{"id":3013923,"date":"2024-06-07T20:04:04","date_gmt":"2024-06-07T20:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2024-06-07T20:04:04","modified_gmt":"2024-06-07T20:04:04","slug":"contestar-pedido-de-falencia-deposito-elisivo-e-falta-de-prova-da-condicao-de-comerciante","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/contestar-pedido-de-falencia-deposito-elisivo-e-falta-de-prova-da-condicao-de-comerciante\/","title":{"rendered":"[MODELO] Contestar pedido de fal\u00eancia \u2013 Dep\u00f3sito elisivo e falta de prova da condi\u00e7\u00e3o de comerciante."},"content":{"rendered":"<p><strong>CONTESTAR -REALIZA\u00c7\u00c3O DE DEP\u00d3SITO ELISIVO<\/strong> Preliminarmente, o r\u00e9u alega a <strong>falta de prova da condi\u00e7\u00e3o de comerciante regular<\/strong> pelo autor do pedido de fal\u00eancia. Alega ainda o desvio de fun\u00e7\u00e3o do pedido de fal\u00eancia, uma vez que o <strong>autor pretende receber cr\u00e9dito fundado em t\u00edtulo que ensejaria uma execu\u00e7\u00e3o<\/strong>. Ressalta a incompatibilidade do princ\u00edpio da sucumb\u00eancia e a incid\u00eancia de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria no processo falimentar.<\/p>\n<p>EXMO. DR. JUIZ DE DIREITO DA &#8230;. VARA DE FAZENDA P\u00daBLICA, FAL\u00caNCIAS E CONCORDATAS DE &#8230;.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; (qualifica\u00e7\u00e3o), atrav\u00e9s de seu advogado, nos autos  (n\u00ba &#8230;.) de Pedido de Fal\u00eancia, em que \u00e9 R\u00e9, sendo Autora a &#8230;., comparece respeitosamente perante Vossa Excel\u00eancia para <strong>contestar<\/strong> o pedido.<\/p>\n<p>REALIZA\u00c7\u00c3O DE DEP\u00d3SITO ELISIVO<\/p>\n<p>A r\u00e9 est\u00e1 realizando, nesta mesma data, o dep\u00f3sito da quantia correspondente ao cr\u00e9dito com todos os acess\u00f3rios reclamados, para fim espec\u00edfico de elidir a fal\u00eancia (Decreto-lei n\u00ba 7.661\/45, art. 11, \u00a7 2\u00ba).<\/p>\n<p>Todavia, destaca que tal dep\u00f3sito n\u00e3o implica qualquer reconhecimento do cr\u00e9dito pretendido pela Autora. Pelo contr\u00e1rio, reputa haver s\u00e9rios \u00f3bices a tal pretens\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o que se demonstrar\u00e1 abaixo.<\/p>\n<p>AUS\u00caNCIA DE PRESSUPOSTO PROCESSUAIS<\/p>\n<p>Preliminarmente, a R\u00e9 aponta a falta de pressuposto processual.<\/p>\n<p>Compete ao credor que requerer a fal\u00eancia a comprova\u00e7\u00e3o liminar de sua qualidade de comerciante (Lei de Fal\u00eancias, art. 9\u00ba, III, c\/c art. 11, caput). Mas ainda tem o dever de comprovar sua regular situa\u00e7\u00e3o frente ao registro correspondente.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o derivada do art. 9\u00ba do Decreto-lei n\u00ba 7.661\/45, tal como abaixo reproduzido:<\/p>\n<p>&quot;Art. 9\u00ba. A fal\u00eancia pode tamb\u00e9m ser requerida:<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&quot;III- pelo credor, exibindo t\u00edtulo de seu cr\u00e9dito, ainda que n\u00e3o vencido, observadas, conforme o caso, as seguintes condi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&quot;a) o credor comerciante, com domic\u00edlio no Brasil, se provar ter firma inscrita, ou contrato ou estatutos arquivados no Registro do Com\u00e9rcio&quot;.