{"id":38383,"date":"2023-08-04T20:18:17","date_gmt":"2023-08-04T20:18:17","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-08-04T20:18:17","modified_gmt":"2023-08-04T20:18:17","slug":"acao-declaratoria-pedido-de-declaracao-de-inexistencia-de-relacao-juridica-valida-entre-as-partes-e-da-inexigibilidade-das-duplicatas-emitidas-pela-re","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/acao-declaratoria-pedido-de-declaracao-de-inexistencia-de-relacao-juridica-valida-entre-as-partes-e-da-inexigibilidade-das-duplicatas-emitidas-pela-re\/","title":{"rendered":"[MODELO] A\u00e7\u00e3o Declarat\u00f3ria  &#8211;  Pedido de declara\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica v\u00e1lida entre as partes e da inexigibilidade das duplicatas emitidas pela R\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><strong>A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA<\/strong> Pedido de <strong>declara\u00e7\u00e3o de diverg\u00eancia<\/strong> entre os <strong>valores das duplicatas<\/strong> e a do contrato efetivamente concretizado. Duplicata protestada e devidamente sustada por liminar.<\/p>\n<p><strong>EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA &#8230;.\u00aa Vara DA COMARCA DE &#8230;.<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;., j\u00e1 qualificado nos autos acima epigrafados, comparece respeitosamente perante Vossa Excel\u00eancia para ajuizar a presente <strong>A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA,<\/strong>  que dever\u00e1 seguir o rito ordin\u00e1rio, pedindo a cita\u00e7\u00e3o de &#8230;., pelos fundamentos e para os fins adiante expostos.<\/p>\n<h1>I &#8211; O LIT\u00cdGIO<\/h1>\n<p>1. &#8230;. ajuizou medida cautelar de susta\u00e7\u00e3o de protesto preparat\u00f3ria da presente a\u00e7\u00e3o &#8211; que foi distribu\u00edda a esse respeit\u00e1vel &#8230;. juiz de direito.<\/p>\n<p>A liminar foi concedida e cumprida no mesmo dia.<\/p>\n<p>2. Agora  e respeitando o prazo legal, vem propor a a\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n<p>Embora os dados principais do lit\u00edgio encontrem-se na inicial da cautelar,  a autora reitera os termos daquela, trazendo ao r. Ju\u00edzo todos os argumentos pelos quais entende indevido o protesto.<\/p>\n<h1>II &#8211; OS FATOS RELEVANTES<\/h1>\n<p>3. A Autora \u00e9 sociedade civil constitu\u00edda para fim espec\u00edfico de prestar servi\u00e7os m\u00e9dicos e hospitalares.<\/p>\n<p>Recentemente, entabulou contrato verbal com a R\u00e9 visando \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o  de produtos por ela comercializados.<\/p>\n<p>Todavia e posteriormente, a R\u00e9 deixou de cumprir o anteriormente pactuado, exigindo valores excessivos como pre\u00e7o.<\/p>\n<p>A Autora, ent\u00e3o, entrou em contato com a R\u00e9. Essa disp\u00f4s-se a rever o montante pretendido. As partes passaram a renegociar as condi\u00e7\u00f5es e valores para pagamento. <\/p>\n<p>Ocorre que, para surpresa da Autora, a R\u00e9 emitiu duplicatas e remeteu-as aos Of\u00edcios de Protestos da cidade de &#8230;.<\/p>\n<p>Consultando os Cart\u00f3rios, a Autora pode verificar que se tratava de T\u00edtulos emitidos pela R\u00e9, que supostamente de destinariam a cobrar o valor por ela pretendido antes de se iniciarem as negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Autora chegou a reputar que a remessa dos t\u00edtulos a protesto, na pend\u00eancia das negocia\u00e7\u00f5es, deva-se um descompasso operacional de prepostos da R\u00e9.<\/p>\n<p>Entretanto, fato semelhante n\u00e3o pode ter o cond\u00e3o de impor \u00e0 Autora os danos correspondentes.