{"id":38404,"date":"2023-08-04T20:18:48","date_gmt":"2023-08-04T20:18:48","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-08-04T20:18:48","modified_gmt":"2023-08-04T20:18:48","slug":"acao-declaratoria-de-sociedade-de-fato-e-anulacao-de-partilha-de-bens","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/acao-declaratoria-de-sociedade-de-fato-e-anulacao-de-partilha-de-bens\/","title":{"rendered":"[MODELO] A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA DE SOCIEDADE DE FATO E ANULA\u00c7\u00c3O DE PARTILHA DE BENS"},"content":{"rendered":"<p>Sociedade de fato por quase trinta anos. Houve prole. Bens adquiridos pelo esfor\u00e7o comum dos concubinos. Filho dos concubinos exclu\u00eddo do invent\u00e1rio e partilha.<\/p>\n<p>EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA &#8230;.\u00aa VARA DE FAM\u00cdLIA DA COMARCA DE &#8230;. <\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.., (qualifica\u00e7\u00e3o), residente e domiciliada na Rua &#8230;., na Cidade de &#8230;, vem, respeitosamente, por seus advogados que a esta subscrevem, com escrit\u00f3rio profissional na Rua &#8230;., onde recebem intima\u00e7\u00f5es e notifica\u00e7\u00f5es, propor, em face de &#8230;., (qualifica\u00e7\u00e3o), residente e domiciliado em &#8230;., e sua esposa &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..,(qualifica\u00e7\u00e3o), ambos brasileiros, residentes e domiciliados em &#8230;.; &#8230;. (qualifica\u00e7\u00e3o), residente e domiciliado nesta cidade na Rua &#8230;.; &#8230;., (qualifica\u00e7\u00e3o), residente e domiciliada na Rua &#8230;.; &#8230;., (qualifica\u00e7\u00e3o), residente e domiciliado em &#8230;.; e &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;., (qualifica\u00e7\u00e3o), residente e domiciliada na Rua &#8230;., nesta, todos herdeiros de &#8230;., (qualifica\u00e7\u00e3o), falecido em &#8230;., a presente<\/p>\n<p>A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA DA EXIST\u00caNCIA DE SOCIEDADE DE FATO c\/c A\u00c7\u00c3O DE ANULA\u00c7\u00c3O DE PARTILHA E PEDIDO DE MEA\u00c7\u00c3O DE BENS. <\/p>\n<p>pelas raz\u00f5es f\u00e1ticas e jur\u00eddicas que a seguir passa a expor:<\/p>\n<h1>I &#8211; DOS FATOS<\/h1>\n<p>1. Que do ano de &#8230;. at\u00e9 &#8230;., data do seu falecimento, manteve sociedade matrimonial de fato com &#8230;., uni\u00e3o da qual resultou o nascimento de &#8230;. (certid\u00e3o de nascimento inclusa);<\/p>\n<p>2. Que ao lado dessa sociedade de fato, em comunh\u00e3o  de vida e interesses sob o mesmo teto, o casal trabalhou duramente, tendo a Requerente se dedicado inteiramente  ao trabalho com\u00e9rcio-industrial em padaria que mantinham na Rua &#8230;., nesta cidade, e tamb\u00e9m, concomitantemente, exercendo todos os encargos de dona de casa, em benef\u00edcio do &quot;de cujus&quot; e de &#8230;. (&#8230;.) filhos menores deste, de nomes &#8230;., &#8230;. e &#8230;.<\/p>\n<p>3. Que no atinente ao trabalho exercido na padaria, se fez mister evidenciar, t\u00ea-lo a Requerente prestado, ao lado do &quot;de cujus&quot;, por anos a fio, em horas avan\u00e7adas e mortas da noite, pois, como \u00e9 do dito popular, &quot;o p\u00e3o da manh\u00e3 \u00e9 o produto da noite alta&quot;; <\/p>\n<p>4. Que com o fruto desse trabalho comum, constante, sistem\u00e1tico e duro, para o qual o &quot;de cujus&quot;  e a Requerente despenderam muito esfor\u00e7o, suor e trabalho, o casal  passou a investir em outros setores,  adquirindo os bens apontados nas inclusas escrituras com os devidos registros e descritos na declara\u00e7\u00f5es prestadas pelo inventariante &#8230;., no processo n.