<\/p>\n<p>Comentando tal exig\u00eancia, RUBENS REQUI\u00c3O observa que &quot;o chamado comerciante de fato, que n\u00e3o tem sua firma inscrita no registro do com\u00e9rcio, ou a sociedade irregular, cujos atos constitutivos n\u00e3o est\u00e3o ali registrados, n\u00e3o adquirem legitimidade para postular em ju\u00edzo o pedido de fal\u00eancia de seu devedor&quot; (Curso de direito Falimentar, v. I, 3\u00aa ed., p. 90).<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00e9 obrigat\u00f3rio o requerente da fal\u00eancia comprovar a regularidade e atualidade de seu registro na Junta Comercial.<\/p>\n<p>Na palavra de MIRANDA VALVERDE, &quot; &#8230; se o credor comerciante \u00e9 domiciliado no Brasil, somente ser\u00e1 admitido a requerer a fal\u00eancia se provar que exerce o com\u00e9rcio regularmente, isto \u00e9, com firma inscrita, contrato ou estatuto arquivado no Registro do Com\u00e9rcio&quot; (Coment\u00e1rios \u00e0 Lei de Fal\u00eancias, Forense, 1948, 1, p. 102).<\/p>\n<p>Ocorre que a Autora n\u00e3o produziu essa prova. Os documentos juntados \u00e0 inicial n\u00e3o trazem qualquer indica\u00e7\u00e3o de seu regular registro na Junta comercial. A Autora trouxe documento datado de 1990 &#8211; tr\u00eas anos defasado em rela\u00e7\u00e3o ao pedido.<\/p>\n<p>&quot;Data venia&quot;, seria indispens\u00e1vel a apresenta\u00e7\u00e3o de certid\u00e3o atualizada probat\u00f3ria de que a Autora se encontra regularmente inscrita perante a Junta Comercial. O arquivamento pode ter sido suspenso; podem ter ocorrido irregularidades; pode ter sido encerrada a sua atividade, etc.<\/p>\n<p>Com todo respeito, inexiste nos autos qualquer prova de que a Autora esteja regularmente registrada na Junta Comercial.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 presente, o E. TJSP entendeu ser o caso de extin\u00e7\u00e3o do processo sem julgamento de m\u00e9rito:<\/p>\n<p>&quot;FAL\u00caNCIA &#8211; Pedido por credor comerciante &#8211; Falta de prova da condi\u00e7\u00e3o de comerciante regular, com registro na Junta Comercial &#8211; Art. 9\u00ba, inc. III, a, da LF &#8211; Recurso n\u00e3o provido&quot; (Ap. C\u00edvel n\u00ba 64.884-1, 7\u00aa C. C\u00edv., Rel. Des. N\u00e9lson Schiavi &#8211; RJTJESP 101\/90).<\/p>\n<p>Ainda, constou do corpo do ac\u00f3rd\u00e3o que tal requisito &quot;Trata-se de exig\u00eancia probat\u00f3ria real que deve ser feita no limiar da a\u00e7\u00e3o, como \u00e9 da jurisprud\u00eancia (cf. RT 456\/99, 493\/108, 500\/68, 511\/205; RJTJESP, ed. LEX, 86\/100)&quot; (ob. cit., p. 91).<\/p>\n<p>Por outro lado, incidem no caso concreto as regras dos arts. 333, I, e 283, do CPC. Disp\u00f5e o art. 283 do CPC que &quot;A peti\u00e7\u00e3o inicial ser\u00e1 instru\u00edda com os documentos indispens\u00e1veis \u00e0 propositura da a\u00e7\u00e3o.&quot;<\/p>\n<p>Assim, diante da aus\u00eancia de documentos essenciais e indispens\u00e1veis, pede-se a extin\u00e7\u00e3o do processo, sem julgamento de m\u00e9rito, por falta de pressuposto processual (CPC, art. 267, IV) &#8211; com devolu\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00e9 do valor depositado.<\/p>\n<p>DESVIO DE FUN\u00c7\u00c3O DO PEDIDO DE FAL\u00caNCIA &#8211; CAR\u00caNCIA DE A\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A Autora pretende receber cr\u00e9dito fundado em t\u00edtulo que ensejaria Execu\u00e7\u00e3o. Ajuizou, no entanto, Pedido de Fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Com o devido respeito, a ado\u00e7\u00e3o de tal expediente visa apenas \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de uma forma mais violenta (data venia) de satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito. A execu\u00e7\u00e3o era o meio adequado e suficiente para a Autora atingir aos fins pretendidos.