{"id":2977765,"date":"2024-04-25T17:42:50","date_gmt":"2024-04-25T17:42:50","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2024-04-25T17:42:50","modified_gmt":"2024-04-25T17:42:50","slug":"nulidade-de-auto-de-infracao-acao-declaratoria","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/nulidade-de-auto-de-infracao-acao-declaratoria\/","title":{"rendered":"[MODELO] Nulidade de Auto de Infra\u00e7\u00e3o  &#8211;  A\u00e7\u00e3o Declarat\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA _______VARA C\u00cdVEL DA COMARCA DE _______, ESTADO DO ___________.<\/p>\n<p>_____________________________, (qualifica\u00e7\u00e3o: nome, prenome, estado civil, exist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel, profiss\u00e3o, n\u00famero de inscri\u00e7\u00e3o no Cadastro de Pessoas F\u00edsicas ou Cadastro Nacional da Pessoa Jur\u00eddica, endere\u00e7o eletr\u00f4nico, domic\u00edlio e resid\u00eancia), por interm\u00e9dio de seu advogado, com escrit\u00f3rio profissional sito (endere\u00e7o profissional), onde, nos termos do inciso V do art. 77 do CPC, recebe intima\u00e7\u00f5es, vem respeitosamente \u00e0 presen\u00e7a de Vossa Excel\u00eancia propor:<\/p>\n<p>A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA DE NULIDADE DE AUTO DE INFRA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>em face de _____________________________ (qualifica\u00e7\u00e3o: nome, n\u00famero de inscri\u00e7\u00e3o no Cadastro de Nacional da Pessoa Jur\u00eddica, endere\u00e7o eletr\u00f4nico, sede), pelos motivos a seguir expostos.  <\/p>\n<p>DOS FATOS<\/p>\n<p>\tO autor, ao trafegar pela avenida ______________________, foi parado pela Pol\u00edcia Militar que ali realizava opera\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito referente \u00e0 \u201cLei Seca\u201d.<\/p>\n<p>\tO autor atendeu a todos os pedidos de praxe feitos pelos policiais, como entrega de documento de habilita\u00e7\u00e3o e do carro, que estavam em conformidade com as exig\u00eancias legais.<\/p>\n<p>\tAo ser indagado, por\u00e9m, se faria o teste do baf\u00f4metro, o autor se recusou por estar amparado constitucionalmente.<\/p>\n<p>\tInsta salientar que, de forma alguma, o autor se recusou a fazer qualquer outro teste que pudesse atestar sua embriagu\u00eas, at\u00e9 porque n\u00e3o tinha ingerido bebida alco\u00f3lica.<\/p>\n<p>\tA autoridade policial que pode, e deve, se utilizar de outros meios que n\u00e3o o baf\u00f4metro para atestar a embriagu\u00eas do condutor, n\u00e3o o fez.<\/p>\n<p>Caberia a Pol\u00edcia Militar fornecer provas de que o autor n\u00e3o havia ingerido bebida alco\u00f3lica para que a penalidade fosse imposta. N\u00e3o o fez, por certo pelo fato do autor n\u00e3o apresentar nenhum sinal de embriagu\u00eas. <\/p>\n<p>\tOra, uma autoridade policial, que preza pela seguran\u00e7a, n\u00e3o deixaria de realizar, de todas as formas poss\u00edveis, os meios adequados para se produzir as provas necess\u00e1rias para a imputa\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o, se entendesse ou, ao menos, percebesse que o autor realmente estava embriagado.<\/p>\n<p>\tDessa forma, o autor passou a condu\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo \u00e0 outra pessoa tendo sua CNH retida pelos policiais, sendo-lhe, em outra ocasi\u00e3o, devolvida.<\/p>\n<p>\tDevido aos fatos narrados, foi instaurado processo administrativo, conforme documento anexo, e o autor apresentou sua defesa pr\u00e9via.<\/p>\n<p>\tEm tal processo administrativo, foi proferido julgamento sendo aplicada ao demandante a penalidade de suspens\u00e3o do direito de dirigir pelo per\u00edodo de 12 meses, al\u00e9m de obrigatoriedade de frequ\u00eancia e aprova\u00e7\u00e3o em curso de reciclagem para condutores infratores.<\/p>\n<p>\tDe tal decis\u00e3o, o autor interp\u00f4s recurso administrativo para JARI &#8211; Junta Administrativa de Recursos de Infra\u00e7\u00f5es, ao qual foi negado provimento.<\/p>\n<p>\tA aplica\u00e7\u00e3o de tais penalidades n\u00e3o observou as garantias constitucionais dos cidad\u00e3os, conforme ser\u00e1 exposto na fundamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica adiante, sendo necess\u00e1ria a atua\u00e7\u00e3o jurisdicional com a finalidade de se declararem nulas as penalidades impostas, sendo este o objeto da presente demanda.<\/p>\n<p>O INTERESSE DE AGIR<\/p>\n<p>\tEm que pese a exist\u00eancia de possibilidade de interposi\u00e7\u00e3o de recurso administrativo para o CONTRAN, optou o demandante pela via judicial.<\/p>\n<p>\tTal fato se deve ao j\u00e1 conhecido posicionamento dos \u00f3rg\u00e3os administrativos de tr\u00e2nsito quanto \u00e0 quest\u00e3o objeto deste feito, sendo este contr\u00e1rio ao que aqui se advoga.<\/p>\n<p>\tDessa forma, desnecess\u00e1ria a interposi\u00e7\u00e3o de um recurso ao qual j\u00e1 sabe que o resultado n\u00e3o lhe ser\u00e1 favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>\tSe n\u00e3o bastasse, como \u00e9 corrente em doutrina e jurisprud\u00eancia, n\u00e3o existe necessidade de pr\u00e9vio esgotamento das vias administrativas para jurisdicionaliza\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o, em raz\u00e3o da garantia constitucional da inafastabilidade da Jurisdi\u00e7\u00e3o, prevista no inciso XXXV do art. 