\u00b0 &#8230;. (invent\u00e1rio do &#8230;.  &#8211; documento incluso em 3 laudas datilografadas) e no esbo\u00e7o de partilha de lavra do inventariante ( doc. incluso em 4 laudas) e auto de partilha judicial (doc. incluso em 3 laudas);<\/p>\n<p>5. Que ditos bens im\u00f3veis como as suas escrituras e registros atestam,  foram adquiridas ap\u00f3s a morte da esposa do &quot;de cujus&quot;, senhora &#8230;., falecida em &#8230;. (certid\u00e3o de \u00f3bito inclusa), isto \u00e9, exclusivamente com o trabalho comum da Requerente e de &#8230;. na vig\u00eancia da sociedade de fato;<\/p>\n<p>6. Que nenhum dos herdeiros (filhos, genros e noras) do &quot;de cujus&quot; tiveram participa\u00e7\u00e3o nos trabalhos desenvolvidos pelo casal, na vig\u00eancia da sociedade de fato, raz\u00e3o pela qual, n\u00e3o concorreram para a aquisi\u00e7\u00e3o de um im\u00f3vel que fosse,  dos quais, agora, com a morte de &#8230;. se apoderaram inteiramente, ao alijar a Requerente do invent\u00e1rio do &quot;de cujus&quot;;<\/p>\n<p>7. Que dos inclusos formais de partilha, resultantes de invent\u00e1rio de &#8230;. (ex-esposa), processado em &#8230;., observa-se que dos bens deixados ao meeiro &#8230;. (&quot;de cujus&quot;) e aos cinco (&#8230;.) &#8230;., &#8230;. nenhum deles consta do pedido de mea\u00e7\u00e3o, cujo reconhecimento por esta se requer, e assim Excel\u00eancia, pois que adquiridos antes da constitui\u00e7\u00e3o da sociedade de fato ou j\u00e1 exist\u00eancia se busca por esta a\u00e7\u00e3o provar;<\/p>\n<p>8. Que referidos formais de partilha servem tamb\u00e9m para demonstrar, que os bens neles descritos eram os \u00fanicos que o &quot;de cujus&quot; e &#8230;. possu\u00edam at\u00e9 o ano de &#8230;., data de falecimento desta;<\/p>\n<p>9. Que apesar dos fatos demonstrarem a vida em comum do casal bem como a sociedade de fato, sendo que a conviv\u00eancia era p\u00fablica e not\u00f3ria e o casal era reconhecido como se casados fossem, os Requeridos negam-na com o fim de frustar o direito da Requerente;<\/p>\n<p>10. Que apesar de, como conseq\u00fc\u00eancia do alegado no item anterior de n\u00b0 9 desta peti\u00e7\u00e3o, ter a Requerente se habilitado no invent\u00e1rio (docs. inclusos &#8211; procura\u00e7\u00e3o e certid\u00e3o de nascimento de &#8230;., filha do casal), os demais herdeiros , dolosamente, como \u00e9 \u00f3bvio, ao negarem o concubinato da Requerente com o &quot;de cujus&quot;, requerem a sua exclus\u00e3o do invent\u00e1rio, o que se verificou, ao acatar o Dr. Juiz Presidente do feito, pelo despacho de fls. 38 do invent\u00e1rio (doc. incluso), o parecer de fls. 32 do mesmo invent\u00e1rio (doc. incluso), de lavra do &quot;parquet&quot;; <\/p>\n<p>11. Resta a Requerente pois, diante do procedimento dos herdeiros e por existir disposi\u00e7\u00f5es legais vigentes a autorizar a comprova\u00e7\u00e3o judicial da sociedade de fato e a Requerente ter leg\u00edtimo interesse em v\u00ea-la declarada judicialmente; por existir farta, torrencial, e pac\u00edfica jurisprud\u00eancia dos tribunais reconhecedora do direito da companheira de acionar o esp\u00f3lio, ou no caso os herdeiros a fim de haver