<\/p>\n<p>O valor pretendido, irris\u00f3rio se comparado com o patrim\u00f4nio da R\u00e9, jamais serviria para indicar sua insolv\u00eancia. Tanto \u00e9 assim que a R\u00e9  depositou em Ju\u00edzo um valor inclusive maior do que o cr\u00e9dito pleiteado (com todos os encargos).<\/p>\n<p>Apesar de afastada a hip\u00f3tese de insolvabilidade, a Autora requereu a fal\u00eancia.<\/p>\n<p>&quot;Data venia&quot;, lan\u00e7ar m\u00e3o do pedido de fal\u00eancia quando presum\u00edvel a solvabilidade do devedor caracteriza verdadeiro procedimento abusivo.<\/p>\n<p>Busca-se constranger o devedor a pagar (ou, quando menos, depositar) imediatamente e em dinheiro o valor pretendido &#8211; dificultando sua defesa quanto \u00e0 legitimidade ou o montante do cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma sens\u00edvel restri\u00e7\u00e3o do direito de defesa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o (que seria o instrumento correto) &#8211; seja no prazo (reduzido de dez dias ap\u00f3s a penhora para 24 horas depois da cita\u00e7\u00e3o), seja no pressuposto de garantia do ju\u00edzo (na execu\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel a indica\u00e7\u00e3o de outro bem que n\u00e3o dinheiro).<\/p>\n<p>Mais que isso, pretende-se que, pelo temor da fal\u00eancia, o devedor realize o pagamento imediato, desistindo da faculdade de apontar todos os v\u00edcios da d\u00edvida (que, em caso de execu\u00e7\u00e3o, certamente seriam ventilados atrav\u00e9s de embargos). O pr\u00f3prio fato de o cr\u00e9dito, nestas hip\u00f3teses, ser de pequena monta, contribui para o sucesso de tal artif\u00edcio.<\/p>\n<p>Ainda, tal pr\u00e1tica implica desvio de fun\u00e7\u00e3o do instituto da fal\u00eancia.<\/p>\n<p>A fal\u00eancia existe por relevantes raz\u00f5es de ordem social, a fim de assegurar a par creditorum e impedir que o comerciante insolvente continue a negociar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mera forma privilegiada de cobran\u00e7a de cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Doutrina e jurisprud\u00eancia condenam unanimemente tal conduta abusiva (data venia).<\/p>\n<p>YUSSEF CAHALI tratou da quest\u00e3o:<\/p>\n<p>&quot;Vem constituindo pr\u00e1tica rotineira &#8211; mas nem por isso digna de aplauso &#8211; o ajuizamento, nos grandes centros comerciais do pa\u00eds, de pedidos de fal\u00eancia como expediente mais c\u00e9lebre e eficaz para a satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito cambial, ainda que o requerente tenha ci\u00eancia e mesmo consci\u00eancia da solvabilidade do comerciante devedor.&quot;<\/p>\n<p>&quot;Este, embora tivesse um m\u00ednimo de bom direito para justificar o inadimplemento oportuno da obriga\u00e7\u00e3o, mas atemorizado pelo risco da eventualidade de uma senten\u00e7a de quebra que poderia decorrer de uma defesa deficiente ou de um provimento judicial menos acertado, apressa-se em fazer o dep\u00f3sito da quantia reclamada, ainda que o seja para discutir a legitimidade da pretens\u00e3o inicial&quot; (Responsabilidade Indenizat\u00f3ria do Requerente de Fal\u00eancia Denegada, in IOB &#8211; Repert\u00f3rio de Jurisprud\u00eancia Comercial, Civil e Outros, n\u00ba 02\/89, p. 34.