{"id":3036298,"date":"2024-06-08T01:04:14","date_gmt":"2024-06-08T01:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2024-06-08T01:04:14","modified_gmt":"2024-06-08T01:04:14","slug":"anulacao-de-doacao-inoficiosa-excesso-patrimonial","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/anulacao-de-doacao-inoficiosa-excesso-patrimonial\/","title":{"rendered":"[MODELO] Anula\u00e7\u00e3o de Doa\u00e7\u00e3o Inoficiosa  &#8211;  Excesso Patrimonial"},"content":{"rendered":"<p>A\u00e7\u00e3o de Anula\u00e7\u00e3o de Doa\u00e7\u00e3o Inoficiosa<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>Excelent\u00edssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da &#8230;  Vara C\u00edvel da <\/p>\n<p>Comarca de &#8230;<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>TIR\u00c7O, nacionalidade &#8230;, estado civil &#8230;, profiss\u00e3o &#8230;, RG &#8230;, CPF &#8230;, <\/p>\n<p>residente e domiciliado na rua &#8230;, n\u00b0 &#8230;, bairro &#8230;, na cidade de &#8230;, <\/p>\n<p>Estado de &#8230;, , por seu procurador ao final firmado, conforme <\/p>\n<p>instrumento de mandato incluso, com escrit\u00f3rio profissional na Rua &#8230;, <\/p>\n<p>n\u00ba &#8230;, bairro &#8230;, nesta cidade de &#8230;, Estado de &#8230;, onde recebe <\/p>\n<p>intima\u00e7\u00f5es, vem, respeitosamente, perante Vossa Excel\u00eancia, com <\/p>\n<p>fulcro nos arts. 54000 e 1846 do C\u00f3digo Civil promover a presente<\/p>\n<\/p>\n<p> A\u00c7\u00c3O ORDIN\u00c1RIA DE ANULA\u00c7\u00c3O DE PARTE INOFICIOSA <\/p>\n<p>DE DOA\u00c7\u00c3O <\/p>\n<\/p>\n<p>Em face de T\u00c9RCIO,  nacionalidade &#8230;, estado civil &#8230;, profiss\u00e3o &#8230;, <\/p>\n<p>RG &#8230;, CPF &#8230;, residente e domiciliado na rua &#8230;, n\u00b0 &#8230;, bairro &#8230;, na <\/p>\n<p>cidade de &#8230;, Estado de &#8230;,, pelas raz\u00f5es que passa a expor:<\/p>\n<\/p>\n<p>O requerente \u00e9 filho \u00fanico e herdeiro universal de Trajano Marcos, <\/p>\n<p>falecido em janeiro do corrente ano, conforme documento anexo, cujo <\/p>\n<p>invent\u00e1rio tramita pela Vara de Sucess\u00f5es deste juizado.<\/p>\n<p>Sucede que, em vida, por\u00e9m j\u00e1 vi\u00favo na ocasi\u00e3o, Trajano Marcos, <\/p>\n<p>desmembrou de sua propriedade situada neste munic\u00edpio, constitu\u00edda de <\/p>\n<p>uma \u00e1rea de terras para cultura, com a dimens\u00e3o superficial de 80 <\/p>\n<p>hectares, a fra\u00e7\u00e3o de 60 hectares e a doou ao requerido, mediante <\/p>\n<p>escritura p\u00fablica de doa\u00e7\u00e3o lavrada em notas do tabelionato desta <\/p>\n<p>comarca, conforme se verifica atrav\u00e9s da documenta\u00e7\u00e3o inclusa.<\/p>\n<p>Tal doa\u00e7\u00e3o \u00e9 parcialmente nula, eis que excede \u00e0 parte que o doador <\/p>\n<p>poderia dispor no momento da liberalidade, pois representava, na <\/p>\n<p>ocasi\u00e3o, mais de 50% da totalidade do seu patrim\u00f4nio, que era <\/p>\n<p>constitu\u00eddo unicamente da referida propriedade rural, como se <\/p>\n<p>demonstra com a farta documenta\u00e7\u00e3o que instrui o presente pedido.<\/p>\n<\/p>\n<p>DO DIREITO<\/p>\n<\/p>\n<p>O C\u00f3digo Civil estabelece nos arts. 54000 e 1846 que:<\/p>\n<\/p>\n<p>\u201cArt. 54000. Nula \u00e9 tamb\u00e9m a doa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 parte que exceder \u00e0 de <\/p>\n<p>que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em <\/p>\n<p>testamento.<\/p>\n<p>\u201c<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u201cArt. 1.846. Pertence aos herdeiros necess\u00e1rios, de pleno direito, a <\/p>\n<p>metade dos bens da heran\u00e7a, constituindo a leg\u00edtima.\u201d<\/p>\n<\/p>\n<p>Ora, no caso em tela, foi violado direito do autor, eis que o doador, ao <\/p>\n<p>fazer a doa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o resguardou a leg\u00edtima a que era obrigado por lei. E <\/p>\n<p>a lei reputa como inoficiosa aquela doa\u00e7\u00e3o cujo valor exceda a parte <\/p>\n<p>que o doador podia dispor no momento da liberalidade, raz\u00e3o pela qual <\/p>\n<p>deve ser reduzido todo o excesso da por\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, sob pena do <\/p>\n<p>autor, na qualidade de herdeiro necess\u00e1rio, ser privado de seu direito <\/p>\n<p>sucess\u00f3rio.<\/p>\n<\/p>\n<p>A JURISPRUD\u00caNCIA<\/p>\n<\/p>\n<p>O entendimento pretoriano, cujas amostras ora se colaciona, afinado <\/p>\n<p>com a disposi\u00e7\u00e3o legal, \u00e9 un\u00e2nime no sentido de considerar nula a parte <\/p>\n<p>da doa\u00e7\u00e3o excedente a que poderia dispor em testamento, por ocasi\u00e3o <\/p>\n<p>da liberalidade.<\/p>\n<\/p>\n<p>DIREITO CIVIL &#8211; DOA\u00c7\u00c3O INOFICIOSA &#8211; NULIDADE NO <\/p>\n<p>TOCANTE \u00c0 PARTE QUE ULTRAPASSA A PARCELA <\/p>\n<p>PATRIMONIAL DE QUE O DOADOR PODERIA DISPOR EM <\/p>\n<p>TESTAMENTO NO MOMENTO DA LIBERALIDADE &#8211; CCB &#8211; <\/p>\n<p>ART. 1.70000 &#8211; A doa\u00e7\u00e3o a descendente, naquilo que ultrapassa a parte <\/p>\n<p>de que poderia o doador dispor em testamento, no momento da <\/p>\n<p>liberalidade, \u00e9 de ser qualificada inoficiosa e, portanto, nula. <\/p>\n<p>Circunst\u00e2ncias do caso concreto que incrementam a viola\u00e7\u00e3o da <\/p>\n<p>leg\u00edtima dos autores, pela forma como concretizada a doa\u00e7\u00e3o. (STJ &#8211; <\/p>\n<p>REsp 86518 &#8211; MS &#8211; 4\u00aa T. &#8211; Rel. Min. S\u00e1lvio de Figueiredo Teixeira &#8211; <\/p>\n<p>DJU 03.11.10000008 &#8211; p. 140)<\/p>\n<\/p>\n<p>A\u00c7\u00c3O ANULAT\u00d3RIA &#8211; DOA\u00c7\u00c3O INOFICIOSA &#8211; REDU\u00c7\u00c3O &#8211; <\/p>\n<p>ART. 1.176 DO CC &#8211; PRESCRI\u00c7\u00c3O &#8211; PRAZO &#8211; Os herdeiros <\/p>\n<p>necess\u00e1rios n\u00e3o podem ser privados de seu direito sucess\u00f3rio, <\/p>\n<p>conferindo-lhe a lei meios necess\u00e1rios para tornar sem efeito as <\/p>\n<p>liberalidades excessivas, efetuadas pelo testador em detrimento da <\/p>\n<p>leg\u00edtima. O prazo prescricional para a a\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>inoficiosa \u00e9 de 20 anos, iniciando-se sua contagem no momento da <\/p>\n<p>morte do doador. N\u00e3o se anula a escritura de doa\u00e7\u00e3o em que foi <\/p>\n<p>ultrapassada a por\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel do patrim\u00f4nio do doador, mas <\/p>\n<p>julga-se procedente em parte a a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, para se declarar <\/p>\n<p>inoficiosa a liberalidade quanto \u00e0 parte excedente \u00e0quela que o doador <\/p>\n<p>poderia dispor em testamento. (TAMG &#8211; AC 217.357-000 &#8211; 7\u00aa C. &#8211; Rel. <\/p>\n<p>Juiz Lauro Bracarense &#8211; DJMG 21.12.10000006)<\/p>\n<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 254.80004 &#8211; SP (2000\/003535000-0)<\/p>\n<p>RELATOR<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>MINISTRO CASTRO FILHO<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ANG\u00c9LICA PUCCINELLI FERREIRA E <\/p>\n<p>OUTRO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>JAIR LUIZ DO NASCIMENTO E OUTRO<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>FREDERICO FERREIRA SEDDIG E OUTRO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>SEBASTI\u00c3O TURBUK <\/p>\n<p>RECORRIDO <\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>RODOLFO WALTER SEDDIG E OUTROS<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>DJALMA MARTINS DE MATOS FILHO <\/p>\n<p>               EMENTA<\/p>\n<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL. DOA\u00c7\u00d5ES INOFICIOSAS. FRAUDE \u00c0 <\/p>\n<p>LEI. FIXA\u00c7\u00c3O DO EXCESSO. MOMENTO. FALTA DE <\/p>\n<p>PREQUESTIONAMENTO. EXCLUS\u00c3O. PARTE. AC\u00d3RD\u00c3O <\/p>\n<p>RECORRIDO. FALTA DE INTERESSE. BENEFICI\u00c1RIO. <\/p>\n<p>LEGITIMIDADE PASSIVA. JUIZ. ADSTRI\u00c7\u00c3O \u00c1 NARRATIVA <\/p>\n<p>DOS FATOS. PRESCRI\u00c7\u00c3O VINTEN\u00c1RIA.<\/p>\n<p>I &#8211; Ausente o prequestionamento da mat\u00e9ria referente ao momento de <\/p>\n<p>apura\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio, para fins de verifica\u00e7\u00e3o do excesso inoficioso, <\/p>\n<p>nos termos da S\u00famula 211 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>II &#8211; Se exclu\u00edda a parte da rela\u00e7\u00e3o processual pelas inst\u00e2ncias <\/p>\n<p>ordin\u00e1rias, porquanto n\u00e3o aquinhoado com acr\u00e9scimo patrimonial <\/p>\n<p>indevido, falta-lhe interesse recursal, mormente quando v\u00eam arg\u00fcindo <\/p>\n<p>sua ilegitimidade.<\/p>\n<p>III &#8211; O benefici\u00e1rio das doa\u00e7\u00f5es ilegais tem legitimidade para figurar no <\/p>\n<p>p\u00f3lo passivo das a\u00e7\u00f5es que visam \u00e0 anula\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios dela <\/p>\n<p>decorrentes.<\/p>\n<p>IV &#8211; Conforme reiterados precedentes, o juiz n\u00e3o est\u00e1 adstrito \u00e0 <\/p>\n<p>qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos fatos formulada na exordial. <\/p>\n<p>V &#8211;  Sob a \u00e9gide do C\u00f3digo Civil de 100016, o prazo para pleitear a <\/p>\n<p>anula\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios jur\u00eddicos praticados com fraude \u00e0 lei era <\/p>\n<p>vinten\u00e1rio. Precedentes.<\/p>\n<p>Recursos especiais n\u00e3o conhecidos, com ressalva quanto \u00e0 terminologia.<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>               AC\u00d3RD\u00c3O<\/p>\n<\/p>\n<p>Vistos, relatados e discutidos os autos em que s\u00e3o partes as acima <\/p>\n<p>indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior <\/p>\n<p>Tribunal de Justi\u00e7a, por unanimidade, n\u00e3o conhecer dos recursos <\/p>\n<p>especiais, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. <\/p>\n<\/p>\n<p>Os Srs. Ministros Humberto Gomes de Barros, Ari Pargendler, Carlos <\/p>\n<p>Alberto Menezes Direito e Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro <\/p>\n<p>Relator.<\/p>\n<\/p>\n<p>Sustentou oralmente o Dr. Jair Luiz do Nascimento, pelos recorrentes.<\/p>\n<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 000 de agosto de 2012(Data do Julgamento)<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>         MINISTRO CASTRO FILHO  <\/p>\n<p>               Relator<\/p>\n<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 254.80004 &#8211; SP (2000\/003535000-0)<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ANG\u00c9LICA PUCCINELLI FERREIRA E <\/p>\n<p>OUTRO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>JAIR LUIZ DO NASCIMENTO E OUTRO<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>FREDERICO FERREIRA SEDDIG E OUTRO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>SEBASTI\u00c3O TURBUK <\/p>\n<p>RECORRIDO <\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>RODOLFO WALTER SEDDIG E OUTROS<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>DJALMA MARTINS DE MATOS FILHO <\/p>\n<\/p>\n<p>            RELAT\u00d3RIO<\/p>\n<\/p>\n<p>O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO FILHO:  Trata-se de dois <\/p>\n<p>recursos especiais interpostos, respectivamente, por ANG\u00c9LICA <\/p>\n<p>PUCCINELLI FERREIRA e FREDERICO FERREIRA SEDDIG e <\/p>\n<p>outra, ambos fundamentados nas al\u00edneas &quot;a&quot; e &quot;c&quot; do permissivo <\/p>\n<p>constitucional, contra ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o <\/p>\n<p>Paulo, assim ementado:<\/p>\n<p>&quot;DOA\u00c7\u00c3O &#8211; Liberalidades \u00e0 companheira e \u00e0 filha desta com o <\/p>\n<p>doador em detrimento dos demais herdeiros necess\u00e1rios &#8211; Fraude \u00e0 <\/p>\n<p>lei por atingida a parte leg\u00edtima dos herdeiros &#8211; Confer\u00eancia do <\/p>\n<p>excesso e restitui\u00e7\u00e3o das doa\u00e7\u00f5es inoficiosas &#8211; Artigos 102, 1.071, <\/p>\n<p>1.788 e 1.70000 do C\u00f3digo Civil &#8211; Decis\u00e3o mantida.