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>\tEm confirma\u00e7\u00e3o a tal tese, traz \u00e0 cola\u00e7\u00e3o os seguintes julgados, da lavra do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, a seguir transcritos:<\/p>\n<p>\u201c0068089-53.2012.8.19.0001 &#8211; APELACAO<\/p>\n<p>DES. GABRIEL ZEFIRO &#8211; Julgamento: 30\/06\/2014 &#8211; DECIMA TERCEIRA CAMARA CIVEL<\/p>\n<p>AGRAVO LEGAL CONTRA PRONUNCIAMENTO MONOCR\u00c1TICO DO RELATOR QUE NEGOU SEGUIMENTO \u00c0 APELA\u00c7\u00c3O, PORQUANTO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. RECURSO DE AGRAVO LEGAL DESACOMPANHADO DO PREPARO NO ATO DE SUA INTERPOSI\u00c7\u00c3O. BANCO AGRAVANTE QUE REQUER O PRAZO DE 48 HORAS PARA JUNTAR A GRERJ SEM APRESENTAR QUALQUER JUSTIFICATIVA. INAPLICABILIDADE DA S\u00daMULA 484 DO STJ, NA MEDIDA EM QUE, N\u00c3O OBSTANTE O AGRAVO TENHA SIDO INTERPOSTO AP\u00d3S O ENCERRAMENTO DO EXPEDIENTE BANC\u00c1RIO, O PREPARO N\u00c3O FOI EFETUADO NO PRIMEIRO DIA \u00daTIL SUBSEQUENTE. APLICA\u00c7\u00c3O PURA E SIMPLES DO CAPUT DO ARTIGO 511 DO CPC. AUS\u00caNCIA DE UM DOS REQUISITOS EXTR\u00cdNSECOS DE ADMISSIBILIDADE. DESER\u00c7\u00c3O. RECURSO N\u00c3O CONHECIDO.\u201d<\/p>\n<p>\u201c0083121-21.2000.8.19.0001 &#8211; APELACAO \/ REEXAME NECESSARIO <\/p>\n<p>1\u00aa Ementa<\/p>\n<p>DES. GILBERTO GUARINO &#8211; Julgamento: 23\/08\/2011 &#8211; DECIMA OITAVA CAMARA CIVEL <\/p>\n<p>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. DUPLO GRAU OBRIGAT\u00d3RIO DE JURISDI\u00c7\u00c3O. DIREITO ADMINISTRATIVO. A\u00c7\u00c3O DE PROCEDIMENTO COMUM ORDIN\u00c1RIO. COBRAN\u00c7A DE VENCIMENTOS DEVIDOS DURANTE PER\u00cdODO EM QUE O AUTOR PERMANECEU AFASTADO DO SERVI\u00c7O P\u00daBLICO (DETRAN\/RJ). REASSUN\u00c7\u00c3O DETERMINADA MEDIANTE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. JULGAMENTO DE PROCED\u00caNCIA DO PEDIDO. PRELIMINAR DE FALTA DE INTERESSE DE AGIR. MAT\u00c9RIA DE ORDEM P\u00daBLICA. REJEI\u00c7\u00c3O. N\u00c3O EXIST\u00caNCIA DE CONDI\u00c7\u00c3O ESPECIAL DO LEG\u00cdTIMO EXERC\u00cdCIO DO DIREITO DE A\u00c7\u00c3O, CONSISTENTE NA NECESSIDADE DE ESGOTAMENTO PR\u00c9VIO DA VIA ADMINISTRATIVA. PRINC\u00cdPIO DA INAFASTABILIDADE DO PODER JUDICI\u00c1RIO (ART. 5\u00ba, XXXV, DA CONSTITUI\u00c7\u00c3O DA REP\u00daBLICA). NO M\u00c9RITO, O CONJUNTO PROBAT\u00d3RIO DOS AUTOS ATESTA QUE O AFASTAMENTO TEMPOR\u00c1RIO DO SERVIDOR N\u00c3O EXTINGUIU O V\u00cdNCULO ESTATUT\u00c1RIO COM A AUTARQUIA ESTADUAL DE TR\u00c2NSITO. APLICA\u00c7\u00c3O AO CASO CONCRETO, POR ANALOGIA, DA REGRA DO ART. 40, CAPUT, DO DECRETO-LEI N.\u00ba 220\/1975, QUE VERSA SOBRE O DIREITO AO RESSARCIMENTO DE VENCIMENTOS E VANTAGENS PELO SERVIDOR REINTEGRADO AO SERVI\u00c7O P\u00daBLICO. PRECEDENTES DESTE EGR\u00c9GIO TRIBUNAL DE JUSTI\u00c7A. CORRE\u00c7\u00c3O MONET\u00c1RIA, CONTADA DA DATA DE AJUIZAMENTO DA A\u00c7\u00c3O, E JUROS MORAT\u00d3RIOS INCIDENTES \u00c0 BASE DE 0,5% (MEIO POR CENTO) AO M\u00caS, DESTE A CITA\u00c7\u00c3O V\u00c1LIDA, TUDO AT\u00c9 30\/6\/2009, INCIDINDO, AP\u00d3S ESSA DATA, UMA \u00daNICA VEZ, AT\u00c9 O EFETIVO PAGAMENTO, OS \u00cdNDICES OFICIAIS DE REMUNERA\u00c7\u00c3O B\u00c1SICA E JUROS APLICADOS \u00c0 CADERNETA DE POUPAN\u00c7A, CONFORME DISPOSI\u00c7\u00c3O DO ART. 1\u00ba-F DA LEI N.\u00ba 9.494\/97, ALTERADO PELA LEI FEDERAL N.\u00ba 11.960\/2009. LEGISLA\u00c7\u00c3O QUE TEM APLICA\u00c7\u00c3O IMEDIATA A TODOS OS PROCESSOS, CONFORME JULGAMENTO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO 842.063, CONVERTIDO EM RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO, SOB O REGIME DA REPERCUSS\u00c3O GERAL, PELA SUPREMA CORTE. DISCIPLINA QUE REVOGA O ENTENDIMENTO DO E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTI\u00c7A. EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA NO RECURSO ESPECIAL N.\u00ba 1.207.197\/RS. APELO VOLUNT\u00c1RIO DO ESTADO QUE SE INSURGE, T\u00c3O-SOMENTE, CONTRA A CONDENA\u00c7\u00c3O A COMPOR A TAXA JUDICI\u00c1RIA E CONGTRA O MONTANTE DOS HONOR\u00c1RIOS. ISEN\u00c7\u00c3O DE CUSTAS PROCESSUAIS PERFEITAMENTE OBSERVADA. HONOR\u00c1RIOS ADVOCAT\u00cdCIOS COMPAT\u00cdVEIS COM AS DIRETIVAS DO ART. 20, \u00a7 4\u00ba, DO MESMO C\u00d3DIGO. PROCESSO QUE TRAMITA H\u00c1 MAIS DE 11 (ONZE) ANOS. TAXA JUDICI\u00c1RIA QUE N\u00c3O \u00c9 DEVIDA. APLICA\u00c7\u00c3O, POR MAIORIA, DA S\u00daMULA N.\u00ba 421-STJ. DIVERG\u00caNCIA DO RELATOR: ENUNCIADO N.\u00ba 42 DO FUNDO ESPECIAL DO TRIBUNAL DE JUSTI\u00c7A DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. OBSERV\u00c2NCIA DO ART. 115, CAPUT E PAR\u00c1GRAFO \u00daNICO, DO C\u00d3DIGO TRIBUT\u00c1RIO ESTADUAL. NATUREZA JUR\u00cdDICA DAS CUSTAS. LI\u00c7\u00c3O DE HELY LOPES MEIRELLES. PRE\u00c7O, INCONFUND\u00cdVEL COM A TAXA, QUE \u00c9 TRIBUTO VINCULADO, COM HIP\u00d3TESE DE INCID\u00caNCIA T\u00cdPICA. ANALOGIA QUE N\u00c3O CABE, DIANTE DE SITUA\u00c7\u00d5ES DISTINTAS. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS DESTA C. CORTE ESTADUAL. INOCORR\u00caNCIA DO INSTITUTO DA CONFUS\u00c3O (ART. 381 DO C\u00d3DIGO CIVIL). INAPLICABILIDADE DA S\u00daMULA N.\u00ba 421-STJ. RECURSO VOLUNT\u00c1RIO A QUE, POR MAIORIA, SE D\u00c1 PARCIAL PROVIMENTO. REFORMA PARCIAL DO JULGADO, EM SEDE DE DUPLO GRAU OBRIGAT\u00d3RIO DE JURISDI\u00c7\u00c3O, NO TOCANTE \u00c0 INCID\u00caNCIA DE JUROS MORAT\u00d3RIOS E CORRE\u00c7\u00c3O MONET\u00c1RIA.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAgRg no AREsp 568443 \/ SP<\/p>\n<p>AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/p>\n<p>2014\/0213498-4<\/p>\n<p>Relator(a): Ministro JO\u00c3O OT\u00c1VIO DE NORONHA (1123)<\/p>\n<p>\u00d3rg\u00e3o Julgador T3 &#8211; TERCEIRA TURMA<\/p>\n<p>Data do Julgamento: 02\/06\/2015; Data da Publica\u00e7\u00e3o\/Fonte DJe 09\/06\/2015<\/p>\n<p>Ementa<\/p>\n<p>AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPROVA\u00c7\u00c3O DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL EM AGRAVO REGIMENTAL. SUSPENS\u00c3O DO EXPEDIENTE FORENSE. POSSIBILIDADE. CAUTELAR DE EXIBI\u00c7\u00c3O DE DOCUMENTO. ESGOTAMENTO DA VIA ADMINISTRATIVA. DESNECESSIDADE. S\u00daMULA N. 83\/STJ. INDIVIDUALIZA\u00c7\u00c3O DO CONTRATO. NECESSIDADE. S\u00daMULA N. 7\/STJ. COMINA\u00c7\u00c3O DE MULTA DI\u00c1RIA. INEXIST\u00caNCIA DE SUCUMB\u00caNCIA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. N\u00c3O CONHECIMENTO.