{"id":27879,"date":"2023-07-28T23:37:40","date_gmt":"2023-07-28T23:37:40","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-28T23:37:40","modified_gmt":"2023-07-28T23:37:40","slug":"acao-de-indenizacao-por-negativacao-indevida-e-danos-morais","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/acao-de-indenizacao-por-negativacao-indevida-e-danos-morais\/","title":{"rendered":"[MODELO] A\u00c7\u00c3O DE INDENIZA\u00c7\u00c3O POR NEGATIVA\u00c7\u00c3O INDEVIDA E DANOS MORAIS"},"content":{"rendered":"<p>AO DOUTO JU\u00cdZO DE DIREITO DA 00\u00aa VARA C\u00cdVEL DO FORO DE CIDADE\/UF<\/p>\n<p>NOME DO CLIENTE, nacionalidade, estado civil, profiss\u00e3o, portador do CPF\/MF n\u00ba 0000000, com Documento de Identidade de n\u00b0 000000, residente e domiciliado na Rua TAL, n\u00ba 00000, bairro TAL, CEP: 000000, CIDADE\/UF, por meio de seu advogado que esta subscreve, vem perante Vossa Excel\u00eancia, propor:<\/p>\n<p>A\u00c7\u00c3O DE INDENIZA\u00c7\u00c3O POR NEGATIVA\u00c7\u00c3O INDEVIDA COM PEDIDO LIMINAR PARA EXCLUS\u00c3O E ABSTEN\u00c7\u00c3O DE APONTAMENTOS E DANOS MORAIS<\/p>\n<p>em face de FULANO DE TAL, nacionalidade, estado civil, profiss\u00e3o, portador do CPF\/MF n\u00ba 0000000, com Documento de Identidade de n\u00b0 000000, residente e domiciliado na Rua TAL, n\u00ba 00000, bairro TAL, CEP: 000000, CIDADE\/UF, pelas raz\u00f5es de fato e de direito que passa a aduzir e no final requer.:<\/p>\n<p>DOS FATOS<\/p>\n<p>A A\u00e7\u00e3o que deu origem ao ajuizamento desta, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o ajuizada por SICRANO contra FULANO (doc. 00). Segundo noticiado, as partes celebraram, na data de DIA\/M\u00caS\/ANO, contrato de cr\u00e9dito banc\u00e1rio de ve\u00edculo sob o n\u00ba 000, tendo o autor se comprometido a pagar a import\u00e2ncia de R$ 00 (REAIS) a vista, e o restante de R$ 000 (REAIS), em parcelas mensais de R$ 000 (REAIS).<\/p>\n<p>Em garantia ao contrato celebrado, foi dado em aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria ao autor o ve\u00edculo TAL, marca TAL, modelo TAL, placa XXX-0000, chassi 0000.<\/p>\n<p>Ocorre por motivos de dificuldades financeira e, ainda, pelos juros e encargos abusivos, o autor n\u00e3o mais conseguiu honrar com suas obriga\u00e7\u00f5es contratuais a partir de DIA\/M\u00caS\/ANO, constituindo-se em mora e possibilitando ao autor reivindicar o bem dado em garantia, nos autos da a\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o de n\u00famero 000000.<\/p>\n<p>Deferida a liminar, procedeu-se \u00e0 busca e apreens\u00e3o do bem gravado com cl\u00e1usula de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria TAL (doc. 00).<\/p>\n<p>Enfim o feito restou sentenciado, tornando definitiva a liminar anteriormente deferida, julgando procedente o pedido inicial consolidando a posse plena e exclusiva do r\u00e9u sobre o ve\u00edculo objeto do contrato. (doc. 00).<\/p>\n<p>No entanto, apesar da venda do bem em leil\u00e3o, o nome do autor ficou indevidamente negativado no valor total cobrado quando do ingresso da a\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o, ou seja, de R$ 000 (REAIS), sem levar, em conta a amortiza\u00e7\u00e3o do valor do d\u00e9bito com a venda do ve\u00edculo em leil\u00e3o o qual foi apreendido em TAL. E posteriormente vendido, e os valores contratuais j\u00e1 quitados, o que por si s\u00f3, demonstra claramente a abusividade perpetuada pelo r\u00e9u em face do autor.