{"id":25237,"date":"2023-07-28T21:29:46","date_gmt":"2023-07-28T21:29:46","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-28T21:29:46","modified_gmt":"2023-07-28T21:29:46","slug":"nulidade-de-doacao-falta-de-assistencia-aos-necessitados-pela-donataria","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/nulidade-de-doacao-falta-de-assistencia-aos-necessitados-pela-donataria\/","title":{"rendered":"[MODELO] NULIDADE DE DOA\u00c7\u00c3O  &#8211;  Falta de assist\u00eancia aos necessitados pela donat\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><strong>NULIDADE DE DOA\u00c7\u00c3O<\/strong>  A autora pretende a nulidade da doa\u00e7\u00e3o com base na necessidade de se sustentar, posto que os respons\u00e1veis da donat\u00e1ria (seus pais), n\u00e3o v\u00eam dando assist\u00eancia \u00e0s necessidades mais elementares da doadora.<\/p>\n<p><strong>EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA &#8230;. VARA C\u00cdVEL DE &#8230;.<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. (qualifica\u00e7\u00e3o), C\u00e9dula de Identidade\/RG n\u00ba &#8230;., residente e domiciliada na Rua &#8230;. n\u00ba &#8230;., Bairro &#8230;., em &#8230;., Estado do &#8230;., vem, por seu advogado adiante assinado, com o devido acatamento, perante V. Exa., a fim de requerer<\/p>\n<p><strong>NULIDADE DE DOA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>pelos motivos e fundamentos a seguir expostos:<\/p>\n<p>1. Em &#8230;. de &#8230;. de &#8230;., a Requerente, &#8230;., efetuou, mediante escritura p\u00fablica (conforme certid\u00e3o do Cart\u00f3rio Distrital da &#8230;. em anexo), a doa\u00e7\u00e3o, com reserva de usufruto vital\u00edcio para ela, outorgante-doadora, de seu \u00fanico bem im\u00f3vel em favor de &#8230;. (qualifica\u00e7\u00e3o), nascida a &#8230;\/&#8230;\/&#8230;, neste ato representada por seus pais, &#8230;., C\u00e9dula de Identidade\/RG n\u00ba &#8230;. e &#8230;., C\u00e9dula de Identidade\/RG n\u00ba &#8230;., ECF\/MF em conjunto n\u00ba &#8230;., residentes na Rua &#8230;. n\u00ba &#8230;..<\/p>\n<p>2. A Requerente, outorgante doadora, pessoa humilde, simples, de pouca instru\u00e7\u00e3o e idade avan\u00e7ada &#8211; atualmente com &#8230;. anos de idade &#8211; doou seu \u00fanico bem im\u00f3vel na expectativa e certeza de que os pais e respons\u00e1veis da outorgada-donat\u00e1ria assistissem-na em suas necessidades. O &quot;animus donandi&quot; da Requerente residiu, \u00fanica e exclusivamente, na boa-f\u00e9 e na confian\u00e7a que depositou nos Requeridos, esperando destes, em contrapartida, a plena, total e cont\u00ednua assist\u00eancia \u00e0s necessidades mais elementares e, a mais premente de todas, a sa\u00fade.<\/p>\n<p>O desejo de amparo, prote\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a &#8211; sentimento t\u00e3o inquietante na vida das pessoas e, especialmente, dos idosos -, explicam a excessiva generosidade e liberalidade da Requerente no seu gesto de doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3. Na \u00e9poca em que procedeu \u00e0 doa\u00e7\u00e3o, a Requerente j\u00e1 se encontrava, \u00e0 longa data &#8211; per\u00edodo entre o m\u00eas de &#8230;. de &#8230;. a &#8230;. de &#8230;. &#8211; no asilo da Associa\u00e7\u00e3o &#8230;. e, atualmente, havido &#8230;. anos ap\u00f3s a doa\u00e7\u00e3o, encontra-se aos cuidados de outra entidade filantr\u00f3pica de assist\u00eancia a idosos, a Associa\u00e7\u00e3o &#8230;., com endere\u00e7o na Rua &#8230;. n\u00ba &#8230;., (conforme declara\u00e7\u00f5es em anexo).<\/p>\n<p>Evidentemente, como se pode observar, a Requerente fez dos asilos sua resid\u00eancia, n\u00e3o por mera liberalidade, mas por necessidade e uma das poucas alternativas, sen\u00e3o \u00fanica, de moradia, de um lar ou amparo.