{"id":3077016,"date":"2024-06-08T09:29:13","date_gmt":"2024-06-08T09:29:13","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2024-06-08T09:29:13","modified_gmt":"2024-06-08T09:29:13","slug":"acao-de-indenizacao-por-danos-morais-assedio-moral","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/acao-de-indenizacao-por-danos-morais-assedio-moral\/","title":{"rendered":"[MODELO] A\u00c7\u00c3O DE INDENIZA\u00c7\u00c3O POR DANOS MORAIS  &#8211;  Ass\u00e9dio Moral"},"content":{"rendered":"<p>EXCELENT\u00cdSSIMO SENHOR JUIZ DA ____ VARA DA JUSTI\u00c7A DO TRABALHO DA CIDADE.<\/p>\n<p>Procedimento Ordin\u00e1rio <\/p>\n<p><em>         <\/em><\/p>\n<p>\t\t\t\tJOANA DE TAL, casada, auxiliar de escrit\u00f3rio, residente e domiciliada na Av. Xista, n\u00ba. 0000, nesta Capital \u2013 <strong>CEP<\/strong> n\u00ba. 66777-888, inscrita no CPF (MF) sob o n\u00ba. 444.333.222-11, com CTPS n\u00ba. 554433-001\/PP, com endere\u00e7o eletr\u00f4nico maria@maria.com.br, ora intermediada por seu mandat\u00e1rio ao final firmado \u2013 <em>instrumento procurat\u00f3rio acostado <\/em>\u2013 , caus\u00eddico esse com endere\u00e7o eletr\u00f4nico e profissional inserto na referida procura\u00e7\u00e3o, o qual, em obedi\u00eancia \u00e0 diretriz fixada no art. 287, <em>caput<\/em>, do CPC, indica-o para as intima\u00e7\u00f5es que se fizerem necess\u00e1rias, comparece, com o devido respeito a Vossa Excel\u00eancia, com suporte no <strong>art. 186,<\/strong> do<strong> C\u00f3digo Civil<\/strong>, ajuizar, sob o Rito Comum, a presente<\/p>\n<p>A\u00c7\u00c3O DE INDENIZA\u00c7\u00c3O POR DANOS MORAIS,<\/p>\n<p>em desfavor de FONIA FONE LTDA, sociedade empres\u00e1ria de direito privado, estabelecida na Rua Z, n\u00ba. 0000, em Cidade (PP) \u2013 <strong>CEP<\/strong> n\u00ba. 55444-33, inscrita no CNPJ (MF) sob o n\u00ba. 00.111.222\/0001-33, endere\u00e7o eletr\u00f4nico fone@fonia.com.br, em raz\u00e3o das justificativas de ordem f\u00e1tica e de direito, abaixo delineadas.<\/p>\n<p><strong>INTROITO <\/strong><\/p>\n<p>( a ) Benef\u00edcios da justi\u00e7a gratuita (CLT, art. 790, \u00a7 4\u00ba, da CLT)<\/p>\n<\/p>\n<p>\tA Reclamante, m\u00e1xime alicer\u00e7ado nos documentos ora carreados, <em>comprova sua insufici\u00eancia financeira<\/em>.<\/p>\n<p>\tEncontra-se, neste momento, desempregada, o que se evidencia de sua CTPS, termo de rescis\u00e3o contratual, guia de seguro-desemprego e declara\u00e7\u00e3o de imposto de renda. (<strong>docs. 01\/04<\/strong>)<\/p>\n<p>\tDiante disso, abrigada no que rege o <strong>\u00a7 4\u00ba, do art. 790, da CLT<\/strong>, requer o benef\u00edcio da justi\u00e7a gratuita. Ressalva, ainda, para isso, que seu patrono det\u00e9m essa prerrogativa, a qual se encontra inserta no instrumento procurat\u00f3rio acostado. (<strong>CPC, art. 99,<\/strong> <strong>\u00a7 4\u00ba c\/c 105, <em>in fine<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p>2 \u2013 BREVE EXPOSI\u00c7\u00c3O DOS FATOS <\/p>\n<p>( CLT, ART. 840, \u00a7 1\u00ba )<\/p>\n<p>2.1. S\u00edntese do contrato de trabalho<\/p>\n<p><strong> \t<\/strong>A Reclamante foi admitida em 00 de novembro de 0000, a exercer a fun\u00e7\u00e3o de operadora de telemarketing. (<strong>doc. 05<\/strong>) <\/p>\n<p> \tDesempenhava suas fun\u00e7\u00f5es, como regra, de segunda-feira a sexta-feira, das 08:00h \u00e0s 14:00h. Havia dois intervalos intrajornada de dez minutos, um para lanche, de 20 minutos. Trabalhava, eventualmente, aos s\u00e1bados e domingos. <\/p>\n<p> \tPercebia a remunera\u00e7\u00e3o mensal de R$ 000,00 (.x.x.x.). <\/p>\n<p>2.2. Inobserv\u00e2ncia de aspectos contratuais e legais<\/p>\n<p> \t\t\t\tAquela exercia a fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de vender cart\u00f5es de cr\u00e9dito do Banco Xista S\/A. Assim como ela, outros 50 funcion\u00e1rios compunham a equipe de vendas. <\/p>\n<p> \t\t\t\tLogo que ingressara na empresa, amigas avisaram-na da sistem\u00e1tica de cobran\u00e7a de metas utilizada na empresa, nomeadamente pela supervisora de equipe, Maria das Tantas. Na ocasi\u00e3o, afirmaram que a meta era elevad\u00edssima, quase inalcan\u00e7\u00e1vel. De mais a mais, rigor extremado da mesma. <\/p>\n<p> \t\t\t\tDe fato, na primeira reuni\u00e3o de equipe, ocorrida em 00\/11\/2222, a Reclamante admirou-se com o r\u00edspido trato com os empregados. A reuni\u00e3o fora toda levada ao batimento de metas. Invariavelmente sob amea\u00e7a de rescis\u00e3o do contrato de trabalho. Afora isso, correntemente, aos gritos. <\/p>\n<p> \t\t\t\tN\u00e3o bastassem esses fatos, o tratamento dispensado era sempre com palavras humilhantes, vexat\u00f3rias. <\/p>\n<p> \t\t\t\tEm 05 de mar\u00e7o do corrente, por ocasi\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o das metas, a supervisora, mais uma vez, expressou palavras deveras agressivas. Por\u00e9m, diretamente \u00e0 Reclamante. Diante dos demais colegas, alterada, proferiu frases que causaram espanto. Na ocasi\u00e3o, comparando a Reclamante \u00e0 funcion\u00e1ria Joaquina de Tal, asseverou que essa merecia um pr\u00eamio face \u00e0s metas atingidas. Noutro giro, quanto \u00e0quela, ainda em compara\u00e7\u00e3o afirmou: \u201c<em>merecia ir para o Afeganist\u00e3o com passagem s\u00f3 de ida.<\/em> \u201d<\/p>\n<p> \t\t\t\tPor seu turno, a partir do ocorrido, passou a ser alvo de persegui\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Referida supervisora, rotineiramente, amea\u00e7ava dispens\u00e1-la, porventura n\u00e3o atingido o objetivo. <\/p>\n<p> \t\t\t\tN\u00e3o tardou muito, de fato, a Reclamante fora dispensada, sem justa causa, em 00 de abril de 0000. (<strong>doc. 06\/09<\/strong>)<\/p>\n<p> \t\t\t\tDesse modo, incontestes as reprov\u00e1veis atitudes da Reclamada. Notoriamente, caracterizado abuso. <\/p>\n<p> \t\t\t\tExtreme de d\u00favidas que isso violara direito dos empregados. Seguramente, provocara constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o, dor e sofrimento \u00e0quela.