<\/p>\n<p>SIMULA\u00c7\u00c3O &#8211; Fraude \u00e0 lei &#8211; Compra de bens em nome de <\/p>\n<p>concubina e de apenas uma das herdeiras &#8211; Avan\u00e7o da leg\u00edtima &#8211; <\/p>\n<p>Doa\u00e7\u00f5es inoficiosas &#8211; Preponder\u00e2ncia da fraude \u00e0 lei, por se tratar <\/p>\n<p>de norma de ordem p\u00fablica &#8211; Prescri\u00e7\u00e3o do artigo 178, par\u00e1grafo <\/p>\n<p>000\u00ba, inciso V, letra &quot;b&quot;, do C\u00f3digo Civil &#8211; Arg\u00fci\u00e7\u00e3o repelida &#8211; <\/p>\n<p>Esp\u00e9cie que se subsume na hip\u00f3tese do artigo 177 do mesmo <\/p>\n<p>diploma legal.<\/p>\n<p>Ao argumento de que a doa\u00e7\u00e3o foi do dinheiro e n\u00e3o do bem <\/p>\n<p>adquirido \u00e9 mera tergiversa\u00e7\u00e3o e especiaria jur\u00eddica, que se n\u00e3o <\/p>\n<p>pode constituir em seteira a vulnerar as proibi\u00e7\u00f5es ditadas em lei, <\/p>\n<p>porque em tema sucess\u00f3rio prevalece o princ\u00edpio de que o valor <\/p>\n<p>das liberalidades deve ser conferido e o excesso inoficioso <\/p>\n<p>restitu\u00eddo.&quot;<\/p>\n<\/p>\n<p>Sustentam os recorrentes viola\u00e7\u00e3o aos artigos 12, inciso V, 128, 45000 e <\/p>\n<p>460 do C\u00f3digo de Processo Civil; 178, \u00a7 000\u00ba, e 1.176 do C\u00f3digo Civil <\/p>\n<p>de 100016, bem como dissenso pretoriano, argumentando:<\/p>\n<p>a) a ilegitimidade dos herdeiros frutos da rela\u00e7\u00e3o concubin\u00e1ria, para <\/p>\n<p>representarem o esp\u00f3lio;<\/p>\n<p>b) ocorr\u00eancia de julgamento extra petita, uma vez que a peti\u00e7\u00e3o inicial <\/p>\n<p>n\u00e3o teria alegado a exist\u00eancia de doa\u00e7\u00e3o inoficiosa, mas buscara a <\/p>\n<p>anula\u00e7\u00e3o dos atos jur\u00eddicos por fraude e simula\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>c) houve prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o de invalidar as aquisi\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis <\/p>\n<p>ocorridas em 100083 e 100085;<\/p>\n<p>d) o excesso, no caso da doa\u00e7\u00e3o inoficiosa, deve ser aferido no <\/p>\n<p>momento da liberalidade; n\u00e3o quando \u00e9 aberta a sucess\u00e3o.<\/p>\n<p>Contra-arrazoados, admitiu-se o recurso na origem, ascendendo os <\/p>\n<p>autos a esta Corte.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, por meio do Subprocurador-Geral da <\/p>\n<p>Rep\u00fablica Dr. Henrique Fagundes, opina pelo n\u00e3o conhecimento do <\/p>\n<p>recurso, em parecer ementado nos seguintes termos:<\/p>\n<p>&quot; I &#8211; Vige no Brasil, o sistema processual da substancia\u00e7\u00e3o, segundo <\/p>\n<p>o qual os fatos narrados influem na delimita\u00e7\u00e3o objetiva da <\/p>\n<p>demanda e, logicamente, da senten\u00e7a, mas os fundamentos <\/p>\n<p>jur\u00eddicos n\u00e3o, pois sua invoca\u00e7\u00e3o na peti\u00e7\u00e3o inicial constitui <\/p>\n<p>apenas sugest\u00e3o endere\u00e7ada ao juiz, ao qual compete fazer o <\/p>\n<p>enquadramento adequado.<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL. ART. 105, INC. III, AL\u00cdNEAS A E C, DA <\/p>\n<p>CONSTITUI\u00c7\u00c3O FEDERAL. DOA\u00c7\u00c3O INOFICIOSA. <\/p>\n<p>INTEN\u00c7\u00c3O DO DOADOR DE BENEFICIAR COMPANHEIRA E <\/p>\n<p>FILHA DESTA COM O DOADOR EM DETRIMENTO DOS <\/p>\n<p>DEMAIS HERDEIROS NECESS\u00c1RIOS. CONFER\u00caNCIA DO <\/p>\n<p>EXCESSO NO MOMENTO DA ABERTURA DA SUCESS\u00c3O.<\/p>\n<p>I &#8211; Se as doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas paulatinamente, de forma <\/p>\n<p>calculada para subtrair a leg\u00edtima dos herdeiros necess\u00e1rios, como <\/p>\n<p>no caso dos autos, n\u00e3o pode o direito compactuar a m\u00e1-f\u00e9 do <\/p>\n<p>doador. <\/p>\n<p>II &#8211; Parecer pelo n\u00e3o conhecimento do recurso.&quot;<\/p>\n<\/p>\n<p>\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 254.80004 &#8211; SP (2000\/003535000-0)<\/p>\n<p>RELATOR<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>MINISTRO CASTRO FILHO<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ANG\u00c9LICA PUCCINELLI FERREIRA E <\/p>\n<p>OUTRO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>JAIR LUIZ DO NASCIMENTO E OUTRO<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>FREDERICO FERREIRA SEDDIG E OUTRO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>SEBASTI\u00c3O TURBUK <\/p>\n<p>RECORRIDO <\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>RODOLFO WALTER SEDDIG E OUTROS<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>DJALMA MARTINS DE MATOS FILHO <\/p>\n<\/p>\n<p>               VOTO<\/p>\n<\/p>\n<p>O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO FILHO: Rodolfo Walter <\/p>\n<p>Seddig e demais herdeiros provenientes da primeira uni\u00e3o de Heinz <\/p>\n<p>Verner Seddig, propuseram &quot;a\u00e7\u00e3o de anula\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios jur\u00eddicos&quot; <\/p>\n<p>em desfavor de seu pai, da respectiva concubina e de sua irm\u00e3 <\/p>\n<p>consangu\u00ednea, nascida deste segundo relacionamento. Antes que fosse <\/p>\n<p>citado, faleceu o genitor comum a todos os herdeiros, pelo que se <\/p>\n<p>determinou a cita\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o consangu\u00edneo. O pedido restou acolhido <\/p>\n<p>parcialmente em 1\u00ba e 2\u00ba graus.<\/p>\n<p>Primeiramente, a quest\u00e3o referente ao momento em que deve ser <\/p>\n<p>apurado o patrim\u00f4nio para fins de caracteriza\u00e7\u00e3o do excesso inoficioso, <\/p>\n<p>isto \u00e9, se no momento da liberalidade ou da abertura da sucess\u00e3o, n\u00e3o <\/p>\n<p>foi objeto de debate pelo tribunal a quo, malgrado a oposi\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>embargos declarat\u00f3rios, estando a carecer do necess\u00e1rio <\/p>\n<p>prequestionamento, nos termos da S\u00famula 211 do Superior Tribunal de <\/p>\n<p>Justi\u00e7a, vez que, no ponto, n\u00e3o h\u00e1 invoca\u00e7\u00e3o de afronta ao artigo 535 <\/p>\n<p>do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n<p>De outro lado, no tocante \u00e0 ilegitimidade passiva dos recorrentes, o <\/p>\n<p>ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, em voto da lavra do ent\u00e3o Desembargador <\/p>\n<p>Franciulli Netto, hoje ilustre integrante desta Corte, assim se pronunciou:<\/p>\n<p>&quot;Com efeito, como abaixo ser\u00e1 apreciado, cuida-se de a\u00e7\u00e3o que <\/p>\n<p>visa ao acertamento do adiantamento da leg\u00edtima (cf. arts. 1.171 e <\/p>\n<p>1.788, ambos do CC) e de a\u00e7\u00e3o explet\u00f3ria ou actio ad supplendam, <\/p>\n<p>cujo escopo \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o de restitui\u00e7\u00e3o dos excessos <\/p>\n<p>inoficiosos (cf. arts. 1.176 e 1.70000, ambos do CC).<\/p>\n<p>O herdeiro Frederico n\u00e3o foi aquinhoado nem com uma nem com <\/p>\n<p>outra coisa. Seu patrim\u00f4nio igualmente n\u00e3o foi ampliado por <\/p>\n<p>nenhuma aquisi\u00e7\u00e3o in nomine, doa\u00e7\u00e3o ou qualquer outra <\/p>\n<p>liberalidade.<\/p>\n<p>Por tais raz\u00f5es, sua cita\u00e7\u00e3o para integrar o p\u00f3lo passivo da <\/p>\n<p>rela\u00e7\u00e3o processual foi indevidamente requerida pelos autores (fl. <\/p>\n<p>74 v.). Deve, portanto, ser exclu\u00eddo da demanda.&quot; (fl. 462)<\/p>\n<\/p>\n<p>Ora, em assim sendo, o recorrente Frederico Ferreira Seddig n\u00e3o <\/p>\n<p>possui interesse recursal, porquanto j\u00e1 exclu\u00eddo do feito pelo tribunal a <\/p>\n<p>quo. Quanto \u00e0 sua irm\u00e3 Jacqueline Ferreira Seddig, sua inclus\u00e3o no <\/p>\n<p>feito n\u00e3o decorreu da condi\u00e7\u00e3o de sucessora, mas de benefici\u00e1ria das <\/p>\n<p>doa\u00e7\u00f5es questionadas, sendo portanto, parte leg\u00edtima para figurar no <\/p>\n<p>p\u00f3lo passivo da rela\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n<p>Outrossim, \u00e9 certo que o inventariante \u00e9 parte leg\u00edtima para representar <\/p>\n<p>o esp\u00f3lio. Contudo, no caso, o acolhimento da demanda t\u00e3o-somente <\/p>\n<p>lhe beneficiaria, porquanto faria volver bens indevidamente retirados da <\/p>\n<p>massa, pelo que n\u00e3o procede a tese de que deveria figurar no p\u00f3lo <\/p>\n<p>passivo da rela\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 alega\u00e7\u00e3o de julgamento extra petita, devem ser <\/p>\n<p>mantidos os bem lan\u00e7ados fundamentos do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, no <\/p>\n<p>sentido de que o juiz n\u00e3o est\u00e1 adstrito \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos fatos <\/p>\n<p>formulada na exordial. A prop\u00f3sito, transcrevo excerto do julgado:<\/p>\n<p>&quot;N\u00e3o h\u00e1 de cogitar de julgamento extra petita ou ultra petita, posto <\/p>\n<p>que n\u00e3o est\u00e1 jungido o MM. Juiz da causa \u00e0 tipifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica <\/p>\n<p>declinada pelos autores, desde que n\u00e3o extrapole a senten\u00e7a a <\/p>\n<p>causa petendi e o pedido. Da leitura da inicial infere-se que <\/p>\n<p>ocorreram atos negociais in fraudem legis, pelos quais houve <\/p>\n<p>proposital esvaziamento do patrim\u00f4nio do de cujus em detrimento <\/p>\n<p>dos autores, observado o bin\u00f4mio: leg\u00edtima dos herdeiros e parte <\/p>\n<p>dispon\u00edvel do autor das liberalidades. A atecnia em que foi vazada <\/p>\n<p>a peti\u00e7\u00e3o inicial, intelig\u00edvel seus termos, n\u00e3o teve a virtude de <\/p>\n<p>macular de vez essa pe\u00e7a, pois deve sempre o julgador se pautar <\/p>\n<p>pelo aproveitamento do que aproveit\u00e1vel for, na bitola da m\u00e1xima <\/p>\n<p>da mihi factum dabo tibi jus. Impende assinalar que o pedido tamb\u00e9m <\/p>\n<p>estava dirigido no sentido de que os bens retornassem ao <\/p>\n<p>patrim\u00f4nio pertencente a Heinz.&quot; <\/p>\n<\/p>\n<p>A esse respeito:<\/p>\n<p>&quot;PROCESSO CIVIL. INDEFERIMENTO DA INICIAL.  <\/p>\n<p>AUS\u00caNCIA DA DESCRI\u00c7\u00c3O DOS FUNDAMENTOS DE FATO E <\/p>\n<p>DE DIREITO. IN\u00c9PCIA. ARTS. 267, I E 20005, CPC. RECURSO <\/p>\n<p>N\u00c3O CONHECIDO.<\/p>\n<p>I &#8211; Na linha da jurisprud\u00eancia desta Corte, &quot;n\u00e3o \u00e9 inepta a peti\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>inicial onde feita descri\u00e7\u00e3o suficiente dos fatos que servem de <\/p>\n<p>fundamento ao pedido, ensejando ao r\u00e9u o pleno exerc\u00edcio de sua <\/p>\n<p>defesa&quot;.<\/p>\n<p>II &#8211; A inicial padece de in\u00e9pcia, contudo, quando nela n\u00e3o <\/p>\n<p>deduzidas as raz\u00f5es pelas quais foi ajuizada a demanda, nem os <\/p>\n<p>fatos ensejadores do pedido.<\/p>\n<p>III &#8211; A s\u00f3 juntada de documentos com a inicial n\u00e3o supre a <\/p>\n<p>dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica a ser desenvolvida na peti\u00e7\u00e3o de ingresso, nem <\/p>\n<p>autoriza o descumprimento dos requisitos exigidos no art. 282, <\/p>\n<p>CPC.&quot;<\/p>\n<p>(Resp 343.50002\/PR, Quarta Turma, Rel. Min. S\u00e1lvio de Figueiredo <\/p>\n<p>Teixeira, DJ de 12\/08\/2002);<\/p>\n<\/p>\n<p>&quot;PROCESSO CIVIL. PETI\u00c7\u00c3O INICIAL. IN\u00c9PCIA AFASTADA. <\/p>\n<p>A peti\u00e7\u00e3o inicial s\u00f3 deve ser indeferida, por in\u00e9pcia, quando o v\u00edcio <\/p>\n<p>apresenta tal gravidade que impossibilite a defesa do r\u00e9u, ou a <\/p>\n<p>pr\u00f3pria presta\u00e7\u00e3o jurisdicional. Recurso especial n\u00e3o conhecido.&quot;<\/p>\n<p>(Resp 10003.100\/RS, Terceira Turma, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de <\/p>\n<p>04\/02\/2002). <\/p>\n<\/p>\n<p>Outrossim, conforme entendimento pac\u00edfico, sob a \u00e9gide do C\u00f3digo <\/p>\n<p>Civil de 100016, o prazo para pleitear a anula\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios jur\u00eddicos <\/p>\n<p>praticados com fraude \u00e0 lei \u00e9 vinten\u00e1rio.