sua men\u00e7\u00e3o; e por existir disposi\u00e7\u00f5es legais, farta doutrina e pac\u00edfica jurisprud\u00eancia, asseguradoras do direito da companheira \u00e0 men\u00e7\u00e3o a propositura das presentes a\u00e7\u00f5es cumuladas com fundamento no direito atinente \u00e0 esp\u00e9cie, a seguir apontado. <\/p>\n<h1>II &#8211; DO DIREITO<\/h1>\n<p><strong>1.2. DO DIREITO \u00c0 CUMULA\u00c7\u00c3O DE A\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p> a) A LEI <\/p>\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil, art. 292, \u00a7 1\u00b0 e seus incisos I, II e III e \u00a7 2\u00b0, que diz:<\/p>\n<p>&quot;\u00c9 permitida a cumula\u00e7\u00e3o num \u00fanico processo, contra o mesmo r\u00e9u, de v\u00e1rios pedidos, ainda que entre eles n\u00e3o haja conex\u00e3o. <\/p>\n<p>\u00a7 1\u00b0 &#8211; S\u00e3o requisitos de admissibilidade de cumula\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>I &#8211; que os pedidos sejam compat\u00edveis entre si;<\/p>\n<p>II &#8211; que seja competente para conhecer deles o mesmo ju\u00edzo;<\/p>\n<p>III &#8211; que seja adequado para todos os pedidos e tipo de procedimento. <\/p>\n<p>\u00a7 2\u00b0 &#8211; Quando,  para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento, admitir-se-\u00e1 a cumula\u00e7\u00e3o, se o autor empregar o procedimento ordin\u00e1rio.&quot;<\/p>\n<p>No caso, s\u00e3o mesmos os r\u00e9us, os pedidos compat\u00edveis entre si, o mesmo juiz \u00e9 competente para conhec\u00ea-los e o procedimento ordin\u00e1rio o comum a todas.<\/p>\n<p><strong>b) A DOUTRINA<\/strong><\/p>\n<p>Celso Agr\u00edcola Barbi, in &quot;A A\u00e7\u00e3o Declarat\u00f3ria no Processo Civil Brasileiro&quot;:  2\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, p\u00e1g. 138, ensina da forma seguinte:<\/p>\n<p>&quot;A a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria pode ser cumulada com outras a\u00e7\u00f5es, inclusive com a condenat\u00f3ria. Essa acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo freq\u00fcente no foro, existindo principalmente nas declarat\u00f3rias especiais; a cada passo deparamos no trato di\u00e1rio com a\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o de paternidade cumulada com peti\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a, de declara\u00e7\u00e3o de nulidade de ato jur\u00eddico cumulada com pagamento indeniza\u00e7\u00e3o. Nada impede &#8211; e a pr\u00e1tica, muitas vezes aconselha &#8211; esse c\u00famulo, que tem apoio tamb\u00e9m na doutrina.&quot; (PONTES DE MIRANDA &#8211; &quot;Coment\u00e1rios&quot;, vol. 1 &#8211; p\u00e1g. 123, Goldeschmidt &#8211; ob. cit. &#8211; p\u00e1g. 108. TJESP, em 04\/02\/42 &#8211; Rev. Forense&quot;- vol. 91, p\u00e1g. 172. TJEMG &#8211; em 18.11.57 &#8211; in Rev. Jurisp. Mineira, vol. 13 &#8211; fasc. 5 e 6, p\u00e1g. 84).<\/p>\n<p><strong>c) A JURISPRUD\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9  no sentido que:<\/p>\n<p>&quot;Nada impede a cumula\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o condenat\u00f3ria com declarat\u00f3ria, desde que preenchidos os requisitos exigidos pelo artigo 292.&quot; (TFR &#8211; 5a  Turma, Ed. na Ac. 107.184-DF, Rel. Min.  PEDRO ACIOLI, j. 4.06.86, DJU 28.08.86, p\u00e1g. 15.076, 1\u00aa. col. em ).