<\/p>\n<p> \t\t\t \tPor tais circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas (les\u00e3o do direito), maiormente decorrente do insuport\u00e1vel e constante ass\u00e9dio moral constatado, outra alternativa n\u00e3o tivera a Reclamante, sen\u00e3o buscar a devida repara\u00e7\u00e3o dos danos. <\/p>\n<p>3 \u2013 DO ASS\u00c9DIO MORAL <\/p>\n<p>Descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o legal<\/p>\n<p>CLT, Art. 483, \u201cb\u201d<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p> \tIneg\u00e1vel que a Reclamada, com esse proceder, por seu preposto, submeteu aquela ao constrangimento de ser humilhada perante os demais colegas de trabalho. Desse modo, afrontou diretamente sua dignidade como trabalhadora. <\/p>\n<p> \tDe outra banda, urge evidenciar que havia tamb\u00e9m um rigor excessivo do controle da jornada de trabalho; n\u00e3o s\u00f3 da Reclamante, mas de todas as empregadas que trabalhavam no atendimento das liga\u00e7\u00f5es do <em>Call<\/em> <em>Center<\/em>.<\/p>\n<p> \tNesse passo, o abuso cometido, com repercuss\u00e3o na vida privada, na intimidade da empregada ofendida, converge \u00e0 necessidade de reparar os danos morais. Al\u00e9m disso, servir\u00e1 como modelo de car\u00e1ter punitivo, pedag\u00f3gico e preventivo.<\/p>\n<p> \tNessa quadra, \u00e9 sobremodo importante assinalar que o empregador, assumindo os riscos do neg\u00f3cio, deve propiciar aos empregados local de trabalho no m\u00ednimo respeitoso. Isso sob todos aspectos. Assim, inclui cuidados \u00e0 salubridade f\u00edsica, bem assim a salubridade psicol\u00f3gica. Por esse azo, o empregador n\u00e3o pode dispensar ao empregado rigor excessivo; exp\u00f4-lo a perigo manifesto, de mal consider\u00e1vel, praticar ato lesivo \u00e0 honra desse. Infelizmente, \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o ora vertida \u00e0 tona.<\/p>\n<p>  \tEm vista disso, sem d\u00favida caracterizada a hip\u00f3tese da <strong>al\u00ednea &quot;b&quot;, do art. 483 da CLT<\/strong>. Irrefut\u00e1vel, de passagem, a submiss\u00e3o da Autora a perigo manifesto, de mal consider\u00e1vel (al\u00ednea &quot;c&quot;), da pr\u00e1tica de ato lesivo \u00e0 honra desta (al\u00ednea &quot;e&quot;).<\/p>\n<p> \tPor consequ\u00eancia, inafast\u00e1vel demonstrado o ass\u00e9dio moral. <\/p>\n<p> \tNesse tocante, no esc\u00f3lio da psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen, (<em>in<\/em>, Ass\u00e9dio Moral, editora Bertrand) esse assunto \u00e9 defin\u00edvel como &quot;<em>toda conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude&#8230;) que atente, por sua repeti\u00e7\u00e3o ou sistematiza\u00e7\u00e3o, contra a dignidade ou integridade ps\u00edquica ou f\u00edsica de uma pessoa, amea\u00e7ando o seu emprego ou degradando o clima de trabalho<\/em>&quot;.<\/p>\n<p> \tReleva notar o entendimento sufragado por <strong>Yussef Said Cahali<\/strong>. Em suas palavras:<\/p>\n<p>\u201cRecentemente, os tribunais t\u00eam admitido como manifesta\u00e7\u00f5es preconceituosas certas atitudes do empregador que colocam o funcion\u00e1rio em uma situa\u00e7\u00e3o vexat\u00f3ria, degradante, de humilha\u00e7\u00e3o, que, sempre preju\u00edzo de representarem causa de demiss\u00e3o indireta, ofendem \u00e0 honra, a dignidade, o respeito do oper\u00e1rio como ser humano, provocando dano moral repar\u00e1vel. \u201c (CAHALI, Yussef Said. <em>Dano Moral<\/em>. 4\u00aa Ed. S\u00e3o Paulo: RT, 2011, p. 443)<\/p>\n<\/p>\n<p> \tEm abono desse entendimento, assevera <strong>Mauro Vasni Paroski<\/strong>, <em>ad litteram<\/em>:<\/p>\n<p>\u201cO ass\u00e9dio moral pode ser exteriozado de varridas formas: gestos, agress\u00f5es verbais, comportamentos obsessivos e vexat\u00f3rios, humilha\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, amedrontamento, ironias, sarcasmos, coa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, difama\u00e7\u00f5es, exposi\u00e7\u00e3o ao rid\u00edculo (p. ex.: servir cafezinho, lavar banheiro, levar sapatos para engraxar ou rebaixar m\u00e9dico para atendente de portaria), sorrisos, suspiros, trocadilhos, jogo de palavras de cunho sexista, indiferen\u00e7a \u00e0 presen\u00e7a do outro, sil\u00eancio for\u00e7ado, trabalho superior \u00e0s for\u00e7as do empregado, sugest\u00e3o para pedido de demiss\u00e3o, aus\u00eancia de servi\u00e7o e tarefas imposs\u00edveis ou de dific\u00edlima realiza\u00e7\u00e3o, contro do tempo no banheiro, divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica de detalhes \u00edntimos, agress\u00f5es e amea\u00e7as, olhares de \u00f3dio, instru\u00e7\u00f5es confusas, refer\u00eancias a erros imagin\u00e1rios, solicita\u00e7\u00e3o de trabalhos urgentes para depois jog\u00e1-los no lixo ou na gaveta, imposi\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios injustificados, isolamento no local de trabalho, transfer\u00eancia de sala por mero capricho, retirada de mesas de trabalho e pessoal de apoio, boicote de material necess\u00e1rio \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e supress\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es. \u201c (PAROSKI, Mauro Vasni. 2\u00aa Ed. <em>Dano Moral e sua repara\u00e7\u00e3o no direito do trabalho<\/em>. Curitiba: Juru\u00e1, 2008, p. 108)<\/p>\n<p> \tN\u00e3o por outro motivo considera a jurisprud\u00eancia que:<\/p>\n<p><strong>INTERVALO DE 15 MINUTOS PREVISTO NO ARTIGO 384 DA CLT. APLICA\u00c7\u00c3O \u00c0 TRABALHADORA MULHER. <\/strong><\/p>\n<p>As horas extras decorrentes da n\u00e3o concess\u00e3o do intervalo previsto pelo artigo 384 da CLT s\u00e3o devidas apenas e t\u00e3o somente \u00e0 trabalhadora mulher, que goza de especial prote\u00e7\u00e3o pelo texto celetista em raz\u00e3o das peculiaridades biol\u00f3gicas e sociais que a caracterizam consoante j\u00e1 decidido pelo Excelso Pret\u00f3rio. Recurso da reclamante parcialmente provido. AUX\u00cdLIO ALIMENTA\u00c7\u00c3O, CESTA ALIMENTA\u00c7\u00c3O E 13\u00aa CESTA ALIMENTA\u00c7\u00c3O. NATUREZA INDENIZAT\u00d3RIA DOS BENEF\u00cdCIOS. As normas coletivas foram contundentes ao atribuir natureza indenizat\u00f3ria aos benef\u00edcios aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o, cesta alimenta\u00e7\u00e3o e 13\u00aa cesta alimenta\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o integram o sal\u00e1rio da autora para quaisquer efeitos legais. F\u00c9RIAS. VENDA COMPULS\u00d3RIA. AUS\u00caNCIA