<\/p>\n<p>CAHALI destaca ainda o quanto o Pedido de Fal\u00eancia acaba por afetar a atividade do requerido, mesmo nos casos em que h\u00e1 dep\u00f3sito elisivo:<\/p>\n<p>&quot;N\u00e3o se confundindo a a\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia com uma simples a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, mesmo que de procedimento executivo, \u00e9 manifesto que o simples pedido de quebra do comerciante, a sugerir a insolv\u00eancia do mesmo, revela-se capaz de produzir para aquele repercuss\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas das mais desfavor\u00e1veis&quot; (ob. e loc. cit.).<\/p>\n<p>Em julgamento do E. STJ, o Ministro BUENO DE SOUZA afirmou que &quot;para que o credor se utilize do pedido de fal\u00eancia pelo sistema da lei brasileira, parece-me n\u00e3o ser suficiente o fato de possuir um cr\u00e9dito, n\u00e3o basta nem mesmo o fato de ter t\u00edtulo protestado. \u00c9 preciso que se disponha a demonstrar a insolv\u00eancia do devedor estabelecido como comerciante&quot; (RSTJ 07\/312).<\/p>\n<p>E prossegue:<\/p>\n<p>&quot;O emprego indiferente de uma ou outra via, se encorajado pela jurisprud\u00eancia, cria, para o trato comercial, uma situa\u00e7\u00e3o de fraqueza para o devedor. O devedor n\u00e3o \u00e9 nenhum autor il\u00edcito, pois o d\u00e9bito \u00e9 experi\u00eancia normal da vida mercantil. Logo, como pode ser citado com prazo curt\u00edssimo para elidir o cr\u00e9dito alegado pelo credor, sob pena de, n\u00e3o o fazendo ou deixando de apresentar defesa compat\u00edvel, ter a fal\u00eancia decretada. Isto \u00e9, o credor, ao seu talante, se utiliza de um m\u00e9todo mais favor\u00e1vel e expedito que, no entanto, dificulta e agrava a situa\u00e7\u00e3o do devedor&quot; (ob. e lov. cit.).<\/p>\n<p>No mesmo julgamento, o Ministro S\u00c1LVIO DE FIGUEIREDO, seguindo o voto do Ministro BUENO DE SOUZA, declarou que &quot;A legisla\u00e7\u00e3o vigente contempla o credor com uma via r\u00e1pida, que \u00e9 a executiva, quando munido o credor de t\u00edtulo exeq\u00fc\u00edvel, mas, na pr\u00e1tica, o que se v\u00ea, na maioria das vezes, \u00e9 o credor buscando uma via ainda mais violenta para for\u00e7ar o devedor ao cumprimento de uma obriga\u00e7\u00e3o a que muitas vezes n\u00e3o deu cumprimento, tornando-se inadimplente, por motivos alheios \u00e0 sua vontade&quot; (ob. cit., p. 313).<\/p>\n<p>Caso semelhante j\u00e1 foi julgado pelo E. STF, que chegou \u00e0 seguinte decis\u00e3o:<\/p>\n<p>&quot;FAL\u00caNCIA &#8211; Requerimento que empresta fun\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a irregular ao Instituto falimentar, desviando-o de sua fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e constrangendo ilicitamente o devedor &#8211; Indeferimento da peti\u00e7\u00e3o inicial que se restabelece Recurso Extraordin\u00e1rio conhecido e provido&quot; (Rec. Ext. 87.405-4 1\u00aa Turma, j. em 11.03.80, Rel. Xavier de Albuquerque &#8211; RT 549\/209).<\/p>\n<p>Em tal ocasi\u00e3o, o Ministro XAVIER DE ALBUQUERQUE censurou &quot;a utiliza\u00e7\u00e3o do pedido de fal\u00eancia como forma dr\u00e1stica de cobran\u00e7a, transcendendo dos meios e modos que a lei disp\u00f5e para a execu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo extrajudicial. Este \u00e9 que \u00e9 o desvio de finalidade&quot; (ob. cit., p. 213).