<\/p>\n<p><strong>1.3. DO DIREITO \u00c0 A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<p>a)  A LEI <\/p>\n<p>\u00c9 indubit\u00e1vel que a inten\u00e7\u00e3o da Requerente encontra respaldo no inciso I, do art. 4\u00b0, do C\u00f3digo de Processo Civil, que sancionou, no Brasil, a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria, para a declara\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia ou inexist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. <\/p>\n<p>O art. 4\u00b0 e seu inciso I, do C\u00f3digo Buzaid disp\u00f5e:<\/p>\n<p>&quot;O interesse do autor pode limitar-se \u00e0 declara\u00e7\u00e3o: <\/p>\n<p>I &#8211; da exist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica:<\/p>\n<p>II &#8211; &#8230;.&quot;<\/p>\n<p>Dispondo o referido artigo 4\u00b0 do CPC, no seu par\u00e1grafo \u00fanico, que:<\/p>\n<p>&quot;\u00c9 admiss\u00edvel a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria, ainda  que tenha ocorrido a viola\u00e7\u00e3o de direito.&quot;<\/p>\n<p>Havendo, portanto, rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica a reconhecer ou a negar, surge, como conseq\u00fc\u00eancia, ainda que tenha ocorrido a viola\u00e7\u00e3o de direito como no caso, para decidir a d\u00favida, a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria. <\/p>\n<p>Por outro lado, a inten\u00e7\u00e3o da Requerente \u00e9 tamb\u00e9m respaldada pelo art. 3\u00b0 do C\u00f3digo Buzaid, que disp\u00f5e:<\/p>\n<p>&quot;Para propor o contestar a\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter interesse e legitimidade.&quot;<\/p>\n<p>E a Requerente, como demonstrado f\u00e1tica e juridicamente, os tem. <\/p>\n<p><strong>b) A DOUTRINA<\/strong><\/p>\n<p>Para CHIOVENDA, citado &quot;in Institui\u00e7\u00f5es de Direito Processual  Civil; trad. de J. Guimar\u00e3es Menegale, Forense, 1965, vol. I, p\u00e1g. 226,<\/p>\n<p>&quot;O interesse de agir decorre de uma situa\u00e7\u00e3o de fato tal que o aturo, sem a declara\u00e7\u00e3o judicial da vontade concreta da lei, sofreria um dano injusto, de modo que a declara\u00e7\u00e3o judicial se apresenta como  meio necess\u00e1rio de evit\u00e1-lo.&quot;<\/p>\n<p>A Requerente, por esta a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria positiva, declarada judicialmente a sociedade de fato, reconhecida o seu direito \u00e0 mea\u00e7\u00e3o, ver\u00e1 evitado a ocorr\u00eancia de danos consider\u00e1veis que os r\u00e9us e querem impor.<\/p>\n<p><strong>c) A JURISPRUD\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 no sentido que:<\/p>\n<p>&quot;A declara\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia ou inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica deve versar sobre situa\u00e7\u00e3o atual, j\u00e1 verificada, e n\u00e3o sobre a exist\u00eancia de futura rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.&quot; (RTFR 147\/55)<\/p>\n<p>&quot;Cabe a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria, para reconhecimento de sociedade de fato.&quot; (RJTSESP 91\/249)<\/p>\n<p><strong>1.4. DO DIREITO \u00c0 A\u00c7\u00c3O DE ANULA\u00c7\u00c3O DE PARTILHA<\/strong><\/p>\n<p>a) A LEI<\/p>\n<p>Afastada a prescri\u00e7\u00e3o prevista pelo inciso V, do \u00a7 6\u00b0, do art. 178 da Lei Substantiva Civil, que diz &quot;prescrever em um ano a a\u00e7\u00e3o da nulidade de partilha; contado o prazo da data em que a senten\u00e7a de partilha passou em julgado (art. 1.805), nenhum \u00f3bice mais \u00e0 propositura e proced\u00eancia da presente a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como se observa dos inclusos documentos, a senten\u00e7a homologat\u00f3ria da partilha data de &#8230;.. e a certid\u00e3o de sua publicidade de &#8230;&#8230;, menos de 01 (um) ano, pois.