DE PROVA. O art. 143 da CLT faculta ao empregado converter um ter\u00e7o do per\u00edodo de f\u00e9rias em abono pecuni\u00e1rio, no valor da remunera\u00e7\u00e3o que lhe seria devida nos dias correspondentes, devendo ser formulado pedido nos 15 dias que antecedem o t\u00e9rmino do per\u00edodo aquisitivo. No caso, a reclamante n\u00e3o comprovou a obrigatoriedade na venda das f\u00e9rias, tendo o contexto probat\u00f3rio permitido concluir que as f\u00e9rias eram gozadas de forma integral. ASS\u00c9DIO MORAL. COMPROVA\u00c7\u00c3O. As provas produzidas nos autos revelam a exist\u00eancia de rigor excessivo, terror psicol\u00f3gico ou m\u00e9todos vexat\u00f3rios praticados contra a reclamante, de forma a permitir inferir que foi submetida a ass\u00e9dio moral de natureza pessoal ou organizacional. Portanto, evidenciados os requisitos necess\u00e1rios \u00e0 responsabilidade civil, em especial a conduta il\u00edcita da empresa, h\u00e1 dever de indenizar os danos morais postulados. HONOR\u00c1RIOS ADVOCAT\u00cdCIOS. JUSTI\u00c7A DO TRABALHO. ADVOGADO PARTICULAR. Aos honor\u00e1rios advocat\u00edcios na Justi\u00e7a do Trabalho em decis\u00e3o anteriores ao advento da Lei n\u00ba 13467\/2017 deve ser aplicado o regramento previsto nos arts. 791 da CLT e 14 da Lei n. 5.584\/70, interpretados nas S\u00famulas n. 219 e 329 do TST. DOS RECOLHIMENTOS FISCAIS E PREVIDENCI\u00c1RIOS. DEDU\u00c7\u00c3O DA COTA PARTE DO AUTOR. OJ N. 363 DA SDBI 1 DO TST. N\u00c3O PROVIDO. Em conson\u00e2ncia com a OJ n. 363 da SBDI-1 do TST, a obriga\u00e7\u00e3o do empregador de promover os recolhimentos fiscais e previdenci\u00e1rios decorrentes da condena\u00e7\u00e3o n\u00e3o exime a responsabilidade do empregado pelo pagamento de sua cota parte, sob pena de incidir em enriquecimento sem causa. Portanto, n\u00e3o merece reparos a senten\u00e7a que determinou a dedu\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o dos valores relativos \u00e0 cota parte do autor. (TRT 21\u00aa R.; RO 0000769-58.2015.5.21.0006; Segunda Turma; Rel\u00aa Des\u00aa Simone Medeiros Jalil; Julg. 14\/03\/2018; DEJTRN 26\/04\/2018; P\u00e1g. 1024)<\/p>\n<p><strong>RECURSO ORDIN\u00c1RIO DO RECLAMADO. ROMPIMENTO CONTRATUAL. RECONHECIMENTO DA RESCIS\u00c3O INDIRETA. <\/strong><\/p>\n<p>A autora alegou a justa causa do empregador, fundada no rigor excessivo com que foi tratada pela Supervisora da Unidade (artigo 483, al\u00ednea b da CLT), fato que restou comprovado pela prova oral produzida nos autos. Por todo o exposto, merece ser mantida a r. senten\u00e7a, que condenou a reclamada a pagar \u00e0 reclamante as verbas compat\u00edveis com o pedido de rescis\u00e3o indireta do contrato de trabalho. DANO MORAL. O dano moral \u00e9, conforme doutrina e jurisprud\u00eancia j\u00e1 pacificadas, in re ipsa, ou seja, visualizado a partir da conduta lesiva, independente de comprova\u00e7\u00e3o, por ser presum\u00edvel. No presente caso, a situa\u00e7\u00e3o narrada torna bastante palp\u00e1vel a ang\u00fastia e o abalo vivenciado pela trabalhadora, desmerecendo reforma a condena\u00e7\u00e3o sentencial. QUANTUM INDENIZAT\u00d3RIO. O importe arbitrado pelo julgador a quo (R$ 5.000,00) atende aos crit\u00e9rios de proporcionalidade e razoabilidade previstos no art. 5\u00ba, V, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, atingindo o car\u00e1ter pedag\u00f3gico a que se destina. Recurso conhecido e improvido (TRT 7\u00aa R.; RO 0000484-12.2016.5.07.0009; Rel\u00aa Des\u00aa Regina Gl\u00e1ucia Cavalcante; DEJTCE 16\/03\/2018; P\u00e1g. 503)<\/p>\n<p><strong>RIGOR EXCESSIVO. PRESS\u00c3O PARA. CUMPRIMENTO DE METAS. RESTRI\u00c7\u00c3O AO USO DO BANHEIRO. RESCIS\u00c3O INDIRETA RECONHECIDA. DANO MORAL DEVIDO. <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 de se reconhecer a rescis\u00e3o indireta do contrato de trabalho em vista do descumprimento pela r\u00e9 de obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas e, bem assim, de normas que velam pela dignidade dos trabalhadores, considerando-se, nesse particular, a descabida restri\u00e7\u00e3o ao uso do sanit\u00e1rio e a press\u00e3o excessiva para cumprimento de metas. Confirmando a prova dos autos a ado\u00e7\u00e3o pela reclamada de forma injuriosa de gest\u00e3o, valendo-se de pr\u00e1ticas de constrangimento moral, \u00e9 de se deferir \u00e0 trabalhadora, ainda, a indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral. In casu, restou provada a ins\u00f3lita conduta patronal, com a pr\u00e1tica de abuso do poder diretivo ao restringir o uso do banheiro, com \u00f3bvios constrangimentos para a trabalhadora, que se via na conting\u00eancia de ter que sufocar suas necessidades fisiol\u00f3gicas, submetendo-as ao arb\u00edtrio patronal. N\u00e3o voga o argumento da empregadora de que n\u00e3o se tratava de restri\u00e7\u00e3o e sim de organiza\u00e7\u00e3o do acesso dos empregados ao banheiro. Constatada, outrossim, a excessiva press\u00e3o para atingimento de metas, mediante a publicidade dos resultados dos trabalhadores da r\u00e9, por meio de cobran\u00e7as na presen\u00e7a dos demais empregados e exposi\u00e7\u00e3o de ranqueamento. Desse modo, essa conduta patronal, abusiva e ofensiva \u00e0 dignidade da empregada, atingiu o patrim\u00f4nio moral da demandante, resultando na obriga\u00e7\u00e3o legal de reparar. Outrossim, o tratamento excessivamente rigoroso e cruel, no contexto, configura forma de coa\u00e7\u00e3o moral a tornar insubsistente a rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia, com o consequente direito \u00e0s verbas rescis\u00f3rias e consect\u00e1rios legais. Recurso patronal ao qual se nega provimento no particular. Item de recurso. Contra a respeit\u00e1vel senten\u00e7a de fls. 399\/404, que julgou parcialmente procedente a reclama\u00e7\u00e3o, recorrem ordinariamente as partes. A primeira reclamada, Vikstar Contact Center S. A., por meio do arrazoado de fls. 411\/420, insurge-se contra a responsabiliza\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria da segunda r\u00e9, Telefonica Brasil S\/A, bem como no que se refere \u00e0 condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de diferen\u00e7as