<\/p>\n<p>A R\u00e9 pede venia por se estender em tais considera\u00e7\u00f5es. Todavia, as conseq\u00fc\u00eancias do expediente adotado pela Autora s\u00e3o bastante relevantes.<\/p>\n<p>Resta claro que o instrumento jurisdicional escolhido para a satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito n\u00e3o \u00e9 o adequado. Bastava a utiliza\u00e7\u00e3o do processo de execu\u00e7\u00e3o. O meio empregado \u00e9 desproporcional ao fim colimado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o e com o devido respeito, falta \u00e0 Autora interesse de agir.<\/p>\n<p>Isso porque &quot;a presen\u00e7a do interesse se condiciona \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o de dois requisitos cumulativos, a saber: necessidade concreta da atividade jurisdicional e adequa\u00e7\u00e3o do provimento e do procedimento desejados&quot; &#8211; explica C\u00c2NDIDO DINAMARCO (Execu\u00e7\u00e3o Civil, v. I, RT, 2\u00aa ed., p. 229).<\/p>\n<p>Mais adiante, leciona o mesmo autor:<\/p>\n<p>&quot;O requisito da adequa\u00e7\u00e3o significa que o estado condiciona ainda o exerc\u00edcio da atividade jurisdicional, em cada caso, \u00e0 concreta correla\u00e7\u00e3o entre o procedimento desejado, pelo procedimento proposto, e a situa\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel lamentada pelo demandante&quot; (ob. cit., p. 234).<\/p>\n<p>Tratando tamb\u00e9m do requisito da adequa\u00e7\u00e3o, CALMON DE PASSOS exp\u00f5e que &quot;o Estado condiciona ainda o exerc\u00edcio da atividade jurisdicional, em cada caso, (&#8230;) \u00e0 justi\u00e7a da sujei\u00e7\u00e3o da parte contr\u00e1ria aos rigores de cada tipo de processo&quot; (Coment\u00e1rios ao CPC, v. III, Forense, 6\u00aa ed., p. 269).<\/p>\n<p>No presente caso, n\u00e3o est\u00e1 presente o requisito da adequa\u00e7\u00e3o, conforme foi demonstrado acima. N\u00e3o h\u00e1 porque impor-se \u00e0 R\u00e9 os rigores do rito do Pedido de Fal\u00eancia quando, atrav\u00e9s de Execu\u00e7\u00e3o, seriam atingidos os mesmos resultados.<\/p>\n<p>Com respeito, imp\u00f5e-se a extin\u00e7\u00e3o do processo sem julgamento do m\u00e9rito, por falta de interesse de agir (CPC, art. 267, VI) &#8211; devolvendo-se o valor depositado.<\/p>\n<p>Todavia e em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da eventualidade, a R\u00e9 aduz tamb\u00e9m as seguintes defesas. <\/p>\n<p>AINDA O DESVIO DE FUN\u00c7\u00c3O &#8211; VERBAS INEXIG\u00cdVEIS<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o fosse o caso de extin\u00e7\u00e3o do processo por car\u00eancia de a\u00e7\u00e3o (o que se p\u00f5e apenas para argumentar), outras conseq\u00fc\u00eancias decorrem da utiliza\u00e7\u00e3o inadequada (data venia) do pedido de fal\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito que a Autora pretenda receber valores inexig\u00edveis no procedimento falimentar.<\/p>\n<p>Verbas como honor\u00e1rios advocat\u00edcios e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria seriam cab\u00edveis no processo de execu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, por\u00e9m, no de fal\u00eancia.<\/p>\n<p>A Autora, como j\u00e1 se colocou, poderia (e deveria) ter se utilizado da via executiva. Mas, tendo realizado pedido de fal\u00eancia, tem de se submeter \u00e0s normas de tal processo.