<\/p>\n<p>4. O usufruto vital\u00edcio reservado \u00e0 Requerente &#8211; que se reduz a uma pequena renda mensal de R$ &#8230;. (&#8230;.), valor do \u00faltimo dep\u00f3sito efetuado na data de &#8230;\/&#8230;\/&#8230; (conforme extrato banc\u00e1rio em anexo), proveniente de aluguel do im\u00f3vel doado &#8211; n\u00e3o tem sido suficiente para sua subsist\u00eancia e, principalmente, \u00e0s despesas com sa\u00fade que, ultimamente, tem se agravado, obrigando a irm\u00e3 da Requerente, Sra. &#8230;., vi\u00fava, a pagar pelos tratamentos geri\u00e1tricos, medicamentos, di\u00e1ria hospitalar, contribui\u00e7\u00f5es de hospedagem, como fazem prova os recibos em anexo.<\/p>\n<p>A partir do m\u00eas de &#8230;. de &#8230;., isto \u00e9, nos \u00faltimos &#8230;. meses, quando a Requerente solicitou por diversas vezes aux\u00edlio financeiro aos Requeridos para tratamento m\u00e9dico e medicamentos, teve como resposta a indiferen\u00e7a, neglig\u00eancia e a insol\u00eancia.<\/p>\n<p>5. \u00c9 importante e oportuno observar, &quot;data venia&quot;, a diferen\u00e7a existente entre a condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e cultural da Requerente e Requeridos. Estes s\u00e3o possuidores de elevado padr\u00e3o de vida, pois, o Sr. &#8230;. (qualifica\u00e7\u00e3o) e sua mulher Sra. &#8230;. \u00e9 (qualifica\u00e7\u00e3o), enquanto que a Requerente, conforme j\u00e1 mencionado anteriormente, \u00e9 pessoa idosa, pobre, de pouca instru\u00e7\u00e3o e amparada por uma entidade de assist\u00eancia a idosos.<\/p>\n<p>Diante desse fato, n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida quanto a ingratid\u00e3o dos Requeridos. Detentores de uma privilegiada situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o ministraram as necessidades essenciais da Requerente, for\u00e7ando-a a recorrer ao aux\u00edlio da irm\u00e3.<\/p>\n<p>6. Excelent\u00edssimo, h\u00e1 uma s\u00e9rie de julgados e manifesta\u00e7\u00f5es de doutrina sobre a nulidade de doa\u00e7\u00e3o universal dos bens &quot;omnium bonorum&quot;. N\u00e3o h\u00e1, a esse respeito, discrep\u00e2ncia ou incoer\u00eancia na doutrina e na jurisprud\u00eancia. \u00c9 nula, portanto, a doa\u00e7\u00e3o feita com infra\u00e7\u00e3o ao art. 1.175 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n<p>Em conforto a tal fato, o entendimento pretoriano j\u00e1 pacificou a nulidade de doa\u00e7\u00e3o sem reserva de parte, ou renda suficiente para a subsist\u00eancia do doador, como no seguinte aresto:<\/p>\n<p>&quot;DOA\u00c7\u00c3O &#8211; DOA\u00c7\u00c3O DE TODOS OS BENS &#8211; AUS\u00caNCIA DE RESERVA DE RENDA &#8211; SUBSIST\u00caNCIA DO DOADOR &#8211; NULIDADE DA DOA\u00c7\u00c3O &#8211; LEGITIMIDADE ATIVA &#8211; C\u00d3DIGO CIVIL, ART. 1.175.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o de nulidade de doa\u00e7\u00e3o fundamentada no art. 1.175 do C\u00f3digo Civil pode ser intentada em vida do doador, por seu descendente.&quot; (Sess\u00e3o das C\u00e2maras Civis Reunidas do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo &#8211; Recurso de Revista n\u00ba 209.956 -, in Jurisprud\u00eancia Brasileira, vol. 53, p\u00e1g. 269)<\/p>\n<p>&quot;A a\u00e7\u00e3o de nulidade de doa\u00e7\u00e3o fundamentada no art. 1.175 do CC pode ser intentada em vida do doador, por seu descendente.<\/p>\n<p>Referido dispositivo determina ser nula a doa\u00e7\u00e3o de todos os bens, sem reserva de parte, ou renda suficiente para a subsist\u00eancia do doador.