{"id":2982068,"date":"2024-04-25T18:47:17","date_gmt":"2024-04-25T18:47:17","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2024-04-25T18:47:17","modified_gmt":"2024-04-25T18:47:17","slug":"contrarrazoes-do-apelado-insubsistencia-e-adequacao-da-sentenca","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/contrarrazoes-do-apelado-insubsistencia-e-adequacao-da-sentenca\/","title":{"rendered":"[MODELO] Contrarraz\u00f5es do Apelado  &#8211;  Insubsist\u00eancia e Adequa\u00e7\u00e3o da Senten\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><strong>EXCELENT\u00cdSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ \u00aa VARA C\u00cdVEL DA COMARCA DE XXXXXXXXX ESTADO DO XXXXXXXX.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\tFULANO DE TAL<\/strong>, Nacionalidade&#8230; Cpf&#8230; Estado Civil&#8230; Residente&#8230; j\u00e1 qualificado nos autos da A\u00e7\u00e3o de Fornecimento de Servi\u00e7o C\/C Indeniza\u00e7\u00e3o e com Pedido de Antecipa\u00e7\u00e3o de Tutela, que move em face de <strong>&#8230; SA\u00daDE<\/strong> pelo Advogado ou Defensor P\u00fablico&#8230; infra-assinado, vem, tempestivamente, apresentar suas <strong>CONTRARAZ\u00d5ES<\/strong>, cuja minuta em anexo.<\/p>\n<p>Nestes termos<\/p>\n<p>Pede Deferimento.<\/p>\n<p>Local e data.<\/p>\n<p><strong>ADVOGADO<\/strong><\/p>\n<p><strong>OAB\/XX XX.XXX<\/strong><\/p>\n<p><strong>CONTRA RAZOES DO APELADO<\/strong><\/p>\n<p>APELADO: <\/p>\n<p>APELANTE<strong>: <\/strong><\/p>\n<h4>Processo n. <\/h4>\n<p>Origem: &#8230;Vara C\u00edvel<\/p>\n<p>\t\tEgr\u00e9gio Tribunal,<\/p>\n<p>\t\tColenda C\u00e2mara,<\/p>\n<h3>DA TEMPESTIVIDADE DAS PRESENTES CONTRA-RAZ\u00d5ES<\/h3>\n<p>\t\t\tInsta salientar que o Autor\/Apelado \u00e9 patrocinado pela Defensoria P\u00fablica. Desta forma, o termo inicial \u00e9 contado a partir da intima\u00e7\u00e3o pessoal do &#8230; (em &#8230; fl&#8230;) <\/p>\n<p>\t\t\tAdemais, ressalte-se que, durante os dias&#8230;, todos os prazos processuais estiveram suspensos, em raz\u00e3o do recesso forense. Assim, as presentes contra-raz\u00f5es s\u00e3o tempestivas.<\/p>\n<h3>DA INSUBSIST\u00caNCIA DO AGRAVO RETIDO<\/h3>\n<p>\t\t\t\u00c0s fls. 166\/167, o Apelante interp\u00f4s agravo retido, sendo certo que o Culto Ju\u00edzo manteve sua precisa decis\u00e3o de acolher a procura\u00e7\u00e3o juntada pelo Autor\/Apelado \u00e0s fls.154\/155 como suficiente \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o de sua representa\u00e7\u00e3o processual. <\/p>\n<p>\t\t\tCom efeito, o Autor encontrou-se momentaneamente impossibilitado de praticar, pessoalmente, os atos da vida civil, pois estava internado para tratamento de um AVC (acidente vascular cerebral). Assim, no dia &#8230;n\u00e3o pode comparecer \u00e0 audi\u00eancia (fls. 120).<\/p>\n<p>\t\t\tN\u00e3o obstante, posteriormente o Apelado teve alta m\u00e9dica e recuperou suas faculdades mentais, embora fisicamente debilitado e com limita\u00e7\u00e3o \u00e0 deambula\u00e7\u00e3o e \u00e0 fala. Por esses motivos, o Autor\/Apelado continuava impedido de participar pessoalmente da audi\u00eancia, mas nada o impedia de constituir um leg\u00edtimo procurador.<\/p>\n<p>\t\t\tAssim, por meio de instrumento p\u00fablico, o Apelado constituiu sua filha &#8230;e sua neta &#8230; como suas leg\u00edtimas procuradoras. De resto, um dever da fam\u00edlia constitucional da fam\u00edlia em promover todas as medidas necess\u00e1rias para assegurar o bem estar do Apelado.