<\/p>\n<p>Disp\u00f5e o art. 1.805 do C\u00f3digo Civil, que:<\/p>\n<p>&quot;A partilha um vez feita e julgada, s\u00f3 \u00e9 anul\u00e1vel pelos v\u00edcios e defeitos que invalidem, em geral, os atos jur\u00eddicos (art. 178, \u00a7 6\u00b0, n\u00b0 V).&quot;<\/p>\n<p>O art. 147 do mesmo C\u00f3digo, que:<\/p>\n<p>&quot;\u00c9 anul\u00e1vel o ato jur\u00eddico:<\/p>\n<p>I &#8211; &#8230;.<\/p>\n<p>II &#8211; Por v\u00edcio resultante de erro, dolo, coa\u00e7\u00e3o, simula\u00e7\u00e3o ou fraude&quot; (art. 86 a 113).<\/p>\n<p>Dispondo o art.92 da mesma Lei Substantiva Civil, que:<\/p>\n<p>&quot;Os atos jur\u00eddicos s\u00e3o anul\u00e1veis por dolo, quando este for a sua causa.&quot;<\/p>\n<p>A Lei Adjetiva Civil, a respeito disp\u00f5e:<\/p>\n<p>&quot;Art. 1.029. A partilha amig\u00e1vel, lavrada em instrumento p\u00fablico, reduzida a termo nos autos do invent\u00e1rio ou constante de escrito particular homologado pelo juiz, pode ser anulada, por dolo, coa\u00e7\u00e3o, erro essencial ou interven\u00e7\u00e3o de incapaz.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; O direito de propor a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria de partilha amig\u00e1vel prescreve em um (1) ano, contado este prazo:<\/p>\n<p>I &#8211; no caso de coa\u00e7\u00e3o, do dia em que ela cessou;<\/p>\n<p>II &#8211; no de erro ou dolo, do dia em que se realizou o ato;<\/p>\n<p>III &#8211; quanto ao incapaz. do dia em que cessar a incapacidade.&quot;<\/p>\n<p>&quot;Art. 1.030. \u00c9 rescind\u00edvel a partilha julgada por senten\u00e7a:<\/p>\n<p>I &#8211; nos casos mencionados no artigo antecedente;<\/p>\n<p>II &#8211; se feita com preteri\u00e7\u00e3o de formalidades legais;<\/p>\n<p>III &#8211; se preteriu herdeiro ou incluiu quem n\u00e3o o seja.&quot;<\/p>\n<p>No caso, o dolo autorizador de rescis\u00e3o e anula\u00e7\u00e3o da partilha est\u00e1 caracterizado pelos seguintes fatos, ocorridos nos autos do processo de invent\u00e1rio n\u00b0 &#8230;., inventariante &#8230;. e inventariado &#8230;., quando:<\/p>\n<p>1\u00ba- prestadas as primeiras declara\u00e7\u00f5es e apesar de relacionada a herdeira &#8230;., n\u00e3o se fez men\u00e7\u00e3o, digo a juntada de sua certid\u00e3o de nascimento, \u00fanica e exclusivamente para esconder a sua filia\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>2\u00ba- habilitando-se no invent\u00e1rio a Requerente, por si e por sua filha menor &#8230;., instruiu a peti\u00e7\u00e3o com a certid\u00e3o de nascimento desta;<\/p>\n<p>3\u00ba- ouvido o MP, se pronunciou no sentido da inexist\u00eancia de d\u00favida quanto ao direito da menor, opinando pelo envio da Requerente \u00e0s vias ordin\u00e1rias para o reconhecimento da sociedade de fato, e ainda, que sobre o pedido deveriam ser ouvidos todos os interessados;<\/p>\n<p>4\u00ba- a seguir, antes mesmo do pronunciamento dos interessados na forma pedida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, foi lavrado em &#8230;&#8230; o termo de declara\u00e7\u00f5es iniciais, disse que assim o fazia, &quot;eis que nada mais tem a acrescenta-las, emenda-las ou edit\u00e1-las&quot;;<\/p>\n<p>5\u00ba- em &#8230;., por peti\u00e7\u00e3o, dolosamente, j\u00e1 que conhecedores do fato p\u00fablico e not\u00f3rio atinente \u00e0 sociedade de fato entre a Requerente e o &quot;de cujus&quot;, discordaram da habilita\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o reconhecerem na Requerente a qualidade de concubina do &quot;de cujus&quot;;<\/p>\n<p>6\u00ba- em despacho de &#8230;., o MM. Juiz Presidente do feito, entre outras coisas, numa forma expressa de reconhecimento do dolo com que se conduzira o inventariante disse: &quot;sua filha &#8230;., j\u00e1 foi relacionada nas primeiras declara\u00e7\u00f5es  como herdeiro, DEVER\u00c1 O INVENTARIANTE, FAZER CONSTAR DAS PRIMEIRAS DECLARA\u00c7\u00d5ES QUE A MENOR &#8230; \u00c9 FILHA DO &quot;DE CUJUS&quot; COM &#8230; (grifamos e destacamos);<\/p>\n<p>7\u00ba- traindo-se da afirmativa, que o &quot;de cujus&quot; e a Requerente jamais mantiveram sociedade de fato, o inventariante pela peti\u00e7\u00e3o de &#8230;. (fls. &#8230;. do invent\u00e1rio), declara uma longa rela\u00e7\u00e3o de bens, que por lapso n\u00e3o constou nas primeiras  declara\u00e7\u00f5es, destas j\u00e1 ratificadas pelas finais, nas quais foi afirmado nada mais a acrescentar, bens esses, que se encontravam justamente com a Requerente, na casa da rua&#8230;, local da sociedade de fato, por quase trinta anos, dolosamente negada para frustar a mea\u00e7\u00e3o a quem a Requerente tem direito;<\/p>\n<p>8\u00ba- traindo-se uma segunda vez, o inventariante que negara a sociedade de fato, ao elaborar o esbo\u00e7o da partilha de fls. &#8230;., o qual subscreveu, incluiu a Requerente, erroneamente \u00e9 bem verdade, na condi\u00e7\u00e3o de herdeira, forma expressa e demonstrativa do dolo com que se conduziu, ao levar a invent\u00e1rio, sem reserva de mea\u00e7\u00e3o, o todo de bens adquiridos na const\u00e2ncia de sociedade de fato mantida pela Requerente e o &quot;de cujus&quot; de &#8230;. a &#8230;. (vide escrituras e seus registros inclusos).<\/p>\n<p>\u00c9 pois, sem d\u00favida, fruto do dolo, o ato jur\u00eddico partilha levado a efeito no invent\u00e1rio de &#8230;., sem reserva e reconhecimento do direito de mea\u00e7\u00e3o da autora, mea\u00e7\u00e3o essa rateada entre os  Requeridos desta a\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Dolo indiscut\u00edvel, quando os Requeridos na oportunidade em que a Requerente habilitou-se no invent\u00e1rio, mesmo  sabendo de seu direito \u00e0 mea\u00e7\u00e3o, negaram a sociedade de fato ou concubinato qualificado. <\/p>\n<p><strong>b) A DOUTRINA <\/strong><\/p>\n<p>S\u00e9rgio Sahione Fadel in &quot;C\u00f3digo de Processo Civil Comentado&quot;, ensina:<\/p>\n<p>&quot;A senten\u00e7a homologat\u00f3ria de partilha n\u00e3o \u00e9 anul\u00e1vel pela a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, mas pela forma adotada para a rescis\u00e3o dos atos jur\u00eddicos em geral, nos termos estatu\u00eddos na lei processual (p\u00e1g. 189, vol. V)&quot;<\/p>\n<p>&quot;A a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o de partilha segue o procedimento ordin\u00e1rio e para ela devem ser citados todos os herdeiros e legat\u00e1rios e ainda o c\u00f4njuge sup\u00e9rstite.&quot; (fls. 189, mesmo volume).<\/p>\n<p>&quot;O que existe, portanto, seja no caso do Art. 1.029, seja no do Art. 1.030 (o caso), \u00e9 anula\u00e7\u00e3o de partilha, e n\u00e3o sua rescis\u00e3o.