<\/p>\n<p>Ainda, pior, o r\u00e9u telefona insistentemente para o autor oferecendo acordo para quita\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito contratual, sem ter prestado qualquer conta do valor devido com as amortiza\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias conforme reza o decreto art. 2\u00ba do Decreto-Lei 911\/69, alterada pela Lei n\u00ba 13.043\/2014, simplesmente fazendo ofertas absurdas, como se estivessem fazendo um grande favor ao autor, sendo que na verdade est\u00e3o mais uma vez tentando se enriquecer de forma il\u00edcita, o que tamb\u00e9m demonstra o ato il\u00edcito por parte do r\u00e9u, operando-se, mais uma vez, o dever de indenizar o autor, pelos il\u00edcitos cometidos pelo r\u00e9u.<\/p>\n<p>Diante da vexat\u00f3ria e injusta situa\u00e7\u00e3o a qual vivencia o autor, pode-se dizer que sua vida ficou ao &quot;avesso&quot;, uma vez que passava grande parte de seus dias tentando resolver amigavelmente a quest\u00e3o, sem ter que recorrer \u00e0 justi\u00e7a, n\u00e3o tendo obtido \u00eaxito, dado a m\u00e1-f\u00e9 do r\u00e9u, sendo assim, nada mais lhe restou sen\u00e3o ingressar com a presente a\u00e7\u00e3o para ver seu nome limpo de toda a lama que a r\u00e9 o enterrou.<\/p>\n<p>DO DIREITO<\/p>\n<p>DO ATO IL\u00cdCITO<\/p>\n<p>Diante dos fatos anteriormente explicitados, percebe-se claramente a configura\u00e7\u00e3o do ato il\u00edcito, pois, o r\u00e9u agiu de maneira imprudente mantendo indevidamente o nome do autor negativado junto aos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito (doc. 00), desde a apreens\u00e3o do ve\u00edculo, ou seja, a partir daquela data, com a apreens\u00e3o e venda do bem em leil\u00e3o, a d\u00edvida se tornou indevida, j\u00e1 que deveria ter o r\u00e9u a obriga\u00e7\u00e3o legal e o cuidado de realizar o c\u00e1lculo do valor devido ap\u00f3s a amortiza\u00e7\u00e3o operada pela venda do ve\u00edculo em leil\u00e3o, apresentando assim o saldo remanescente ao autor, sendo que no caso de negativa deste \u00faltimo em pagar, poderia realizar nova negativa\u00e7\u00e3o, agora com a d\u00edvida devidamente atualizada ap\u00f3s a venda do bem.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o que ocorreu!<\/p>\n<p>Portanto, pode-se inferir que o r\u00e9u foi negligente por n\u00e3o cancelar o apontamento realizado em DIA\/M\u00caS\/ANO, tendo- o mantido at\u00e9 a data de hoje (doc. 00), apesar de todos os supl\u00edcios do autor, j\u00e1 que o seu nome est\u00e1 indevidamente negativado, por uma d\u00edvida que com certeza j\u00e1 foi amortizada pela apreens\u00e3o do ve\u00edculo, e consequente venda em leil\u00e3o, sendo \u00f3bvio que sua d\u00edvida se tornou muito inferior ao que esta apontada pelo SERASA at\u00e9 a data de hoje.<\/p>\n<p>Todos estes atos e omiss\u00f5es da r\u00e9 acabaram por gerar danos ao auto. Esta conduta nos remete ao seu enquadramento em uma previs\u00e3o legal, qual seja, artigo 186 do C\u00f3digo Civil de 2002:<\/p>\n<p>&quot;Art. 186. Aquele que, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o volunt\u00e1ria, neglig\u00eancia ou imprud\u00eancia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato il\u00edcito.&quot;<\/p>\n<p>Assim, clara a neglig\u00eancia e m\u00e1-f\u00e9 do r\u00e9u, as quais geraram danos ao autor, demonstrado, portanto, nexo causal entre as atitudes negativas do primeiro e o dano causado, notadamente por ter mantido no nome do autor indevidamente negativado junto aos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito e inclusive, junto aos cart\u00f3rios de protesto (doc. 00), sendo que com este fato, o autor est\u00e1 tendo problemas com seu cr\u00e9dito na pra\u00e7a, ademais, o dano moral \u00e9 &quot;in re ipsa&quot;, n\u00e3o precisando ser comprovado o abalo, j\u00e1 que \u00e9 intr\u00ednseco ao ato il\u00edcito perpetrado pelo agente, ora r\u00e9u.