<\/p>\n<h1>III &#8211; A INEXIGIBILIDADE DO T\u00cdTULO<\/h1>\n<p>5. A Autora desconhece a exist\u00eancia de causa para os t\u00edtulos.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio respectivo \u00e0 compra e venda realizada entre as partes n\u00e3o autoriza a cobran\u00e7a nos moldes propostos pela R\u00e9.<\/p>\n<p>A Autora somente pode imaginar que os t\u00edtulos foram emitidos pela R\u00e9 em benef\u00edcio pr\u00f3prio e em conflito de interesse com a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que unia as partes.<\/p>\n<p>6. Como se sabe, a duplicata \u00e9 t\u00edtulo causal, cuja emiss\u00e3o depende da exist\u00eancia de contrato entre as partes (Lei n\u00ba 5.474\/68, arts. 1\u00ba, 2\u00ba e 20\u00ba).<\/p>\n<p>A duplicata sempre se relaciona com a fatura. Essa, por sua vez, reflete a ocorr\u00eancia de uma compra e venda ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, vinculando-se ao neg\u00f3cio subjacente que lhe deu origem.<\/p>\n<p>6.1. Como afirma WALDOMIRO BULGARELLI, &quot;&#8230; os t\u00edtulos causais, que chegaram a ter negado seu car\u00e1ter de t\u00edtulos de cr\u00e9dito, correspondem a um neg\u00f3cio determinado. Assim, na declara\u00e7\u00e3o cartular haver\u00e1 refer\u00eancia ao neg\u00f3cio fundamental que lhe deu a causa, e as exce\u00e7\u00f5es decorrentes passam a ser cartulares. Nesta linha, por exemplo, a duplicata de mercadorias (regulada atualmente pela Lei 6.458\/77) \u00e9 um t\u00edtulo causal, devendo corresponder necessariamente \u00e0 entrega pelo vendedor ao comprador. Na falta de entrega da mercadoria ou outro v\u00edcio do neg\u00f3cio fundamental, o sacado(comprador) poder\u00e1 op\u00f4-los ao sacador (vendedor) como exce\u00e7\u00e3o causal.&quot; (T\u00edtulos de Cr\u00e9dito, Atlas, 1985, p. 51).<\/p>\n<p>WALDEMAR FERREIRA, embora a prop\u00f3sito da legisla\u00e7\u00e3o anterior, esclarecia que duplicata &quot;&#8230; sem embargo de seu formalismo, tem que ser, necessariamente, a express\u00e3o  dum contrato de compra e venda  mercantil; e \u00e9 esse o seu caracter\u00edstico fundamental&quot; (Tratado de Direito Comercial, Saraiva, 1963, vol. 10, p. 204).<\/p>\n<p>6.2. As condi\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cio fundamental e de sua execu\u00e7\u00e3o pelas partes comunicam-se ao t\u00edtulo de cr\u00e9dito &#8211; quando se trata de t\u00edtulo causal.<\/p>\n<p>Concessa venia, a conduta da R\u00e9 concretizou grave viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do Direito cambial. N\u00e3o se aperfei\u00e7oou neg\u00f3cio jur\u00eddico v\u00e1lido entre as partes a amparar a emiss\u00e3o das duplicatas. <\/p>\n<p>Nem seria demais considerar a inexist\u00eancia das duplicatas, por desatender ao rigor formal imposto pela  Lei 5.474\/68:<\/p>\n<p>&quot;A consequ\u00eancia mais direta dessa id\u00e9ia causal seria a de que a duplicata emitida sem corresponder a um contrato de compra e vender, n\u00e3o seria duplicata; ali\u00e1s, \u00e9 afirmativa expressa de Waldemar Ferreira  de que duplicata simulada n\u00e3o \u00e9 duplicata; e n\u00e3o \u00e9 precisamente porque \u00e9 simulada. (Waldemar Ferreira, op. cit, n\u00ba 2.181, p. 192).&quot; (BULGARELLI,  Waldirio. T\u00edtulos de Cr\u00e9dito. 4\u00aa ed. at. , Atlas, S\u00e3o Paulo, 1995, p. 342).