<\/p>\n<p>&quot;Data maxima venia&quot;, a se permitir a cobran\u00e7a desses valores estaria se instaurando um processo h\u00edbrido. No que tange \u00e0 R\u00e9, seriam impostos os rigores do procedimento falimentar. Quanto \u00e0 Autora, gozaria dos privil\u00e9gios da via executiva.<\/p>\n<p>Com o devido respeito, isso n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel.<\/p>\n<p>Desse modo, s\u00e3o inexig\u00edveis honor\u00e1rios advocat\u00edcios. Isso decorre do estabelecido pelos arts. 23, par\u00e1grafo \u00fanico, II, e 208, \u00a7 2\u00ba, do Decreto-lei n\u00ba 7.665\/45.<\/p>\n<p>O art. 5\u00ba da lei n\u00ba 6.014\/73, que adaptou a Lei de Fal\u00eancias ao sistema estabelecido pelo CPC de 73, n\u00e3o realizou qualquer modifica\u00e7\u00e3o nesse ponto.<\/p>\n<p>\u00c9 ampla a jurisprud\u00eancia que entende incab\u00edvel o regime da sucumb\u00eancia em casos como o presente.<\/p>\n<p>Confira-se a seguinte decis\u00e3o do E. STF:<\/p>\n<p>&quot;Fal\u00eancia. Princ\u00edpio da sucumb\u00eancia. N\u00e3o se tratando de institutos como os embargos de terceiros ou o pedido de restitui\u00e7\u00e3o, o sistema da lei especial que disciplina a fal\u00eancia \u00e9 contr\u00e1rio ao regime de sucumb\u00eancia&quot; (arts. 23, par\u00e1grafo \u00fanico, II, e 208, \u00a7 2\u00ba, do Decreto-lei n\u00ba 7.665\/45).<\/p>\n<p>&quot;Esse entendimento prevalece em face do atual C\u00f3digo de Processo Civil, at\u00e9 porque, com rela\u00e7\u00e3o a ele, nada foi alterado pela adapta\u00e7\u00e3o da lei de fal\u00eancia ao novo sistema processual feita pelo art. 5\u00ba da Lei 6.014\/73.&quot; &quot;RE conhecido e provido&quot; (Rec. ext. n\u00ba 97.106 &#8211; BA, ac. un\u00e2nime, 2\u00aa Turma, Rel. Ministro Cordeiro Guerra &#8211; RTJ 103\/893).<\/p>\n<p>A R\u00e9 pede venia para mencionar outra decis\u00e3o do E. STF, nesse mesmo sentido, em que constou do voto do Ministro MOREIRA ALVES que:<\/p>\n<p>&quot;&#8230; como sucede com rela\u00e7\u00e3o a honor\u00e1rios de advogados em mandado de seguran\u00e7a, deve prevalecer em face do atual C\u00f3digo de Processo Civil, a tese, j\u00e1 sufragada por ac\u00f3rd\u00e3os de ambas as Turmas desta Corte (RE n\u00ba 65.156, Primeira Turma, relator o Sr. Ministro Amaral Santos, in RTJ 5\/601 e segs.; e RE n\u00ba 72.397, Segunda turma, o relator Sr. Ministro Thompson Flores) de que n\u00e3o se tratando de institutos como embargos de terceiro ou o pedido de restitui\u00e7\u00e3o, o sistema da lei especial que disciplina a fal\u00eancia \u00e9 contr\u00e1rio ao regime da sucumb\u00eancia&quot; (Decreto-lei n\u00ba 7.661\/45, art. 23, par\u00e1grafo \u00fanico, II, e 208, \u00a7 2\u00ba).<\/p>\n<p>&quot;Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi alterada pela adapta\u00e7\u00e3o da Lei de Fal\u00eancia ao atual C. Pr. Civ. feita pelo artigo 5\u00ba da Lei n\u00ba 6.014\/73&quot; (Rec. Ext. 87.725 &#8211; CE, 2\u00aa Turma, Ac. un\u00e2nime, Rel. Ministro Moreira Alves &#8211; RTJ 84\/693).<\/p>\n<p>Esse entendimento tamb\u00e9m foi adotado pelo E. STJ:<\/p>\n<p>&quot;Processo Civil e Comercial . Pedido de fal\u00eancia. Dep\u00f3sito elisivo.<\/p>\n<p>Exclus\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios que se imp\u00f5e, eis que a via eleita invoca aplica\u00e7\u00e3o do art. 208, \u00a7 2\u00ba da Lei Falimentar, em seu necess\u00e1rio confronto com o artigo 20 do CPC&quot; (Rec. Esp. n\u00ba 335 &#8211; RJ, 4\u00aa Turma, Rel. Min. Bueno de Souza &#8211; RSTJ 07\/302).