de comiss\u00f5es e de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais. Pretende, ainda, reforma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 decreta\u00e7\u00e3o da rescis\u00e3o indireta, deferimento das multas dos artigos 467 e 477 da CLT e determina\u00e7\u00e3o de reembolso dos valores descontados a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00f5es assistenciais. A reclamante, por seu turno, recorre adesivamente, com as raz\u00f5es de fls. 447\/462, pretendendo o deferimento da gratuidade de justi\u00e7a, al\u00e9m de postular a integra\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua remunera\u00e7\u00e3o e a majora\u00e7\u00e3o do importe fixado a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais. Contrarraz\u00f5es \u00e0s fls. 431\/445 pela reclamante, \u00e0s fls. 466\/473 pela segunda r\u00e9, e \u00e0s fls. 474\/478 pela primeira demandada. Preparo regular (fls. 421\/425). (TRT 2\u00aa R.; RO 1002712-33.2016.5.02.0606; Quarta Turma; Rel. Des. Fed. Ricardo Artur Costa e Trigueiros; DEJTSP 22\/02\/2018; P\u00e1g. 15827)<\/p>\n<\/p>\n<p> \tDesse modo, avulta afirmar, como conclus\u00e3o l\u00f3gica e inarred\u00e1vel, que o quadro f\u00e1tico demonstra a ocorr\u00eancia de ass\u00e9dio moral. Desfechando o tema, mister, por isso, acolhimento ao pedido condenat\u00f3rio.<\/p>\n<p>IV \u2013 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS NECESS\u00c1RIAS<\/p>\n<p>4.1. Tarifa\u00e7\u00e3o do dano extrapatrimonial (limite indenizat\u00f3rio)<\/p>\n<p>\t \t\t\t\u00c9 quase un\u00e2nime o entendimento da inconstitucionalidade em que se reveste o <strong>\u00a7 1\u00ba<\/strong>, do <strong>art. 223-G da CLT<\/strong>. <\/p>\n<p>\t \t\t\tImperioso, aqui, por isso, seja evidenciado o conte\u00fado dessa norma, a qual reza, <em>in verbis:<\/em><\/p>\n<p><strong>CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DAS LEIS DO TRABALHO<\/strong><\/p>\n<p>Art. 223-G.  Ao apreciar o pedido, o ju\u00edzo considerar\u00e1:<\/p>\n<p>( &#8230; )<\/p>\n<p>\u00a7 1\u00ba &#8211;  Se julgar procedente o pedido, o ju\u00edzo fixar\u00e1 a indeniza\u00e7\u00e3o a ser paga, a cada um dos ofendidos, <strong>em um dos seguintes par\u00e2metros<\/strong>, vedada a acumula\u00e7\u00e3o:  <\/p>\n<p>I &#8211; ofensa de natureza leve, at\u00e9 tr\u00eas vezes o \u00faltimo <strong>sal\u00e1rio contratual<\/strong> do ofendido; <\/p>\n<p>II &#8211; ofensa de natureza m\u00e9dia, at\u00e9 cinco vezes o \u00faltimo <strong>sal\u00e1rio contratual<\/strong> do ofendido;<\/p>\n<p>III &#8211; ofensa de natureza grave, at\u00e9 vinte vezes o \u00faltimo <strong>sal\u00e1rio contratual<\/strong> do ofendido;<\/p>\n<p>IV &#8211; ofensa de natureza grav\u00edssima, at\u00e9 cinquenta vezes o \u00faltimo <strong>sal\u00e1rio<\/strong> <strong>contratual<\/strong> do ofendido.  <\/p>\n<p>\t\t\t\tV\u00ea-se, pois, que o legislador imp\u00f4s ao juiz sentenciante <strong>par\u00e2metros a serem adotados<\/strong> nos diss\u00eddios que envolvam <strong>danos extrapatrimoniais<\/strong> (moral, est\u00e9tico, existencial). \u00c9 dizer, <strong>revelou um tabelamento<\/strong>, <strong>uma tarifa\u00e7\u00e3o<\/strong> do montante indenizat\u00f3rio. <\/p>\n<p> \t\t\t\tPatente, outrossim, o prop\u00f3sito de se evitarem disparidades, ao se definirem valores condenat\u00f3rios. \u00c9 dizer, no \u00e2mago, almejou, nesse tocante, minimizar a flagrante inseguran\u00e7a jur\u00eddica, a qual prepondera no atual cen\u00e1rio jur\u00eddico.<\/p>\n<p>\t\t\t\tN\u00e3o se pode olvidar, sobremaneira, que o STF, justamente nesse enfoque, j\u00e1 havia decidido pela inconstitucionalidade do <strong>art. 52 da Lei de Impressa (ADPF\/STF n\u00ba. 130\/2009)<\/strong>. Essa norma, como cedi\u00e7o, revelava patamares indenizat\u00f3rios. Por isso, viu-se como n\u00e3o recepcionada pela CF\/88. Tema sumulado, at\u00e9 mesmo, perante o STJ (S\u00famula 281).<\/p>\n<p>\t\t\t\tTodavia, nada obstante esse louv\u00e1vel intento, n\u00e3o se pode negar o expressivo rev\u00e9s de inconstitucionalidade. <\/p>\n<p><a id=\"_Hlk495606973\"><\/a>4.1.1. Ofensa ao princ\u00edpio da isonomia <\/p>\n<p><a id=\"_Hlk495606973\"><\/a>\t\t\t\tSem esfor\u00e7o se constata que essa norma ofusca o <em>princ\u00edpio da isonomia<\/em>. <\/p>\n<p>\t\t\t\tA <strong>Carta Magna<\/strong>, por seu <strong>artigo 5\u00ba, no <em>caput<\/em><\/strong>, estabelece que, em s\u00edntese, <em>todos s\u00e3o iguais perante a Lei<\/em>, <strong>sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza<\/strong>. Navegando em sentido contr\u00e1rio, aquela norma se apega \u00e0 <strong>capacidade econ\u00f4mica das partes<\/strong>, ofensor e ofendido. A remunera\u00e7\u00e3o, na esp\u00e9cie, sem d\u00favida, serve de balizamento. <\/p>\n<p>\t\t\t\tEm se tratando do ofendido, aquele que perceber maior remunera\u00e7\u00e3o receber\u00e1 maior soma indenizat\u00f3ria. O padr\u00e3o adotado, como dito, ajusta-se ao <em>\u00faltimo sal\u00e1rio contratual<\/em>. Nesse passo, se, ilustrativamente, dois empregados sofrem a <em>mesma ilicitude<\/em>, e, esses, det\u00e9m remunera\u00e7\u00f5es distintas, esse <em>id\u00eantico evento danoso<\/em> trar\u00e1 indeniza\u00e7\u00f5es d\u00edspares. <\/p>\n<p> \t\t\t\tSendo pr\u00e1tico: ocorrendo um il\u00edcito, de grau leve (inciso I), em desfavor de um gerente, com remunera\u00e7\u00e3o de R$ 3.000,00 e; lado outro, igualmente ao faxineiro, que recebe R$ 930,00, aquele receber\u00e1, a t\u00edtulo indenizat\u00f3rio, R$ 9.000,00. Esse, todavia, receber\u00e1 aproximadamente R$ 2.700,00. <\/p>\n<p>\t\t\t\tPortanto, irrefut\u00e1vel que se adota <strong>crit\u00e9rio objetivo,<\/strong> ao se apontar o montante indenizat\u00f3rio. <\/p>\n<p>\t \t\t\tEssa prote\u00e7\u00e3o pessoal, dessemelhante, torna-a, sem hesita\u00e7\u00e3o, por completa <em>inconstitucional<\/em>. <\/p>\n<p>4.1.2. Afronta ao direito de indeniza\u00e7\u00e3o proporcional ao preju\u00edzo <\/p>\n<p>\t \t\t\tN\u00e3o fosse isso o bastante, existe, ainda, segunda inconstitucionalidade. <\/p>\n<p>\t \t\t\tPreceitua a Carta Pol\u00edtica, <em>ad litteram<\/em>:<\/p>\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n<p>( &#8230; )<\/p>\n<p>V &#8211; \u00e9 assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, al\u00e9m da indeniza\u00e7\u00e3o por dano material, moral ou \u00e0 imagem;<\/p>\n<p>X &#8211; s\u00e3o inviol\u00e1veis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indeniza\u00e7\u00e3o pelo dano material ou moral decorrente de sua viola\u00e7\u00e3o;\t<\/p>\n<p> \t\t\t\t\u00c9 vis\u00edvel que a restri\u00e7\u00e3o, contida na CLT, despreza a norma constitucional. Nessa, inexiste imposi\u00e7\u00e3o de valores, de teto; naquela, como j\u00e1 afirmado, sim. <\/p>\n<p>\t \t\t\tAvulta, tamb\u00e9m, expl\u00edcita colis\u00e3o \u00e0 norma, supletiva, disposta na Legisla\u00e7\u00e3o Subjetiva Civil, <em>in verbis<\/em>:<\/p>\n<p><strong>C\u00d3DIGO CIVIL<\/strong><\/p>\n<p>Art. 944. A indeniza\u00e7\u00e3o mede-se pela extens\u00e3o do dano.