<\/p>\n<\/p>\n<p>Ou seja, a falta de exist\u00eancia de neg\u00f3cio jur\u00eddico perfeito e vinculado \u00e0 emiss\u00e3o do documento acarreta a pr\u00f3pria inexist\u00eancia jur\u00eddica do t\u00edtulo de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Concessa venia, quando da remessa das duplicatas, as partes ainda n\u00e3o haviam acordado o pre\u00e7o dos servi\u00e7os. <\/p>\n<p>Assim, os pap\u00e9is apresentados ao Oficial de Protesto n\u00e3o correspondem a duplicatas. Nesse caso, aqueles documentos n\u00e3o t\u00eam o cond\u00e3o de produzir os efeitos reservados \u00e0s duplicatas. N\u00e3o podem ser protestados e, tampouco, objetos de qualquer esp\u00e9cie de cobran\u00e7a.<\/p>\n<p>Nossos tribunais t\u00eam reiterado o entendimento de que a duplicata vincula-se \u00e0 efetividade do servi\u00e7o realizado &#8211; que deve vir discriminado na respectiva fatura. \u00c9 o que consta do julgado abaixo, do E. 1\u00ba Tribunal de Al\u00e7ada C\u00edvel da cidade de &#8230;. <\/p>\n<p>DUPLICATA  &#8211; Nulidade &#8211; T\u00edtulo que n\u00e3o corresponde a compra e venda mercantil ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os &#8211; Emiss\u00e3o relacionada com devolu\u00e7\u00e3o de mercadoria &#8211; Inadmissibilidade &#8211; A\u00e7\u00f5es de anula\u00e7\u00e3o e susta\u00e7\u00e3o  de protesto procedentes.<\/p>\n<p>&quot;N\u00e3o admiss\u00edvel o emprego de duplicata como t\u00edtulo de cobran\u00e7a executiva, sem que corresponda efetivamente a compra e venda mercantil ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os&quot; (Ap. C\u00edv. 384.744; Rel. Juiz SENA REBOU\u00c7AS in RT 630\/138).<\/p>\n<p>9. A R\u00e9 buscou o protesto mediante a indica\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo ao Sr. Oficial.  No dizer de FRAN MARTINS, &quot;o portador ter\u00e1 de tirar o protesto mediante simples indica\u00e7\u00f5es feitas ao Oficial de Protestos, visto que n\u00e3o disp\u00f5e, o portador, de t\u00edtulo para fazer presente \u00e0quele seventu\u00e1rio.&quot; (MARTINS, Fran. T\u00edtulos de Cr\u00e9dito. vol. II, 3\u00aa ed. Forense, Rio de Janeiro, 1986, p. 210).<\/p>\n<p>A tentativa de protestar por indica\u00e7\u00e3o comprova que a R\u00e9 n\u00e3o disp\u00f5e de t\u00edtulo algum. O protesto por indica\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode resultar da reten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo pelo devedor. Ocorre que a Autora n\u00e3o det\u00e9m qualquer t\u00edtulo que vincule \u00e0 R\u00e9, pelo singelo motivo de que nada lhe foi apresentado.<\/p>\n<p>9.1. &#8230;. aludiu \u00e0 aus\u00eancia de requisito essencial ao t\u00edtulo para ser considerado como  tal e assim, pass\u00edvel de protesto por indica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&quot;A primeira hip\u00f3tese verifica-se, embora rara, por abuso da faculdade, que tem o possuidor legal de um t\u00edtulo cambi\u00e1rio, de promover o protesto sem apresentar o t\u00edtulo, apenas mediante as indica\u00e7\u00f5es que faz ao Oficial de protesto (Lei n\u00ba 2.044, de 1908, art. 31). Nesta hip\u00f3tese, ressalvado algum excepcional engano do protestante, esta age com dolo e o protestado ser\u00e1 a v\u00edtima.&quot; (MOTA, Pedro Vieira. Susta\u00e7\u00e3o de Protesto Cambial. 6\u00aa ed. aum., Saraiva , S\u00e3o Paulo, 1984). <\/p>\n<p>Data venia, \u00e9 o caso dos autos.<\/p>\n<p>9.2. A condi\u00e7\u00e3o de sociedade mercantil da R\u00e9 impede a considera\u00e7\u00e3o de &quot;excepcional engano&quot; seu ao tentar promover o protesto por indica\u00e7\u00e3o. O conhecimento inequ\u00edvoco da praxe comercial e das regras que presidem as rela\u00e7\u00f5es mercantis conduzem \u00e0 conclus\u00e3o obrigat\u00f3ria de que a R\u00e9 atuou com m\u00e1 f\u00e9. <\/p>\n<p>9.3. Concessa venia, os t\u00edtulos oferecidos a protesto s\u00e3o nulos por falta de causa l\u00edcita que os amparem.