<\/p>\n<p>\t\t\tLegitimamente representados em audi\u00eancia, tanto por seus procuradores como por seu patrono -, vale salientar que a intransig\u00eancia do Apelante n\u00e3o permitiu que se realizasse qualquer tipo de acordo.<\/p>\n<h3>DA ESTRITA ADEQUA\u00c7\u00c3O DA R. SENTEN\u00c7A AO PEDIDO<\/h3>\n<p>\t\t\tInsurge-se ainda a Apelante contra a r. decis\u00e3o de m\u00e9rito alegando ocorr\u00eancia de julgamento <em>extra petita<\/em>, no que tange ao pedido de reembolso dos servi\u00e7os de fonoaudi\u00f3loga e enfermagem. <\/p>\n<p>\t\t\tNovamente,  labora em erro a Apelante, eis que o pedido inicial abrangia todas as despesas necess\u00e1rias ao restabelecimento da sa\u00fade do Autor\/Apelado. Como se infere da leitura da peti\u00e7\u00e3o inicial, al\u00e9m do pedido de restabelecer a plena vig\u00eancia do contrato, o Autor\/Apelado pleiteia a condena\u00e7\u00e3o da R\u00e9\/Apelante <strong><em>\u201cna obriga\u00e7\u00e3o de fazer, consistente no fornecimento dos servi\u00e7os m\u00e9dicos\/hospitalares contratados (&#8230;)\u201d<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>\t\t\tNotem os \u00cdnclitos Julgadores que <strong>a R\u00e9\/Apelante<\/strong> embora tenha \u2013 formalmente &#8211; cumprindo a r. decis\u00e3o liminar que determinou o restabelecimento do contrato, <strong>procurou esvaziar o conte\u00fado e os efeitos pr\u00e1ticos dessa decis\u00e3o<\/strong>, na medida que em, sistematicamente, passou a <strong>negar reembolso para importantes despesas m\u00e9dicas<\/strong> efetuadas pelo autor e previstas ou n\u00e3o exclu\u00eddas pelo contrato!<\/p>\n<p>\t\t\tEsse expediente foi denunciado pelo Apelado que requereu o efetivo cumprimento da r. decis\u00e3o liminar, rigorosamente adstrito o pedido inicial de receber da R\u00e9\/Apelante a integral cobertura de seu plano de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\t\t\tPor fim, cumpre salienta que a escorreita senten\u00e7a nada mais fez do que condenar a R\u00e9\/Apelante no dever gen\u00e9rico de reembolsar despesas, sem se manifestar sobre os documentas juntados pelo Autor\/Apelado, menos ainda sobre valores! Esta oportunidade fica lan\u00e7ada para a fase adequada: a liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/p>\n<p>\t\t\tEntendimento diverso, longe de privilegiar a ampla defesa, seria estimular pretens\u00f5es meramente protelat\u00f3ria e formalistas, que obstam os princ\u00edpios do processo e, sobretudo, da justi\u00e7a.<\/p>\n<h3>\t\t\tBREVE S\u00cdNTESE DOS FATOS<\/h3>\n<p><strong>\t\t\t<\/strong>Conforme narrado na pe\u00e7a inicial e na r\u00e9plica, o Autor\/Apelante  celebrou com a R\u00e9\/Apelada contrato (de ades\u00e3o) de Plano de Seguro e Reembolso de Assist\u00eancia M\u00e9dica-Hospitalar em&#8230;<\/p>\n<p>\t\t\tPosteriormente, o Apelado veio a sofrer de <strong>\u201cmiocardiopatia isqu\u00eamica, tendo sofrido enfarto do mioc\u00e1rdio em &#8230; de &#8230;. encontrando-se, at\u00e9 a presente data, sob cuidados m\u00e9dicos<\/strong>, recuperando-se de cirurgia recentemente realizadas (anexar laudo m\u00e9dico se houver).<\/p>\n<p>\t\t\tA Apelante, contudo, cancelou o contrato do consumidor-apelado <strong>sem qualquer aviso pr\u00e9vio<\/strong>, sob a infundada alega\u00e7\u00e3o de que o consumidor teria atrasado o pagamento de algumas mensalidades, o que j\u00e1 se demonstrou ser absolutamente inver\u00eddico.