<\/p>\n<p>\t \t\t\tEssa disposi\u00e7\u00e3o, como se v\u00ea, ajusta-se \u00e0 diretriz constitucional. \u00c9 dizer, os danos s\u00e3o apurados, e decididos, na medida da ofensa perpetrada. <\/p>\n<p>\t \t\t\tContrariando esse trilhar, \ta CLT estabelece, de vez, que, por exemplo, a morte do obreiro n\u00e3o superar\u00e1 a soma de 50 vezes seu \u00faltimo sal\u00e1rio. E, anote-se, de regra esse recebe sal\u00e1rio m\u00ednimo ou o piso da categoria.  N\u00e3o importa, ent\u00e3o, a magnitude da agress\u00e3o, se dolosa ou culposa, contra idoso ou mulher, enfim, o limite \u00e9 esse e \u201cponto final\u201d.<\/p>\n<p>\t \t\t\tCom esse entendimento, observem-se os arestos de jurisprud\u00eancia:<\/p>\n<p><strong>RECURSO ORDIN\u00c1RIO DA RECLAMADA. <\/strong><\/p>\n<p>Valor do dano moral. Artigo 224-g, da CLT. Primeiramente, afasta-se a aplica\u00e7\u00e3o do artigo 223-g, cuja inclus\u00e3o na CLT adveio com a reforma decorrente da Lei n\u00ba 13.467\/17, isto porque, a indeniza\u00e7\u00e3o se mede pela extens\u00e3o do dano e nessa toada, o artigo 944 do C\u00f3digo Civil, que veda a ado\u00e7\u00e3o do sistema tarif\u00e1rio, encontra seu fundamento na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, uma vez que, tal como o direito de resposta, a indeniza\u00e7\u00e3o por dano material, moral ou \u00e0 imagem deve atender crit\u00e9rio de proporcionalidade (art. 5\u00ba, v). Por essa raz\u00e3o \u00e9 que o art. 223-g, \u00a71\u00ba da CLT n\u00e3o \u00e9 vinculativo, uma vez que n\u00e3o pode subtrair a razoabilidade e proporcionalidade que deve dirigir o magistrado na aprecia\u00e7\u00e3o do caso em concreto, dado que toda indeniza\u00e7\u00e3o deve corresponder \u00e0 extens\u00e3o do dano efetivo. 1. (TRT 17\u00aa R.; Rec. 0000206-54.2017.5.17.0152; Primeira Turma; Rel. Des. Jos\u00e9 Carlos Rizk; DOES 30\/05\/2018; P\u00e1g. 434)<\/p>\n<p><strong>ACIDENTE DE TRABALHO T\u00cdPICO. PRETENS\u00c3O INDENIZAT\u00d3RIA. MOMENTO DE IN\u00cdCIO DO PRAZO PRESCRICIONAL. <\/strong><\/p>\n<p>Se o laudo pericial atesta in\u00edcio da incapacidade &quot;ao longo da evolu\u00e7\u00e3o do trauma&quot; e a ficha de registro do empregado revela novo afastamento com percep\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio decorrente da &quot;mesma doen\u00e7a&quot;, alguns anos ap\u00f3s a ocorr\u00eancia do acidente, conta-se a partir da cessa\u00e7\u00e3o da nova licen\u00e7a o termo inicial para a contagem do prazo prescricional, pois apenas nessa data o autor teve ci\u00eancia inequ\u00edvoca da extens\u00e3o do dano e sequelas. Apenas a partir dessa constata\u00e7\u00e3o tem o trabalhador condi\u00e7\u00f5es de dimensionar a amplitude do dano e com isso embasar eventual pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria. Aplica\u00e7\u00e3o da S\u00famula n\u00ba 278 do Colendo Superior Tribunal de Justi\u00e7a. 2. RECEBEDOR DE BOVINOS EM CURRAL. ATIVIDADE DE RISCO. ACIDENTE DE TRABALHO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO EMPREGADOR. ENTENDIMENTO DO PAR\u00c1GRAFO \u00daNICO DO ART. 927 DO C\u00f3digo Civil. A imprevisibilidade da forma como se comportam os animais, faz com que se tenha como atividade de risco o labor com esses seres irracionais. Se a atribui\u00e7\u00e3o contratualmente conferida ao trabalhador no trabalho com gado foi a causa do acidente que o vitimou o trabalhador em pleno labor, a responsabilidade do empregador deve ser objetivamente reconhecida, nos termos da norma do Par\u00e1grafo \u00fanico do art. 927 do C\u00f3digo Civil e entendimento jurisprudencial prevalecente. Responde, assim, a empregadora pela indeniza\u00e7\u00e3o dos danos sofridos pelo empregado. 3. DANO EXTRAPATRIMONIAL. CRIT\u00c9RIO DE FIXA\u00c7\u00c3O DA INDENIZA\u00c7\u00c3O. A indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais deve ser mensurada tomando-se em considera\u00e7\u00e3o o crit\u00e9rio da proporcionalidade, considerando que a finalidade \u00e9 constituir um lenitivo ao sofrimento e \u00e0 dor do lesionado e ao mesmo tempo uma mensagem pedag\u00f3gica de forma a desestimular \u00e0 pr\u00e1tica de novos il\u00edcitos, n\u00e3o se podendo aplicar o previsto no art. 223-G da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho, na reda\u00e7\u00e3o advinda da Lei n\u00ba 13.467\/2017, no particular por ferir o valor supremo da dignidade humana (art. 1\u00ba, inciso III, do Texto Maior) devendo incidir as balizas constantes do art. 944 do C\u00f3digo Civil. Recurso parcialmente provido. (TRT 24\u00aa R.; RO 0024034-03.2016.5.24.0061; Segunda Turma; Rel. Des. Fed. Francisco das Chagas Lima Filho; Julg. 29\/05\/2018; DEJTMS 29\/05\/2018; P\u00e1g. 525)<\/p>\n<p>4.2. Restri\u00e7\u00f5es aos bens juridicamente tutelados<\/p>\n<p> \t \t\t\tDe mais a mais, ainda na contram\u00e3o da constitucionalidade, disciplina a CLT, <em>verbo ad verbum<\/em>:<\/p>\n<p><strong>CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DAS LEIS DO TRABALHO<\/strong><\/p>\n<p>Art. 223-A.  Aplicam-se \u00e0 repara\u00e7\u00e3o de danos de natureza extrapatrimonial decorrentes da rela\u00e7\u00e3o de trabalho <strong>apenas os dispositivos deste T\u00edtulo<\/strong>.<\/p>\n<p>Art. 223-C.  A honra, a imagem, a intimidade, a liberdade de a\u00e7\u00e3o, a autoestima, a sexualidade, a sa\u00fade, o lazer e a integridade f\u00edsica s\u00e3o os <strong>bens juridicamente tutelados<\/strong> inerentes \u00e0 <em>pessoa f\u00edsica<\/em>.