<\/p>\n<p>DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA R\u00c9<\/p>\n<p>Como se p\u00f4de olvidar, \u00e9 not\u00f3ria a responsabilidade objetiva do r\u00e9u, uma vez que ocorreu uma falha substancial AO MANTER INDEVIDAMENTE O NOME DO AUTOR NEGATIVADO JUNTO AOS \u00d3RG\u00c3OS RESTRITIVOS DE CREDITO e, por tratar-se de uma rela\u00e7\u00e3o consumerista, a ser regida, portanto, pelas normas do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, cabe imputar \u00e0s institui\u00e7\u00f5es fornecedoras de servi\u00e7o tal tipo de responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dessa forma, fica evidente o dever de indenizar da REQUERIDA, pois de acordo com o exposto anteriormente, restou comprovada a exist\u00eancia do ato il\u00edcito, e seguindo os ditames do artigo 927 do C\u00f3digo Civil de 2002, temos que:<\/p>\n<p>&quot;Art. 927 Aquele que, por ato il\u00edcito, causar dano a outrem, fica obrigado a repar\u00e1-lo&quot;.<\/p>\n<p>&#8230;&quot;<\/p>\n<p>Ainda, acerca da responsabilidade objetiva, quando n\u00e3o evidenciada qualquer excludente de causalidade, mostra-se irrelevante a averigua\u00e7\u00e3o de culpa daquele que assumiu os riscos da atividade empresarial, devendo t\u00e3o-somente o consumidor comprovar a ocorr\u00eancia do dano, bem como o nexo causal com a conduta adotada pelo fornecedor do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Tem-se, pelo exposto, como imperioso imputar \u00e0 institui\u00e7\u00e3o financeira a responsabilidade pelos danos decorrentes DA NEGATIVA\u00c7\u00c3O INDEVIDA. DO NOME DO AUTOR NOS \u00d3RG\u00c3OS DE PROTE\u00c7\u00c3O AO CR\u00c9DITO.<\/p>\n<p>Assim sendo, tem-se por inquestion\u00e1vel que a conduta adotada pela institui\u00e7\u00e3o financeira, especialmente a aus\u00eancia de precau\u00e7\u00e3o em retirar a negativa\u00e7\u00e3o no momento posterior da apreens\u00e3o do ve\u00edculo, e ainda apresentar o d\u00e9bito devidamente atualizado, para depois, poder tomar as medidas judiciais cab\u00edveis \u00e0 esp\u00e9cie, fatos que por si, operam o dever de indenizar.<\/p>\n<p>Assim, com base nos fatos narrados e na legisla\u00e7\u00e3o vigente, podemos constatar que o r\u00e9u cometeu um ato il\u00edcito e deve ser responsabilizado por ele, pois este \u00e9 o entendimento que se revela a partir da an\u00e1lise dos institutos anteriormente elencados.<\/p>\n<p>DO DANO MORAL<\/p>\n<p>Segundo a doutrina, o dano moral configura-se quando ocorre les\u00e3o a um bem que esteja na esfera extrapatrimonial de um indiv\u00edduo, e a repara\u00e7\u00e3o do mesmo tem o objetivo de possibilitar ao lesado uma satisfa\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria pelo dano sofrido, atenuando, em parte, as consequ\u00eancias da les\u00e3o.<\/p>\n<p>Tem-se que, diante das circunst\u00e2ncias evidenciadas anteriormente, \u00e9 irrefrag\u00e1vel que o autor sofreu um dano moral, pois se sentiu e ainda se sente constrangido por todo abalo por ver seu nome indevidamente NEGATIVADO, por tanto tempo, ou seja, desde DIA\/M\u00caS\/ANO.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao dano efetivamente causado, podemos recorrer \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o p\u00e1tria a fim de embasarmos a causa de pedir em rela\u00e7\u00e3o ao dano moral, na presente a\u00e7\u00e3o, tendo em vista o artigo 5\u00ba, inciso X, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que disp\u00f5e: \u00b7.