<\/p>\n<p>\t\t\tComo muito bem lan\u00e7ado na primorosa e r. senten\u00e7a &#8211; e fartamente documentado nos autos -, a manifesta arbitrariedade do cancelamento unilateral e sem aviso pr\u00e9vio praticado pela Empresa Apelante carece de qualquer suporte legal.<\/p>\n<p>\t\t\tAntes de mais nada, frise-se que o \u00fanico escopo do cancelamento arbitr\u00e1rio foi de manipular uma causa de rompimento de contrato justamente no momento que o consumidor mais necessitava do plano de sa\u00fade!  Ap\u00f3s v\u00e1rios anos figurando como cliente da empresa apelante e regula pagador das mensalidades, o expediente adotado pela R\u00e9\/Apelante s\u00f3 veio a tornar a situa\u00e7\u00e3o do Autor\/Apelado ainda mais dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>\t\t\tCumpre destacar que, em&#8230; a empresa Apelante enviou para a resid\u00eancia do autor faturas para pagamento identificadas como 2<sup>a<\/sup> vias, cujos pagamento forma efetivados em&#8230;, como se constata dos documentos de fls. 38<sup>a<\/sup> 3000, sendo certo que a parcela 050, vencida em&#8230; , poderia ser paga at\u00e9 &#8230; como se verifica do verso de fls. 38. <\/p>\n<p>\t\t\tPor se tratar de feriado nacional, o prazo deveria ser prorrogado para o dia \u00fatil seguinte. No entanto, o Banco recusou o pagamento naquela data, muito embora tal obst\u00e1culo tenha sido logo resolvido pela conduta diligente da fam\u00edlia do Autor\/Apelado (eis que este j\u00e1 se encontrava em debilitado estado de sa\u00fade).<\/p>\n<p>\t\t\tO cancelamento arbitr\u00e1rio motivou a propositura da presente a\u00e7\u00e3o, tendo sido determinado por esse Douto Ju\u00edzo a antecipa\u00e7\u00e3o dos efeitos da tutela de m\u00e9rito, para restabelecer a plena vig\u00eancia do contrato, obrigando a R\u00e9 a expedir as pertinentes guias de pagamento, bem como aprestar todos os servi\u00e7os contratados (r. decis\u00e3o de fl. 101 e verso).<\/p>\n<\/p>\n<p>\t\t\t\u00c9 incontroverso que <strong>o Apelado est\u00e1 com todas as mensalidades do plano devidamente quitadas<\/strong>. Desta forma, tendo em vista com o pedido final inclui a condena\u00e7\u00e3o da R\u00e9\/Apelante na obriga\u00e7\u00e3o de fornecer os servi\u00e7os m\u00e9dicos\/hospitalares contratados, <strong>requereu \u00e0 R\u00e9 o reembolso <\/strong>de despesas m\u00e9dicas com <strong>tratamento fonoaudiol\u00f3gico indispens\u00e1vel para a recupera\u00e7\u00e3o da fala<\/strong>, prejudicada pelas cirurgias sofrida. Ainda, requereu o reembolso das <strong>despesas de enfermagem<\/strong>, eis que, logo ap\u00f3s a alta m\u00e9dica, a <strong>m\u00e9dica respons\u00e1vel prescreveu <\/strong>que <\/p>\n<p><strong><em>\u201co paciente evoluiu com melhora gradual do d\u00e9ficit motor e da fala, tendo alta hospitalar no dia &#8230;. No momento, encontra-se hemipar\u00e9tico \u00e0 direita, melhorado da compreens\u00e3o e da disfasia motora, em tratamento com anticoagulante oral, fisioterapia motora e fonoaudiologia, necessitando de acompanhante diariamente\u201d.<\/em><\/strong> (Laudo anexo, Dr&#8230;.)