<\/p>\n<p>1. Expirando o prazo recursal em fim de semana, quando n\u00e3o h\u00e1 expediente forense, ocorre a prorroga\u00e7\u00e3o para o primeiro dia \u00fatil seguinte, nos termos do art. 184, \u00a7 1\u00ba, I, do CPC.<\/p>\n<p>2. H\u00e1 interesse de agir na a\u00e7\u00e3o cautelar de exibi\u00e7\u00e3o de documento que objetiva discutir, em a\u00e7\u00e3o principal, a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dele decorrente, independentemente de pr\u00e9vio requerimento administrativo.<\/p>\n<p>3. Aplica-se a S\u00famula n. 7 do STJ na hip\u00f3tese em que o acolhimento da tese defendida no recurso especial reclamar a an\u00e1lise dos elementos probat\u00f3rios produzidos ao longo da demanda.<\/p>\n<p>4. N\u00e3o se conhece de recurso especial por aus\u00eancia de interesse recursal quando n\u00e3o h\u00e1 sucumb\u00eancia da parte.<\/p>\n<p>5. Agravo regimental desprovido.<\/p>\n<p>Ac\u00f3rd\u00e3o<\/p>\n<p>Vistos, relatados e discutidos estes autos em que s\u00e3o partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, na conformidade dos votos e das notas Jurisprud\u00eancia\/STJ &#8211; Ac\u00f3rd\u00e3os taquigr\u00e1ficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas B\u00f4as Cueva (Presidente), Marco Aur\u00e9lio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator.\u201d<\/p>\n<p>A TUTELA URG\u00caNCIA<\/p>\n<p>Segundo a norma processual constante do artigo 300 do C\u00f3digo de Processo Civil, o Juiz poder\u00e1 antecipar total ou parcialmente a tutela, quando houver elementos que evidenciam a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado \u00fatil do processo.<\/p>\n<p>A probabilidade do direito \u00e9 demonstrada pelo prova documental produzida, restando claro que foi instaurado um processo administrativo, no qual foi aplicada penalidade grav\u00edssima sem que garantias constitucionais fossem observadas.<\/p>\n<p>Com efeito, ao aplicar as grav\u00edssimas san\u00e7\u00f5es j\u00e1 mencionadas, o r\u00e9u deixou de observar garantias constitucionais do cidad\u00e3o, ao tratar a recusa \u00e0 submiss\u00e3o ao teste do etil\u00f4metro da mesma forma como s\u00e3o tratados os condutores que transitam sob influ\u00eancia de \u00e1lcool ou outra subst\u00e2ncia psicoativa.<\/p>\n<p>Agindo dessa forma, o r\u00e9u faz t\u00e1bula rasa do princ\u00edpio \u201cN<em>emo Tenetur se Detergere&quot;, <\/em>j\u00e1 que da aus\u00eancia de colabora\u00e7\u00e3o do autor retira consequ\u00eancias jur\u00eddicas que somente seriam aplic\u00e1veis \u00e0queles que, efetivamente, estivessem conduzindo sob influ\u00eancia de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Aplicar igual tratamento a tais situa\u00e7\u00f5es distintas \u00e9 o mesmo que desconsiderar a citada garantia constitucional.<\/p>\n<p>Vale mencionar que, pela gravidade das san\u00e7\u00f5es administrativas impostas, devem ser observadas, neste caso, as mesmas considera\u00e7\u00f5es aplic\u00e1veis ao processo penal, n\u00e3o podendo a aus\u00eancia de colabora\u00e7\u00e3o do autor ser interpretada em seu preju\u00edzo. Nesse sentido, Aury Lopes Jr., em sua conceituada obra Direito Processual Penal, assim se manifesta:<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) O direito de sil\u00eancio \u00e9 muito mais amplo e inscreve-se na dimens\u00e3o do princ\u00edpio do nemo tenetur se detergere. Conjugando-se com a presun\u00e7\u00e3o constitucional de inoc\u00eancia, bem como com a necess\u00e1ria recusa a matriz inquisit\u00f3ria, \u00e9 elementar que o r\u00e9u n\u00e3o pode ser compelido a declarar ou mesmo participar de qualquer atividade que possa incrimin\u00e1-lo ou prejudicar sua defesa. Mas, frise-se: a recusa n\u00e3o autoriza qualquer presun\u00e7\u00e3o ou mesmo ind\u00edcio de culpa.<\/p>\n<p>\tDessarte, o imputado n\u00e3o poder ser compelido a participar de acarea\u00e7\u00f5es, reconstitui\u00e7\u00f5es, fornecer material para realiza\u00e7\u00e3o de exames periciais (exame de sangue, DNA, escrita, etc.) etc. Por elementar, sendo a recusa um direito, obviamente n\u00e3o pode causar preju\u00edzos ao imputado e muito menos ser considerado delito de desobedi\u00eancia.\u201d  (op. cit. &#8211; 10. ed, 2013. Editora Saraiva, p\u00e1gina 243). Com grifos no original.<\/p>\n<p>Note-se o destaque que o festejado processualista d\u00e1 ao desdobramento do citado princ\u00edpio, sendo v\u00e1lido repetir o seguinte trecho da cita\u00e7\u00e3o: \u201c\u2026 <em>a recusa n\u00e3o autoriza qualquer presun\u00e7\u00e3o ou mesmo ind\u00edcio de culpa.