&quot;<\/p>\n<p><strong>c) A JURISPRUD\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 no sentido: <\/p>\n<p>&quot;A partilha, uma vez feita e julgada, s\u00f3 \u00e9 anul\u00e1vel pelos v\u00edcios e defeitos que invalidam, em geral, os atos jur\u00eddicos &#8211; art. 1805 do C\u00f3digo Civi &#8230;.&quot; (ADCOAS, 1975, n\u00b0 36.734)<\/p>\n<p>&quot;&#8230; A partilha, nos termos do artigo 1805 do CC, uma vez feita e julgada, s\u00f3 \u00e9 anul\u00e1vel pelos v\u00edcios e defeitos que invalidam, em geral, os atos jur\u00eddicos. Em outras palavras em casos de erro, dolo, coa\u00e7\u00e3o, simula\u00e7\u00e3o ou fraude, ou &#8230; (in &quot;O Proc. Civ. \u00e0 Luz da JURISP. &#8211; Alexandre de Paula, Vol. VII, p\u00e1g. 376)&quot;<\/p>\n<p>O dolo, no caso, como j\u00e1 evidenciado, est\u00e1 na circunst\u00e2ncia de sabendo-se da mea\u00e7\u00e3o a que fazia jus a Requerente, terem os Requeridos levado a invent\u00e1rio a totalidade dos bens e, verificada a habilita\u00e7\u00e3o, negado a exist\u00eancia da sociedade de fato. <\/p>\n<h1>DO DIREITO<\/h1>\n<p>1.5. \u00c0 MEA\u00c7\u00c3O DE BENS<\/p>\n<p>A S\u00famula 380 e farta jurisprud\u00eancia dos nossos tribunais \u00e9 no sentido que:<\/p>\n<p>S\u00famula 380 &#8211; STF:<\/p>\n<p>&quot;Comprovada a exist\u00eancia da sociedade de fato entre os concubinos \u00e9 cab\u00edvel a sua dissolu\u00e7\u00e3o judicial, com a partilha do patrim\u00f4nio adquirido pelo esfor\u00e7o comum.&quot;<\/p>\n<p>Ainda, in RTJ 69\/467; 66\/528; 64\/665; 57\/352; 49\/664; 89\/181 e 90\/1.022 entre outras e JC 41\/105; 47\/147; 47\/251; 46\/256; 45\/200.<\/p>\n<p>Diante da torrencial e pac\u00edfica jurisprud\u00eancia predominante atinente \u00e0 esp\u00e9cie, ocioso seria a Requerente estender-se em considera\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias que, em \u00faltima an\u00e1lise esta condensada no direito sumular e jurisprudencial acima apontados.<\/p>\n<p>Excel\u00eancia, o contrato desta pe\u00e7a inicial atesta, a viv\u00eancia em comum pela prova do nascimento de &#8230;., registrada aos &#8230;. por iniciativa paterna, uni\u00e3o iniciada em &#8230;. e terminada em &#8230;., com a morte do concubino &#8230;.<\/p>\n<p>Atesta tamb\u00e9m, que todos os bens adquiridos pelo esfor\u00e7o comum do casal, o foram ap\u00f3s a morte da primeira esposa do &quot;de cujus&quot;, dona &#8230;., ocorrida em &#8230;., bens esses que foram levados a invent\u00e1rio na sua totalidade, isto \u00e9, sem que fosse respeitada a mea\u00e7\u00e3o a que por lei a Requerente tem direito. <\/p>\n<p>Atesta ainda, que dos bens inventariados por morte de &#8230;., partilhados devidamente, entre &#8230;., como meeiro e &#8230;., &#8230;., &#8230;., &#8230;. e &#8230;. como herdeiros, nenhum deles (bens) fez parte do invent\u00e1rio por morte de &#8230;., o bastante para afastar qualquer discuss\u00e3o quanto \u00e0 mea\u00e7\u00e3o reclamada pela Requerente atrav\u00e9s desta a\u00e7\u00e3o, eis que resta evidenciado que os bens partilhados no invent\u00e1rio que ora requer-se a anula\u00e7\u00e3o, foram conquistados na const\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o concubin\u00e1ria entre a Requerente e o  &quot;de cujus&quot;, produto do trabalho comum.