<\/p>\n<\/p>\n<p> \t\t\t\tPercebe-se, dessarte, conden\u00e1vel <em>redu\u00e7\u00e3o dos bens tutelados constitucionalmente<\/em>. <\/p>\n<p>\t \t\t\tA norma obreira, como se depreende, fixa, restringe, limita, mais uma vez, os bens juridicamente tutelados. Todavia, a Constitui\u00e7\u00e3o, nos moldes dos dispositivos supra-aludidos, \u00e9 inespec\u00edfica a essas limita\u00e7\u00f5es. Em verdade, <strong>revela ampla e irrestrita prote\u00e7\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o objeta, pois, qualquer modo ofensivo de les\u00e3o a direito, seja de a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o. <\/p>\n<p>\t  \t\t\tSe por ventura ocorre agress\u00e3o \u00e0 <strong>liberdade religiosa <\/strong>(<strong>CF, art. 5\u00ba, inc. VI<\/strong>), por exemplo, o ofendido, na condi\u00e7\u00e3o de obreiro, n\u00e3o ter\u00e1 direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o. Afinal de contas, n\u00e3o se encontra arrolada &#8212; essa ofensa &#8212; nos bens juridicamente tutelados, assentados no <strong>art. 223-C, da CLT<\/strong>. Demais disso, o legislador, em flagrante ilegalidade, tal-qualmente limitou as normas da CLT como sendo aquelas, \u00fanicas, permitidas \u00e0 an\u00e1lise do dano extrapatrimonial (<strong>CLT, art. 223-A<\/strong>). Por isso, n\u00e3o se pode, agora, absurdamente, fomentar-se argumentos apoiados em dispositivos constitucionais. Muito menos, supletivamente, do C\u00f3digo Civil. <\/p>\n<p>\t \t\t\tNessa mesma ordem de ideias, bem apregoa <strong>V\u00f3lia Bomfim<\/strong> que:<\/p>\n<p>A tese de <strong>taxatividade<\/strong> dos bens imateriais que podem ser indenizados quando atingidos tamb\u00e9m \u00e9 injusta. Basta analisar o art. 223-C da CLT, que, ao relacionar os bens imateriais, esqueceu da privacidade. Ora, se o trabalhador teve sua privacidade violada, n\u00e3o poder\u00e1 ser indenizado por isso por que a lei n\u00e3o a mencionou? Ressalto que o inciso X do art. 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o menciona expressamente o direito de viola\u00e7\u00e3o da privacidade, logo, n\u00e3o pode a lei (CLT) infraconstitucional limitar sua aplica\u00e7\u00e3o. Defendo, por isso, a n\u00e3o taxatividade dos bens imateriais, seja para a pessoa f\u00edsica, seja para a jur\u00eddica. (CASSAR, V\u00f3lia Bomfim. <em>Direito do Trabalho<\/em>. 14\u00aa Ed. S\u00e3o Paulo: M\u00e9todo, 2017, p. 897)<\/p>\n<p> \t \t\t\tAdemais, merece ser trazido a lume o magist\u00e9rio de <strong>Francisco Meton Marques de Lima<\/strong> e <strong>Francisco P\u00e9ricles Rodrigues Marques de Lima<\/strong>:<\/p>\n<p>Por outro lado, a tarifa\u00e7\u00e3o de valores padece de inconstitucionalidade. A prop\u00f3sito, o Supremo Tribunal Federal j\u00e1 julgou inconstitucional a tarifa\u00e7\u00e3o do valor dos danos morais prevista na Lei de Imprensa.<\/p>\n<p>( &#8230; )<\/p>\n<p>D outra parte, incorre em flagrantes inconsist\u00eancias hermen\u00eauticas, a exemplo do art. 233-A ao pretender proibir o julgador trabalhista de aplicar o direito como sistema. Nunca! Os ju\u00edzes apreciar\u00e3o os pedidos conforme formulados, decidindo o direito posto nas peti\u00e7\u00f5es. Logo, as regras do C\u00f3digo Civil (arts. 944 a 954), segundo interpreta\u00e7\u00e3o que lhes fazem os tribunais competentes, ser\u00e3o amplamente empregadas. (LIMA, Francisco Meton Marques de; LIMA, Francisco P\u00e9ricles Rodrigues Marques de. <em>Reforma trabalhista: entenda ponto a ponto<\/em> \u2013 S\u00e3o Paulo: LTr, 2017, p. 52)<\/p>\n<p>\t \t\t\tCom efeito, equacionados os questionamentos, cabe ao juiz, processante do feito, afastar essas anomalias constitucionais, frontalmente redutoras de prerrogativas do obreiro.<\/p>\n<p>4.3.  Pleito de controle de constitucionalidade de norma jur\u00eddica &#8211; Controle direito incidental<\/p>\n<p> \t \t\t\tO <strong>controle de constitucionalidade<\/strong> verifica se leis, ou atos normativos, est\u00e3o em desacordo com a Carta Pol\u00edtica.<\/p>\n<p> \t \t\t\tNa esp\u00e9cie, destaca-se afronta \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, mormente quando h\u00e1 tarifa\u00e7\u00e3o de valores indenizat\u00f3rios, delimita\u00e7\u00e3o essa inexistente na Carta Pol\u00edtica (<strong>CF, art. 5\u00ba, incs. V e X<\/strong>). Existe, para al\u00e9m disso, ofensa ao <strong>princ\u00edpio da isonomia<\/strong>. (<strong>CF, art. 5\u00ba, caput<\/strong>).\t\t\t<\/p>\n<p> \t \t\t\tNesse passo, de bom alvitre asseverar que o controle de constitucionalidade, antes citado, adv\u00e9m do <strong>princ\u00edpio da supremacia da Constitui\u00e7\u00e3o sobre os demais atos normativos<\/strong>. Desse modo, <strong>a lei infraconstitucional \u00e9 subordinada \u00e0quela, devendo se ajustar \u00e0 letra e ao esp\u00edrito da Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p> \t \t\t\tA prop\u00f3sito, estas s\u00e3o as li\u00e7\u00f5es de <strong>Dirley da Cunha J\u00fanior<\/strong>, quando professa que, <em>ipisis litteris<\/em>: <\/p>\n<p>O princ\u00edpio da interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m consiste num princ\u00edpio de controle de constitucionalidade, mas que ganha relev\u00e2ncia para a interpreta\u00e7\u00e3o constitucional quando a norma legal objeto do contrato se apresenta com <em>mais de um sentido <\/em>ou <em>significado <\/em>(normas plurissignificativas ou poliss\u00eamicas), devendo, nesse caso, dar-se prefer\u00eancia \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o que lhe empreste aquele sentido \u2013 entre os v\u00e1rios poss\u00edveis \u2013 que possibilite a sua conformidade com a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este princ\u00edpio vista prestigiar a presun\u00e7\u00e3o <em>juris tantum <\/em>de constitucionalidade que milita em favor das leis, na medida em que imp\u00f5e, dentre as v\u00e1rias possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o, aquela que n\u00e3o contrarie o texto constitucional, mas que procure equacionar a investiga\u00e7\u00e3o de compatibilizando a norma legal com o seu fundamento constitucional. A ideia subjacente ao princ\u00edpio em comento consiste na conserva\u00e7\u00e3o da norma legal, que n\u00e3o deve ser declarada inconstitucional, quando, observados os seus fins, ela puder ser interpretada em conson\u00e2ncia com a Constitui\u00e7\u00e3o. (CUNHA J\u00daNIOR, Dirley da. <em>Curso de Direito Constitucional<\/em>. 