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o deste princ\u00edpio em casos de san\u00e7\u00f5es de natureza administrativa \u00e9 albergada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal no inciso LV do artigo 5\u00ba a seguir transcrito:<\/p>\n<p>\u201cLV &#8211; aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral s\u00e3o assegurados o contradit\u00f3rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;\u201d<\/p>\n<p>Ampla defesa, tanto em processos jurisdicionais quanto administrativos, engloba a defesa t\u00e9cnica e a defesa pessoal, esta tamb\u00e9m chamada de autodefesa. A defesa t\u00e9cnica \u00e9 aquela realizada pelo profissional habilitado para tanto, o advogado; j\u00e1 a autodefesa \u00e9 aquela realizada pela pr\u00f3pria parte no processo. <\/p>\n<p>Esta defesa pessoal, pode se caracterizar pela participa\u00e7\u00e3o da parte interessada, ou tamb\u00e9m pela negativa de colabora\u00e7\u00e3o com quaisquer atos que lhe possam acarretar san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se o citado dispositivo constitucional garante aos litigantes em processo administrativo a ampla defesa, por \u00f3bvio, garante tamb\u00e9m a autodefesa, esta, por sua vez, pode se consubstanciar no direito de n\u00e3o produzir prova contra si mesmo, sem que da\u00ed se extraia qualquer presun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Refor\u00e7ando o direito constitucional invocado, a Conven\u00e7\u00e3o Americana De Direitos Humanos (1969) (Pacto De San Jos\u00e9 Da Costa Rica), em seu artigo 8\u00ba, assim disp\u00f5e:<\/p>\n<p>\u201cArtigo 8\u00ba &#8211; Garantias judiciais<\/p>\n<p>g) direito de n\u00e3o ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada; e\u201d<\/p>\n<p>\tDo que foi exposto, patente a viola\u00e7\u00e3o de garantias constitucionais do cidad\u00e3o, restando cristalinamente demonstrada a plausibilidade do direito invocado.<\/p>\n<p>\tO perigo de dano da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional consubstancia-se no fato de que est\u00e1 o demandante prestes a ter sua habilita\u00e7\u00e3o suspensa, o que lhe acarretar\u00e1 a consequ\u00eancia de n\u00e3o poder conduzir ve\u00edculo automotor, em que pese estar devidamente habilitado como comprova a c\u00f3pia de sua CNH que instrui a presente inicial.<\/p>\n<p>\tA tutela de urg\u00eancia n\u00e3o corre qualquer risco de irreversibilidade, na medida em que, cassada ou revogada, restabelecer-se-\u00e1 o <em>status quo ante, <\/em>passando a valer a penalidade aplicada com todas as suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>\tO Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro, julgando agravo de instrumento em caso semelhante, concedeu a antecipa\u00e7\u00e3o dos efeitos da tutela de m\u00e9rito para suspender a aplica\u00e7\u00e3o das penalidades, como se v\u00ea do julgado adiante:<\/p>\n<p>\u201c<a href=\"http:\/\/www4.tjrj.jus.br\/ejud\/consultaprocesso.aspx?N=201500202839&amp;CNJ=0004340-60.2015.8.19.0000\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">0004340-60.2015.8.19.0000<\/a> &#8211; AGRAVO DE INSTRUMENTO <\/p>\n<p>DES. GUARACI DE CAMPOS VIANNA &#8211; Julgamento: 01\/07\/2015 &#8211; DECIMA NONA CAMARA CIVEL <\/p>\n<p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. OPERA\u00c7\u00c3O LEI SECA. SUSPENS\u00c3O DO DIREITO DE CONDUZIR VE\u00cdCULOS AUTOMOTORES. INDEFERIMENTO DE TUTELA ANTECIPADA. REFORMA DA DECIS\u00c3O DE 1\u00ba GRAU. PROVIMENTO DO RECURSO QUE SE IMP\u00d5E. 1- Pretende o agravante a reforma da r. decis\u00e3o de 1\u00ba grau a fim de que seja de que seja deferida consistente na suspens\u00e3o da efic\u00e1cia de ato administrativo que sustou o seu direito de dirigir e determinou a apreens\u00e3o da sua carteira de habilita\u00e7\u00e3o, pelo per\u00edodo de doze meses. 2- A atua\u00e7\u00e3o dos agentes da denominada Lei Seca se revelam leg\u00edtimo exerc\u00edcio da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica no seu poder de pol\u00edcia, visando \u00e0 seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o em geral e do pr\u00f3prio condutor do ve\u00edculo. 3- Segundo Hely Lopes Meirelles, o Poder de Pol\u00edcia \u00e9 o mecanismo de frenagem de que disp\u00f5e a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica para conter os abusos do direito individual\u00bf, contudo, sob a invoca\u00e7\u00e3o do poder de pol\u00edcia n\u00e3o pode a autoridade anular as liberdades p\u00fablicas ou aniquilar os direitos fundamentais do indiv\u00edduo, assegurados pela Constitui\u00e7\u00e3o. 4- \u00c0 \u00e9poca da infra\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o vigorava a altera\u00e7\u00e3o trazida pela lei 12760\/2012, que passou a permitir a utiliza\u00e7\u00e3o de provas indiretas, diversas do teste de alcoolemia, para a comprova\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia de \u00e1lcool ou outra subst\u00e2ncia que altere a capacidade psicomotora do condutor de ve\u00edculo automotor. 5- Compulsando os autos e das contrarraz\u00f5es apresentadas pelo \u00f3rg\u00e3o de tr\u00e2nsito, verifica-se que nada h\u00e1 al\u00e9m da negativa da agravante em realizar o teste do baf\u00f4metro, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia ou qualquer outro sinal de que a motorista estaria embriagada, tendo a pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o afirmado que a aplica\u00e7\u00e3o da penalidade se deu em raz\u00e3o do disposto no art. 277, \u00a7 3\u00ba do CTB. 6- Nesse diapas\u00e3o, cabe destacar que o indiv\u00edduo n\u00e3o pode ser compelido a colaborar com os referidos testes do baf\u00f4metro, em respeito ao princ\u00edpio segundo o qual ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a se autoincriminar. 7- Sendo assim, alegando a agravante ter se recusado a realizar o teste de baf\u00f4metro, amparado pela veda\u00e7\u00e3o constitucional da produ\u00e7\u00e3o de prova contra si mesmo, conforme artigo 5.\u00ba, inciso LXIII, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, verifica-se a verossimilhan\u00e7a de sua alega\u00e7\u00e3o, no sentido de que, toda pessoa acusada tem direito a que se presuma sua inoc\u00eancia, enquanto n\u00e3o for legalmente comprovada sua culpa. 8- Portanto, enquanto n\u00e3o se apure taxativamente sua responsabilidade n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o que justifique a suspens\u00e3o do seu direito de conduzir ve\u00edculos automotores. 