<\/p>\n<p>Sobre o tema:<\/p>\n<p>&quot;VENDA DE ASCENDENTE PARA DESCENDENTE. Interposta <\/p>\n<p>pessoa. Anula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Prescri\u00e7\u00e3o. Data inicial. Doa\u00e7\u00e3o inoficiosa.<\/p>\n<p>&#8211; A prescri\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de anula\u00e7\u00e3o de venda de ascendente para <\/p>\n<p>descendente por interposta pessoa \u00e9 de quatro anos e corre a <\/p>\n<p>partir da data da abertura da sucess\u00e3o. Diferentemente, a <\/p>\n<p>prescri\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de nulidade pela venda direta de ascendente a <\/p>\n<p>descendente sem o consentimento dos demais, \u00e9 de vinte anos e flui <\/p>\n<p>desde a data do ato de aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; A prescri\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de anula\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00e3o inoficiosa \u00e9 de vinte <\/p>\n<p>anos, correndo o prazo da data da pr\u00e1tica do ato de aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Arts. 177, 1778, 1132 e 1176 do C.Civil.<\/p>\n<p>Primeiro recurso n\u00e3o conhecido; conhecimento parcial do segundo <\/p>\n<p>e seu provimento, tamb\u00e9m parcial.&quot;<\/p>\n<p>(Resp 151.00035\/RS, Quarta Turma, Rel. Ministro  Ruy Rosado de <\/p>\n<p>Aguiar, DJ de 16.11.10000008);<\/p>\n<\/p>\n<p>&quot;A\u00c7\u00c3O DE ANULA\u00c7\u00c3O. VENDA EM FRAUDE \u00c0 LEI. <\/p>\n<p>DOA\u00c7\u00c3O. PRESCRI\u00c7\u00c3O.<\/p>\n<p>&#8211; A a\u00e7\u00e3o para desconstituir neg\u00f3cio realizado em fraude \u00e0 lei <\/p>\n<p>prescreve em vinte anos (CC\/100016, art. 177).&quot;<\/p>\n<p>(Resp 115.768\/SP, Terceira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de <\/p>\n<p>Barros, DJ de 15\/03\/2012).<\/p>\n<\/p>\n<p>Pelo exposto, com ressalva quanto \u00e0 terminologia, n\u00e3o conhe\u00e7o dos <\/p>\n<p>recursos especiais.<\/p>\n<p>\u00c9 o voto.<\/p>\n<\/p>\n<p>         MINISTRO CASTRO FILHO<\/p>\n<p>               Relator <\/p>\n<\/p>\n<p>         CERTID\u00c3O DE JULGAMENTO<\/p>\n<p>            TERCEIRA TURMA<\/p>\n<p>N\u00famero Registro: <\/p>\n<p>2000\/003535000-0<\/p>\n<p>      REsp   25480004 \/ SP<\/p>\n<\/p>\n<p>N\u00fameros Origem:  2640005  584854<\/p>\n<\/p>\n<p>PAUTA: 0000\/08\/2012<\/p>\n<p>   JULGADO: 0000\/08\/2012<\/p>\n<\/p>\n<p>Relator<\/p>\n<p>Exmo. Sr. Ministro  CASTRO FILHO<\/p>\n<\/p>\n<p>Presidenta da Sess\u00e3o<\/p>\n<p>Exma. Sra. Ministra NANCY ANDRIGHI<\/p>\n<\/p>\n<p>Subprocurador-Geral da Rep\u00fablica<\/p>\n<p>(AUSENTE)<\/p>\n<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio<\/p>\n<p>Bel. MARCELO FREITAS DIAS<\/p>\n<\/p>\n<p>            AUTUA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ANG\u00c9LICA PUCCINELLI FERREIRA E <\/p>\n<p>OUTRO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>JAIR LUIZ DO NASCIMENTO E OUTRO<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>FREDERICO FERREIRA SEDDIG E OUTRO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>SEBASTI\u00c3O TURBUK<\/p>\n<p>RECORRIDO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>RODOLFO WALTER SEDDIG E OUTROS<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>DJALMA MARTINS DE MATOS FILHO<\/p>\n<\/p>\n<p>ASSUNTO: Civil &#8211; Contrato &#8211; Doa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/p>\n<p>         SUSTENTA\u00c7\u00c3O ORAL<\/p>\n<\/p>\n<p>Sustentou oralmente o Dr. Jair Luiz do Nascimento, pelos recorrentes.<\/p>\n<p>               CERTID\u00c3O<\/p>\n<\/p>\n<p>Certifico que a egr\u00e9gia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo <\/p>\n<p>em ep\u00edgrafe na sess\u00e3o realizada nesta data, proferiu a seguinte decis\u00e3o:<\/p>\n<\/p>\n<p>A Turma, por unanimidade, n\u00e3o conheceu dos recursos especiais, nos <\/p>\n<p>termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto <\/p>\n<p>Gomes de Barros, Ari Pargendler, Carlos Alberto Menezes Direito e <\/p>\n<p>Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro Relator.<\/p>\n<\/p>\n<p>         Bras\u00edlia, 0000  de agosto  de 2012<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>         MARCELO FREITAS DIAS<\/p>\n<p>               Secret\u00e1rio<\/p>\n<\/p>\n<p>Documento: 567823<\/p>\n<p>Inteiro Teor do <\/p>\n<p>   Ac\u00f3rd\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; DJ: 12\/0000\/2012<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 25000.406 &#8211; PR (2000\/004800014-0)<\/p>\n<p>RELATOR<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ORLANDA PANFIETTI MARCHIONI E <\/p>\n<p>OUTROS<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ALFREDO DE ASSIS GON\u00c7ALVES NETO E <\/p>\n<p>OUTROS<\/p>\n<p>RECORRIDO <\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>APARECIDA MARCHIONI NASCIMENTO <\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>CL\u00d3VIS PINHEIRO DE SOUZA JUNIOR E <\/p>\n<p>OUTROS<\/p>\n<p>               EMENTA<\/p>\n<p>CIVIL E PROCESSUAL. AC\u00d3RD\u00c3O ESTADUAL. NULIDADE <\/p>\n<p>N\u00c3O CONFIGURADA. A\u00c7\u00c3O DE RECONHECIMENTO DE <\/p>\n<p>SIMULA\u00c7\u00c3O CUMULADA COM A\u00c7\u00c3O DE SONEGADOS. <\/p>\n<p>BENS ADQUIRIDOS PELO PAI, EM NOME DOS FILHOS <\/p>\n<p>VAR\u00d5ES. INVENT\u00c1RIO. DOA\u00c7\u00c3O INOFICIOSA INDIRETA. <\/p>\n<p>PRESCRI\u00c7\u00c3O. PRAZO VINTEN\u00c1RIO, CONTADO DA <\/p>\n<p>PR\u00c1TICA DE CADA ATO. COLA\u00c7\u00c3O DOS PR\u00d3PRIOS <\/p>\n<p>IM\u00d3VEIS, QUANDO AINDA EXISTENTES NO PATRIM\u00d4NIO <\/p>\n<p>DOS R\u00c9US. EXCLUS\u00c3O DAS BENFEITORIAS POR ELES <\/p>\n<p>REALIZADAS. CC ANTERIOR, ARTS. 177, 1.787 E 1.732, \u00a7 2\u00ba. <\/p>\n<p>SUCUMB\u00caNCIA REC\u00cdPROCA. REDIMENSIONAMENTO. CPC, <\/p>\n<p>ART. 21.<\/p>\n<p>I. N\u00e3o padece de nulidade o ac\u00f3rd\u00e3o que enfrentou as quest\u00f5es <\/p>\n<p>essenciais ao julgamento da controv\u00e9rsia, apenas com conclus\u00f5es <\/p>\n<p>desfavor\u00e1veis \u00e0 parte.<\/p>\n<p>II. Se a aquisi\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis em nome dos herdeiros var\u00f5es foi <\/p>\n<p>efetuada com recursos do pai, em doa\u00e7\u00e3o inoficiosa, simulada, em <\/p>\n<p>detrimento dos direitos da filha autora, a prescri\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>anula\u00e7\u00e3o \u00e9 vinten\u00e1ria, contada da pr\u00e1tica de cada ato irregular.<\/p>\n<p>III. Achando-se os herdeiros var\u00f5es ainda na titularidade dos im\u00f3veis, <\/p>\n<p>a cola\u00e7\u00e3o deve se fazer sobre os mesmos e n\u00e3o meramente por seu <\/p>\n<p>valor, ao teor dos arts. 1.787 e 1.70002, par\u00e1grafo 2o, do C\u00f3digo Civil <\/p>\n<p>anterior.<\/p>\n<p>IV. Excluem-se da cola\u00e7\u00e3o as benfeitorias agregadas aos im\u00f3veis <\/p>\n<p>realizadas pelos herdeiros que os detinham (art. 1.70002, par\u00e1grafo 2o).<\/p>\n<p>V. Sucumb\u00eancia rec\u00edproca redimensionada, em face da altera\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>decorrente do acolhimento parcial das teses dos r\u00e9us.<\/p>\n<p>VI. Recurso especial conhecido em parte e provido.<\/p>\n<\/p>\n<p>               AC\u00d3RD\u00c3O<\/p>\n<\/p>\n<p>Vistos e relatados estes autos, em que s\u00e3o partes as acima indicadas,<\/p>\n<p>Decide a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, \u00e0 <\/p>\n<p>unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa extens\u00e3o, dar-lhe <\/p>\n<p>provimento, na forma do relat\u00f3rio e notas taquigr\u00e1ficas constantes dos <\/p>\n<p>autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. <\/p>\n<p>Participaram do julgamento os Srs. Ministros Jorge Scartezzini, Barros <\/p>\n<p>Monteiro, Cesar Asfor Rocha e Fernando Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Custas, como de lei.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia (DF), 17 de fevereiro de 2012(Data do Julgamento)<\/p>\n<\/p>\n<p>      MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR  <\/p>\n<p>               Relator<\/p>\n<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 25000.406 &#8211; PR (2000\/004800014-0)<\/p>\n<\/p>\n<p>            RELAT\u00d3RIO<\/p>\n<\/p>\n<p>EXMO. SR. MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR: <\/p>\n<p>Inicio por adotar o relat\u00f3rio de fls. 540\/547, verbis:<\/p>\n<p>&quot;Tratam os autos de a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria de simula\u00e7\u00e3o cumulada com a <\/p>\n<p>de sonegados, que foi assim relatada na senten\u00e7a de fls. 431\/437: <\/p>\n<p>&#8216;Alega a requerente que durante um determinado intervalo de <\/p>\n<p>tempo seu genitor, j\u00e1 falecido, adquiriu alguns bens e que no ato <\/p>\n<p>de inscri\u00e7\u00e3o dos respectivos bens im\u00f3veis constou apenas os nomes <\/p>\n<p>de seus irm\u00e3os como propriet\u00e1rios em preju\u00edzo seu; que nos <\/p>\n<p>contratos preliminares dos referidos neg\u00f3cios verifica-se que fora <\/p>\n<p>seu pai quem os realizara e n\u00e3o seus irm\u00e3os; que em virtude da <\/p>\n<p>manobra simulada a requerente foi preterida de seu quinh\u00e3o <\/p>\n<p>quando da abertura da sucess\u00e3o de seu pai, haja vista que os bens <\/p>\n<p>por ele adquiridos e em nome de seus irm\u00e3os n\u00e3o foram trazidos \u00e0 <\/p>\n<p>cola\u00e7\u00e3o. Requer sejam anulados todos os atos simulados e que seja <\/p>\n<p>aplicada a pena de sonegados aos requeridos, bem como sua <\/p>\n<p>condena\u00e7\u00e3o na verba honor\u00e1ria de 20% sobre o valor da causa. <\/p>\n<p>Petit\u00f3rio dos requeridos, \u00e0s fls. 115, requerendo prazo em dobro <\/p>\n<p>para a contesta\u00e7\u00e3o. Na contesta\u00e7\u00e3o, \u00e0s fls. 137\/153, os requeridos <\/p>\n<p>alegam em preliminar a in\u00e9pcia da inicial por falta de causa de <\/p>\n<p>pedir, por falta de pedido, por pedido juridicamente imposs\u00edvel, <\/p>\n<p>pela incompatibilidade dos pedidos, por car\u00eancia de a\u00e7\u00e3o. No <\/p>\n<p>m\u00e9rito, alegam que foi a partir de uma doa\u00e7\u00e3o feita em vida pelo <\/p>\n<p>de cujus aos requeridos, e tamb\u00e9m \u00e0 autora, que estes come\u00e7aram <\/p>\n<p>a constru\u00e7\u00e3o dos seus patrim\u00f4nios; que o de cujus n\u00e3o tinha <\/p>\n<p>nenhum trabalho produtivo e nenhum patrim\u00f4nio e tamb\u00e9m n\u00e3o <\/p>\n<p>gozava de boa sa\u00fade, portanto, n\u00e3o tinha capacidade para <\/p>\n<p>adquirir os bens postos sobre suspeita. Requerem a improced\u00eancia <\/p>\n<p>do pedido e a condena\u00e7\u00e3o da autora em 20% sobre o valor da <\/p>\n<p>causa. Em apenso autos de impugna\u00e7\u00e3o do valor da causa. Na <\/p>\n<p>impugna\u00e7\u00e3o, de fls. 206\/215, a autora refuta as preliminares, e, no <\/p>\n<p>m\u00e9rito, impugnam os atestados m\u00e9dicos como prova por <\/p>\n<p>considerarem sem valor para a causa; que cita um neg\u00f3cio em <\/p>\n<p>especial para comprovar que seu pai o realizou sem a participa\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>dos filhos; ratifica a afirma\u00e7\u00e3o de que houve a sonega\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>diversos bens im\u00f3veis; que os bens m\u00f3veis deixam de ser objetos <\/p>\n<p>da presente a\u00e7\u00e3o por n\u00e3o possu\u00edrem os autores documentos <\/p>\n<p>comprobat\u00f3rios da simula\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00e3o. Requer a rejei\u00e7\u00e3o das <\/p>\n<p>preliminares arg\u00fcidas e o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o que dever\u00e1 ser <\/p>\n<p>julgada procedente nos termos da inicial ratificando o pedido de <\/p>\n<p>novas informa\u00e7\u00f5es a Receita Federal. Despacho, \u00e0s fls. 216, para <\/p>\n<p>que as partes especifiquem as