<\/p>\n<p>&quot; Art. 5\u00ba.. X &#8211; s\u00e3o inviol\u00e1veis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indeniza\u00e7\u00e3o pelo dano material ou moral decorrente de sua viola\u00e7\u00e3o; &quot;<\/p>\n<p>O C\u00f3digo de Defesa do Consumidor tamb\u00e9m ampara o consumidor que se viu lesionado por um fornecedor de servi\u00e7os, com a justa repara\u00e7\u00e3o dos danos morais e patrimoniais causados por falha no v\u00ednculo de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, como se pode constatar em seu artigo 6\u00ba, que no inciso VI explicita tal prote\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&quot;Art. 6\u00ba. S\u00e3o direitos b\u00e1sicos do consumidor: &#8230; VI &#8211; a efetiva preven\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos&#8230;&quot;<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao dano moral, ficou igualmente provado que o r\u00e9u com sua conduta negligente violou diretamente direito sagrado do autor, o de ter sua paz interior e exterior inabalado por situa\u00e7\u00f5es com as quais n\u00e3o deu causa.<\/p>\n<p>DO VALOR DA INDENIZA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral tem car\u00e1ter d\u00faplice, ou seja, ressarcit\u00f3rio e punitivo. \u00c9 o que nos ensina a jurisprud\u00eancia p\u00e1tria, vejamos:<\/p>\n<p>&quot;A indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral tem car\u00e1ter d\u00faplice, pois tanto visa \u00e0 puni\u00e7\u00e3o do agente quanto a compensa\u00e7\u00e3o pela dor sofrida&#8230;&quot; (RT 000\/000)<\/p>\n<p>Com efeito, Excel\u00eancia, quando falamos em efetiva preven\u00e7\u00e3o pensamos, necessariamente no car\u00e1ter punitivo que deve ter a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n<p>E, se falamos no car\u00e1ter punitivo que deve ter a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, observamos que, para dissuadir o agressor de novas faltas, a mesma deve ser exemplar.<\/p>\n<p>Sobre o car\u00e1ter condenat\u00f3rio que deve ter a indeniza\u00e7\u00e3o, este \u00e9 o entendimento do Egr\u00e9gio Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>INDENIZA\u00c7\u00c3O &#8211; DANOS MORAIS Negativa\u00e7\u00e3o de nome nos cadastros de inadimplentes A\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria anteriormente ajuizada Proced\u00eancia &#8211; Reconhecimento da utiliza\u00e7\u00e3o de encargos abusivos Hip\u00f3tese em que o autor tornou-se credor do Banco Danos morais configurados em raz\u00e3o da falha na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os Quest\u00e3o incontroversa ante a aus\u00eancia de irresigna\u00e7\u00e3o por parte do r\u00e9u Eleva\u00e7\u00e3o do montante indenizat\u00f3rio para R$ 50.000,00Corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria desde o arbitramento &#8211; Recurso parcialmente provido.*<\/p>\n<p>(TJ-SP &#8211; APL: 00158840320128260664 SP 0015884-03.2012.8.26.0664, Relator: Mario de Oliveira, Data de Julgamento: 13\/10\/2014, 19\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado, Data de Publica\u00e7\u00e3o: 22\/10\/2014)<\/p>\n<p>Quanto ao car\u00e1ter compensat\u00f3rio que deve ter a indeniza\u00e7\u00e3o, entendemos devam ser levados em conta que o autor \u00e9 um cidad\u00e3o exemplar, sendo m\u00e9dico renomado, pai de fam\u00edlia, sendo que ajuda no sustento de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Assim, por todo o exposto, levando-se em considera\u00e7\u00e3o, ainda, os princ\u00edpios da razoabilidade e da proporcionalidade e ainda o valor da negativa\u00e7\u00e3o indevida, requer o autor, seja o r\u00e9u condenado a indenizar-lhe em R$ 000 (REAIS), como forma de compensar os danos causados pelo ato il\u00edcito lhe impingido.