6\u00aa Ed. Salvador: JusPodivm, 2012, p. 236)<\/p>\n<p> \t \t\t\tNesse \u00ednterim, \u00e9 de todo prudente tamb\u00e9m anunciar o magist\u00e9rio do constitucionalista <strong>Alexandre de Moraes<\/strong>:<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o dessas regras de interpreta\u00e7\u00e3o dever\u00e1, em s\u00edntese, buscar harmonia do texto constitucional com suas finalidades prec\u00edpuas, adequando-as \u00e0 realidade e pleiteando a maior aplicabilidade dos direitos, garantias e liberdade p\u00fablicas. (MORAES, Alexandre de. <em>Direito Constitucional<\/em>. 28\u00aa Ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2012, p. 16)<\/p>\n<\/p>\n<p> \t \t\t\tDo exposto, almeja-se, de pronto, <strong>pela via de exce\u00e7\u00e3o<\/strong>, por meio de pronunciamento do Poder Judici\u00e1rio, <strong>exercer o controle da constitucionalidade das regras jur\u00eddicas<\/strong>. Por isso, pede-se sejam declaradas inconstitucionais. <\/p>\n<p>4.4. <a id=\"_Hlk495401838\"><\/a>Valor do pedido indenizat\u00f3rio (quantifica\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>\t \t\t\tUma vez declaras inconstitucionais, as regras, que estabelecem limites ao montante indenizat\u00f3rio, tornam-se ineficazes \u00e0 querela. Da\u00ed, seguem-se os pedidos, condenat\u00f3rios, \u00e0s diretrizes da legisla\u00e7\u00e3o constitucional e, supletivamente, ao C\u00f3digo Civil. \t<\/p>\n<p> \t \t\t\tDito isso, necess\u00e1rio destacar considera\u00e7\u00f5es acerca do valor do pedido indenizat\u00f3rio. <\/p>\n<p>\t \t\t\t\u00c9 certo que o CPC (<strong>art. 292, inc. V<\/strong>), bem assim a CLT (<strong>art, 840, \u00a7 1\u00ba<\/strong>), exigem a atribui\u00e7\u00e3o do valor do pedido (determina\u00e7\u00e3o), e da causa, mesmo tratando-se de repara\u00e7\u00e3o de danos morais. <\/p>\n<p>\t \t\t\tTodavia, sobreleva afirmar que a defini\u00e7\u00e3o do valor condenat\u00f3rio, nessas hip\u00f3teses, m\u00e1xime inexistindo par\u00e2metros para isso, cabe, somente, ao julgador. \u00c0 luz dos elementos probat\u00f3rios contidos nos autos, decidir\u00e1, equitativamente, o somat\u00f3rio capaz de reparar os danos extrapatrimoniais. <\/p>\n<p>\t \t\t\tNesse compasso, qualquer tentativa do ofendido, no arrazoado inicial, apontar o valor correto, a ser definido na senten\u00e7a, \u00e9 mera aventura. Correr\u00e1 o risco, sem d\u00favida, de pedir valor m\u00ednimo, ou, ao contr\u00e1rio, pleitear demasiadamente. Com isso, pode sofrer sucumb\u00eancia parcial (<strong>CPC, art. 86<\/strong>) ou, at\u00e9 mesmo, receber valor \u00ednfimo (mormente porque o juiz n\u00e3o poder\u00e1 conceder montante al\u00e9m do postulado). <\/p>\n<p>\t \t\t\tDesse modo, inescus\u00e1vel a permiss\u00e3o de se <strong>atribuir \u00e0 causa, e ao pedido, valor estimativo, provis\u00f3rio<\/strong>. <\/p>\n<p>\t \t\t\tO <strong>Tribunal Superior do Trabalho<\/strong>, em louv\u00e1vel posicionamento, fixou orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que:<\/p>\n<p><strong>I. AGRAVO DE INSTRUMENTO DA USIMINAS. PRELIMINARES DE NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTA\u00c7\u00c3O JURISDICIONAL, DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, DE JULGAMENTO EXTRA PETITA E DE COISA JULGADA. RESPONSABILIDADE SOLID\u00c1RIA E LAUDO PERICIAL. <\/strong><\/p>\n<p>1. Quanto \u00e0s preliminares de nulidade por negativa de presta\u00e7\u00e3o jurisdicional e por cerceamento do direito de defesa, relacionadas \u00e0 responsabilidade solid\u00e1ria, incide o \u00f3bice da preclus\u00e3o. Nos termos do art. 795 da CLT, as nulidades devem ser arguidas na primeira oportunidade que a parte tiver para se manifestar nos autos, e a USIMINAS op\u00f4s embargos de declara\u00e7\u00e3o contra o ac\u00f3rd\u00e3o de recurso ordin\u00e1rio, os quais somente trataram dos crit\u00e9rios de fixa\u00e7\u00e3o da indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais. <\/p>\n<p>( &#8230; )<\/p>\n<p>PRELIMINAR DE JULGAMENTO ULTRA PETITA. VALOR DA CAUSA. MONTANTE DA CONDENA\u00c7\u00c3O. <strong>O valor da causa n\u00e3o se confunde com o montante da condena\u00e7\u00e3o. No caso de pedidos n\u00e3o liquidados, como ocorre no processo sob o rito ordin\u00e1rio, o valor da causa \u00e9 uma estimativa provis\u00f3ria, pass\u00edvel de posterior adequa\u00e7\u00e3o aos valores apurados na senten\u00e7a ou na fase de liquida\u00e7\u00e3o.<\/strong> Assim, podia o TRT fixar o montante da condena\u00e7\u00e3o em R$ 50.000,00, quando o valor atribu\u00eddo \u00e0 causa pelo reclamante foi de R$ 20.000,00. Nisso n\u00e3o h\u00e1 nenhuma irregularidade processual. Recurso de revista de que n\u00e3o se conhece. <\/p>\n<p>( &#8230; )<\/p>\n<p>4. Recurso de revista a que se d\u00e1 provimento parcial. (TST; ARR 0000884-18.2010.5.02.0254; Sexta Turma; Rel\u00aa Min. K\u00e1tia Magalh\u00e3es Arruda; DEJT 08\/04\/2016; P\u00e1g. 1181)<\/p>\n<p>\t         \t\t \tNessa mesma enseada:<\/p>\n<p><strong>VALOR DA CAUSA. RITO ORDIN\u00c1RIO. SUPERESTIMA\u00c7\u00c3O DO VALOR ATRIBU\u00cdDO AOS DANOS MORAIS. AUS\u00caNCIA DE QUANTIFICA\u00c7\u00c3O DAS DEMAIS VERBAS VINDICADAS &#8211; INDEFERIMENTO DA PETI\u00c7\u00c3O INICIAL <\/strong><\/p>\n<p>Na justi\u00e7a do trabalho, em virtude do princ\u00edpio da simplicidade do processo trabalhista, bem como da ado\u00e7\u00e3o do jus postulandi, n\u00e3o se exige grande rigorismo t\u00e9cnico da peti\u00e7\u00e3o inicial. Ao atribuir \u00e0 causa um valor que excede a quarenta vezes o sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente \u00e0 \u00e9poca do ajuizamento, o autor submeteu a a\u00e7\u00e3o reclamat\u00f3ria ao procedimento ordin\u00e1rio, que dispensa a indica\u00e7\u00e3o do valor correspondente a cada parcela perseguida. <strong>E quanto ao valor referente ao dano moral, como cedi\u00e7o, este \u00e9 