provas que pretendam produzir, que <\/p>\n<p>foi atendido \u00e0s fls. 217, 237 e 23000. Despacho saneador, \u00e0s fls. <\/p>\n<p>242\/244, quando foi acolhida a preliminar de ilegitimidade ativa <\/p>\n<p>ad causam de Natalino Ara\u00fajo Nascimento e determinada sua <\/p>\n<p>exclus\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica processual, rejeitada a preliminar de <\/p>\n<p>in\u00e9pcia da inicial e deferindo as provas requeridas, quais sejam: <\/p>\n<p>depoimento pessoal da autora e dos r\u00e9us; prova testemunhal; <\/p>\n<p>requisi\u00e7\u00e3o de documento do item III do petit\u00f3rio de fls. 23000; <\/p>\n<p>per\u00edcia das benfeitorias existentes nos im\u00f3veis rurais. Foi nomeado <\/p>\n<p>o perito, designada a audi\u00eancia de instala\u00e7\u00e3o da per\u00edcia, e <\/p>\n<p>facultado \u00e0s partes a indica\u00e7\u00e3o de assistentes t\u00e9cnicos. Agravo de <\/p>\n<p>instrumento dos requeridos, \u00e0s fls. 250, requerendo a aprecia\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>de preliminar n\u00ba 3 \u00e0s fls. 144 e apresentando quesitos para a <\/p>\n<p>per\u00edcia. Despacho, \u00e0s fls. 253, determinando que seja certificado a <\/p>\n<p>interposi\u00e7\u00e3o de agravo de instrumento contra o despacho <\/p>\n<p>saneador; acatando as raz\u00f5es expostas no of\u00edcio de fls. 252; <\/p>\n<p>aceitando as raz\u00f5es dos requeridos de que n\u00e3o foi analisada a <\/p>\n<p>preliminar de fls. 144, item 3; rejeitando a referida preliminar e <\/p>\n<p>mantendo, no mais, a decis\u00e3o interlocut\u00f3ria de fls. 242\/244. Termo <\/p>\n<p>de audi\u00eancia de instala\u00e7\u00e3o de per\u00edcia, \u00e0s fls. 254, onde foi tomado <\/p>\n<p>o compromisso do Sr. Perito e concedido prazo de trinta dias para <\/p>\n<p>apresenta\u00e7\u00e3o de laudo em cart\u00f3rio. Agravo de instrumento dos <\/p>\n<p>requeridos, \u00e0s fls. 256\/258, onde entendem que a prova deferida <\/p>\n<p>(prontu\u00e1rio m\u00e9dico-hospitalar do falecido) deve ser atendida e <\/p>\n<p>onde discordam da rejei\u00e7\u00e3o da preliminar de fls. 144, item n\u00ba 3 <\/p>\n<p>entendendo ser esta decis\u00e3o contra legem. Despacho de fls. 25000 <\/p>\n<p>mantendo as decis\u00f5es agravadas pelo petit\u00f3rio retro, recebendo-os <\/p>\n<p>como agravo retido e determinando ao perito que justifique o <\/p>\n<p>atraso na entrega do laudo. Apresenta\u00e7\u00e3o do laudo pericial e da <\/p>\n<p>proposta de honor\u00e1rios pelo Sr. Perito \u00e0s fls. 261\/271. Petit\u00f3rio <\/p>\n<p>dos requeridos, \u00e0s fls. 274, quando requerem sejam juntadas as <\/p>\n<p>c\u00f3pias dos documentos utilizados para a elabora\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo dos <\/p>\n<p>valores das benfeitorias, requerimento que foi deferido no <\/p>\n<p>despacho de fls. 275. Em atendimento ao petit\u00f3rio de fls. 274, o Sr. <\/p>\n<p>Perito apresentou complementa\u00e7\u00f5es ao laudo que julgou <\/p>\n<p>necess\u00e1rias, reservando-se a faculdade de apresentar os <\/p>\n<p>documentos requeridos. Despacho de fls. 282 intimando as partes <\/p>\n<p>a se manifestarem sobre o laudo. Petit\u00f3rio dos requeridos, \u00e0s fls. <\/p>\n<p>283\/284, se manifestando contr\u00e1rios ao n\u00e3o atendimento pelo <\/p>\n<p>perito do requerimento formulado \u00e0s fls. 274 e reiterando seja <\/p>\n<p>ordenado ao perito a fundamenta\u00e7\u00e3o do laudo. Petit\u00f3rio da <\/p>\n<p>autora, \u00e0s fls. 285, apresentando concord\u00e2ncia com o laudo <\/p>\n<p>pericial. Despacho de fls. 28000 autorizando o levantamento dos <\/p>\n<p>honor\u00e1rios periciais, determinando que os requeridos podem <\/p>\n<p>formular quesitos espec\u00edficos na forma do artigo 435 do CPC e <\/p>\n<p>designando data para instru\u00e7\u00e3o e julgamento. Agravo de <\/p>\n<p>instrumento requeridos \u00e0s fls. 20001\/20003 quando requerem a reforma <\/p>\n<p>da decis\u00e3o de fls. 28000 e discordando da fundamenta\u00e7\u00e3o do referido <\/p>\n<p>despacho. Despacho, \u00e0s fls. 20004, determinando que o agravo de <\/p>\n<p>instrumento de fls. 20001\/20003 seja remetido nos autos para posterior <\/p>\n<p>aprecia\u00e7\u00e3o pelo Tribunal ad quem. Termo de audi\u00eancia de <\/p>\n<p>instru\u00e7\u00e3o e julgamento, \u00e0s fls. 301, quando os requeridos juntaram <\/p>\n<p>instrumento de substabelecimento de procura\u00e7\u00e3o e redesignada <\/p>\n<p>audi\u00eancia ante a possibilidade de concilia\u00e7\u00e3o entre as partes. <\/p>\n<p>Petit\u00f3rio da autora, \u00e0s fls. 304\/307, quando requerem a <\/p>\n<p>intempestividade da complementa\u00e7\u00e3o do rol de testemunhas <\/p>\n<p>apresentado pelos requeridos \u00e0s fls. 300 e a atualiza\u00e7\u00e3o dos <\/p>\n<p>honor\u00e1rios para fins de dep\u00f3sito. Despacho de fls. 308, v\u00ba, <\/p>\n<p>indeferindo o requerimento de intempestividade do rol apresentado <\/p>\n<p>\u00e0s fls. 300. Termo de audi\u00eancia, \u00e0s fls. 30000: foi tomado o <\/p>\n<p>depoimento da autora (fls. 311 e verso) e da requerida Orlanda <\/p>\n<p>Panfietti Marchioni (fls. 312 e verso), a autora desistiu do <\/p>\n<p>depoimento pessoal dos demais r\u00e9us, pedido que foi deferido, e foi <\/p>\n<p>designada audi\u00eancia, em continua\u00e7\u00e3o, com a intima\u00e7\u00e3o das <\/p>\n<p>testemunhas. Termo de audi\u00eancia, \u00e0s fls. 321: foram ouvidas as <\/p>\n<p>testemunhas Jos\u00e9 Maria Fernandes (fls. 322 e verso), Nilson Pires <\/p>\n<p>(fls. 323) e Valdemar Baconcelo (fls. 323, v\u00ba); os requeridos <\/p>\n<p>insistem no depoimento de Jos\u00e9 Domingos Cordeiro; foi <\/p>\n<p>determinado que se aguardassem o retorno das precat\u00f3rias para <\/p>\n<p>nova designa\u00e7\u00e3o; a autora n\u00e3o imp\u00f5e \u00f3bice a produ\u00e7\u00e3o de prova <\/p>\n<p>testemunhal antes da audi\u00eancia deprecada. Foram ouvidas <\/p>\n<p>testemunhas por precat\u00f3ria \u00e0s fls. 336\/337, 337\/338, 338, v\u00ba\/ 33000, <\/p>\n<p>v\u00ba, 33000, v\u00ba\/340 e 340\/341. Petit\u00f3rio da autora, \u00e0s fls. 351, <\/p>\n<p>requerendo designa\u00e7\u00e3o de nova data para ouvida de testemunha, <\/p>\n<p>requerimento que foi deferido. Foi ouvida testemunhas dos <\/p>\n<p>requeridos, por precat\u00f3ria, \u00e0s fls. 35000. Juntada de Ac\u00f3rd\u00e3o do <\/p>\n<p>Tribunal de Justi\u00e7a, \u00e0s fls. 363\/367, julgando improcedente o <\/p>\n<p>agravo de instrumento interposto contra o despacho saneador. <\/p>\n<p>Despacho, \u00e0s fls. 368, determinando o fim da instru\u00e7\u00e3o e <\/p>\n<p>concedendo prazo de 20 dias para que as partes apresentem <\/p>\n<p>alega\u00e7\u00f5es finais. Petit\u00f3rio dos requeridos, \u00e0s fls. 36000, reiterando <\/p>\n<p>pedido para inquiri\u00e7\u00e3o de uma testemunha faltante em virtude de <\/p>\n<p>acidente automobil\u00edstico. Petit\u00f3rio da autora, \u00e0s fls. 371, se <\/p>\n<p>manifestando contr\u00e1ria a inquiri\u00e7\u00e3o da testemunha faltante. <\/p>\n<p>Despacho de fls. 372, deferindo o pedido de ouvida da testemunha <\/p>\n<p>faltante. Juntada de Ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a, \u00e0s fls. <\/p>\n<p>373\/375, dando provimento ao agravo de instrumento de <\/p>\n<p>impugna\u00e7\u00e3o ao valor da causa. Termo de delibera\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>audi\u00eancia, \u00e0s fls. 383, v\u00ba, quando foi ouvida a testemunha faltante; <\/p>\n<p>foi deferida a juntada de fotografia com a fam\u00edlia do de cujus <\/p>\n<p>(petit\u00f3rio de fls. 384), a qual foi impugnada pela parte contr\u00e1ria; <\/p>\n<p>deferido prazo de quinze dias para apresenta\u00e7\u00e3o de memoriais. <\/p>\n<p>Petit\u00f3rio dos requeridos, \u00e0s fls. 30002, requerendo concess\u00e3o de <\/p>\n<p>novo prazo para apresenta\u00e7\u00e3o de memoriais e recusando qualquer <\/p>\n<p>memorial que venha a ser apresentado pela autora porque <\/p>\n<p>extempor\u00e2neo, requerimento que foi deferido \u00e0s fls. 30003. <\/p>\n<p>Apresenta\u00e7\u00e3o de memoriais: A autora desistiu do pedido referente <\/p>\n<p>aos bens m\u00f3veis face a dificuldade de obten\u00e7\u00e3o de prova <\/p>\n<p>documental, no entanto, alega que a simula\u00e7\u00e3o est\u00e1 <\/p>\n<p>suficientemente demonstrada pela declara\u00e7\u00e3o do imposto de <\/p>\n<p>renda; que a documenta\u00e7\u00e3o acostada nos autos pela autora mais <\/p>\n<p>as provas documentais e testemunhais comprovam que era o <\/p>\n<p>genitor da autora quem comparecia e acertava os neg\u00f3cios e <\/p>\n<p>depois transferia para seus filhos, o que caracteriza a doa\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>inoficiosa da qual foi exclu\u00edda a autora, raz\u00e3o suficiente para <\/p>\n<p>demonstrar que houve a simula\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o pela qual requer a <\/p>\n<p>proced\u00eancia da inicial para reconhecer a simula\u00e7\u00e3o dos atos <\/p>\n<p>conforme o pedido nas letras a, b e c do requerimento final da <\/p>\n<p>pe\u00e7a vestibular. Os requeridos peticionam (fls. 402) para que seja <\/p>\n<p>desentranhado o memorial da autora por ser extempor\u00e2neo; que a <\/p>\n<p>pretens\u00e3o da autora se limita somente aos bens que julga ter <\/p>\n<p>direito e n\u00e3o o total do patrim\u00f4nio dos requeridos; que afora a <\/p>\n<p>doa\u00e7\u00e3o que admitem terem recebidos nenhum outro bem <\/p>\n<p>receberam de seus pais; que as provas documentais trazidas pela <\/p>\n<p>autora n\u00e3o tem nenhum valor probante; que a autora provou a <\/p>\n<p>capacidade patrimonial do de cujus; que os bens dos requeridos <\/p>\n<p>nunca estiveram no patrim\u00f4nio do falecido; que deve a autora ser <\/p>\n<p>condenada na verba honor\u00e1ria por renunciar ao pedido sobre os <\/p>\n<p>bens m\u00f3veis; ratificam os argumentos da contesta\u00e7\u00e3o e os agravos <\/p>\n<p>retidos de fls. 256\/258 e 20001\/20003 e requerem a improced\u00eancia do <\/p>\n<p>pedido. O requerido Jos\u00e9 Marchioni apresenta memorial (fls. <\/p>\n<p>424\/427) quando requer a improced\u00eancia do pedido pela <\/p>\n<p>prescri\u00e7\u00e3o.