{"id":2982651,"date":"2024-04-25T18:56:14","date_gmt":"2024-04-25T18:56:14","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2024-04-25T18:56:14","modified_gmt":"2024-04-25T18:56:14","slug":"sentenca-possessoria-sociologia-juridica-e-justica-socioambiental","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/sentenca-possessoria-sociologia-juridica-e-justica-socioambiental\/","title":{"rendered":"[MODELO] Senten\u00e7a possess\u00f3ria: sociologia jur\u00eddica e justi\u00e7a socioambiental"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>procedimentos especiais \u00bb a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias <\/p>\n<\/p>\n<p>  Senten\u00e7a revolucion\u00e1ria em a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o na posse contra sem-terra <\/p>\n<\/p>\n<p>       Veja a seguir a transcri\u00e7\u00e3o literal da senten\u00e7a do juiz federal titular da 8\u00aa Vara da Se\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria de Minas Gerais. A decis\u00e3o versa sobre uma a\u00e7\u00e3o do DNER contra um grupo de sem-terra que ocupou as margens de uma rodovia. Com orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica alternativista, a senten\u00e7a, verbalmente despojada, mant\u00e9m os sem-terra na posse da terra ocupada, doa a quem doer.  <\/p>\n<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>&quot;VISTOS etc. <\/p>\n<p>&quot;N\u00e3o tinham pressa em chegar, porque n\u00e3o sabiam aonde iam.<\/p>\n<p>Expulsos do seu para\u00edso por espadas de fogo,<\/p>\n<p>iam, ao acaso, em descaminhos, no arrast\u00e3o dos maus fados.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinham sexo, nem idade, nem condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Eram os retirantes. Nada mais.&quot; <\/p>\n<p>(Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, em &quot;A Bagaceira&quot;)<\/p>\n<p>V\u00e1rias fam\u00edlias (aproximadamente 300 &#8211; fls. 10) invadiram uma faixa de dom\u00ednio ao lado da Rodovia BR 116, na altura do km 405,3, l\u00e1 construindo barracos de pl\u00e1stico preto, alguns de adobe, e agora o DNER quer expuls\u00e1-los do local. <\/p>\n<p>&quot;Os r\u00e9us s\u00e3o indigentes&quot;, reconhece a autarquia, que pede reintegra\u00e7\u00e3o liminar na posse do im\u00f3vel. <\/p>\n<p>E aqui estou eu, com o destino de centenas de miser\u00e1veis nas m\u00e3os. S\u00e3o os exclu\u00eddos, de que nos fala a Campanha da Fraternidade deste ano. <\/p>\n<p>Repito, isto n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 um processo. N\u00e3o estou lendo Graciliano Ramos, Jos\u00e9 Lins do Rego ou Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio. <\/p>\n<p>Os personagens existem de fato. E incomodam muita gente, embora deles nem se saiba direito o nome. \u00c9 Valdico, Jos\u00e9 Maria, Gilmar, Jo\u00e3o Leite (Jo\u00e3o Leite ???). S\u00f3 isso para identific\u00e1-los. Mais nada. Profiss\u00e3o, estado civil (CPC, artigo 282, II) para qu\u00ea, se indigentes j\u00e1 \u00e9 qualifica\u00e7\u00e3o bastante ? <\/p>\n<p>Ora, \u00e9 muita inoc\u00eancia do DNER se pensa que eu vou desalojar este pessoal, com a ajuda da pol\u00edcia, de seu moqui\u00e7os, em nome de uma mal arrevesada seguran\u00e7a nas vias p\u00fablicas. O autor esclarece que quer proteger a vida dos pr\u00f3prios invasores, sujeitos a atropelamento. <\/p>\n<p>Grande op\u00e7\u00e3o! Livra-os da morte sob as rodas de uma carreta e arroja-os para a morte sob o relento e as for\u00e7as da natureza. <\/p>\n<p>N\u00e3o seria pelo menos mais digno &#8211; e menos falaz &#8211; deixar que eles mesmos escolhessem a maneira de morrer, j\u00e1 que n\u00e3o lhes foi dado optar pela forma de vida? <\/p>\n<p>O Munic\u00edpio foge \u00e0 responsabilidade &quot;por falta de recursos e meios de acomoda\u00e7\u00f5es&quot; (fls. 16 v). <\/p>\n<p>Da\u00ed, esta brilhante solu\u00e7\u00e3o: aplicar a lei. <\/p>\n<p>S\u00f3 que, quando a lei regula as a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias, mandando defenestrar os invasores (artigos 00020 e seguintes do CPC), ela &#8211; COMO TODA LEI &#8211; tem em mira o homem comum, o cidad\u00e3o m\u00e9dio, que, no caso, tendo outras op\u00e7\u00f5es de vida e de moradia diante de si, prefere assenhorar-se do que n\u00e3o \u00e9 de le, por esperteza, conveni\u00eancia, ou qualquer outro motivo que mere\u00e7a a censura da lei e, sobretudo, repugne a consci\u00eancia e o sentido do justo que os seres da mesma esp\u00e9cie possuem. <\/p>\n<p>Mas este n\u00e3o \u00e9 o caso no presente processo. N\u00e3o estamos diante de pessoas comuns, que tivessem recebido do Poder P\u00fablico razo\u00e1veis oportunidades de trabalho e de sobreviv\u00eancia digna (v. fotografias). <\/p>\n<p>N\u00e3o. Os &quot;invasores&quot; (propositadamente entre aspas) definitivamente n\u00e3o s\u00e3o pessoas comuns, como n\u00e3o s\u00e3o milhares de outras que &quot;habitam&quot; as pontes viadutos e at\u00e9 redes de esgoto de nossas cidades. S\u00e3o p\u00e1rias da sociedade (hoje chamados exclu\u00eddos, ontem de descamisados), resultado do perverso modelo econ\u00f4mico adotado pelo pa\u00eds. <\/p>\n<p>Contra este ex\u00e9rcito de exclu\u00eddos, o Estado (aqui, atrav\u00e9s do DNER) n\u00e3o pode exigir a rigorosa aplica\u00e7\u00e3o da lei (no caso, reintegra\u00e7\u00e3o de posse), enquanto ele pr\u00f3prio &#8211; o Estado &#8211; n\u00e3o se desincumbir, pelo menos razoavelmente, da tarefa que lhe reservou a Lei Maior. <\/p>\n<p>Ou seja, enquanto n\u00e3o construir &#8211; ou pelo menos esbo\u00e7ar &#8211; &quot;uma sociedade livre, justa e solid\u00e1ria&quot; (CF, artigo 3\u00ba, I), erradicando &quot;a pobreza e a marginaliza\u00e7\u00e3o&quot; (n. III), promovendo &quot;a dignidade da pessoa humana&quot; (artigo 1\u00ba, III), assegurando &quot;a todos exist\u00eancia digna, conforme os ditames da Justi\u00e7a Social&quot; (artigo 170), emprestando \u00e0 propriedade sua &quot;fun\u00e7\u00e3o social&quot; (art. 5\u00ba, XXIII, e 170, III), dando \u00e0 fam\u00edlia, base da sociedade, &quot;especial prote\u00e7\u00e3o&quot; (art. 226), e colocando a crian\u00e7a e o adolescente &quot;a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, maldade e opress\u00e3o&quot; (art. 227), enquanto n\u00e3o fizer isso, elevando os marginalizados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os comuns, pessoas normais, aptas a exercerem sua cidadania, o Estado n\u00e3o tem autoridade para deles exigir &#8211; diretamente ou pelo bra\u00e7o da Justi\u00e7a &#8211; o reto cumprimento da lei. <\/p>\n<p>Num dos bra\u00e7os a Justi\u00e7a empunha a espada, \u00e9 verdade, o que serviu de est\u00edmulo a que o Estado viesse hoje a pedir a reintegra\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que, no outro, ela sustenta a balan\u00e7a, em que pesa o direito. E as duas &#8211; lembrou RUDOLF VON IHERING h\u00e1 mais de 200 anos &#8211; h\u00e3o de trabalhar em harmonia: <\/p>\n<p>&quot;A espada sem a balan\u00e7a \u00e9 for\u00e7a brutal; a balan\u00e7a sem a espada \u00e9 a impot\u00eancia do direito. Uma n\u00e3o pode avan\u00e7ar sem a outra, nem haver\u00e1 ordem jur\u00eddica perfeita sem que a energia com que a justi\u00e7a aplica a espada seja igual \u00e0 habilidade com que maneja a balan\u00e7a&quot; <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 demais observar que o compromisso do Estado para com o cidad\u00e3o funda-se em princ\u00edpios, que t\u00eam matriz constitucional. Verdadeiros dogmas, de cuja fiel observ\u00e2ncia dependem a efic\u00e1cia e a exigibilidade das leis menores. <\/p>\n<p>Se assim \u00e9 &#8211; vou repetir o racioc\u00ednio &#8211; enquanto o Estado n\u00e3o cumprir a sua parte (e n\u00e3o \u00e9 por falta de tributos que deixar\u00e1 de faz\u00ea-lo), dando ao cidad\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de cumprir a lei, feita para o homem comum, n\u00e3o pode de forma alguma exigir que ela seja observada, muito menos pelo homem &quot;incomum&quot;. <\/p>\n<p>Mais do que deslealdade, trata-se de pretens\u00e3o moral e juridicamente imposs\u00edvel, a conduzir &#8211; quando feita perante o Judici\u00e1rio &#8211; ao indeferimento da inicial e extin\u00e7\u00e3o do processo, o que ora decreto nos moldes dos artigos 267, I e VI; 20005, I, e par\u00e1grafo \u00fanico, III, do C\u00f3digo de Processo Civil, atento \u00e0 recomenda\u00e7\u00e3o do artigo 5\u00ba da LICCB e olhos postos no artigo 25 da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem, que proclama: <\/p>\n<p>&quot;Todo ser humano tem direito a um n\u00edvel de vida adequado, que lhe assegure, assim como \u00e0 sua fam\u00edlia, a sa\u00fade e o bem estar e, em especial, a alimenta\u00e7\u00e3o, o vestu\u00e1rio e a moradia &quot;. <\/p>\n<p>Quanto ao risco de acidentes na \u00e1rea, parece-me oportuno que o DNER sinalize convenientemente a rodovia, nas imedia\u00e7\u00f5es. Devendo ainda exercer um policiamento preventivo a fim de evitar novas &quot;invas\u00f5es&quot;. <\/p>\n<p>P. R. I. <\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[142],"class_list":["post-2982651","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-civel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/2982651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2982651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=2982651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}