9- Provimento ao recurso, com base artigo 557, \u00a71\u00ba-A, do C\u00f3digo de Processo Civil.\u201d<\/p>\n<p>Assim, requer seja concedida a tutela de urg\u00eancia, para determinar que o r\u00e9u se abstenha de aplicar qualquer penalidade administrativa em decorr\u00eancia do auto de infra\u00e7\u00e3o objeto deste feito  sob pena de pagamento de multa di\u00e1ria a ser fixada por Vossa Excel\u00eancia, sem preju\u00edzo das demais san\u00e7\u00f5es cab\u00edveis em raz\u00e3o da desobedi\u00eancia da ordem judicial.<\/p>\n<p>O DIREITO<\/p>\n<p>Ao aplicar as grav\u00edssimas san\u00e7\u00f5es j\u00e1 mencionadas, o r\u00e9u deixou de observar garantias constitucionais do cidad\u00e3o, ao tratar a recusa \u00e0 submiss\u00e3o ao teste do etil\u00f4metro da mesma forma como s\u00e3o tratados os condutores que transitam sob influ\u00eancia de \u00e1lcool ou outra subst\u00e2ncia psicoativa.<\/p>\n<p>Agindo dessa forma, o r\u00e9u faz t\u00e1bula rasa do princ\u00edpio \u201cN<em>emo Tenetur se Detergere&quot;, <\/em>j\u00e1 que, da aus\u00eancia de colabora\u00e7\u00e3o do autor, retira consequ\u00eancias jur\u00eddicas que somente seriam aplic\u00e1veis \u00e0queles que, efetivamente, estivessem conduzindo sob influ\u00eancia de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Aplicar igual tratamento a tais situa\u00e7\u00f5es distintas \u00e9 o mesmo que desconsiderar a citada garantia constitucional.<\/p>\n<p>Vale mencionar que, pela gravidade das san\u00e7\u00f5es administrativas impostas, devem ser observadas, neste caso, as mesmas considera\u00e7\u00f5es aplic\u00e1veis ao Processo Penal, n\u00e3o podendo a aus\u00eancia de colabora\u00e7\u00e3o do autor ser interpretada em seu preju\u00edzo. Nesse sentido, Aury Lopes Jr., em sua conceituada obra Direito Processual Penal, assim se manifesta:<\/p>\n<p>\u201c\u2026 O direito de sil\u00eancio \u00e9 muito mais amplo e inscreve-se na dimens\u00e3o do princ\u00edpio do nemo tenetur se detergere. Conjugando-se com a presun\u00e7\u00e3o constitucional de inoc\u00eancia, bem como com a necess\u00e1ria recusa a matriz inquisit\u00f3ria, \u00e9 elementar que o r\u00e9u n\u00e3o pode ser compelido a declarar ou mesmo participar de qualquer atividade que possa incrimin\u00e1-lo ou prejudicar sua defesa. Mas, frise-se: a recusa n\u00e3o autoriza qualquer presun\u00e7\u00e3o ou mesmo ind\u00edcio de culpa.<\/p>\n<p>Dessarte, o imputado n\u00e3o poder ser compelido a participar de acarea\u00e7\u00f5es, reconstitui\u00e7\u00f5es, fornecer material para realiza\u00e7\u00e3o de exames periciais (exame de sangue, DNA, escrita, etc.) etc. Por elementar, sendo a recusa um direito, obviamente n\u00e3o pode causar preju\u00edzos ao imputado e muito menos ser considerado delito de desobedi\u00eancia.\u201d (op. cit. 10. ed, 2013. Editora Saraiva, p\u00e1gina 243. Com grifos no original).<\/p>\n<p>Note-se o destaque que o festejado processualista d\u00e1 ao desdobramento do citado princ\u00edpio, sendo v\u00e1lido repetir o seguinte trecho da cita\u00e7\u00e3o: \u201c\u2026 <em>a recusa n\u00e3o autoriza qualquer presun\u00e7\u00e3o ou mesmo ind\u00edcio de culpa.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o deste princ\u00edpio em casos de san\u00e7\u00f5es de natureza administrativa \u00e9 albergada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal no inciso LV do artigo 5\u00ba a seguir transcrito:<\/p>\n<p>\u201cLV &#8211; aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral s\u00e3o assegurados o contradit\u00f3rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;\u201d<\/p>\n<p>Ampla defesa, tanto em processos jurisdicionais quanto administrativos, engloba a defesa t\u00e9cnica e a defesa pessoal, esta tamb\u00e9m chamada de autodefesa. A defesa t\u00e9cnica \u00e9 aquela realizada pelo profissional habilitado para tanto, o advogado; j\u00e1 a autodefesa \u00e9 aquela realizada pela pr\u00f3pria parte no processo. <\/p>\n<p>Esta defesa pessoal, pode se caracterizar pela participa\u00e7\u00e3o da parte interessada, ou tamb\u00e9m pela negativa de colabora\u00e7\u00e3o com quaisquer atos que lhe possam acarretar san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se o citado dispositivo constitucional garante aos litigantes em processo administrativo a ampla defesa, por \u00f3bvio, garante tamb\u00e9m a autodefesa, esta, por sua vez, pode se consubstanciar no direito de n\u00e3o produzir prova contra si mesmo, sem que da\u00ed se extraia qualquer presun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Refor\u00e7ando o direito constitucional invocado, a Conven\u00e7\u00e3o Americana De Direitos Humanos (1969) (Pacto De San Jos\u00e9 Da Costa Rica), em seu artigo 8\u00ba, assim disp\u00f5e:<\/p>\n<p>\u201cArtigo 8\u00ba &#8211; Garantias judiciais<\/p>\n<p>g) direito de n\u00e3o ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada; e\u201d<\/p>\n<p>\tDo que foi exposto, patente a viola\u00e7\u00e3o de garantias constitucionais do cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>\tDisp\u00f5e o artigo 277 do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro:<\/p>\n<p>\u201cArt. 277.  O condutor de ve\u00edculo automotor envolvido em acidente de tr\u00e2nsito ou que for alvo de fiscaliza\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito poder\u00e1 ser submetido a teste, exame cl\u00ednico, per\u00edcia ou outro procedimento que, por meios t\u00e9cnicos ou cient\u00edficos, na forma disciplinada pelo Contran, permita certificar influ\u00eancia de \u00e1lcool ou outra subst\u00e2ncia psicoativa que determine depend\u00eancia.          (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 12.760, de 2012)<\/p>\n<p>\u00a7 1o  (Revogado). (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 12.760, de 2012)<\/p>\n<p>\u00a7 2o  A infra\u00e7\u00e3o prevista no art. 165 tamb\u00e9m poder\u00e1 ser caracterizada mediante imagem, v\u00eddeo, constata\u00e7\u00e3o de sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora ou produ\u00e7\u00e3o de quaisquer outras provas em direito admitidas. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 12.760, de 2012)<\/p>\n<p>\u00a7 3o  Ser\u00e3o aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. 165 deste C\u00f3digo ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo.(Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 11.705, de 2008).\u201d<\/p>\n<p>\tPara entender o real significado de um dispositivo legal, deve-se respeitar o contexto jur\u00eddico no qual o mesmo se encontra inserido. Apesar da obviedade desta observa\u00e7\u00e3o, ela se faz necess\u00e1ria em face da tend\u00eancia de conferir ao \u00a73\u00ba acima transcrito certa independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos ditames averbados no <em>caput<\/em> e demais par\u00e1grafos do mesmo artigo.<\/p>\n<p>As disposi\u00e7\u00f5es normativas s\u00e3o redigidas observando uma ordem l\u00f3gica. Os par\u00e1grafos dos artigos expressam aspectos complementares \u00e0 norma enunciada no seu caput, consoante estatu\u00eddo no inciso III do art. 11 da Lei Complementar n\u00ba 95\/98.  \u00c9 certo que tamb\u00e9m podem trazer exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra nele estabelecida, mas notadamente este n\u00e3o \u00e9 o caso dos par\u00e1grafos do art. 277, CTB, que em momento algum fazem ressalvas \u00e0 sua ideia principal.<\/p>\n<p>Assim, o \u00a73\u00ba do art. 277 do CTB n\u00e3o se presta para punir a obje\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos procedimentos de apura\u00e7\u00e3o da sobriedade do condutor, servindo, outrossim, para complementar o ide\u00e1rio esbo\u00e7ado nos par\u00e1grafos que o antecedem e no <em>caput<\/em> do mesmo artigo. Como j\u00e1 foi dito antes, o que o regramento jur\u00eddico pretende punir \u00e9 a conduta de dirigir sob a influ\u00eancia de \u00e1lcool e o mencionado par\u00e1grafo apenas acentua que o fato do condutor se opor \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o da suspeita de que tenha praticado tal conduta n\u00e3o o isentar\u00e1 da reprimenda.<\/p>\n<p>Portanto, a suspeita de que o condutor esteja dirigindo sob a influ\u00eancia de \u00e1lcool \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que o agente de tr\u00e2nsito o submeta aos testes, exames ou per\u00edcias destinadas a confirmar ou refutar tal desconfian\u00e7a. Cumpre, ent\u00e3o, determinar o que pode motivar a forma\u00e7\u00e3o dessa impress\u00e3o desfavor\u00e1vel ao condutor. Aqui ganha relev\u00e2ncia o \u00a72\u00ba do retro citado artigo ao estabelecer os elementos que podem ser utilizados para caracterizar a infra\u00e7\u00e3o do art. 165, CTB. S\u00e3o justamente esses indicadores que servem para despertar suspeita quanto \u00e0 sobriedade do condutor, ou seja, os not\u00f3rios sinais de embriaguez, excita\u00e7\u00e3o ou torpor, apresentados.<\/p>\n<p>Muito embora os elementos que d\u00e3o suporte \u00e0 suspeita possam variar de acordo com as peculiaridades de cada caso concreto, deve-se ter presente que ela deve ser suficientemente robusta para desconstituir a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia do condutor.<\/p>\n<p>Presun\u00e7\u00e3o significa, segundo Silvio Rodrigues, \u201cila\u00e7\u00e3o tirada de um fato conhecido para um desconhecido\u201d, destacando que as presun\u00e7\u00f5es \u201cou decorrem da lei e chamam-se legais, ou adv\u00eam de circunst\u00e2ncias da vida, daquilo que habitualmente acontece, e ent\u00e3o, chamam-se presun\u00e7\u00f5es <em>hominis<\/em> ou presun\u00e7\u00f5es comuns\u201d. Citado autor classifica as presun\u00e7\u00f5es como <em>juris tantum<\/em> e <em>juris et de jure<\/em>, distinguindo-as o fato destas, as <em>juris et de jure<\/em>, n\u00e3o admitirem provas em contr\u00e1rio, ou seja, mesmo que n\u00e3o sejam verdadeiras, a lei imp\u00f5e a verdade sobre os fatos pressupostos; j\u00e1 aquelas, as presun\u00e7\u00f5es <em>juris tantum<\/em>, admitem provas em contr\u00e1rio. A presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia se enquadra nesta \u00faltima categoria, ou seja, admite prova em contr\u00e1rio, e esta prova, na hip\u00f3tese dos autos, poder\u00e1 ser obtida pelos m\u00e9todos enumerados no <em>caput<\/em> do art. 277, CTB, ou da forma estabelecida no \u00a72\u00ba do mesmo artigo.<\/p>\n<p>\tSe n\u00e3o bastasse, o pr\u00f3prio CONTRAN, atrav\u00e9s das Resolu\u00e7\u00f5es n\u00ba 432\/2013 e n\u00ba 206\/2006, indica qual o procedimento a ser realizado no caso do condutor do ve\u00edculo se recusar a realizar o teste do etil\u00f4metro, e, ainda, especifica quais os meios de se comprovar a incapacidade psicomotora do condutor do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>\tA Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 206\/2006, deixa claro que, caso o condutor se recuse a realizar o teste de etil\u00f4metro, a autoridade dever\u00e1 se valer de outros meios para constatar a real incapacidade do condutor:<\/p>\n<p>\u201cArt. 2\u00ba. No caso de recusa do condutor \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos testes, dos exames e da per\u00edcia, previstos no artigo 1\u00ba, a infra\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser caracterizada mediante a obten\u00e7\u00e3o, pelo agente da autoridade de tr\u00e2nsito, de outras provas em direito admitidas acerca dos not\u00f3rios sinais resultantes do consumo de \u00e1lcool ou de qualquer subst\u00e2ncia entorpecente apresentados pelo condutor, conforme Anexo desta Resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a7 1\u00ba. Os sinais de que trata o caput deste artigo, que levaram o agente da Autoridade de Tr\u00e2nsito \u00e0 constata\u00e7\u00e3o do estado do condutor e \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o prevista no artigo 165 da Lei n\u00ba 9.503\/97, dever\u00e3o ser por ele descritos na ocorr\u00eancia ou em termo espec\u00edfico que contenham as informa\u00e7\u00f5es m\u00ednimas indicadas no Anexo desta Resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a7 2\u00ba. O documento citado no par\u00e1grafo 1\u00ba deste artigo dever\u00e1 ser preenchido e firmado pelo agente da Autoridade de Tr\u00e2nsito, que confirmar\u00e1 a recusa do condutor em se submeter aos exames previstos pelo artigo 277 da Lei n\u00ba 9.503\/97.\u201d<\/p>\n<p>\tN\u00e3o obstante, segundo a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 432\/2013, para que haja a confirma\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora do condutor do ve\u00edculo pela autoridade que esteja conduzindo a opera\u00e7\u00e3o, dever\u00e1 ser considerado um conjunto de sinais e n\u00e3o somente apenas um, ou, no caso em tela, a presun\u00e7\u00e3o de um dos sinais.<\/p>\n<p>DOS SINAIS DE ALTERA\u00c7\u00c3O DA CAPACIDADE PSICOMOTORA<\/p>\n<p>Art. 5\u00ba Os sinais de altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora poder\u00e3o ser verificados por:<\/p>\n<p>I \u2013 exame cl\u00ednico com laudo conclusivo e firmado por m\u00e9dico perito; ou<\/p>\n<p>II \u2013 constata\u00e7\u00e3o, pelo agente da Autoridade de Tr\u00e2nsito, dos sinais de altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora nos termos do Anexo II.<\/p>\n<p>\u00a7 1\u00ba Para confirma\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora pelo agente da Autoridade de Tr\u00e2nsito, dever\u00e1 ser considerado n\u00e3o somente um sinal, mas um conjunto de sinais que comprovem a situa\u00e7\u00e3o do condutor. (grifo nosso).<\/p>\n<p>\tAdemais, caso a autoridade presente constatasse algum dos sinais de altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora do autor, deveria descrev\u00ea-las no auto de infra\u00e7\u00e3o, conforme nos mostra o \u00a7 2\u00ba do citado artigo 5\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o: <\/p>\n<p>\u00a7 2\u00ba Os sinais de altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora de que trata o inciso II dever\u00e3o ser descritos no auto de infra\u00e7\u00e3o ou em termo espec\u00edfico que contenha as informa\u00e7\u00f5es m\u00ednimas indicadas no Anexo II, o qual dever\u00e1 acompanhar o auto de infra\u00e7\u00e3o.  (grifo nosso).<\/p>\n<p>\tO artigo 6\u00ba da mesma Resolu\u00e7\u00e3o, define como ser\u00e1 feita a caracteriza\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o prevista no artigo 165 do CTB: <\/p>\n<p>DA INFRA\u00c7\u00c3O ADMINISTRATIVA<\/p>\n<p>Art. 6\u00ba A infra\u00e7\u00e3o prevista no art. 165 do CTB ser\u00e1 caracterizada por:<\/p>\n<p>I \u2013 exame de sangue que apresente qualquer concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool por litro de sangue;<\/p>\n<p>II \u2013 teste de etil\u00f4metro com medi\u00e7\u00e3o realizada igual ou superior a 0,05 miligrama de \u00e1lcool por litro de ar alveolar expirado (0,05 mg\/L), descontado o erro m\u00e1ximo admiss\u00edvel nos termos da \u201cTabela de Valores Referenciais para Etil\u00f4metro\u201d constante no Anexo I;<\/p>\n<p>III \u2013 sinais de altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora obtidos na forma do art. 5\u00ba.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Ser\u00e3o aplicadas as penalidades e medidas administrativas previstas no art. 165 do CTB ao condutor que recusar a se submeter a qualquer um dos procedimentos previstos no art. 3\u00ba, sem preju\u00edzo da incid\u00eancia do crime previsto no art. 306 do CTB caso o condutor apresente os sinais de altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora. (grifo nosso)<\/p>\n<p>\tConforme demonstra o documento que instrui a presente, a autoridade policial n\u00e3o fez nenhuma observa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 capacidade psicomotora do autor, nem ao menos solicitou que o mesmo realizasse qualquer outro tipo de teste que n\u00e3o o do baf\u00f4metro.<\/p>\n<p>\tTrago \u00e0 cola\u00e7\u00e3o o Anexo II da Resolu\u00e7\u00e3o supra, com destaque no item VI:<\/p>\n<p>\u201cANEXO II<\/p>\n<p>SINAIS DE ALTERA\u00c7\u00c3O DA CAPACIDADE PSICOMOTORA<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es m\u00ednimas que dever\u00e3o constar no termo mencionado no artigo 6\u00ba desta Resolu\u00e7\u00e3o, para constata\u00e7\u00e3o dos sinais de altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora pelo agente da Autoridade de Tr\u00e2nsito:<\/p>\n<p>I. Identifica\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o ou entidade de tr\u00e2nsito fiscalizador;<\/p>\n<p>II. Dados do condutor:<\/p>\n<p>a. Nome;<\/p>\n<p>b. N\u00famero do Prontu\u00e1rio da CNH e\/ou do documento de identifica\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>c. Endere\u00e7o, sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n<p>III. Dados do ve\u00edculo:<\/p>\n<p>a. Placa\/UF;<\/p>\n<p>b. Marca;<\/p>\n<p>IV. Dados da abordagem:<\/p>\n<p>a. Data;<\/p>\n<p>b. Hora;<\/p>\n<p>c. Local;<\/p>\n<p>d. N\u00famero do auto de infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>V. Relato do condutor:<\/p>\n<p>a. Envolveu-se em acidente de tr\u00e2nsito;<\/p>\n<p>b. Declara ter ingerido bebida alco\u00f3lica, sim ou n\u00e3o (Em caso positivo, quando);<\/p>\n<p>c. Declara ter feito uso de subst\u00e2ncia psicoativa que determine depend\u00eancia, sim ou n\u00e3o (Em caso positivo, quando);<\/p>\n<p>VI. Sinais observados pelo agente fiscalizador:<\/p>\n<p>a. Quanto \u00e0 apar\u00eancia, se o condutor apresenta:<\/p>\n<p>i. Sonol\u00eancia;<\/p>\n<p>ii. Olhos vermelhos; <\/p>\n<p>iii. V\u00f4mito;<\/p>\n<p>iv. Solu\u00e7os;<\/p>\n<p>v. Desordem nas vestes;<\/p>\n<p>vi. Odor de \u00e1lcool no h\u00e1lito.