<\/p>\n<p>\t\t\tNote-se que o <strong>tratamento fonoaudiol\u00f3gico <\/strong>\u2013 assim como a enfermeira em periodicidade di\u00e1ria &#8211; \u00e9 requisitado pelo m\u00e9dico que acompanha o Apelado, o <strong>neurologista Ricardo Augusto Novis <\/strong>(laudo em anexo) e consiste, em tese, no <strong>\u00fanico procedimento capaz de restabelecer a fala do Autor<\/strong>. <\/p>\n<p><strong>DA PREVIS\u00c3O CONTRATUAL DO REEMBOLSO DAS DESPESAS COM TRATAMENTO FONOAUDIOL\u00d3GICO<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t<strong>Disp\u00f5e o contrato, em sua cl\u00e1usula 04, que \u201ca seguradora reembolsar\u00e1 ao segurado, dentro dos limites do plano contratado, as despesas relativas a: (&#8230;) 4.2 \u2013 Servi\u00e7os ambulatoriais abrangendo: (&#8230;) 4.2.2 \u2013 Diagnose e terapia. Desde que esses procedimentos tenham sido requisitados pelo m\u00e9dico assistente.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\tCorrobora, ainda, a cl\u00e1usula contratual n. 6, que trata das <strong>despesas n\u00e3o cobertas. <\/strong>Da leitura do referido dispositivo, que enumera minuciosa e exaustivamante todas as hip\u00f3tese de procedimentos n\u00e3o inclu\u00eddo no serguro de sa\u00fade contratado, conclu\u00ed-se que o tratamento fonoaudiol\u00f3gico constitui, sem qualquer sombra de d\u00favida, despesa reembols\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>DAS DESPESAS COM ENFERMAGEM: <\/strong><\/p>\n<p><strong>INTERPRETA\u00c7\u00c3O MAIS FAVOR\u00c1VEL AO CONSUMIDOR (CDC).<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\tNo caso das despesas com enfermeira, a cl\u00e1usula 6 explicita que n\u00e3o ser\u00e3o cobertas pelo seguro as despesas com \u201cenfermagem particular e assist\u00eancia m\u00e9dica domiciliar\u201d.<\/p>\n<p>\t\t\tDois aspectos, no entanto, devem ser sopesados:<\/p>\n<p>\t\t\tPrimeiro, deve-se analisar o fato concreto, no qual consumidor-apelado n\u00e3o est\u00e1 optando por um enfermeiro, por preferir os cuidados de um profissional aos de sua fam\u00edlia, ou pelo fato de seus familiares n\u00e3o disporem de tempo para o diuturno atendimento \u00e0s necessidades do Autor e, por isso, prefiram contratar um profissional de enfermagem, quando este n\u00e3o seria de todo necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>\t\t\tMuito pelo contr\u00e1rio, no caso em tela, o consumidor tem exig\u00eancia m\u00e9dica de acompanhamento por enfermeiro, tendo em vista seu delicado estado de sa\u00fade, sob pena de ter que voltar para o regime de interna\u00e7\u00e3o hospitalar, que \u00e9 muito mais traum\u00e1tico para o paciente, para a fam\u00edlia e, diga-se ainda, muito mais oneroso para o plano de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\t\t\tPortanto, em aten\u00e7\u00e3o ao principio da confian\u00e7a e da transpar\u00eancia, que informam as rela\u00e7\u00f5es de consumo, deve prevalecer a interpreta\u00e7\u00e3o da cobertura integral  Destaque-se, ainda, que o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor disp\u00f5e, em seu artigo 47, que <\/p>\n<p>\t<strong><em>&quot;As cl\u00e1usulas contratuais ser\u00e3o interpretadas de maneira mais favor\u00e1vel ao consumidor.&quot;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\t\t\tAs normas legais de prote\u00e7\u00e3o ao consumidor, com a Lei n\u00ba 000.656\/0008 e o pr\u00f3prio C\u00f3digo de Defesa do Consumidor estabelecem o princ\u00edpio e as regras que asseguram a prote\u00e7\u00e3o m\u00ednima aos consumidores. Vale dizer, cl\u00e1usula contratual que \u201c<em>restringe direitos ou obriga\u00e7\u00f5es fundamentais inerentes \u00e0 natureza do contrato, de tal modo a amea\u00e7ar seu objeto ou o equil\u00edbrio contratual\u201d <\/em>ou que <em>\u201cse mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e o conte\u00fado do contrato, o interesse das partes e outras circunst\u00e2ncias peculiares ao caso\u201d <\/em>s\u00e3o nulas de pleno direito, tal como estabelecido no art. 51 do CDC.