<\/p>\n<p>Ainda que assim n\u00e3o fosse (o que se admite apenas para argumentar), a cobran\u00e7a nos moldes valores impostos pela R\u00e9 colide com as disposi\u00e7\u00f5es da Constitui\u00e7\u00e3o e do C\u00f3digo de Defesa  do Consumidor.<\/p>\n<p>Como se ver\u00e1, ambos os diplomas cont\u00e9m comandos que reprimem a conduta abusiva do titular do poder econ\u00f4mico, em detrimento do consumidor.<\/p>\n<h1>IV &#8211; ABUSO DE PODER ECON\u00d4MICO E A REGRA CONSTITUCIONAL <\/h1>\n<p>10. A constitui\u00e7\u00e3o de 1988 tutela o sistema de mercado que preside as rela\u00e7\u00f5es mercantis.<\/p>\n<p>De acordo com JOS\u00c9 AFONSO DA SILVA, essa atividade reguladora reconhece a desigualdade econ\u00f4mica entre as partes contratantes e atua na repress\u00e3o de condutas excessivas de uma contra a outra:<\/p>\n<p>&quot;A Constitui\u00e7\u00e3o reconhece a exist\u00eancia do poder econ\u00f4mico. Este n\u00e3o \u00e9, pois podendo pelo regime constitucional. N\u00e3o raro, esse poder econ\u00f4mico \u00e9 exercido de maneira anti-social. Cabe, ent\u00e3o, ao Estado intervir para coibir o abuso&quot; (Curso de Direito Constitucional Positivo, 6\u00aa ed. RT, S\u00e3o Paulo, 1990, p. 666).<\/p>\n<p>E cita passagem esclarecedora de GUILHERME A. CANEDO DE GUIMAR\u00c3ES:<\/p>\n<p>&quot;Quando o poder econ\u00f4mico passa a ser usado com o prop\u00f3sito de impedir a iniciativa dos outros, com a a\u00e7\u00e3o no campo econ\u00f4mico, ou quando o poder econ\u00f4mico passa a ser fator concorrente para um aumento arbitr\u00e1rio de lucros do detentor do poder, abuso fica manifesto&quot; (op. e loc. cit.)<\/p>\n<p>11. Nem se contraponha que a caracteriza\u00e7\u00e3o do &quot;abuso&quot; dependeria de disciplina legislativa. Quanto a isso, \u00e9 pac\u00edfico que a repress\u00e3o ao abuso de poder n\u00e3o necessita de uma tipica\u00e7\u00e3o expressa, previamente efetivada por via legislativa. Essa foi uma conquista originada no campo do direito p\u00fablico, onde  se consagrou a repress\u00e3o ao desvio de poder, destinada a assegurar o controle do exerc\u00edcio de compet\u00eancias discriminat\u00f3rias da Administra\u00e7\u00e3o  P\u00fablica.<\/p>\n<p>De todo modo, o tema foi tratado pelo C\u00f3digo do Consumidor, como se ver\u00e1 abaixo.<\/p>\n<p>12. Contudo, ao constar da Carta Magna, a regra ganha um sentido muito mais amplo: \u00e9 al\u00e7ado \u00e0 categoria de princ\u00edpio fundamental da ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Conforme ensinamento de MIGUEL REALE (in Quest\u00f5es de Direito, Sugest\u00f5es Liter\u00e1rias, S\u00e3o Paulo, 1981, pp. 109-148), os princ\u00edpios constitucionais da harmonia e solidariedade entre as categorias sociais da produ\u00e7\u00e3o e da repress\u00e3o ao abuso do poder econ\u00f4mico s\u00e3o afetados quando uma categoria  econ\u00f4mica, valendo-se do maior poderio econ\u00f4mico, imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es unilaterais que subordinam os hipossuficientes em raz\u00e3o da estrutura tecnol\u00f3gico-finaceira que manobra a seu arb\u00edtrio.<\/p>\n<p>Adiante, o ilustre jurista demonstra que &quot;Esse fato acontece sobretudo quando uma cadeia de for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7os \u00e9 instaurada e posta em movimento por uma empresa em condi\u00e7\u00f5es de tra\u00e7ar o modelo mais condizente com o seu objetivo de extrair o m\u00e1ximo de resultado econ\u00f4mico, transferindo aos demais componentes do sistema grande parte dos custos e dos riscos. A bem ver, de elo em elo, a transfer\u00eancia dos encargos e preju\u00edzos atinge, em \u00faltima an\u00e1lise, a pr\u00f3pria coletividade, isto \u00e9 o consumidor ou o usu\u00e1rio dos servi\u00e7os&quot;. (op. e loc. cit.).