<\/p>\n<p>DA JURISPRUD\u00caNCIA<\/p>\n<p>Diante do caso concreto, acima relatado, percebe-se que grande parte de nossa jurisprud\u00eancia tem convergido para a mesma solu\u00e7\u00e3o nos casos em que as institui\u00e7\u00f5es financeiras violam os direitos de pessoas \u00edntegras que s\u00e3o prejudicadas por apontamentos indevidos.<\/p>\n<p>Assim tem sido o entendimento de nossos tribunais:<\/p>\n<p>BANCO DE DADOS. NEGATIVA\u00c7\u00c3O INDEVIDA. DISPARIDADE NO N\u00daMERO DO C\u00d3DIGO DE BARRAS. TRANSFER\u00caNCIA DE VALORES AO BANCO CEDENTE COMPROVADA. DANO MORAL. 1. O autor demonstrou a quita\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito que originou o apontamento restritivo. 2. Sendo assim, eventual disparidade, entre o n\u00famero do c\u00f3digo de barras do boleto e do comprovante de pagamento, n\u00e3o elide o dever de repara\u00e7\u00e3o, mormente quando o autor comprova que o valor referente ao t\u00edtulo foi transferido ao banco cedente, no caso, a apelante. 3. A&quot; negativa\u00e7\u00e3o &quot;indevida gera abalo moral pass\u00edvel de repara\u00e7\u00e3o, que dispensa comprova\u00e7\u00e3o. 4. A condena\u00e7\u00e3o a esse t\u00edtulo se faz por arbitramento, dentro do prudente arb\u00edtrio do juiz, tomando-se em conta as circunst\u00e2ncias da causa, a capacidade econ\u00f4mica das partes e os prop\u00f3sitos reparat\u00f3rio e pedag\u00f3gico da medida. Pedido de redu\u00e7\u00e3o e majora\u00e7\u00e3o rejeitados. Recursos n\u00e3o providos.<\/p>\n<p>(TJ-SP &#8211; APL: 00182950220098260348 SP 0018295-02.2009.8.26.0348, Relator: Melo Colombi, Data de Julgamento: 17\/12\/2014, 14\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado, Data de Publica\u00e7\u00e3o: 18\/12\/2014)<\/p>\n<p>Com base nos fatos narrados, e se comparados com as decis\u00f5es supra explicitadas, pode-se constatar que o r\u00e9u cometeu um ato il\u00edcito do qual resultou um dano ao autor, e, segundo nossos Tribunais, caber\u00e1 ao r\u00e9u reparar o dano provocado por sua neglig\u00eancia e m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n<p>DA LIMINAR\u00b4PARA IMEDIATA RETIRADA DA NEGATIVA\u00c7\u00c3O E AINDA OBSTAR NEGATIVA\u00c7\u00c3O DO NOME DO AUTO R JUNTO AOS \u00d3RG\u00c3OS DE PROTE\u00c7\u00c2O AO CR\u00c9DITO<\/p>\n<p>DO DANO IRREPAR\u00c1VEL<\/p>\n<p>O perigo de dando irrepar\u00e1vel est\u00e1 presente neste epis\u00f3dio, adquirindo status de notoriedade pelo fato de que se o autor continuar submetido \u00e0s pr\u00e1ticas abusivas do R\u00e9u, e ainda que seu nome continue negativado juto aos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito, fatos que vem perturbando em demasia o consumidor.<\/p>\n<p>O retardamento da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional equivaler\u00e1 \u00e0 sua nega\u00e7\u00e3o, e ainda a manten\u00e7a da restri\u00e7\u00e3o em seu nome e dos preju\u00edzos inerentes a tal fato, est\u00e3o em muito prejudicando o autor, sendo mister a concess\u00e3o da liminar para imediata retirada da negativa\u00e7\u00e3o do nome do autor, \u00e9 imperiosa para a preserva\u00e7\u00e3o dos interesses do autor, sem que este fique submetido ao arb\u00edtrio do r\u00e9u.