&quot; (in obra citada, p\u00e1g. 270)<\/p>\n<p>S\u00edlvio Rodrigues, discorrendo sobre o objetivo da norma do art. 1.175, escreve:<\/p>\n<p>&quot;Tal regra tem o prop\u00f3sito de proteger o doador, n\u00e3o permitindo que, por sua leviandade ou imprevid\u00eancia, caia em pen\u00faria. Mas tem, por igual, o escopo indireto de proteger a sociedade, evitando que o Estado se veja compelido a prestar assist\u00eancia a mais um desgra\u00e7ado. A proibi\u00e7\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o de todos os bens, de resto tradicional em nosso direito, pode ser ilidida quando o doador se reserva o usufruto dos mesmos ou parte deles, de modo que podendo sobreviver com seus pr\u00f3prios rendimentos, n\u00e3o venha a se tornar um encargo para seus parentes ou para o Estado.&quot; (in obra citada, p\u00e1g. 271).<\/p>\n<p>E o S.T.F. em ac\u00f3rd\u00e3o inserto na RF 114\/78 proclamou:<\/p>\n<p>&quot;O preceito do art. 1.175 do CC visa a resguardar das conseq\u00fc\u00eancias de generosidade excessiva, que podem arg\u00fcir fraqueza de \u00e2nimo. Por isso se estatui que a doa\u00e7\u00e3o sem reserva de usufruto ou renda suficiente para subsist\u00eancia \u00e9 nula.&quot; (in obra citada, p\u00e1g. 270)<\/p>\n<p>Quanto aos interesses na propositura da a\u00e7\u00e3o de nulidade de doa\u00e7\u00e3o feita com viola\u00e7\u00e3o do art. 1.175 do CC, o respeit\u00e1vel julgado acima alinha uma s\u00e9rie de julgados e manifesta\u00e7\u00f5es de doutrina, onde diz:<\/p>\n<p>&quot;Se nula \u00e9 a doa\u00e7\u00e3o feita com infra\u00e7\u00e3o ao art. 1.175 do CC, a nulidade pode ser arg\u00fcida por qualquer interessado, inclusive pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e mesmo o Juiz deve proclam\u00e1-la de of\u00edcio.&quot;<\/p>\n<p>&quot;Cuida-se de nulidade de pleno direito e pode ser alegada por qualquer interessado, inclusive pelo representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico&quot;. (RT 436\/59) (in obra citada, p\u00e1g. 270)<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda o entendimento de Agostinho Alvim, sobre os interessados na propositura da a\u00e7\u00e3o de nulidade de doa\u00e7\u00e3o para quem:<\/p>\n<p>&quot;O primeiro deles \u00e9 o pr\u00f3prio doador, cujo interesse \u00e9 presumido. Tamb\u00e9m haver\u00e1 leg\u00edtimo interesse com rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles que o teriam, mesmo no caso em que a doa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse universal: herdeiros, credores, quando lesados. Tais pessoas, se o caso for de doa\u00e7\u00e3o universal, n\u00e3o pleitear\u00e3o somente a redu\u00e7\u00e3o, mas a anula\u00e7\u00e3o total.&quot; (in obra citada, p\u00e1g. 271)<\/p>\n<p>7. Em face do exposto, segundo o rito dos arts. 282 e seguintes do C\u00f3digo de Processo Civil e com fundamento nos arts. 145, n\u00ba V, 146 &quot;caput, 177 e 1.175 do C\u00f3digo Civil, requer a V. Exa. se digne:<\/p>\n<p>a) designar data para audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento, na forma do art. 277 do C\u00f3digo de Processo Civil;<\/p>\n<p>b) determinar a cita\u00e7\u00e3o da outorgada donat\u00e1ria, na pessoa de seu representante legal, seus pais, Sr. &#8230;. e Sra. &#8230;, nos termos do art. 8\u00ba do CPC, no endere\u00e7o na Rua &#8230;. n\u00ba &#8230;., nesta Capital;<\/p>\n<p>c) julgar procedente a a\u00e7\u00e3o de nulidade de doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Protesta-se por todo g\u00eanero de provas em direito admitidos, depoimento pessoal, sob pena de confesso, por provas testemunhais, pericial e documental.<\/p>\n<p>D\u00e1-se \u00e0 presente a\u00e7\u00e3o o valor de R$ &#8230;. (&#8230;.).<\/p>\n<p>N. Termos<\/p>\n<p>Pede Deferimento.<\/p>\n<p>&#8230;., &#8230;. de &#8230;. de &#8230;.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p>Advogado  OAB\/&#8230;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[142],"class_list":["post-25237","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-civel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/25237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=25237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}