<\/p>\n<p>13. Configura-se, desse modo uma situa\u00e7\u00e3o de desigualdade  que a Constitui\u00e7\u00e3o visa reprimir e que as partes desde lit\u00edgio.<\/p>\n<h1>V &#8211; CL\u00c1USULA ABUSIVA E PROTE\u00c7\u00c3O DO CONSUMIDOR<\/h1>\n<p>14. Autora e R\u00e9 entabularam um contrato de ades\u00e3o t\u00edpico.<\/p>\n<p>No dizer de NELSON NERY J\u00daNIOR, &quot;O C\u00f3digo n\u00e3o restringe o conceito de contratos constitu\u00eddos por escrito, como tamb\u00e9m os celebrados verbalmente, podem ser contratos de ades\u00e3o se verificados os requisitos da lei&quot; (GRINOVER, Ada Pellegrini et al., C\u00f3digo Brasileiro de Defesa do Consumidor, Forense Universit\u00e1ria, Rio de Janeiro, 1991, p. 385).<\/p>\n<p>14.1. A deten\u00e7\u00e3o de poder econ\u00f4mico pela R\u00e9 premiu-lhe formular unilateralmente as cl\u00e1usulas do contrato, restando \u00e0 Autora, premida pelas circunst\u00e2ncias, acat\u00e1-las sem discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale dizer: ou a Autora concordava com a \u00edntegra das exig\u00eancias da R\u00e9, ou n\u00e3o haveria neg\u00f3cio algum. Desse modo,  a R\u00e9 valeu-se da posi\u00e7\u00e3o privilegiada que ocupava na rela\u00e7\u00e3o contratual para fixar o pre\u00e7o que lhe aprouvesse.<\/p>\n<p>14.2. Entretanto, o sistema do C\u00f3digo do Consumidor, no art. 39, V, impede a estipula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os que acarrete em vantagem demasiada ao fornecedor de produtos ou servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Confirma-se o coment\u00e1rio de ARRUDA ALVIM:<\/p>\n<p>&quot;Disp\u00f5e o inciso V, que o fornecedor n\u00e3o  poder\u00e1 exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva.  H\u00e1, neste ponto, verdadeiro conceito vago, a ser preenchido pelo juiz diante do caso  concreto e suas peculiaridades.&quot;<\/p>\n<p>&quot;Vale ressaltar que cl\u00e1usula que estabele\u00e7a vantagem excessiva para o fornecedor, poder\u00e1 ser declarada nula de pleno direito (art. 51, I, deste C\u00f3digo), ou modificada, conforme o art. 6\u00ba, V, primeira parte&quot;. (C\u00f3digo do Consumidor Comentado,  RT, S\u00e3o Paulo, 1991, p. 114).<\/p>\n<p>15. Assim, o juiz tem duas op\u00e7\u00f5es, ao se defrontar com uma cl\u00e1usula abusiva:  ou modificada, conforme o art. 6\u00ba, V, ou a declara nula, como disp\u00f5e o art. 51, IV.<\/p>\n<p>15.1. A primeira alternativa \u00e9 a modifica\u00e7\u00e3o das cl\u00e1usulas contratuais que estabele\u00e7am presta\u00e7\u00f5es desproporcionais, acarretando excessiva onerosidade  ao consumidor.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o teor  do art. 6\u00ba , V:<\/p>\n<p>&quot;Art. 6\u00ba. S\u00e3o direitos do consumidor:<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>V &#8211; a modifica\u00e7\u00e3o das cl\u00e1usulas contratuais que estabele\u00e7am presta\u00e7\u00f5es desproporcionais ou sua revis\u00e3o em raz\u00e3o de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas&quot;.