meramente estimativo, j\u00e1 que sua fixa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita pelo julgador, de acordo com os crit\u00e9rios apontados pela doutrina e jurisprud\u00eancia<\/strong>. Nos termos do art. 292, V, do CPC, o valor da causa constar\u00e1 da peti\u00e7\u00e3o inicial e ser\u00e1 na a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria, inclusive a fundada em dano moral, o valor pretendido. Desse modo, mantendo o valor inicialmente atribu\u00eddo \u00e0 causa pela autora, determina-se o retorno dos autos \u00e0 origem para a retomada do processamento at\u00e9 seus ulteriores termos. (TRT 23\u00aa R.; RO 0001373-28.2016.5.23.0006; Segunda Turma; Rel. Des. Osmair Couto; Julg. 24\/05\/2017; DEJTMT 29\/05\/2017; P\u00e1g. 373)<\/p>\n<p> \t \t\t\tConsoante a prele\u00e7\u00e3o de <strong>Marinoni<\/strong>, <strong>Arenhart<\/strong> e <strong>Mitidiero<\/strong>:<\/p>\n<p><strong>6.Tutela reparat\u00f3ria.<\/strong> Na a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria, inclusive fundada em dano moral, o valor pretendido. Ao refletir expressamente a a\u00e7\u00e3o visa \u00e0 tutela reparat\u00f3ria por for\u00e7a da alega\u00e7\u00e3o do dano moral, o novo C\u00f3digo pretende que o autor de fato aponte, sempre que poss\u00edvel, o valor que pretende a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o, nada obstante seja poss\u00edvel na hip\u00f3tese a formula\u00e7\u00e3o de pedido gen\u00e9rico. (MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, S\u00e9rgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. <em>Novo C\u00f3digo de Processo Civil comentado<\/em>. \u2013 S\u00e3o Paulo: RT, 2015, p. 301) <\/p>\n<p>(grifos nossos)<\/p>\n<p>4.5. Valor da causa<\/p>\n<p>\t \t\t\tDestarte, n\u00e3o existem elementos, de in\u00edcio, que possam traduzir o valor, mesmo aproximado, do benef\u00edcio econ\u00f4mico do Reclamante. <\/p>\n<p>\t \t\t\tAssim, imperioso que esse valor seja revelado, t\u00e3o s\u00f3, <em>por estimativa<\/em>, nos moldes do que reza o <strong><em>caput<\/em>, art. 291, do CPC<\/strong>. <\/p>\n<p>\t \t\t\tNo ponto, \u00e9 conveniente a lembran\u00e7a de <strong>Juliana Cordeiro de Faria<\/strong>:<\/p>\n<p>Somente quando n\u00e3o for poss\u00edvel aferir se o proveito econ\u00f4mico direto a ser obtido pela parte com o acolhimento da pretens\u00e3o, a partir dos elementos objetivos j\u00e1 conhecidos e indicados na peti\u00e7\u00e3o inicial ou reconven\u00e7\u00e3o, \u00e9 que se autoriza a estimativa do seu valor.<\/p>\n<p>Existem, igualmente, causas que, por sua natureza, n\u00e3o t\u00eam conte\u00fado econ\u00f4mico imediatamente afer\u00edvel, hip\u00f3tese em que o valor da causa dever\u00e1 ser certo, mas ser\u00e1 indicado por estimativa da pr\u00f3pria parte. (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim &#8230; [et al] Coordenadores. <em>Breves coment\u00e1rios ao novo c\u00f3digo de processo civil<\/em> [livro eletr\u00f4nico]. 3\u00aa Ed. S\u00e3o Paulo: RT, 2016. Epub. <strong>ISBN<\/strong> 978-85-203-6939-5)<\/p>\n<p> \tDessa feita, o valor, atribu\u00eddo \u00e0 causa, \u00e9 feito por estimativa, apontando, por isso, ao <strong>rito comum ordin\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n<p>5 \u2013 P E D I D O S   e   R E Q U E R I M E N T O S<\/p>\n<p> \t\t\t\tDo exposto, pleiteia-se:<\/p>\n<p>a) seja a Reclamada notificada para comparecer \u00e0 audi\u00eancia inaugural e, querendo, apresentar sua defesa, sob pena de revelia e confiss\u00e3o quanto \u00e0 mat\u00e9ria f\u00e1tica estipulada nessa inaugural;<\/p>\n<p>b) pleiteia, ainda, sejam declaradas inconstitucionais as regras contidas nos artigos 223-A, 223-C, 223-E e 223-G, \u00a71\u00ba, todos da CLT;<\/p>\n<p>c) pede-se, outrossim, a condena\u00e7\u00e3o da Reclamada a pagar indeniza\u00e7\u00e3o em virtude do ass\u00e9dio sexual, ora apontado por estimativa no importe de R$ 30.000,00(trinta mil reais)<em>, <\/em>valor este compat\u00edvel com o grau de culpa, a les\u00e3o provocada e a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das partes envoltas nesta querela judicial e;<\/p>\n<p>d) seja definida, por ocasi\u00e3o da senten\u00e7a, a extens\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o condenat\u00f3ria, o \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, seu termo inicial, os juros morat\u00f3rios e seu prazo inicial (CPC, art. 491, <em>caput<\/em>);<\/p>\n<p>e) tamb\u00e9m conden\u00e1-la ao pagamento de despesas processuais e honor\u00e1rios advocat\u00edcios, esses no percentual incidente sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o (CLT, art. 791-A, <em>caput<\/em>);<\/p>\n<p>f) deferir o pedido dos benef\u00edcios da Justi\u00e7a Gratuita.<\/p>\n<p> \t\t\t \tProtesta provar o alegado por todos os meios de provas admitidos, nomeadamente pela produ\u00e7\u00e3o de prova oral em audi\u00eancia, al\u00e9m de per\u00edcia e juntada posterior de documentos.<\/p>\n<p>\tPor fim, o patrono da Reclamante, sob a \u00e9gide do art. 830 da CLT c\/c art. 425, inc. IV, do CPC, declara como aut\u00eanticos todos os documentos imersos com esta inaugural, destacando, mais, que a presente pe\u00e7a processual \u00e9 acompanhada de duas (2) vias de igual teor e forma.<\/p>\n<p> \t\t\t\tD\u00e1-se \u00e0 causa o valor estimativo de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), consoante a diretriz fixada no <strong>art. 292, <em>caput<\/em> e inc. V, um e outro do CPC<\/strong> c\/c <strong>art. 3\u00ba, inc. IV, da Resolu\u00e7\u00e3o 39 do TST<\/strong>.<\/p>\n<p>\t\t\t\tRespeitosamente, pede deferimento.<\/p>\n<p>\t\t\t\tCidade, 00 de junho de 0000. <\/p>\n<p> \t\t\t          \t                                            <strong>Fulano de Tal<\/strong><\/p>\n<p> \t\t\t\t\t\t\t    Advogado \u2013 OAB (PP) 0000<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[525],"class_list":["post-3077016","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-civil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/3077016","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3077016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=3077016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}