7a absolut\u00f3ria.(TACRIM-RJ &#8211; AP. CRIM. 44.163, 2\u00aa C\u00e2mara Julgadora, em 16\/06\/1992) <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Prova. D\u00favidas. &quot;In d\u00fabio pro reo&quot;. Absolvi\u00e7\u00e3o. Se diante do fato h\u00e1 duas vers\u00f5es, uma fornecida pela declarada v\u00edtima e outra pelo acusado, n\u00e3o se trata de questionar o velho ad\u00e1gio testius unus, testius nullus, mas de constatar dentro do conjunto probat\u00f3rio na variante de possibilidades a vers\u00e3o cabal, firme e inconteste da din\u00e2mica do acontecer, caso contr\u00e1rio, diante da intranq\u00fcilidade da d\u00favida, o \u00fanico caminho que resta ao julgador sereno e imparcial \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o do consagrado princ\u00edpio in d\u00fabio pro reo \u00ednsito no artigo 386,VI,do CPP. Recurso do \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico improvido. ( TACRIM-RJ, Ap. 46.108,28 c\u00e2mara julgadora, em 24\/09\/1992.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tPelas raz\u00f5es retro perfiladas imp\u00f5e-se a cassa\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o proferida pelo Conselho de Senten\u00e7a, determinando-se que o Apelante seja submetido a um novo julgamento por for\u00e7a das diretrizes do par\u00e1grafo 3\u00ba do artigo 593, do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n<p><strong><em>II \u2013 DO ERRO E INJUSTI\u00c7A NA APLICA\u00c7\u00c3O DA PENA<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tA fixa\u00e7\u00e3o da pena dentro das balizas estabelecidas pelas margens penais constitui, conforme o art. 59,  da Parte Geral do C\u00f3digo Penal, de 1984, uma tarefa que o juiz deve desempenhar de modo discricion\u00e1rio, mas n\u00e3o arbitr\u00e1rio. O sentenciante possui, no processo individualizador da pena, uma larga margem de discricionariedade, mas n\u00e3o se trata de discricionariedade livre e, sim, como anota <strong>Jescheck<sup><a href=\"#footnote-2\" id=\"footnote-ref-2\">[1]<\/a><\/sup><\/strong>, de discricionariedade juridicamente vinculada, posto que est\u00e1 preso \u00e0s finalidades da pena e aos fatores determinantes do <em>quantum <\/em>punitivo.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tConsoante o entendimento esposado pela doutrina e jurisprud\u00eancia, o objetivo da pena n\u00e3o \u00e9 eternizar ou infernizar a situa\u00e7\u00e3o do apenado; para reintegra-lo  ou reinseri-lo no conv\u00edvio social torna-se fundamental dinamizar o tratamento prisional, utilizando-se de crit\u00e9rios repressivos, mais salutares que a pris\u00e3o, para a ajustar a pena ao seu fim profil\u00e1tico e social.<\/p>\n<p><strong><em>&quot;Na fixa\u00e7\u00e3o da pena o juiz deve pautar-se pelos crit\u00e9rios legais e recomendados pela doutrina, para ajust\u00e1-la ao seu fim social e adequ\u00e1-la ao seu destinat\u00e1rio e ao caso concreto\u201d (TJMT &#8211; AC &#8211; Rel. Shelma Lombardi de Kato &#8211; RT 612\/353).<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>&quot;O Juiz n\u00e3o pode, sem nenhum dado concreto, carregar na dosimetria da pena, arbitrariamente e segundo sua opini\u00e3o pessoal a respeito de um determinado tipo penal, mormente depois de ter considerado a primariedade do agente&quot; (TACRIM\u00adSP &#8211; AC &#8211; Rel. Vanderlei Borges &#8211; RJD 23\/214).<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tNo caso em apre\u00e7o, o Apelante, embora possua antecedentes judiciais \u00e9 tecnicamente prim\u00e1rio, o que  imporia por via de regra a fixa\u00e7\u00e3o da pena base no m\u00ednimo legal.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tA senten\u00e7a recorrida, no aspecto de fixa\u00e7\u00e3o da pena, <em>dat\u00edssima v\u00eania, <\/em>adotou crit\u00e9rio dissociado da norma estabelecida na lei penal, para exacerbar injustificadamente a san\u00e7\u00e3o <em>in concreto<\/em>, devendo pois ser corrigida por esta Egr\u00e9gia C\u00e2mara, fixando-a no m\u00ednimo legal, pois an\u00e1lise realizada pelo juiz presidente, da culpabilidade, da personalidade, motivos do crime e comportamento da v\u00edtima n\u00e3o resplandecem a realidade do processo, uma vez que:<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tPelo conjunto probat\u00f3rio contido no processo, n\u00e3o h\u00e1 como justificar uma pena fixada acima do m\u00ednimo legal, conforme o entendimento adotado por nossos Tribunais Superiores:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cPENA &#8211; R\u00e9u prim\u00e1rio &#8211; Pena-base estipulada em limite superior ao m\u00ednimo legal &#8211; Necessidade de fundamenta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Nenhum condenado tem direito p\u00fablico subjetivo \u00e0 estipula\u00e7\u00e3o da pena-base em seu grau m\u00ednimo. \u00c9 l\u00edcito ao magistrado sentenciante, desde que o fa\u00e7a em ato decis\u00f3rio adequadamente motivado, proceder a uma especial exacerba\u00e7\u00e3o da pena-base. Imp\u00f5e-se, para esse efeito, que a decis\u00e3o judicial encontre suporte em elementos f\u00e1ticos concretizadores das circunst\u00e2ncias judiciais abstratamente referidas pelo artigo 59 do CP, sob pena de o ato de condena\u00e7\u00e3o transformar-se numa inaceit\u00e1vel e arbitr\u00e1ria manifesta\u00e7\u00e3o de vontade do magistrado aplicador da lei. (STF &#8211; HC n\u00ba 71.697-GO &#8211; Rel. Min. Celso de Mello &#8211; J. 27.09.94 &#8211; DJU 16.08.96).<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tSenhores Desembargadores, <em>in summa <\/em>,  o presente apelo objetiva o reconhecimento de que o Conselho de Senten\u00e7a do Tribunal do J\u00fari de &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.., ao proferir seu veredicto, no presente processo, julgou manifestamente contra as provas dos autos com rela\u00e7\u00e3o a autoria do fato, e a inexist\u00eancia de atenuante em favor do Apelante, como tamb\u00e9m, que senten\u00e7a da lavra do juiz presidente foi injusta ao fixar sua pena acima do m\u00ednimo legal.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t<strong><em>EX POSITIS<\/em><\/strong>,<\/p>\n<p>espera o Apelante,  sejam as presentes raz\u00f5es recebidas, vez que pr\u00f3prias e tempestiva, dando-se provimento ao presente recurso, em todos seus termos, pois desta forma Egr\u00e9gio Sodal\u00edcio, estar\u00e1 restabelecendo o imp\u00e9rio da Lei, do Direito e da excelsa <strong><em>JUSTI\u00c7A<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>\t\t\t      LOCAL E DATA<\/p>\n<\/p>\n<p>\t\t\t<strong>________________________________<\/strong><\/p>\n<p><strong>\t\t\t\t\t     OAB<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li id=\"footnote-2\">\n<p> Jescheck \u201cTratado de Derecho Penal\u201d, Ed. 1981, Vol II, P\u00e1g. 191; <a href=\"#footnote-ref-2\">\u2191<\/a><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[153],"class_list":["post-7093","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-penal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/7093","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7093"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=7093"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}