<\/p>\n<h1> DAS PROVAS <\/h1>\n<p>12. Dos fatos alegados, a prova documental robusta e materializada pelos inclusos documentos, ou seja, escrituras e seus registros dos im\u00f3veis descritos no incluso auto de partilha por fotoc\u00f3pias aut\u00eanticas, extra\u00eddo dos autos do invent\u00e1rio n\u00b0 &#8230;., sendo inventariante &#8230;. e inventariado &#8230;., im\u00f3veis \u00e0 cuja mea\u00e7\u00e3o a Requerente tem direito. <\/p>\n<p>Para complementa\u00e7\u00e3o das provas documentais acima apontadas, requer:<\/p>\n<p>1. a ouvida dos r\u00e9us, sob pena de confiss\u00e3o;<\/p>\n<p>2. a ouvida das testemunhas abaixo arroladas, cujas intima\u00e7\u00f5es pede sejam efetuadas na forma da lei;<\/p>\n<p>3. a juntada de documentos, presentes e futuros;<\/p>\n<p>4. a feitura de per\u00edcias, vistorias, exames, arbitramentos, etc.; protestando ainda por qualquer outra prova que no decorrer da instru\u00e7\u00e3o processual venha a se tornar necess\u00e1ria.<\/p>\n<h1>IV &#8211;  DO PEDIDO<\/h1>\n<p>13. Com fundamento na legisla\u00e7\u00e3o, doutrina e jurisprud\u00eancia atinentes a esp\u00e9cie, trazidas \u00e0 cola\u00e7\u00e3o com esta inicial, requer se digne V. Exa. em atender os pedidos formulados a seguir especificados sob o t\u00edtulo V. do requerimento;<\/p>\n<h1>V &#8211; DO REQUERIMENTO<\/h1>\n<p>14. Destarte, Requer a cita\u00e7\u00e3o dos Requeridos inicialmente nominados e qualificados, nos endere\u00e7os apontados, a fim de, querendo, na forma e no prazo de lei, vir responder aos termos e atos da presente a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria da exist\u00eancia de sociedade de fato c\/c a\u00e7\u00e3o de anula\u00e7\u00e3o de partilha judicial e pedido de mea\u00e7\u00e3o de bens (CPC, art. 282 e seguintes), acompanhando-a at\u00e9 final senten\u00e7a, sob pena de revelia;<\/p>\n<p>-requer, ainda, declarado a exist\u00eancia da sociedade de fato entre a Requerente e o &quot;de cujus&quot; &#8230;., seja decretado a anula\u00e7\u00e3o da partilha levada a efeito nos autos do processo de invent\u00e1rio n\u00b0 &#8230;., para que, desconstitu\u00edda a senten\u00e7a homologat\u00f3ria, novo invent\u00e1rio venha a realizar-se, respeitada a mea\u00e7\u00e3o a que tem direito a Requerente, dos bens adquiridos pelo trabalho e esfor\u00e7o comum do casal, na vig\u00eancia de sociedade de fato de quase trinta (30) anos;<\/p>\n<p>&#8211; requer, finalmente, seja a a\u00e7\u00e3o julgada procedente nos termos da inicial e do pedido e requerimento formulados, condenados os Requeridos no pagamento das custa processuais e honor\u00e1rios advocat\u00edcios sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o e ainda, nas demais comina\u00e7\u00f5es legais. <\/p>\n<p>15. Protesta e requer por todas as provas em direito admitidas, al\u00e9m  das requeridas pelo item n\u00b0 1 desta peti\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>16. D\u00e1-se a causa o valor de R$ &#8230;. para os devidos efeitos fiscais.<\/p>\n<p>Termos em que,<\/p>\n<p>Espera Deferimento.<\/p>\n<p>&#8230;., &#8230;. de &#8230;. de &#8230;.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p>Advogado OAB\/&#8230;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[528],"class_list":["post-38404","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-kit-peticoes-diversas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/38404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=38404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}