<\/p>\n<p>Logo, o consumidor tem direito \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do contrato, caso o fornecedor lhe reserve uma presta\u00e7\u00e3o que suplante despropositamente a sua pr\u00f3pria. Tal \u00e9 o magist\u00e9rio de NELSON NERY J\u00daNIOR:<\/p>\n<p>&quot;Esse princ\u00edpio modifica inteiramente o sistema contratual do direito privado tradicional, militando o dogma da intangibilidade do conte\u00fado do contrato, consubstanciado no antigo brocardo &#8216;pacta sunt servanda&#8217; &quot; (op. cit., p. 311).<\/p>\n<p>Indo avante, \u00e9 for\u00e7oso transcrever a solu\u00e7\u00e3o oferecida pelo doutrinador: <\/p>\n<p>&quot;O juiz, reconhecendo que houve cl\u00e1usula estabelecendo presta\u00e7\u00e3o desproporcional ao consumidor, ou que houve fatos supervenientes que tornaram as presta\u00e7\u00f5es excessivamente onerosas para o consumidor, dever\u00e1 solicitar das partes a composi\u00e7\u00e3o no sentido de modificar a cl\u00e1usula ou rever efetivamente o contrato. Caso n\u00e3o haja acordo, na senten\u00e7a dever\u00e1 o magistrado, atendendo aos princ\u00edpios da boa-f\u00e9, eq\u00fcidade e do equil\u00edbrio que devem presidir as rela\u00e7\u00f5es de consumo, estipular nova cl\u00e1usula ou as novas bases do contrato revisto judicialmente&quot; (op. cit. p. 312).<\/p>\n<p>15.2. Com respeito, os par\u00e2metros do contrato n\u00e3o seguiram os princ\u00edpios aludidos pelo mestre paulista.<\/p>\n<p>Data venia, esse comportamento n\u00e3o merece ser prestigiado, \u00e0 vista do art. 6\u00ba, V, do CDC.<\/p>\n<p>15.3. Quanto \u00e0 nulidade da cl\u00e1usula abusiva, a norma do art. 51, IV, carece de interpreta\u00e7\u00e3o jurisdicional, quando da aplica\u00e7\u00e3o ao caso concreto: <\/p>\n<p>&quot;Art. 51. S\u00e3o nulas de pleno direito, entre outras, as cl\u00e1usulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e servi\u00e7os que:<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>IV &#8211; Estabele\u00e7am obriga\u00e7\u00f5es consideradas in\u00edquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompat\u00edveis com a boa f\u00e9 ou a equidade&quot;.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia \u00e0 nulidade de pleno direito, no texto do artigo, tem exatamente o  escopo de vincular o efeito de invalida\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio jur\u00eddico a um pronunciamento judicial.  No dizer de NELSON NERY J\u00daNIOR: <\/p>\n<p>&quot;No regime jur\u00eddico do CDC as cl\u00e1usulas abusivas s\u00e3o nulas de pleno direito porque contrariam a ordem p\u00fablica de prote\u00e7\u00e3o ao consumidor. Isso quer dizer  que as nulidades podem ser reconhecidas a qualquer tempo e grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, devendo o juiz ou tribunal pronunci\u00e1-las &#8216;ex officio&#8217;, porque normas de ordem p\u00fablica insuscet\u00edveis de preclus\u00e3o&quot; (op. cit. p. 298).<\/p>\n<p>Em todo caso e data venia, a Autora pretender\u00e1 que o contrato seja alterado para atender aos dispositivos apontados.<\/p>\n<h1>IV &#8211; INADEQUA\u00c7\u00c3O DA VIA ELEITA<\/h1>\n<p>16. Data venia, o alegado d\u00e9bito deve ser apurado na via ordin\u00e1ria. N\u00e3o pode ser objeto de determina\u00e7\u00e3o unilateral da R\u00e9. <\/p>\n<p>Tanto menos haveria a possibilidade de emiss\u00e3o de t\u00edtulo representativo de d\u00e9bito, tal como fez a R\u00e9.<\/p>\n<p>17. A autora ataca essa quest\u00e3o em estrita aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da eventualidade. A R\u00e9 n\u00e3o \u00e9 credora da Autora pela quantia apontada na duplicata. N\u00e3o tem cabimento emitir duplicata para formalizar um cr\u00e9dito inexistente.