&#8217;  <\/p>\n<p>Acrescento que o douto Juiz a quo julgou parcialmente procedente <\/p>\n<p>a presente a\u00e7\u00e3o de simula\u00e7\u00e3o cumulada com a de sonegados <\/p>\n<p>proposta, a fim de declarar nulos os neg\u00f3cios de compra e venda <\/p>\n<p>representados pelos documentos de fls. 5000\/60, 68, 70\/72, 76\/78 e <\/p>\n<p>80, em virtude de v\u00edcio de simula\u00e7\u00e3o, determinando por <\/p>\n<p>conseq\u00fc\u00eancia que tais bens im\u00f3veis e seus acess\u00f3rios sejam <\/p>\n<p>trazidos \u00e0 cola\u00e7\u00e3o para que integrem a massa do esp\u00f3lio de <\/p>\n<p>Orlando Marchioni. Outrossim, julga improcedente a a\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>sonegados por falta de possibilidade jur\u00eddica do pedido. Em <\/p>\n<p>virtude da sucumb\u00eancia em parte m\u00ednima, foram os requeridos <\/p>\n<p>condenados ao pagamento das custas e despesas processuais e nos <\/p>\n<p>honor\u00e1rios advocat\u00edcios fixados em 10% (dez por cento) sobre o <\/p>\n<p>valor da causa (fls. 431\/437 e fls. 448\/44000). <\/p>\n<p>Irresignada apela a autora Aparecida Marchioni Nascimento <\/p>\n<p>postulando pela manten\u00e7a da primeira senten\u00e7a de fls. 431\/442, <\/p>\n<p>em raz\u00e3o do equ\u00edvoco interpretativo da senten\u00e7a de fls. 447\/44000, <\/p>\n<p>onde ap\u00f3s a interposi\u00e7\u00e3o de embargos de declara\u00e7\u00e3o o Juiz <\/p>\n<p>monocr\u00e1tico excluiu da simula\u00e7\u00e3o os bens constantes de fls. 43\/47, <\/p>\n<p>4000\/51, 53\/57 e 64\/66, mas argumenta que ficou provado nos autos <\/p>\n<p>que referidos bens tamb\u00e9m tiveram suas aquisi\u00e7\u00f5es viciadas, <\/p>\n<p>causando preju\u00edzos \u00e0 ora apelante. <\/p>\n<p>Os primeiros r\u00e9us Orlanda Panfietti Marchioni, Jo\u00e3o Marchioni, <\/p>\n<p>Euclides Marchioni e c\u00f4njuges pleiteiam em suas raz\u00f5es de <\/p>\n<p>apela\u00e7\u00e3o (fls. 462\/474) a reforma da senten\u00e7a de fls. 431\/442, <\/p>\n<p>suplementada pelo julgamento de embargos declarat\u00f3rios \u00e0s fls. <\/p>\n<p>447\/44000, onde aguardam a reforma da r. senten\u00e7a recorrida e a <\/p>\n<p>total improced\u00eancia do pedido, com a invers\u00e3o do \u00f4nus da <\/p>\n<p>sucumb\u00eancia, pois foi a apelada vencida na causa; e que no curso <\/p>\n<p>do processo a apelada desistiu do pedido de sonegados em rela\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>a todos os bens, e do pedido da a\u00e7\u00e3o de simula\u00e7\u00e3o referente aos <\/p>\n<p>bens m\u00f3veis. Acrescentando sen\u00e3o pela desist\u00eancia, j\u00e1 que esta <\/p>\n<p>atrai a responsabilidade pela verba honor\u00e1ria, ent\u00e3o pela <\/p>\n<p>sucumb\u00eancia, \u00e9 justo que a apelada responda pelo pagamento da <\/p>\n<p>verba honor\u00e1ria, anotando-se que a presente a\u00e7\u00e3o \u00e9 de natureza <\/p>\n<p>declarat\u00f3ria onde incide o art. 20, \u00a7 4\u00ba do CPC; em suas raz\u00f5es os <\/p>\n<p>segundos r\u00e9us (fls. 476\/484) propugnam pela reforma da senten\u00e7a <\/p>\n<p>ora atacada, com a improced\u00eancia do pedido inicial, posto que os <\/p>\n<p>recorridos provaram \u00e0 sociedade que o patrim\u00f4nio \u00e9 fruto <\/p>\n<p>exclusivo de seu esfor\u00e7o e o conjunto probat\u00f3rio baseia-se em <\/p>\n<p>documentos aut\u00eanticos p\u00fablicos e particulares, e que a douta <\/p>\n<p>senten\u00e7a limitou-se a examinar combatidos pap\u00e9is, sem valor, <\/p>\n<p>raz\u00f5es pelas quais requerem a proced\u00eancia do apelo.  <\/p>\n<p>Contra-raz\u00f5es dos apelados-r\u00e9us, \u00e0s fls. 488\/40006 e 40007\/4000000 onde <\/p>\n<p>pleiteiam pelo improvimento do recurso da autora, reconhecida a <\/p>\n<p>prescri\u00e7\u00e3o como preliminar de m\u00e9rito. <\/p>\n<p>A autora n\u00e3o apresentou contra-raz\u00f5es e os primeiros r\u00e9us n\u00e3o <\/p>\n<p>pediram a aprecia\u00e7\u00e3o dos agravos retidos de fls. 256\/258 e de fls. <\/p>\n<p>20001\/20003.&quot;<\/p>\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Paran\u00e1 deu provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>da autora e parcial provimento ao dos r\u00e9us, em ac\u00f3rd\u00e3o assim <\/p>\n<p>ementado (fls. 53000\/540):<\/p>\n<p>&quot;ORDIN\u00c1RIA DE SIMULA\u00c7\u00c3O &#8211; COMPRA E VENDA <\/p>\n<p>MASCARANDO DOA\u00c7\u00c3O &#8211; PROVA &#8211; IND\u00cdCIOS &#8211; <\/p>\n<p>PROCED\u00caNCIA CONFIRMADA. <\/p>\n<p>Como na simula\u00e7\u00e3o, raras vezes a prova do acordo simulat\u00f3rio <\/p>\n<p>ser\u00e1 direta, admitem-se os ind\u00edcios como meio de prova, devendo <\/p>\n<p>ser graves, precisos e concordantes entre si, para induzir a <\/p>\n<p>persuas\u00e3o do fato. <\/p>\n<p>PRESCRI\u00c7\u00c3O &#8211; PRAZO &#8211; BREVE TEMPORIS &#8211; INCID\u00caNCIA &#8211; <\/p>\n<p>APELA\u00c7\u00c3O DA REQUENTE PROVIDA. <\/p>\n<p>Tratando-se de direitos heredit\u00e1rios que s\u00f3 podem ser discutidos <\/p>\n<p>ap\u00f3s a morte daquele que causou preju\u00edzo a um dos herdeiros, o <\/p>\n<p>prazo prescricional \u00e9 o quadrienal previsto no artigo 178, \u00a7 000\u00ba, V, <\/p>\n<p>b, do C\u00f3digo Civil. <\/p>\n<p>HONOR\u00c1RIOS ADVOCAT\u00cdCIOS &#8211; REQUERENTE <\/p>\n<p>PARCIALMENTE VENCIDA &#8211; REPARTI\u00c7\u00c3O DA <\/p>\n<p>SUCUMB\u00caNCIA. <\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o mais justa \u00e9 repartir a sucumb\u00eancia, metade para cada <\/p>\n<p>litigante, diante da reciprocidade da vit\u00f3ria e da derrota, para que <\/p>\n<p>sejam proporcionalmente distribu\u00eddos e compensados entre eles os <\/p>\n<p>honor\u00e1rios e as despesas, ex vi do disposto no artigo 21 do C\u00f3digo <\/p>\n<p>Processual Civil. <\/p>\n<p>APELA\u00c7\u00c3O DA REQUERENTE PROVIDA. APELA\u00c7\u00c3O DOS <\/p>\n<p>REQUERIDOS PARCIALMENTE PROVIDA. &quot;<\/p>\n<p>Opostos embargos de declara\u00e7\u00e3o pelos r\u00e9us (fls. 560\/564), foram eles <\/p>\n<p>rejeitados \u00e0s fls. 572\/575.<\/p>\n<\/p>\n<p>Inconformados, os r\u00e9us, Orlanda Panfietti Marchioni e outros <\/p>\n<p>interp\u00f5em, com base nas letras \u201ca\u201d e \u201cc\u201d do art. 105, III, da <\/p>\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal, recurso especial alegando, em preliminar, que o <\/p>\n<p>Tribunal se omitiu no enfrentamento das quest\u00f5es suscitadas nos <\/p>\n<p>aclarat\u00f3rios, violando o art. 535, II, do CPC.<\/p>\n<\/p>\n<p>No m\u00e9rito, sustentam os recorrentes que o ac\u00f3rd\u00e3o contrariou o art. <\/p>\n<p>1.70002, par\u00e1grafo 2\u00ba, do C\u00f3digo Civil anterior, eis que n\u00e3o \u00e9 o caso de <\/p>\n<p>se trazer os bens \u00e0 cola\u00e7\u00e3o, mas o de colacionar o valor dos bens ou o <\/p>\n<p>da terra nua, exclu\u00edda toda e qualquer benfeitoria que passou a <\/p>\n<p>integr\u00e1-lo, salientando que h\u00e1 hip\u00f3tese de ser mantido o entendimento <\/p>\n<p>de que os im\u00f3veis adquiridos por eles o foram com dinheiro adiantado <\/p>\n<p>por seu pai; que dever\u00e1 ser colacionado o equivalente em dinheiro e <\/p>\n<p>n\u00e3o o bem comprado com o numer\u00e1rio.<\/p>\n<\/p>\n<p>Acrescentam que igualmente restou contrariado o art. 21 do CPC, <\/p>\n<p>porquanto a autora n\u00e3o apenas foi vencida na a\u00e7\u00e3o de sonegados, <\/p>\n<p>como em parte, na a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, destacando que o pleito inicial <\/p>\n<p>envolvia diversos bens m\u00f3veis, como tratores, colheitadeiras, etc, e 15 <\/p>\n<p>im\u00f3veis, sendo que apenas 8 deles tiveram anulados os neg\u00f3cios <\/p>\n<p>jur\u00eddicos. Assim, concluem, a autora-recorrida ficou inteiramente <\/p>\n<p>vencida na a\u00e7\u00e3o de sonegados e na outra, anulat\u00f3ria, logrou \u00eaxito em <\/p>\n<p>menos da metade de sua pretens\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>Acrescentam, agora com apoio em diss\u00eddio jurisprudencial, que a <\/p>\n<p>prescri\u00e7\u00e3o \u00e9 de vinte anos contada da data do ato, de modo que <\/p>\n<p>ultrapassado o lapso por n\u00e3o se cuidar de direito sucess\u00f3rio, mas de <\/p>\n<p>anula\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cio entre ascendente e descendente, inclusive porque <\/p>\n<p>pode a a\u00e7\u00e3o ser proposta quando ainda vivo o ascendente, apontando, <\/p>\n<p>al\u00e9m de paradigmas, a S\u00famula n. 40004 do C. STF, na interpreta\u00e7\u00e3o dos <\/p>\n<p>arts. 177 e 178, par\u00e1grafo 000\u00ba, V, letra \u201cb\u201d, do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n<\/p>\n<p>Contra-raz\u00f5es \u00e0s fls. 636\/641, dizendo que n\u00e3o h\u00e1 nulidade no <\/p>\n<p>ac\u00f3rd\u00e3o, posto que a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional foi oferecida e que os <\/p>\n<p>aclarat\u00f3rios tinham prop\u00f3sito infringente. Com rela\u00e7\u00e3o ao art. 1.70002, <\/p>\n<p>par\u00e1grafo 2\u00ba, aponta a falta de prequestionamento, e o art. 21 do CPC <\/p>\n<p>foi respeitado. No tocante \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o, foi reconhecida a simula\u00e7\u00e3o, <\/p>\n<p>da\u00ed invi\u00e1vel o debate em vida do ascendente, portanto sendo de se <\/p>\n<p>computar o lapso prescricional a partir da sucess\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>O recurso especial foi admitido na inst\u00e2ncia de origem pelo despacho <\/p>\n<p>presidencial de fl. 643.<\/p>\n<\/p>\n<p>\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 25000.406 &#8211; PR (2000\/004800014-0)<\/p>\n<\/p>\n<p>               VOTO<\/p>\n<\/p>\n<p>EXMO. SR. MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR <\/p>\n<p>(Relator): Trata-se de recurso especial interposto pelos r\u00e9us de a\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>de simula\u00e7\u00e3o, cumulada com a de sonegados movida por Aparecida <\/p>\n<p>Marchioni Nascimento contra sua m\u00e3e, Orlanda, e seus irm\u00e3os Jo\u00e3o, <\/p>\n<p>Euclides e Jos\u00e9, e respectivos c\u00f4njuges, objetivando, litteris (fl. 14):<\/p>\n<p>\u201ca) Condenando os Requeridos \u00e0 pena de sonegados, com a <\/p>\n<p>conseq\u00fcente perda em favor dos Requerentes, da metade dos bens <\/p>\n<p>recebidos do falecido Orlando Marchioni, assim como tamb\u00e9m dos <\/p>\n<p>frutos que dever\u00e3o ser partilhados entre os Requerentes, atrav\u00e9s <\/p>\n<p>liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a;<\/p>\n<p>b) Condenando os Requeridos  a trazerem ao monte heredit\u00e1rio a <\/p>\n<p>metade dos bens e frutos para o efeito de partilha entre todos os <\/p>\n<p>filhos do de cujus, com a observ\u00e2ncia e respeito da igualdade das <\/p>\n<p>leg\u00edtimas;<\/p>\n<p>c) Reconhecer-se a nulidade de todos os atos simulados, constantes <\/p>\n<p>das escrituras p\u00fablicas em que o de cujus adquiriu ou participou <\/p>\n<p>da aquisi\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis rurais e urbanos, e que passar\u00e3o a <\/p>\n<p>integrar os bens do esp\u00f3lio;<\/p>\n<p>d) A condena\u00e7\u00e3o dos Requeridos ao pagamento das custas e <\/p>\n<p>despesas processuais, honor\u00e1rios periciais, verba honor\u00e1ria de <\/p>\n<p>20% sobre o valor da a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Afastada a preliminar de prescri\u00e7\u00e3o, o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do <\/p>\n<p>Paran\u00e1 reconheceu a ocorr\u00eancia de simula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos im\u00f3veis <\/p>\n<p>cujos neg\u00f3cios jur\u00eddicos de compra e venda mascararam doa\u00e7\u00e3o (fls. <\/p>\n<p>547\/554).<\/p>\n<\/p>\n<p>O recurso especial, calcado em ofensa \u00e0s letras \u201ca\u201d e \u201cc\u201d do <\/p>\n<p>autorizador constitucional, suscita v\u00e1rios temas de natureza processual e <\/p>\n<p>civil.<\/p>\n<\/p>\n<p>                  II<\/p>\n<\/p>\n<p>A primeira quest\u00e3o diz respeito \u00e0 nulidade do ac\u00f3rd\u00e3o, por omiss\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>Data maxima venia, omiss\u00e3o n\u00e3o h\u00e1, porquanto os embargos de <\/p>\n<p>declara\u00e7\u00e3o pretendiam, na verdade, forcejar uma nova aprecia\u00e7\u00e3o da <\/p>\n<p>prova documental sobre dois dos im\u00f3veis (fls. 560\/561), a <\/p>\n<p>reinterpreta\u00e7\u00e3o da aplicabilidade do art. 1.70002, par\u00e1grafo 2\u00ba, do <\/p>\n<p>C\u00f3digo Civil (fl. 563) e o dimensionamento da sucumb\u00eancia (fls. <\/p>\n<p>563\/564), todos eles j\u00e1 tratados no aresto das apela\u00e7\u00f5es e reiterada a <\/p>\n<p>manifesta\u00e7\u00e3o a prop\u00f3sito no julgamento dos aclarat\u00f3rios, quanto ao <\/p>\n<p>primeiro e \u00faltimo.<\/p>\n<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 confundir-se decis\u00e3o adversa com viciada, de sorte que rejeito <\/p>\n<p>a alegada viola\u00e7\u00e3o ao art. 535, II, do CPC.