<\/p>\n<p>\t\t\tEm tal hip\u00f3tese deve ser enquadrada a cl\u00e1usula 6.000 do contrato em exame, que exclui o reembolso de despesas com \u201cenfermagem particular\u201d, para aplica\u00e7\u00e3o ao caso em tela. As peculiaridade do caso concreto indicam que a enfermagem determinada pelo m\u00e9dico respons\u00e1vel corresponde a verdadeiro procedimento suced\u00e2neo da interna\u00e7\u00e3o hospitalar, mais vantajosa para o paciente e tamb\u00e9m para a Apelante.<\/p>\n<p>\t\t\tDiga-se, ainda, que o direito \u00e0 enfermagem no domic\u00edlio, quando requisitada pelo m\u00e9dico, \u00e9 assegurada pela Lei n. 000.656\/0008 que regulamenta a atividade dos planos e seguros privados de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade.  Sendo norma de ordem p\u00fablica, com o escopo de proteger os consumidores das arbitrariedades das empresas, criou o chamado \u201cplano-refer\u00eancia\u201d, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de contrato m\u00ednimo aos quais as empresas devem se ater. \u00c9 o que preconiza, especialmente, o artigo 10 da Lei, <em>in verbis<\/em>:<\/p>\n<p>\u201cArt. 10. <strong>Fica institu\u00eddo o plano ou seguro-refer\u00eancia de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade<\/strong>, com cobertura assistencial compreendendo partos e tratamentos, realizados exclusivamente no Brasil, com padr\u00e3o de enfermaria ou centro de terapia intensiva, ou similar, quando necess\u00e1ria a interna\u00e7\u00e3o hospitalar, das doen\u00e7as relacionadas na Classifica\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica Internacional de Doen\u00e7as e Problemas Relacionados com a Sa\u00fade, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, respeitadas as exig\u00eancias m\u00ednimas estabelecidas no art. 12 desta Lei, <strong>exceto:<\/strong><\/p>\n<p>I &#8211; tratamento clinico ou cir\u00fargico experimental; (Inciso I com reda\u00e7\u00e3o dada pela Medida Provis\u00f3ria n. 1.665-00, de 4\/6\/0008).<\/p>\n<p>II &#8211; procedimentos cl\u00ednicos ou cir\u00fargicos para fins est\u00e9ticos, bem como \u00f3rteses e pr\u00f3teses para o mesmo fim;<\/p>\n<p>III &#8211; insemina\u00e7\u00e3o artificial;<\/p>\n<p>IV &#8211; tratamento de rejuvenescimento ou de emagrecimento com finalidade est\u00e9tica;<\/p>\n<p>V &#8211; fornecimento de medicamentos importados n\u00e3o nacionalizados;<\/p>\n<p>VI &#8211; fornecimento de medicamentos para o tratamento domiciliar;<\/p>\n<p>VII -fornecimento de pr\u00f3teses, \u00f3rteses e seus acess\u00f3rios n\u00e3o ligados ao ato cir\u00fargico; <\/p>\n<p>VIII &#8211; procedimentos odontol\u00f3gicos, salvo o conjunto de servi\u00e7os voltados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da sa\u00fade dent\u00e1ria, assim compreendidos a pesquisa, o tratamento e a remo\u00e7\u00e3o de focos de infec\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria, profilaxia de c\u00e1rie dent\u00e1ria, cirurgia e traumatologia bucomaxilar<\/p>\n<p>IX &#8211; tratamentos il\u00edcitos ou anti\u00e9ticos, assim definidos sob o aspecto m\u00e9dico, ou n\u00e3o reconhecidos pelas autoridades