<\/p>\n<p>17.1. Desconstitu\u00eddo o t\u00edtulo executivo por aus\u00eancia de causa l\u00edcita que o ampare, n\u00e3o se pode aplicar o art. 49 do Dec. 2.044. A a\u00e7\u00e3o executiva n\u00e3o pode ser interada para a cobran\u00e7a do valor expresso no documento, tampouco a determina\u00e7\u00e3o  da exist\u00eancia da d\u00edvida e do seu montante pela R\u00e9, isoladamente.<\/p>\n<p>A tentativa de protestar as duplicatas, dirigiu-se supostamente ao preenchimento do requisito do inciso 2\u00ba do art. 15 da Lei 6.458.<\/p>\n<p>Entretanto, a aus\u00eancia de fundamento a escorar a emiss\u00e3o dos t\u00edtulos descarta a hip\u00f3tese de dot\u00e1-los de executividade atrav\u00e9s do protesto.<\/p>\n<p>17.2. Sem preencher os requisitos do art. 15, inc. 1 e 2 e dos par\u00e1grafos 1\u00ba e 2\u00ba, resta a discuss\u00e3o em sede ordin\u00e1ria.  Esse \u00e9 o teor do art. 16 da Lei 5.474. Assim, restaria unicamente a via ordin\u00e1ria para a discuss\u00e3o do pretenso cr\u00e9dito da R\u00e9.<\/p>\n<h1>VII &#8211; CONCLUS\u00c3O<\/h1>\n<p>18. A autora requer a distribui\u00e7\u00e3o por depend\u00eancia da presente a esse r. Ju\u00edzo de Direito, bem como seu apensamento aos autos da medida cautelar respectiva.<\/p>\n<p>Cita\u00e7\u00e3o da R\u00e9 pelo correio, para que querendo, conteste, a presente a\u00e7\u00e3o, sob pena de revelia.<\/p>\n<p>Pretende produzir as seguintes provas:<\/p>\n<p>a) Per\u00edcia cont\u00e1bil, tendo por objeto a documenta\u00e7\u00e3o em poder da R\u00e9, visando a definir quais os valores anteriormente cobrados;<\/p>\n<p>b) Requisi\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o \u00e0 Receita  Federal, Estadual e Municipal, para evidenciar se as cobran\u00e7as efetivas pela R\u00e9 inclu\u00edam o recolhimento dos tributos correspondentes;<\/p>\n<p>c) Testemunhal, para comprovar os termos anteriores do contrato e o tr\u00e2mite de negocia\u00e7\u00f5es acerta de novos valores;<\/p>\n<p>d) Depoimento pessoal do representante legal da R\u00e9.<\/p>\n<p>Protesta, ainda pela juntada de documentos em poder de terceiros. <\/p>\n<p>Pede que seja julgada procedente a presente a\u00e7\u00e3o para declarar a extens\u00e3o e conte\u00fado da situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica existente entre as partes, inclusive para definir quantias e prazos de pagamento, al\u00e9m de condenar a R\u00e9 ao cumprimento de obriga\u00e7\u00e3o de n\u00e3o fazer, consistente na absten\u00e7\u00e3o de condutas tendentes a constranger ao pagamento do valor de todas as duplicatas levadas a protesto, confirmando-se definitivamente sua susta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Espera tamb\u00e9m que a r. senten\u00e7a imponha \u00e0 R\u00e9 condena\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com sua sucumb\u00eancia, inclusive ao pagamento de despesas processuais e de honor\u00e1rios advogat\u00edcios.<\/p>\n<p>Reporta-se expressamente a todos os documentos juntados com a inicial da cautelar. Entretanto e se esse digno reputar necess\u00e1rio, pede a concess\u00e3o de cinco dias para providenciar o traslado das pe\u00e7as.<\/p>\n<p>D\u00e1 \u00e0 causa o valor  de R$ &#8230;. (&#8230;.).<\/p>\n<p>Pede deferimento.<\/p>\n<p>&#8230;. de &#8230;. de &#8230;..<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p>Advogado OAB\/&#8230;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[528],"class_list":["post-38383","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-kit-peticoes-diversas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/38383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=38383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}