<\/p>\n<p>b. Quanto \u00e0 atitude, se o condutor apresenta:<\/p>\n<p>i. Agressividade;<\/p>\n<p>ii. Arrog\u00e2ncia;<\/p>\n<p>iii. Exalta\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>iv. Ironia;<\/p>\n<p>v. Falante;<\/p>\n<p>vi. Dispers\u00e3o.<\/p>\n<p>c. Quanto \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o, se o condutor:<\/p>\n<p>i. sabe onde est\u00e1;<\/p>\n<p>ii. sabe a data e a hora.<\/p>\n<p>d. Quanto \u00e0 mem\u00f3ria, se o condutor:<\/p>\n<p>i. sabe seu endere\u00e7o;<\/p>\n<p>ii. lembra dos atos cometidos;<\/p>\n<p>e. Quanto \u00e0 capacidade motora e verbal, se o condutor apresenta:<\/p>\n<p>i. Dificuldade no equil\u00edbrio;<\/p>\n<p>ii. Fala alterada;<\/p>\n<p>VII. Afirma\u00e7\u00e3o expressa, pelo agente fiscalizador:<\/p>\n<p>a. De acordo com as caracter\u00edsticas acima descritas, constatei que o condutor acima qualificado,<\/p>\n<p>est\u00e1 ( ) sob influ\u00eancia de \u00e1lcool ( ) sob influ\u00eancia de subst\u00e2ncia psicoativa.<\/p>\n<p>b. O condutor ( ) se recusou ( ) n\u00e3o se recusou a realizar os testes, exames ou per\u00edcia que<\/p>\n<p>permitiriam certificar o seu estado quanto \u00e0 altera\u00e7\u00e3o da capacidade psicomotora.<\/p>\n<p>VIII. Quando houver testemunha (s), a identifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>a. nome;<\/p>\n<p>b. documento de identifica\u00e7\u00e3o; <\/p>\n<p>c. endere\u00e7o;<\/p>\n<p>d. assinatura.<\/p>\n<p>IX. Dados do Policial ou do Agente da Autoridade de Tr\u00e2nsito:<\/p>\n<p>a. Nome;<\/p>\n<p>b. Matr\u00edcula;<\/p>\n<p>c. Assinatura.\u201d<\/p>\n<p>\tPor \u00f3bvio, a autoridade presente, n\u00e3o notou qualquer incapacidade, achando, provavelmente, desnecess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de outros testes.<\/p>\n<p>\tN\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel que um policial, investido da condi\u00e7\u00e3o de agente de tr\u00e2nsito, acostumado com opera\u00e7\u00f5es dessa natureza, deixaria de realizar os procedimentos essenciais \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da incapacidade psicomotora do condutor.<\/p>\n<p>\tDessa forma, tem-se, por \u00f3bvio, que o autor n\u00e3o estava conduzindo o ve\u00edculo alcoolizado.<\/p>\n<p>\tPor todos os consistentes fundamentos acima expostos, tem-se cristalinamente verificada a inconstitucionalidade do \u00a7 3\u00ba do artigo 277 do CTB, ante a frontal viola\u00e7\u00e3o \u00e0s garantias constitucionais de ampla defesa e devido processo legal, previstas nos incisos  LIV e LV do art 5 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>DOS PEDIDOS<\/p>\n<p>Ante o exposto, requer:<\/p>\n<ol>\n<li>A cita\u00e7\u00e3o do r\u00e9u, na pessoa do seu representante legal, para, querendo, apresentar resposta no prazo legal, sob pena de revelia, nos termos do art. 344 do C\u00f3digo de Processo Civil;<\/li>\n<li>O deferimento da tutela de urg\u00eancia, inaudita altera parte, para determinar que o demandado, sob pena de multa a ser fixada pelo Ju\u00edzo, suspenda as consequ\u00eancias do auto de infra\u00e7\u00e3o, em especial, evitando-se a suspens\u00e3o do direito de conduzir ve\u00edculo automotor do autor, bem como a frequ\u00eancia obrigat\u00f3ria a curso de reciclagem para condutores infratores;<\/li>\n<li>Ao final, seja julgado procedente o pedido formulado, declarando-se, \u201cincidenter tantum\u201d, a inconstitucionalidade do \u00a7 3\u00ba do artigo 277 do CTB, e confirmando a decis\u00e3o antecipat\u00f3ria da tutela de m\u00e9rito, declarando a nulidade do auto de infra\u00e7\u00e3o C35028952 e de suas nefastas consequ\u00eancias;<\/li>\n<li>A condena\u00e7\u00e3o do demandado ao pagamento das custas processuais e taxa judici\u00e1ria, devidamente corrigidas;<\/li>\n<li>Concorda o demandante com a realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o ou media\u00e7\u00e3o prevista no art. 334 do CPC. (Caso n\u00e3o queira a realiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia, declarar expressamente);<\/li>\n<li>A condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia a serem arbitrados pelo Ju\u00edzo nos termos previsto artigo 85 do C\u00f3digo de Processo Civil<\/li>\n<\/ol>\n<p>\tProtesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas.<\/p>\n<p>\tD\u00e1-se \u00e0 presente o valor de R$_______ (art.291 do CPC)<\/p>\n<p>\tTermos em que,<\/p>\n<p>\tPede deferimento.<\/p>\n<p>(localidade), (dia) de (m\u00eas) de (ano).<\/p>\n<p>______________________________________<\/p>\n<p>(nome do Advogado)<\/p>\n<p>(OAB n\u00ba)<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[142],"class_list":["post-2977765","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-civel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/2977765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2977765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=2977765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}