<\/p>\n<\/p>\n<p>                  III<\/p>\n<\/p>\n<p>O segundo ponto debatido no especial refere-se \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>No particular, assim se expressou o voto condutor, do eminente Juiz <\/p>\n<p>convocado Dr. Marques Cury, verbis (fls. 547\/548):<\/p>\n<p>&quot;2. A requerente Aparecida Marchioni Nascimento insurge-se <\/p>\n<p>contra a r. decis\u00e3o acatada nos embargos de declara\u00e7\u00e3o, ao <\/p>\n<p>declarar que a prescri\u00e7\u00e3o atingiu as transcri\u00e7\u00f5es do registro de <\/p>\n<p>im\u00f3veis vinte anos antes da propositura da a\u00e7\u00e3o, ocorrida em <\/p>\n<p>06.11.0001, por entender que o caso em esp\u00e9cie versa sobre direito <\/p>\n<p>pessoal com prazo prescricional de 20 anos. <\/p>\n<p>Alega que como trata-se de direitos heredit\u00e1rios que s\u00f3 podem ser <\/p>\n<p>discutidos ap\u00f3s a morte daquele que causou preju\u00edzo a qualquer <\/p>\n<p>um dos herdeiros, o prazo prescricional \u00e9 regido pelo artigo 178, \u00a7 <\/p>\n<p>000\u00ba, V, b, do C\u00f3digo Civil, invocando ac\u00f3rd\u00e3o constante da RT <\/p>\n<p>613\/60. <\/p>\n<p>Acolheu o ilustre julgador monocr\u00e1tico a tese respaldada na <\/p>\n<p>S\u00famula n\u00ba 40004 do STF, doutrina colacionada \u00e0s fls. 426 e, aresto <\/p>\n<p>inserto na RT 420\/332. <\/p>\n<p>No entanto, ao meu ver, n\u00e3o \u00e9 a melhor exegese. <\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal ao revogar pela S\u00famula n\u00ba 40004, a <\/p>\n<p>S\u00famula n\u00ba 152, para os casos de anula\u00e7\u00e3o de venda de ascendente <\/p>\n<p>para descendente, alterou o prazo de quatro anos para a <\/p>\n<p>prescri\u00e7\u00e3o contados da abertura da sucess\u00e3o, para vinte anos <\/p>\n<p>contados da data do ato. <\/p>\n<p>Contudo, inaplic\u00e1vel in casu, pois cuida-se de doa\u00e7\u00e3o, <\/p>\n<p>reconhecida que foi a simula\u00e7\u00e3o da compra e venda, sendo <\/p>\n<p>invi\u00e1vel o debate ainda em vida do ascendente, diante da <\/p>\n<p>possibilidade dos herdeiros, na sucess\u00e3o heredit\u00e1ria, trazerem os <\/p>\n<p>bens \u00e0 cola\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A prescri\u00e7\u00e3o breve temporis do artigo 178, \u00a7 000\u00ba, V, b, do C\u00f3digo <\/p>\n<p>Civil, \u00e9 a que melhor se amolda \u00e0 situa\u00e7\u00e3o enfocada nestes autos, <\/p>\n<p>iniciando a partir da abertura da sucess\u00e3o por tratar-se de direitos <\/p>\n<p>sucess\u00f3rios. <\/p>\n<p>Nesse sentido, em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga: <\/p>\n<\/p>\n<p>O prazo prescricional para a a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria da escritura fundada <\/p>\n<p>em neg\u00f3cio simulado \u00e9 regido pelo art. 178, \u00a7 000\u00ba, IV, b, do CC e s\u00f3 <\/p>\n<p>come\u00e7a a fluir, tratando-se de direitos sucess\u00f3rios, a partir da <\/p>\n<p>abertura da sucess\u00e3o, posto que seriam os herdeiros partes <\/p>\n<p>ileg\u00edtimas enquanto vivo fosse o autor da heran\u00e7a. RT 613\/60.<\/p>\n<\/p>\n<p>O de cujus Orlando Marchioni faleceu em 14.06.0000 consoante <\/p>\n<p>certid\u00e3o \u00e0s fls. 17, ocorrendo a abertura do invent\u00e1rio e termo de <\/p>\n<p>compromisso do inventariante em 03.08.0000 (fls. 23), e como a a\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>deu entrada em 06.11.0001 (fls. 15), n\u00e3o transcorreu o prazo <\/p>\n<p>quadrienal para se operar a prescri\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u00c9 que incide o princ\u00edpio da actio nata, pelo qual a prescri\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>somente tem in\u00edcio no momento em que se oferece ao seu titular o <\/p>\n<p>direito de ajuizar a a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podia a autora, na condi\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>sucessora, ajuizar a a\u00e7\u00e3o quando ainda vivia seu pai, pela falta do <\/p>\n<p>interesse de agir, diante da impossibilidade de demandarem, <\/p>\n<p>firmado seu direito sobre heran\u00e7a de pessoa viva. <\/p>\n<p>Assim sendo, seu interesse de agir estava condicionado a um <\/p>\n<p>evento certo, mas de prazo de ocorr\u00eancia incerto: a abertura de <\/p>\n<p>sucess\u00e3o. <\/p>\n<p>O apelo, destarte, \u00e9 de ser provido, para afastar a prescri\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>parcial reconhecida. &quot;<\/p>\n<p>Sustentam os recorrentes que a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de quatro anos, mas <\/p>\n<p>vinten\u00e1ria, por\u00e9m computada da data do ato e tenho que raz\u00e3o lhes <\/p>\n<p>assiste.<\/p>\n<\/p>\n<p>Disp\u00f5e a S\u00famula n. 40004 do C. STF, que:<\/p>\n<p>&quot;A A\u00e7\u00e3o para anular venda de ascendente a descendente, sem <\/p>\n<p>consentimento dos demais, prescreve em vinte anos, contados da <\/p>\n<p>data do ato, revogada a Sumula 152. &quot;<\/p>\n<p>No caso dos autos, houve doa\u00e7\u00e3o inoficiosa, simulada pelo pr\u00f3prio de <\/p>\n<p>cujus, a seus filhos homens, de glebas de terras, segundo se verifica do <\/p>\n<p>ac\u00f3rd\u00e3o \u00e0s fls. 550\/553, onde, no exame do quadro probat\u00f3rio <\/p>\n<p>efetuado pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, a compra efetuada pelos herdeiros <\/p>\n<p>var\u00f5es teria, na verdade, sido realizada pelo pai, embora em nome dos <\/p>\n<p>r\u00e9us, irm\u00e3os da autora.<\/p>\n<\/p>\n<p>Destarte, a prescri\u00e7\u00e3o \u00e9 a vinten\u00e1ria, contada dos atos respectivos, de <\/p>\n<p>sorte que correta a senten\u00e7a de 1\u00ba grau, ao acolher os aclarat\u00f3rios dos <\/p>\n<p>r\u00e9us, nessas letras (fls. 447\/448):<\/p>\n<p>\u201cAssiste raz\u00e3o ao requerido Jos\u00e9 Marchioni quando propugna em <\/p>\n<p>suas alega\u00e7\u00f5es finais (v. fls. 425\/427) pela improced\u00eancia do <\/p>\n<p>pedido face a prescri\u00e7\u00e3o descrita no artigo 177 do C\u00f3digo Civil, <\/p>\n<p>verifica-se que o caso em esp\u00e9cie versa sobre direito pessoal onde <\/p>\n<p>o prazo prescricional \u00e9 de vinte (20) anos, porque a pretens\u00e3o da <\/p>\n<p>autora visa a rela\u00e7\u00e3o obrigacional realizada com v\u00edcio de <\/p>\n<p>consentimento quando da realiza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, deste modo, <\/p>\n<p>incide na hip\u00f3tese a prescri\u00e7\u00e3o vinten\u00e1ria, entendimento <\/p>\n<p>participado pela jurisprud\u00eancia quando se trata de anulabilidade <\/p>\n<p>de transcri\u00e7\u00e3o de registro de im\u00f3vel:<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8216;Anula\u00e7\u00e3o de ato jur\u00eddico &#8211; Preliminar de prescri\u00e7\u00e3o do direito de <\/p>\n<p>a\u00e7\u00e3o &#8211; Ato nulo &#8211; Aplica\u00e7\u00e3o do artigo 177 do C\u00f3digo Civil &#8211; Direito <\/p>\n<p>pessoal &#8211; rejei\u00e7\u00e3o. Visando a demanda a nulidade de ato de <\/p>\n<p>transcri\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel no registro competente, cuja a\u00e7\u00e3o \u00e9 de <\/p>\n<p>direito pessoal, a prescri\u00e7\u00e3o se perfaz em 20 anos. Transfer\u00eancia <\/p>\n<p>de im\u00f3vel &#8211; Venda por mandat\u00e1rio a c\u00f4njuge, em regime de <\/p>\n<p>comunh\u00e3o de bens &#8211; Artigo 1133, II do C\u00f3digo Civil. Restando por <\/p>\n<p>demonstrado que a venda feita pelo c\u00f4njuge virago ao var\u00e3o <\/p>\n<p>dissentou em desvantagens ao outorgante, caracterizando a real <\/p>\n<p>vontade de auferir vantagens ao outorgado casado em comunh\u00e3o <\/p>\n<p>universal de bens, nulo \u00e9 o ato. (TA\/PR &#8211; Ap. C\u00edvel n. 0076880-3 &#8211; <\/p>\n<p>Comarca de Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria &#8211; Ac. 6173 &#8211; un\u00e2n. 2\u00aa C\u00e2m. Civ. &#8211; <\/p>\n<p>Rel.: Juiz Fernando Vidal de Oliveira &#8211; j. em 2000.11.0005 &#8211; Fonte: <\/p>\n<p>DJPR, 15.12.0005, p\u00e1gs. 2000\/30).<\/p>\n<\/p>\n<p>Deste modo, deveria a senten\u00e7a ter declarado a prescri\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>referente \u00e0queles atos praticados a mais de 20 anos a contar da <\/p>\n<p>propositura da a\u00e7\u00e3o, ou seja, a senten\u00e7a deveria ter declarado a <\/p>\n<p>prescri\u00e7\u00e3o para aqueles atos anteriores a 6 de novembro de 100071. <\/p>\n<p>Ressalto ainda que o termo inicial da prescri\u00e7\u00e3o se inicia a partir <\/p>\n<p>da transcri\u00e7\u00e3o do registro de im\u00f3veis, haja visto que  tal <\/p>\n<p>circunst\u00e2ncia \u00e9 exig\u00eancia da lei como subst\u00e2ncia do ato praticado <\/p>\n<p>e ora impugnado\u201d.<\/p>\n<p>Destarte, restabele\u00e7o, no ponto, a r. senten\u00e7a monocr\u00e1tica.<\/p>\n<\/p>\n<p>                  IV<\/p>\n<\/p>\n<p>No que tange \u00e0 incid\u00eancia do art. 1.70002, par\u00e1grafo 2\u00ba, do C\u00f3digo Civil <\/p>\n<p>anterior, reza o dispositivo, que:<\/p>\n<p>\u201cArt. 1.70002. Os bens doados, ou dotados, im\u00f3veis ou m\u00f3veis, ser\u00e3o <\/p>\n<p>conferidos pelo valor certo, ou pela estima\u00e7\u00e3o que deles houver <\/p>\n<p>sido feita na data da doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p>\u00a7 2o. S\u00f3 o valor dos bens doados ou dotados entrar\u00e1 em cola\u00e7\u00e3o; <\/p>\n<p>n\u00e3o assim o das benfeitorias acrescidas, as quais pertencer\u00e3o ao <\/p>\n<p>herdeiro donat\u00e1rio, correndo tamb\u00e9m por conta deste os danos e <\/p>\n<p>perdas, que eles sofrerem\u201d.<\/p>\n<p>Afirmam os recorrentes que o bem n\u00e3o pode ser levado \u00e0 cola\u00e7\u00e3o, mas <\/p>\n<p>seu valor em dinheiro e exclu\u00eddas as benfeitorias feitas pelos mesmos.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ocorre, por\u00e9m, que se houve simula\u00e7\u00e3o e o im\u00f3vel ainda se acha em <\/p>\n<p>m\u00e3os dos r\u00e9us, deve, mesmo, o pr\u00f3prio bem ser colacionado, <\/p>\n<p>inexistindo motivo para que o seu valor \u00e9 que o seja. Isso somente se <\/p>\n<p>d\u00e1 quando j\u00e1 vendido o im\u00f3vel, ao teor do art. 1.787 da lei substantiva <\/p>\n<p>civil, que reza:<\/p>\n<p>\u201cArt. 1.787. No caso do artigo antecedente, se ao tempo do <\/p>\n<p>falecimento do doador, os donat\u00e1rios j\u00e1 n\u00e3o possu\u00edrem os bens <\/p>\n<p>doados, trar\u00e3o \u00e0 cola\u00e7\u00e3o o seu valor\u201d.<\/p>\n<p>Destarte, como a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para se <\/p>\n<p>colacionar o valor dos bens e n\u00e3o os pr\u00f3prios.<\/p>\n<\/p>\n<p>Entretanto, parece-me que assiste raz\u00e3o aos recorrentes no que tange <\/p>\n<p>\u00e0s benfeitorias, posto que, se assim n\u00e3o for, haver\u00e1 enriquecimento sem <\/p>\n<p>causa da autora.<\/p>\n<\/p>\n<p>A norma legal \u00e9 clara em preservar os melhoramentos feitos pelo <\/p>\n<p>herdeiro donat\u00e1rio, de modo que, sem que haja direito \u00e0 reten\u00e7\u00e3o, pois <\/p>\n<p>seria incompat\u00edvel com o resultado da a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, as benfeitorias <\/p>\n<p>dever\u00e3o ser consideradas na liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/p>\n<\/p>\n<p>                  V<\/p>\n<\/p>\n<p>Por derradeiro, sobeja o debate sobre a sucumb\u00eancia.<\/p>\n<\/p>\n<p>Efetivamente, agora em face da altera\u00e7\u00e3o do decisum, seja pelo <\/p>\n<p>reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o sobre os atos anteriores aos vinte anos <\/p>\n<p>do ajuizamento da a\u00e7\u00e3o, seja pela ressalva quanto \u00e0s benfeitorias nos <\/p>\n<p>demais, imp\u00f5e-se o seu redimensionamento, nos termos do art. 21 do <\/p>\n<p>CPC.<\/p>\n<\/p>\n<p>Condeno, assim, a autora, ao pagamento das custas processuais na <\/p>\n<p>base de 75% e os r\u00e9us em 25%, e os honor\u00e1rios advocat\u00edcios na <\/p>\n<p>mesma propor\u00e7\u00e3o, fixados sobre o valor atualizado da causa, e <\/p>\n<p>devidamente compensados.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ante o exposto, em conclus\u00e3o, conhe\u00e7o em parte do recurso especial e <\/p>\n<p>lhe dou provimento, para aplicar a prescri\u00e7\u00e3o vinten\u00e1ria, na forma <\/p>\n<p>acima explicitada; para que as benfeitorias realizadas nos im\u00f3veis pelos <\/p>\n<p>r\u00e9us sejam consideradas na liquida\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 1.70002, <\/p>\n<p>par\u00e1grafo 2\u00ba, do C\u00f3digo Civil; e, finalmente, para redimensionar a <\/p>\n<p>sucumb\u00eancia rec\u00edproca.