competentes;<\/p>\n<p>X &#8211; casos de cataclismos, guerras e como\u00e7\u00f5es internas, quando declarados pela autoridade competente;<\/p>\n<p>\u00a7 1\u00ba As exce\u00e7\u00f5es constantes dos incisos I a X ser\u00e3o objeto de regulamenta\u00e7\u00e3o pelo CONSU;<\/p>\n<p>\u00a7 2\u00b0 As operadoras definidas nos incisos I e II do \u00a7 1\u00b0 do art. 1\u00ba oferecer\u00e3o, obrigatoriamente, o plano ou seguro-refer\u00eancia de que trata este artigo a todos os seus atuais e futuros consumidores;<\/p>\n<p>\u00a7 3\u00b0 Excluem-se da obrigatoriedade a que se refere o \u00a7 2\u00b0 deste artigo as entidades ou empresas que mant\u00eam sistemas de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade pela modalidade de autogest\u00e3o e as empresas que operam exclusivamente planos odontol\u00f3gicos; <\/p>\n<p>\u00a7 4\u00ba. A amplitude das coberturas, inclusive de transplantes e de procedimentos de alta complexidade, ser\u00e3o definidos por normas editadas pelo CONSU.\u201d<\/p>\n<p>\t\t\tNote o \u00cdnclito Julgador que o legislador foi prudente em fixar a extens\u00e3o do plano-refer\u00eancia enumerando as hip\u00f3teses de <strong>n\u00e3o cobertura<\/strong>. Assim, para saber se determinado tratamento ou procedimento deve ser obrigatoriamente coberto pela Seguradora de Sa\u00fade, verifica-se se o mesmo <strong>n\u00e3o <\/strong>est\u00e1 no rol do artigo 10 da Lei n. 000.656\/0008. <\/p>\n<h3>DA APLICA\u00c7\u00c3O DA LEI 000.656\/0008<\/h3>\n<p>\t\t\tNem se argumente que a Lei n. 000.656\/0008 n\u00e3o seja diretamente aplic\u00e1vel ao caso, por raz\u00f5es de direito intertemporal e da prote\u00e7\u00e3o ao ato jur\u00eddico, n\u00e3o h\u00e1 como negar que o referido contrato se subordina \u00e0s normas de ordem p\u00fablica e interesse social do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, uma vez que este diploma data de 10000000 (j\u00e1 h\u00e1 dois anos em vigor quando da assinatura do contrato em exame).<\/p>\n<p>\t\t\tInovador, o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor tem como pressuposto o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo (art. 4<sup>o<\/sup> , I ) buscando o atendimento das suas necessidades, o respeito \u00e0 sua dignidade, sa\u00fade e seguran\u00e7a, a prote\u00e7\u00e3o de seus interesses econ\u00f4micos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transpar\u00eancia e harmonia das rela\u00e7\u00f5es de consumo (<em>caput <\/em>do art. 4<sup>o<\/sup>). <\/p>\n<p>\t\t\tO C\u00f3digo de Defesa do Consumidor estabelece, entre outros, os princ\u00edpios b\u00e1sicos da transpar\u00eancia \u2013 do qual decorre a norma do art. 47 &#8211; e da boa-f\u00e9 objetiva, al\u00e9m de coibir as pr\u00e1tica e cl\u00e1usulas contratuais abusivas.<\/p>\n<p>\t\t\tSendo norma de car\u00e1ter eminentemente principiol\u00f3gico, a enumera\u00e7\u00e3o das pr\u00e1tica abusivas (art. 3000) e das cl\u00e1usulas abusivas (art. 51) s\u00e3o meramente exemplificativas. <\/p>\n<p>\t\tDesta forma, <strong>cabe ao aplicador do direito interpretar a lei para saber se uma hip\u00f3tese concreta constitui pratica\/clausula abusiva o n\u00e3o<\/strong>. <strong>Usualmente, essa tarefa realizada com o aux\u00edlio da doutrina e da jurisprud\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t<strong>Por\u00e9m, casos h\u00e1 em que a pr\u00f3pria Lei fornece os elementos para uma correta interpreta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que ocorre com a o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor e Lei dos Plano de Sa\u00fade (Lei n. 000.656\/0008)<\/strong>.