<\/p>\n<p>DA VEROSSIMILHAN\u00c7A DAS ALEGA\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p>A verossimilhan\u00e7a das alega\u00e7\u00f5es esta materializada pelo desprop\u00f3sito do r\u00e9u, j\u00e1 que o valor da negativa\u00e7\u00e3o de R$ 000 (REAIS), junto aos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao credito se mostra indevida, a despeito de todos os esfor\u00e7os empregados pelo autor para demonstrar que o valor da cobran\u00e7a estava errado, pois, o ve\u00edculo j\u00e1 havia sido apreendido e vendido, informa\u00e7\u00e3o passada pelo pr\u00f3prio r\u00e9u ao autor e o valor da negativa\u00e7\u00e3o deveria ter sido retirado e reinserido se ainda houvesse saldo devedor ap\u00f3s a venda do bem a pre\u00e7o vil em leil\u00e3o.<\/p>\n<p>DA PRESTA\u00c7\u00c3O DE CONTAS\/OBRIGATORIEDADE AP\u00d3S A VENDA DO VE\u00cdCULO EM LEIL\u00c3O<\/p>\n<p>O Decreto-Lei n\u00ba 911\/69, o qual rege a demanda de busca e apreens\u00e3o, teve sua reda\u00e7\u00e3o alterada recentemente, sendo um dos trechos modificados pertinente ao caso em tela. O art. 2\u00ba do referido diploma passou, com a entrada em vigor da Lei n\u00ba13.043\/2014, a dispor da seguinte maneira:<\/p>\n<p>Art. 2o No caso de inadimplemento ou mora nas obriga\u00e7\u00f5es contratuais garantidas mediante aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, o propriet\u00e1rio fiduci\u00e1rio ou credor poder\u00e1 vender a coisa a terceiros, independentemente de leil\u00e3o, hasta p\u00fablica, avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ou qualquer outra medida judicial ou extrajudicial, salvo disposi\u00e7\u00e3o expressa em contr\u00e1rio prevista no contrato, devendo aplicar o pre\u00e7o da venda no pagamento de seu cr\u00e9dito e das despesas decorrentes e entregar ao devedor o saldo apurado, se houver, com a devida presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/p>\n<p>Portanto, com a mencionada altera\u00e7\u00e3o legislativa, tornou-se necess\u00e1ria a presta\u00e7\u00e3o de contas nos autos da busca e apreens\u00e3o, ap\u00f3s a venda do bem e apura\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, d\u00e9bitos e custos administrativos de cobran\u00e7a.<\/p>\n<p>No caso em tela, n\u00e3o houve qualquer apura\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o ou transpar\u00eancia do r\u00e9u quanto ao saldo apurado e os valores devidos, apenas cobra, faz ofertas, promo\u00e7\u00f5es, como se estivesse fazendo um grande favor ao autor, estando apenas a perpetuar a m\u00e1-f\u00e9 costumeira com que agem as institui\u00e7\u00f5es financeiras do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outrossim, a altera\u00e7\u00e3o legislativa de natureza processual possui pronta efic\u00e1cia ap\u00f3s a sua entrada em vigor, incidindo sobre atos processuais a serem realizados. Nesse sentido, a doutrina menciona:<\/p>\n<p>&quot;A lei processual em vigor ter\u00e1 efeito imediato e geral, respeitados o ato jur\u00eddico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.<\/p>\n<p>(&#8230;) a lei nova n\u00e3o atinge os atos processuais j\u00e1 praticado, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limita\u00e7\u00f5es relativas \u00e0s chamadas fases processuais.&quot;<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. A\u00c7\u00c3O DE BUSCA E APREENS\u00c3O. PRESTA\u00c7\u00c3O DE CONTAS NECESS\u00c1RIA. NOVA REDA\u00c7\u00c3O DO DL N\u00ba 911\/69. Considerando-se a nova reda\u00e7\u00e3o do art. 2\u00ba do Decreto-Lei 911\/69, alterada pela Lei n\u00ba 13.043\/2014, apreendido e alienado extrajudicialmente o bem objeto do feito, afigura-se necess\u00e1ria a presta\u00e7\u00e3o de contas nos autos da demanda de busca e apreens\u00e3o, de modo a apurar eventuais d\u00e9bitos e cr\u00e9ditos rec\u00edprocos. NEGADO PROVIMENTO AO APELO. (Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel N\u00ba 70065006934, D\u00e9cima Terceira C\u00e2mara C\u00edvel, Tribunal de Justi\u00e7a do RS, Relator: Elisabete Correa Hoeveler, Julgado em 23\/07\/2015).