<\/p>\n<\/p>\n<p>\u00c9 como voto.<\/p>\n<\/p>\n<p>         CERTID\u00c3O DE JULGAMENTO<\/p>\n<p>            QUARTA TURMA<\/p>\n<p>N\u00famero Registro: <\/p>\n<p>2000\/004800014-0<\/p>\n<p>      RESP 25000406 \/ PR<\/p>\n<\/p>\n<p>N\u00fameros Origem:  2710001  548614<\/p>\n<\/p>\n<p>PAUTA: 17\/02\/2012<\/p>\n<p>   JULGADO: 17\/02\/2012<\/p>\n<\/p>\n<p>Relator<\/p>\n<p>Exmo. Sr. Ministro  ALDIR PASSARINHO JUNIOR<\/p>\n<\/p>\n<p>Presidente da Sess\u00e3o<\/p>\n<p>Exmo. Sr. Ministro FERNANDO GON\u00c7ALVES<\/p>\n<\/p>\n<p>Subprocurador-Geral da Rep\u00fablica<\/p>\n<p>Exmo. Sr. Dr. DURVAL TADEU GUIMAR\u00c3ES<\/p>\n<\/p>\n<p>Secret\u00e1ria<\/p>\n<p>Bela. CLAUDIA AUSTREG\u00c9SILO DE ATHAYDE BECK<\/p>\n<\/p>\n<p>            AUTUA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ORLANDA PANFIETTI MARCHIONI E <\/p>\n<p>OUTROS<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ALFREDO DE ASSIS GON\u00c7ALVES NETO E <\/p>\n<p>OUTROS<\/p>\n<p>RECORRIDO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>APARECIDA MARCHIONI NASCIMENTO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>CL\u00d3VIS PINHEIRO DE SOUZA JUNIOR E <\/p>\n<p>OUTROS<\/p>\n<\/p>\n<p>ASSUNTO: Civil &#8211; Sucess\u00e3o &#8211; Invent\u00e1rio &#8211; Sonegados<\/p>\n<\/p>\n<p>               CERTID\u00c3O<\/p>\n<\/p>\n<p>Certifico que a egr\u00e9gia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em <\/p>\n<p>ep\u00edgrafe na sess\u00e3o realizada nesta data, proferiu a seguinte decis\u00e3o:<\/p>\n<\/p>\n<p>A Turma, por unanimidade, conheceu em parte do recurso e, nessa <\/p>\n<p>extens\u00e3o, deu-lhe provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro <\/p>\n<p>Relator.<\/p>\n<p>Os Srs. Ministros Jorge Scartezzini, Barros Monteiro, Cesar Asfor <\/p>\n<p>Rocha e Fernando Gon\u00e7alves votaram com o Sr. Ministro Relator.<\/p>\n<\/p>\n<p>         Bras\u00edlia, 17  de fevereiro  de 2012<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>   CLAUDIA AUSTREG\u00c9SILO DE ATHAYDE BECK<\/p>\n<p>               Secret\u00e1ria<\/p>\n<\/p>\n<p>Documento: 52600015<\/p>\n<p>Inteiro Teor do <\/p>\n<p>   Ac\u00f3rd\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; DJ: 04\/04\/2012<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 112.254 &#8211; SP (10000006\/006000084-7)<\/p>\n<\/p>\n<p>RELATOR<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>MINISTRO FERNANDO GON\u00c7ALVES<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>CL\u00d3VIS DOMINGOS DANDARO E C\u00d4NJUGE<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>JOANILSON BARBOSA DOS SANTOS E <\/p>\n<p>OUTRO<\/p>\n<p>RECORRIDO <\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ALCIDES WALDOMIRO DANDARO E <\/p>\n<p>OUTROS<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ANT\u00d4NIO ALMUSSA FILHO E OUTRO<\/p>\n<p>               EMENTA<\/p>\n<p>CIVIL. DOA\u00c7\u00c3O INOFICIOSA.<\/p>\n<p>1. A doa\u00e7\u00e3o ao descendente \u00e9 considerada inoficiosa quando <\/p>\n<p>ultrapassa a parte que poderia dispor o doador, em testamento, no <\/p>\n<p>momento da liberalidade. No caso, o doador possu\u00eda 50% dos <\/p>\n<p>im\u00f3veis, constituindo 25% a parte dispon\u00edvel, ou seja, de livre <\/p>\n<p>disposi\u00e7\u00e3o, e 25% a leg\u00edtima. Este percentual \u00e9 que deve ser dividido <\/p>\n<p>entre os 6 (seis) herdeiros, tocando a cada um 4,16%. A metade <\/p>\n<p>dispon\u00edvel \u00e9 exclu\u00edda do c\u00e1lculo.<\/p>\n<p>2. Recurso especial n\u00e3o conhecido.<\/p>\n<p>               AC\u00d3RD\u00c3O<\/p>\n<p>Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da <\/p>\n<p>Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, na conformidade dos <\/p>\n<p>votos e das notas taquigr\u00e1ficas a seguir, por unanimidade, n\u00e3o conhecer <\/p>\n<p>do recurso. Os Ministros Aldir Passarinho Junior, Jorge Scartezzini, <\/p>\n<p>Barros Monteiro e Cesar Asfor Rocha votaram com o Ministro Relator.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 16 de novembro de 2012 (data de julgamento).<\/p>\n<\/p>\n<p>MINISTRO FERNANDO GON\u00c7ALVES, Relator<\/p>\n<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 112.254 &#8211; SP (10000006\/006000084-7)<\/p>\n<p>            RELAT\u00d3RIO<\/p>\n<\/p>\n<p>EXMO. SR. MINISTRO FERNANDO GON\u00c7ALVES:<\/p>\n<p>Por CL\u00d3VIS DOMINGOS D\u00c2NDARO E DIRCE SCHIAVINATO <\/p>\n<p>D\u00c2NDARO foi ajuizada a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria contra ALCIDES <\/p>\n<p>VALDOMIRO D\u00c2NDARO, MARIA DIRCE RODRIGUES <\/p>\n<p>D\u00c2NDARO, ANTONIA MARILDA D\u00c2NDARO MAXIMINO. <\/p>\n<p>LUIZ CARLOS MAXIMINO, MARIA JOS\u00c9 D\u00c2NDARO <\/p>\n<p>RISSATO, LUIZ ARNALDO RISSATO, FATIMA AUGUSTA <\/p>\n<p>D\u00c2NDARO BONFIM, JOS\u00c9 VAZ BONFIM E ANTONIO <\/p>\n<p>PEDRO D\u00c2NDARO, visando a declara\u00e7\u00e3o de nulidade de doa\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>realizada por Domingos D\u00e2ndaro, falecido em 1000.08.87, e Dozolina <\/p>\n<p>Gemente D\u00e2ndaro, pais do primeiro requerente, na parte excedente da <\/p>\n<p>metade da qual o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor <\/p>\n<p>em testamento. O pedido foi julgado procedente, declarando nula a <\/p>\n<p>doa\u00e7\u00e3o feita para os r\u00e9us por Domingos D\u00e2ndaro, dos im\u00f3veis <\/p>\n<p>matriculados sob os n\u00bas. 21.63000, 21.640, 21.641 e 21.642, referentes <\/p>\n<p>\u00e0 parte inoficiosa, correspondente a 25% de cada um, determinando a <\/p>\n<p>expedi\u00e7\u00e3o de mandado de cancelamento ao cart\u00f3rio de Registro de <\/p>\n<p>Im\u00f3veis, ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s rejeitados embargos de declara\u00e7\u00e3o, inconformados, apelaram os <\/p>\n<p>r\u00e9us e os autores, pretendendo estes a reforma da senten\u00e7a para <\/p>\n<p>reconhecer que a parte inoficiosa \u00e9 de 8,33% dos im\u00f3veis doados e <\/p>\n<p>aqueles, preliminarmente, a decreta\u00e7\u00e3o de nulidade do decisum, em <\/p>\n<p>raz\u00e3o do julgamento antecipado da lide, e, no m\u00e9rito, a fixa\u00e7\u00e3o do <\/p>\n<p>percentual de 4,16% em rela\u00e7\u00e3o a cada im\u00f3vel.<\/p>\n<p>A Quinta C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado <\/p>\n<p>de S\u00e3o Paulo, afastando a preliminar de nulidade da senten\u00e7a , nega <\/p>\n<p>provimento ao apelo dos autores e d\u00e1 provimento ao recurso dos r\u00e9us <\/p>\n<p>em ac\u00f3rd\u00e3o assim sintetizado:<\/p>\n<p>&quot;Anulat\u00f3ria de doa\u00e7\u00e3o na parte inoficiosa. Arg\u00fci\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia <\/p>\n<p>de adiamento de leg\u00edtima em favor dos autores. Irrelev\u00e2ncia. <\/p>\n<p>Circunst\u00e2ncia se eventualmente caracterizada poder\u00e1 autorizar, <\/p>\n<p>em sede de invent\u00e1rio, a exigibilidade de cola\u00e7\u00e3o de bens. <\/p>\n<p>Inoficiosidade que deve ser reconhecida com base no patrim\u00f4nio <\/p>\n<p>existente no momento da liberalidade. Recurso dos r\u00e9us provido <\/p>\n<p>para fixa\u00e7\u00e3o do percentual de inoficiosidade que corresponde \u00e0 <\/p>\n<p>por\u00e7\u00e3o em que a leg\u00edtima do autor foi desrespeitada.&quot; (fls. 123)<\/p>\n<p>Sobreveio, ent\u00e3o, o presente recurso especial, interposto por Cl\u00f3vis <\/p>\n<p>Domingos D\u00e2ndaro e outra, com fundamento nas letras &quot;a&quot; e &quot;c&quot; do <\/p>\n<p>permissivo constitucional, assinalando viola\u00e7\u00e3o aos arts. 1.178 e 1.70000, <\/p>\n<p>ambos do C\u00f3digo Civil, bem como diss\u00eddio pretoriano, pedindo, ao <\/p>\n<p>final, que seja reconhecido como parte inoficiosa o correspondente a <\/p>\n<p>8,33% de cada um dos im\u00f3veis doados, em raz\u00e3o de a doa\u00e7\u00e3o ter sido <\/p>\n<p>realizada de ascendente para descendente, devendo ser conservado o <\/p>\n<p>direito de igualdade na heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Apresentadas as contra-raz\u00f5es e admitido o recurso na origem, <\/p>\n<p>ascenderam os autos a esta Corte, manifestando-se a douta <\/p>\n<p>Subprocuradoria-Geral da Rep\u00fablica pelo seu desprovimento.<\/p>\n<p>\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>RECURSO ESPECIAL N\u00ba 112.254 &#8211; SP (10000006\/006000084-7)<\/p>\n<p>               VOTO<\/p>\n<\/p>\n<p>EXMO. SR. MINISTRO FERNANDO GON\u00c7ALVES <\/p>\n<p>(RELATOR):<\/p>\n<p>O cerne da controv\u00e9rsia gira em torno do valor fixado pelo Tribunal de <\/p>\n<p>origem, relativo \u00e0 parte inoficiosa da doa\u00e7\u00e3o, correspondente a 4,16% <\/p>\n<p>de cada um dos im\u00f3veis doados, valendo transcrever excerto do <\/p>\n<p>ac\u00f3rd\u00e3o recorrido ao asseverar:<\/p>\n<p>&quot;Observe-se que a nulidade, na forma do artigo 1.176 do C\u00f3digo <\/p>\n<p>Civil, existe t\u00e3o-somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parte que exceder \u00e0 de que <\/p>\n<p>o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em <\/p>\n<p>testamento.<\/p>\n<p>&quot;\u00c9 nula, pois, insista-se, a doa\u00e7\u00e3o na parte que vulnera a leg\u00edtima <\/p>\n<p>e que se chama inoficiosa; mas, a nulidade s\u00f3 atinge a por\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>excedente, no que tem de imodesta, no excesso da leg\u00edtima; a <\/p>\n<p>liberalidade dever\u00e1 ser assim reduzida \u00e0s devidas propor\u00e7\u00f5es&quot; <\/p>\n<p>(Washington de Barros Monteiro, Curso de Direito Civil, Saraiva, <\/p>\n<p>100075, p\u00e1gina 127).<\/p>\n<p>Deve-se consignar que na sistem\u00e1tica do C\u00f3digo Civil, inexiste <\/p>\n<p>qualquer impedimento \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o pelo doador de sua parte <\/p>\n<p>dispon\u00edvel, mesmo que for em benef\u00edcio de seus herdeiros. Tanto <\/p>\n<p>assim que como preleciona S\u00edlvio Rodrigues nada impede ao <\/p>\n<p>testador &quot;declarar que a gratifica\u00e7\u00e3o, levada a efeito em vida, se <\/p>\n<p>deve incluir em sua metade dispon\u00edvel, pois, \u00e9 seu prop\u00f3sito melhor <\/p>\n<p>aquinhoar determinado herdeiro, em detrimento dos outros&quot; <\/p>\n<p>(S\u00edlvio Rodrigues, in Direito Civil, Volume 7, Direito das <\/p>\n<p>Sucess\u00f5es, Saraiva, 100075, p\u00e1gina 287).<\/p>\n<p>V\u00ea-se que a quota dispon\u00edvel \u00e9 &quot;a por\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio do finado <\/p>\n<p>de que pode ele dispor, por testamento, sem qualquer restri\u00e7\u00e3o&quot; <\/p>\n<p>(S\u00edlvio Rodrigues, in Direito Civil, Volume 7, Direito das <\/p>\n<p>Sucess\u00f5es, Saraiva, 100075, p\u00e1gina 1000000).<\/p>\n<p>O mesmo conceito de quota dispon\u00edvel \u00e9 aplic\u00e1vel, no caso de <\/p>\n<p>disposi\u00e7\u00e3o por doa\u00e7\u00e3o, em face ao que decorre do artigo 1.176 do <\/p>\n<p>C\u00f3digo Civil.&quot; (fls. 12000\/130)<\/p>\n<p>&quot;O artigo 1.70000 do C\u00f3digo Civil estabelece que &quot;o que renunciou \u00e0 <\/p>\n<p>heran\u00e7a, ou dela foi exclu\u00eddo, deve, n\u00e3o obstante, conferir as <\/p>\n<p>doa\u00e7\u00f5es recebidas para o fim de repor a parte inoficiosa&quot; sendo <\/p>\n<p>que o \u00a7 \u00fanico deste dispositivo ao dispor que &quot;considera-se <\/p>\n<p>inoficiosa a parte da doa\u00e7\u00e3o, ou do dote, que exceder a leg\u00edtima e <\/p>\n<p>mais a metade dispon\u00edvel&quot;, n\u00e3o constitui impedimento \u00e0 livre <\/p>\n<p>disposi\u00e7\u00e3o da parte dispon\u00edvel. Consoante ainda explica o <\/p>\n<p>Professor S\u00edlvio Rodrigues &quot;a id\u00e9ia que inspira o mandamento <\/p>\n<p>legal \u00e9 a de que a liberalidade feita ao renunciante ou ao indigno <\/p>\n<p>pode ser de tal vulto que absorva n\u00e3o apenas a parte dispon\u00edvel do <\/p>\n<p>de cujus, mas tamb\u00e9m a parte da leg\u00edtima de seus herdeiros <\/p>\n<p>necess\u00e1rios. Por isso que a liberalidade deve ser conferida, para o <\/p>\n<p>fim de ser ela reduzida ao limite legal, ou seja, para o fim de <\/p>\n<p>reportar-se a parte inoficiosa. Parte inoficiosa \u00e9 a que excede \u00e0 <\/p>\n<p>leg\u00edtima do descendente, mais a por\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel do testador&quot; <\/p>\n<p>(Obra citada, p\u00e1gina 287).