<\/p>\n<p>\t\t\tEmbora posterior ao contrato, as normas constantes da Lei n. 000.656\/0008 nada mais fizeram do que trazer para o direito positivo a veda\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas abusivas j\u00e1 h\u00e1 muito recha\u00e7adas pelos jurisconsultos e pelos tribunais.<\/p>\n<p>\t\t\t<strong>Neste sentido, esclarece a renomada Professora Cl\u00e1udia Lima Marques<\/strong>, comentando a aplica\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor sob a luz da nova lei:<\/p>\n<p>\u201c<strong>Os contratos anteriores n\u00e3o s\u00e3o, em princ\u00edpio, afetados pela nova lei e continuam a ser regidos pelo C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, mas \u00e9 claro que a interpreta\u00e7\u00e3o atual do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor n\u00e3o pode deixar de considerar os avan\u00e7os positivados pela nova lei<\/strong>. (&#8230;). As <strong>cl\u00e1usulas limitadoras dos direitos dos consumidores tamb\u00e9m devem ser redigidas e destacadas de forma especial<\/strong>, como direito de informa\u00e7\u00e3o (art. 54, \u00a7\u00a7 3<sup>o<\/sup> e 4<sup>o<\/sup> do CDC), mas aqui \u00e9 seu potencial abusivo, violador das bases e dos fins desse tipo contratual, que est\u00e1 sendo destacado (art. 51, IV e \u00a71<sup>o<\/sup> do CDC). <strong>Os comuns limites e\/ou restri\u00e7\u00f5es a procedimentos m\u00e9dico (consultas exames m\u00e9dicos, laboratoriais), especialmente limitando as interna\u00e7\u00f5es hospitalares, a perman\u00eancia em UTI\u2019s e similares, presentes nos contrato anteriores \u00e0 lei e agora exclu\u00eddos expressamente pelos art.10 e 12 da Lei n. 000.656\/0008 encontram sua base em cl\u00e1usulas contratuais. Estas cl\u00e1usulas contratuais s\u00e3o nula por contr\u00e1ria \u00e0 boa-f\u00e9, como esclarece a pr\u00f3pria lei, pois criam uma barreira \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da expectativa leg\u00edtima do consumidor<\/strong>, contrariando prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, criam um desequil\u00edbrio no contrato ao amea\u00e7ar o objetivo do mesmo, que \u00e9 ter o servi\u00e7o de sa\u00fade que necessita.\u201d  (<em>In<\/em>, Sa\u00fade e Responsabilidade \u2013 Seguros e Planos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade privada, Cole\u00e7\u00e3o Biblioteca de Direito do Consumidor \u2013 vol. 13, Ed. RT, ano 2012, pg. 130 e 132 \u2013 Grifou-se).<\/p>\n<h3>CONCLUS\u00c3O<\/h3>\n<p>\t\t\t<strong>Por todo o exposto, o Apelado requer seja negado provimento ao recurso de apela\u00e7\u00e3o, <\/strong>conformando-se <em>in totun<\/em> a r. senten\u00e7a, por seus brilhante e jur\u00eddicos fundamentos. <\/p>\n<p>Nestes Termos,<\/p>\n<p>Pede Deferimento<\/p>\n<p>Local e data.<\/p>\n<p><strong>ADVOGADO<\/strong><\/p>\n<p><strong>OAB\/XX XX.XXX<\/strong><\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[142],"class_list":["post-2982068","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-civel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/2982068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2982068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=2982068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}