<\/p>\n<p>Em seu voto em tal julgamento, o Ministro BUENO DE SOUZA observou que a tese de que o pedido de fal\u00eancia com dep\u00f3sito elisivo se transmuda em mera execu\u00e7\u00e3o, para fins de reconhecer-se a imposi\u00e7\u00e3o de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e honor\u00e1rios advocat\u00edcios, &quot;perturba a harmonia do sistema, porque encoraja o emprego do pedido de fal\u00eancia como a a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de cr\u00e9dito, criando para o devedor uma situa\u00e7\u00e3o de ineg\u00e1vel constrangimento&quot;.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, \u00e9 incab\u00edvel a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>O presente processo \u00e9 regulado por lei especial, n\u00e3o lhe sendo aplic\u00e1vel a Lei 6.899\/81.<\/p>\n<p>Nesse passo, confira-se v. ac\u00f3rd\u00e3o do E. TJSP, que teve a seguinte ementa:<\/p>\n<p>&quot;CORRE\u00c7\u00c3O MONET\u00c1RIA &#8211; Fal\u00eancia &#8211; Dep\u00f3sito elidente &#8211; Inaplicabilidade da Lei 6.899\/81.&quot;<\/p>\n<p>&quot;N\u00e3o \u00e9 devida na fal\u00eancia corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria porque a a\u00e7\u00e3o \u00e9 regulada por lei especial, sendo inaplic\u00e1vel a Lei 6.899\/81, quer porque, no caso, n\u00e3o se estabeleceu condena\u00e7\u00e3o judicial, quer porque o novo diploma legal n\u00e3o se estende aos processos falimentares&quot; (Ap. n\u00ba 21.891-1 &#8211; 6\u00aa C. Civ. &#8211; Rel Des. Macedo Costa &#8211; RT 560\/71).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o E. TJRS vem adotando esse entendimento, consagrado-o, inclusive, em S\u00famula, como se v\u00ea pela ementa abaixo:<\/p>\n<p>&quot;CORRE\u00c7\u00c3O MONET\u00c1RIA &#8211; Dep\u00f3sito para elidir fal\u00eancia &#8211; Atualiza\u00e7\u00e3o &#8211; Descabimento.<\/p>\n<p>Fal\u00eancia. Dep\u00f3sito elisivo e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. Incid\u00eancia da S\u00famula 01 (C\u00e2maras C\u00edveis Reunidas). Incab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o da atualiza\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito mediante corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. Agravo improvido por unanimidade&quot; (AI 584009318, 2\u00aa C. Civ., Rel. Des. Jos\u00e9 Barison &#8211; RT 594\/189).<\/p>\n<p>Nem se alegue que, em decorr\u00eancia de a Autora possuir t\u00edtulo executivo, seu cr\u00e9dito seria corrigido monetariamente desde o vencimento deste.<\/p>\n<p>Tal atualiza\u00e7\u00e3o a partir do vencimento do t\u00edtulo (assim como a incid\u00eancia de juros) s\u00f3 \u00e9 cab\u00edvel no processo de Execu\u00e7\u00e3o. O \u00a7 1\u00ba do art. 1\u00ba da Lei 6.899\/81 \u00e9 inequ\u00edvoco nesse sentido:<\/p>\n<p>&quot;Nas execu\u00e7\u00f5es de t\u00edtulos de d\u00edvida l\u00edquida e certa, a corre\u00e7\u00e3o ser\u00e1 calculada a contar do respectivo vencimento&quot; (sem destaque no original).<\/p>\n<p>Assim, pede que sejam exclu\u00eddos do d\u00e9bito os valores relativos a honor\u00e1rios advocat\u00edcios e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>AINDA AS VERBAS INEXIG\u00cdVEIS<\/p>\n<p>Ademais, a Autora pretendeu o recebimento do cr\u00e9dito acrescido tamb\u00e9m do &quot;valor de custo do protesto&quot; (fl. 3).