&quot; (fls. 130\/131)<\/p>\n<p>&quot;O artigo 1.178 \u00e9 norma jur\u00eddica inserta no Livro III do C\u00f3digo <\/p>\n<p>Civil relativo ao Direito das Obriga\u00e7\u00f5es e traz disposi\u00e7\u00e3o geral a <\/p>\n<p>respeito do contrato de doa\u00e7\u00e3o, sem qualquer conte\u00fado voltado ao <\/p>\n<p>direito sucess\u00f3rio, ou especificamente no tocante \u00e0 isonomia entre <\/p>\n<p>filhos e herdeiros. A regra simplesmente estabelece que salvo <\/p>\n<p>disposi\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio, a doa\u00e7\u00e3o em comum a mais de uma <\/p>\n<p>pessoa entende-se distribu\u00edda entre elas por igual. Isto quer dizer <\/p>\n<p>que a norma atinge os donat\u00e1rios que s\u00e3o partes no contrato de <\/p>\n<p>doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Destarte, a disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem qualquer proveito relativamente <\/p>\n<p>aos autores que n\u00e3o s\u00e3o partes no impugnado contrato de <\/p>\n<p>doa\u00e7\u00e3o.&quot; (fls. 131\/132) <\/p>\n<p>&quot;O doador falecido possu\u00eda 50% dos im\u00f3veis, e portanto, a divis\u00e3o <\/p>\n<p>dever\u00e1 ser feita na seguinte forma: 25% constituem a parte <\/p>\n<p>dispon\u00edvel e que poderia ser objeto integral de doa\u00e7\u00e3o. Os outros <\/p>\n<p>25% constituem a leg\u00edtima dos herdeiros necess\u00e1rios. No que se <\/p>\n<p>refere a estes \u00faltimos 25% (leg\u00edtima), o mesmo deve ser dividido <\/p>\n<p>entre os seis herdeiros, cabendo a cada um 4,16%.&quot; (fls. 132)<\/p>\n<p>De in\u00edcio, consoante ressaltado no julgado a quo, n\u00e3o h\u00e1 falar em <\/p>\n<p>viola\u00e7\u00e3o ao art. 1.178 do C\u00f3digo Civil, que versa sobre mat\u00e9ria alheia <\/p>\n<p>\u00e0s quest\u00f5es debatidas nos autos, referentes \u00e0 sucess\u00e3o.<\/p>\n<p>Outrossim, aplic\u00e1vel ao caso em tela do disposto no art. 1.70000 do <\/p>\n<p>C\u00f3digo Civil, porquanto cuida a esp\u00e9cie de doa\u00e7\u00e3o de ascendente para <\/p>\n<p>descendentes, das quais pretendem os recorrentes seja reconhecida a <\/p>\n<p>parte inoficiosa.<\/p>\n<p>Entretanto, o c\u00e1lculo a ser realizado \u00e9 diverso daquele declinado nas <\/p>\n<p>raz\u00f5es de recurso, onde pretendido o reconhecimento como parte <\/p>\n<p>inoficiosa o percentual de 8,33% de cada um dos im\u00f3veis doados, <\/p>\n<p>como forma de manuten\u00e7\u00e3o do direito de igualdade na heran\u00e7a.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, vale transcrever a li\u00e7\u00e3o de S\u00edlvio Venosa, in Direito das <\/p>\n<p>Sucess\u00f5es, Ed. Atlas, edi\u00e7\u00e3o de 2012, verbis:<\/p>\n<p>&quot;A doa\u00e7\u00e3o ao descendente ser\u00e1 considerada inoficiosa quando for <\/p>\n<p>superior a sua parte leg\u00edtima, mais a parte dispon\u00edvel. A invalidade <\/p>\n<p>n\u00e3o \u00e9 total. S\u00f3 no que suplantar esse c\u00e1lculo aritm\u00e9tico. Nesse <\/p>\n<p>caso, \u00e9 feita a redu\u00e7\u00e3o at\u00e9 caber nesse limite. Os sucessores <\/p>\n<p>nomeados no testamento s\u00f3 recebem se sobrar patrim\u00f4nio ap\u00f3s <\/p>\n<p>tais redu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Consideremos o exemplo no qual existem dois filhos. A doa\u00e7\u00e3o foi <\/p>\n<p>feita quando o patrim\u00f4nio do doador era de 2.000. O valor da <\/p>\n<p>doa\u00e7\u00e3o foi de 1.600. H\u00e1 uma parte inoficiosa. Isso porque, quando <\/p>\n<p>da doa\u00e7\u00e3o, o titular do patrim\u00f4nio tinha como sua parte dispon\u00edvel <\/p>\n<p>o valor de 1.000 (a metade do acervo). A outra metade de 1.000 <\/p>\n<p>constitu\u00eda a leg\u00edtima dos dois filhos, cabendo 500 para cada um. A <\/p>\n<p>doa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou em 100 da leg\u00edtima do filho n\u00e3o donat\u00e1rio, <\/p>\n<p>porque o valor da mesma n\u00e3o poderia ultrapassar 1.500. A <\/p>\n<p>inoficiosidade refere-se, portanto, ao valor de 100, que deve ser <\/p>\n<p>reposto pelo herdeiro-donat\u00e1rio.&quot;<\/p>\n<\/p>\n<p>Outro n\u00e3o \u00e9 o esc\u00f3lio de Carlos Maximiliano, citado por J.M. Carvalho <\/p>\n<p>Santos, in C\u00f3digo Civil Brasileiro Interpretado, Direito das Sucess\u00f5es, <\/p>\n<p>11\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Ed. Livraria Freitas Bastos S.A:<\/p>\n<p>&quot;Considera-se inoficiosa a parte da doa\u00e7\u00e3o ou do dote, que <\/p>\n<p>exceder a leg\u00edtima e mais a por\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel. O C\u00f3digo define <\/p>\n<p>aqui o que seja parte inoficiosa, a cuja reposi\u00e7\u00e3o est\u00e3o obrigados <\/p>\n<p>o indigno e o renunciante, por incidir a doa\u00e7\u00e3o em tais condi\u00e7\u00f5es  <\/p>\n<p>s\u00f4bre a parte indispon\u00edvel da heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Conforme assinala CARLOS MAXIMILIANO, a lei completou, <\/p>\n<p>neste dispositivo, em prol do renunciante da heran\u00e7a, o <\/p>\n<p>determinado no art. 1.176: enquanto \u00easte retira aos donat\u00e1rios o <\/p>\n<p>que n\u00e3o cabe na cota dispon\u00edvel, aqu\u00eale conserva em poder do <\/p>\n<p>renunciante o que n\u00e3o vai al\u00e9m da soma da cota referida com a <\/p>\n<p>leg\u00edtima (Obra e loc. cits.).<\/p>\n<p>Esclarece, abaixo, que n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o entre os dois textos: <\/p>\n<p>&quot;Em verdade, os atos ben\u00e9ficos jamais poder\u00e3o prejudicar a <\/p>\n<p>leg\u00edtima; por isso, o primeiro preceito anula a parcela excedente <\/p>\n<p>da cota dispon\u00edvel; por\u00e9m o herdeiro necess\u00e1rio tem direito \u00e0 <\/p>\n<p>reserva; logo prevalece a d\u00e1diva que cabe na sua leg\u00edtima e como <\/p>\n<p>tamb\u00e9m \u00e9 l\u00edcito a cada um a metade do seu patrim\u00f4nio, segue-se a <\/p>\n<p>conclus\u00e3o de ser v\u00e1lido o dom igual em valor \u00e0 soma da reserva <\/p>\n<p>individual do filho com a \u00edntegra da cota dispon\u00edvel do esp\u00f3lio&quot; <\/p>\n<p>(Obra e loc. cits, a nota 3)&quot;<\/p>\n<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, adequado o c\u00e1lculo do ven. ac\u00f3rd\u00e3o, porquanto apenas se pode <\/p>\n<p>reputar inoficiosa a doa\u00e7\u00e3o naquilo que ultrapassa a parte de que <\/p>\n<p>poderia dispor o doador, em testamento, no momento da liberalidade. <\/p>\n<p>Como j\u00e1 declinado, o doador, na dic\u00e7\u00e3o do julgado, possu\u00eda 50% dos <\/p>\n<p>im\u00f3veis, constituindo 25% a parte dispon\u00edvel, ou seja, de livre <\/p>\n<p>disposi\u00e7\u00e3o, e 25% a leg\u00edtima. Este percentual \u00e9 que deve ser dividido <\/p>\n<p>entre os 6 (seis) herdeiros, tocando a cada um 4,16%. A metade <\/p>\n<p>dispon\u00edvel \u00e9 exclu\u00edda do c\u00e1lculo.<\/p>\n<p>Quanto ao dissenso pretoriano, como bem lembrado no despacho de <\/p>\n<p>admissibilidade, aplica-se a s\u00famula 13 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, <\/p>\n<p>porquanto o ac\u00f3rd\u00e3o paradigma, a exemplo do julgado recorrido, \u00e9 <\/p>\n<p>tamb\u00e9m do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o do recurso.<\/p>\n<\/p>\n<p>         CERTID\u00c3O DE JULGAMENTO<\/p>\n<p>            QUARTA TURMA<\/p>\n<p>N\u00famero Registro: <\/p>\n<p>10000006\/006000084-7<\/p>\n<p>      RESP 112254 \/ SP<\/p>\n<\/p>\n<p>N\u00fameros Origem:  12740003  254350001<\/p>\n<\/p>\n<p>PAUTA: 16\/11\/2012<\/p>\n<p>   JULGADO: 16\/11\/2012<\/p>\n<\/p>\n<p>Relator<\/p>\n<p>Exmo. Sr. Ministro  FERNANDO GON\u00c7ALVES<\/p>\n<\/p>\n<p>Presidente da Sess\u00e3o<\/p>\n<p>Exmo. Sr. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR<\/p>\n<\/p>\n<p>Subprocurador-Geral da Rep\u00fablica<\/p>\n<p>Exmo. Sr. Dr. ANT\u00d4NIO CARLOS PESSOA LINS<\/p>\n<\/p>\n<p>Secret\u00e1ria<\/p>\n<p>Bela. CLAUDIA AUSTREG\u00c9SILO DE ATHAYDE BECK<\/p>\n<\/p>\n<p>            AUTUA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<\/p>\n<p>RECORRENTE<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>CL\u00d3VIS DOMINGOS DANDARO E <\/p>\n<p>C\u00d4NJUGE<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>JOANILSON BARBOSA DOS SANTOS E <\/p>\n<p>OUTRO<\/p>\n<p>RECORRIDO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ALCIDES WALDOMIRO DANDARO E <\/p>\n<p>OUTROS<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>ANT\u00d4NIO ALMUSSA FILHO E OUTRO<\/p>\n<\/p>\n<p>ASSUNTO: Civil &#8211; Contrato &#8211; Doa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/p>\n<p>               CERTID\u00c3O<\/p>\n<\/p>\n<p>Certifico que a egr\u00e9gia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em <\/p>\n<p>ep\u00edgrafe na sess\u00e3o realizada nesta data, proferiu a seguinte decis\u00e3o:<\/p>\n<\/p>\n<p>A Turma, por unanimidade, n\u00e3o conheceu do recurso, nos termos do <\/p>\n<p>voto do Sr. Ministro Relator.<\/p>\n<p>Os Srs. Ministros Aldir Passarinho Junior, Jorge Scartezzini, Barros <\/p>\n<p>Monteiro e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.<\/p>\n<\/p>\n<p>O referido \u00e9 verdade. Dou f\u00e9.<\/p>\n<\/p>\n<p>         Bras\u00edlia, 16  de novembro  de 2012<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>   CLAUDIA AUSTREG\u00c9SILO DE ATHAYDE BECK<\/p>\n<p>               Secret\u00e1ria<\/p>\n<\/p>\n<p>Documento: 513475<\/p>\n<p>Inteiro Teor do <\/p>\n<p>   Ac\u00f3rd\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; DJ: 06\/12\/2012<\/p>\n<\/p>\n<p>O PEDIDO<\/p>\n<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o do exposto, com amparo no art. 1.176 c\/c 1.721 e par\u00e1grafo <\/p>\n<p>\u00fanico do art. 1.70000, todos do C\u00f3digo Civil Brasileiro, e na forma do <\/p>\n<p>art. 282 e seguintes do C\u00f3digo de Processo Civil, requer a cita\u00e7\u00e3o do <\/p>\n<p>r\u00e9u, para que conteste, caso queira, a presente a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria de <\/p>\n<p>anula\u00e7\u00e3o da parte inoficiosa da doa\u00e7\u00e3o, a qual dever\u00e1 ser julgada <\/p>\n<p>procedente, com a determina\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da parte excedente da <\/p>\n<p>dispon\u00edvel do bem doado, a fim de que o autor receba, na condi\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>herdeiro necess\u00e1rio, o quinh\u00e3o heredit\u00e1rio que a lei lhe confere, <\/p>\n<p>condenando-se o requerido em custas processuais, honor\u00e1rios <\/p>\n<p>advocat\u00edcios e demais comina\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n<p>Protesta por todo o g\u00eanero de provas e requer a sua produ\u00e7\u00e3o pelos <\/p>\n<p>meios admitidos em direito, como juntada de documentos, per\u00edcias, <\/p>\n<p>inquiri\u00e7\u00e3o de testemunhas e depoimento pessoal da requerida.<\/p>\n<\/p>\n<p>Valor da causa:<\/p>\n<\/p>\n<p>Nestes termos<\/p>\n<p>Pede deferimento.<\/p>\n<p>Local e data<\/p>\n<p>Assinatura do procurador.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[515],"class_list":["post-3036298","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-sucessoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/3036298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3036298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=3036298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}