<\/p>\n<p>(TJ-RS &#8211; AC: 70065006934 RS, Relator: Elisabete Correa Hoeveler, Data de Julgamento: 23\/07\/2015, D\u00e9cima Terceira C\u00e2mara C\u00edvel, Data de Publica\u00e7\u00e3o: Di\u00e1rio da Justi\u00e7a do dia 27\/07\/2015)<\/p>\n<p>Assim, resta claro o ato il\u00edcito da r\u00e9 que manteve a negativa\u00e7\u00e3o em nome do autor, no mesmo valor percebido antes da apreens\u00e3o e venda do bem em leil\u00e3o, descumprindo o que reza o diploma legal j\u00e1 citado, cinte de que teria que prestar contas naqueles autos, operando-se o dever de indenizar ao autor pelos danos causados por sua omiss\u00e3o em n\u00e3o prestar devidamente as contas comiss\u00e3o em manter indevidamente aludida negativa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>DOS PEDIDOS<\/p>\n<p>Diante de todo o exposto, REQUER:<\/p>\n<p>Liminarmente:<\/p>\n<p>I- Concess\u00e3o de liminar em antecipa\u00e7\u00e3o dos efeitos da tutela para que:<\/p>\n<p>a) Sejam suspensas quaisquer emiss\u00f5es de cobran\u00e7as em nome do autor, relativas ao contrato, ora em discuss\u00e3o;<\/p>\n<p>b) Retirada do nome do autor dos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao credito em 48 hrs;<\/p>\n<p>c) Caso descumpridas as al\u00edneas a ou b ou ambas, pleiteia a aplica\u00e7\u00e3o de multa a ser arbitrada por este MM. Ju\u00edzo para que o r\u00e9u cumpra com o determinado.<\/p>\n<p>No m\u00e9rito:<\/p>\n<p>I. Quando do despacho da inicial, seja determinada a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova em favor do autor, consoante disposi\u00e7\u00e3o do art. 6\u00ba, inc. VIII, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, para que, inclusive, determine que o r\u00e9u apresente todos os documentos referentes ao ve\u00edculo e a a\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o que ensejou a presente, devendo constar tal decis\u00e3o no mandado de cita\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>II. A cita\u00e7\u00e3o do r\u00e9u para, querendo, apresentar defesa, sob pena de serem reputados como verdadeiros os fatos ora alegados, nos termos do art. 285 e 319 do Novo C\u00f3digo de Processo Civil;<\/p>\n<p>III. O depoimento pessoal do r\u00e9u, atrav\u00e9s de seu representante legal;<\/p>\n<p>IV. Seja julgada totalmente PROCEDENTE a presente a\u00e7\u00e3o para:<\/p>\n<p>a) Declarar INDEVIDA A NEGATIVA\u00c7\u00c3O E PROTESTOS havidos em nome do autor, realizados pelo r\u00e9u, confirmado os efeitos da liminar.<\/p>\n<p>b) Condenar o r\u00e9u em danos morais, pela indevida negativa\u00e7\u00e3o, no importe de R$ 0000 (REAIS).<\/p>\n<p>Pretende provar o alegado mediante prova documental, testemunhal, e demais meios de prova em Direito admitidos, nos termos do art. 332 do Novo C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n<p>VALOR DA CAUSA<\/p>\n<p>D\u00e1-se a presente causa o valor de R$ 000 (REAIS)<\/p>\n<p>Termos em que,<\/p>\n<p>Pede Deferimento.<\/p>\n<p>CIDADE, 00, M\u00caS, ANO<\/p>\n<p>ADVOGADO<\/p>\n<p>OAB N\u00ba<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[142],"class_list":["post-27879","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-civel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/27879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=27879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}