<\/p>\n<p>Com o m\u00e1ximo respeito, trata-se de pretens\u00e3o absolutamente despropositada. A verba \u00e9 alheia ao t\u00edtulo que instrui o pedido de fal\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 como se admitir que ela incida no caso concreto, agregando-se-a ao cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Mais ainda e ao que se infere, a Autora pretende corrigir seu pretenso cr\u00e9dito pela varia\u00e7\u00e3o da TR. Com o devido respeito, tal n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Isso porque a TR e a TRD n\u00e3o s\u00e3o \u00edndices de atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. S\u00e3o \u00edndices mistos, onde est\u00e3o inclu\u00eddas a remunera\u00e7\u00e3o pelo capital (juros) e a &quot;corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria&quot; projetada para um per\u00edodo futuro (arts. 1\u00ba e 2\u00ba da Lei n\u00ba 8177\/91).<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode pretender a TR como \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o. A TR \u00e9 fixada antes da constata\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria. Mais ainda, a TR cont\u00e9m juros. Importa em dois pagamentos da mesma verba, o que resulta em locupletamento il\u00edcito do R\u00e9u.<\/p>\n<p>A tese j\u00e1 foi acolhida no julgamento da Adin n\u00ba 493-0\/DF em que a v. ac\u00f3rd\u00e3o, de lavra do Em. Min. MOREIRA ALVES, consignou o seguinte:<\/p>\n<p>&quot;A taxa referencial (TR) n\u00e3o \u00e9 \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, pois, refletindo as varia\u00e7\u00f5es do custo prim\u00e1rio da capta\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos a prazo fixo, n\u00e3o constitui \u00edndice que reflita a varia\u00e7\u00e3o do poder aquisitivo da moeda&quot; (Tribunal pleno do STF, j. 25.6.92 &#8211; in LEX\/STF 168\/70 &#8211; anexo).<\/p>\n<p>Data venia, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a Autora, valendo-se da situa\u00e7\u00e3o de constrangimento imposto \u00e0 R\u00e9 do Pedido de Fal\u00eancia, cobre encargos abusivos.<\/p>\n<p>Com respeito, imp\u00f5e-se, que tamb\u00e9m tais valores sejam exclu\u00eddos do montante pleiteado.<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p>Em vista do exposto, a R\u00e9 pede a extin\u00e7\u00e3o do processo sem julgamento de m\u00e9rito, pela aus\u00eancia de documentos essenciais acompanhando a inicial, ou pela falta de interesse de agir.<\/p>\n<p>Se assim n\u00e3o for, pede que sejam acolhidas suas raz\u00f5es para o fim de excluir do montante os acr\u00e9scimos inexig\u00edveis, acima demonstrados.<\/p>\n<p>Protesta pela produ\u00e7\u00e3o de todas as provas que se fizeram necess\u00e1rias em especial a pericial cont\u00e1bil para o fim de evidenciar a iliquidez e incerteza do cr\u00e9dito e o c\u00f4mputo de verbas indevidas.<\/p>\n<p>Pede Deferimento.<\/p>\n<p>&#8230;., &#8230;. de &#8230;. de &#8230;.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p>Advogado OAB\/&#8230;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[497],"class_list":["post-3013923","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo--novo-cpc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/3013923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3013923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=3013923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}