{"id":23809,"date":"2023-07-28T20:11:42","date_gmt":"2023-07-28T20:11:42","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-28T20:11:42","modified_gmt":"2023-07-28T20:11:42","slug":"apelacao-adesiva-revisao-de-contrato-de-confissao-de-divida","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/apelacao-adesiva-revisao-de-contrato-de-confissao-de-divida\/","title":{"rendered":"[MODELO] Apela\u00e7\u00e3o adesiva  &#8211;  revis\u00e3o de contrato de confiss\u00e3o de d\u00edvida"},"content":{"rendered":"<p>               CONTRATO DE CONFISS\u00c3O DE D\u00cdVIDA &#8211; APELA\u00c7\u00c3O &#8211; RAZ\u00d5ES<\/p>\n<p>EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA M.M. ___\u00aa VARA C\u00cdVEL.<\/p>\n<p>COMARCA DE ____________ &#8211; ___.<\/p>\n<p>Processo n\u00ba<\/p>\n<p>Apela\u00e7\u00e3o Adesiva<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>          ____________ LTDA., pessoa jur\u00eddica de direito privado, inscrita no CNPJ sob n\u00ba ____________, com sede a Rua <\/p>\n<p>____________, ____, bairro ____________, CEP ______-___, ____________, ___, por seu procurador ao fim assinado, o qual tem <\/p>\n<p>endere\u00e7o profissional a Rua ____________, ____, s. ___, CEP ______-___, ____________, ___, Fone\/Fax ____________, nos autos <\/p>\n<p>da A\u00c7\u00c3O ORDIN\u00c1RIA, feito que tomou o n\u00ba ____________, que lhe move ____________, qualificado nos autos, vem respeitosamente <\/p>\n<p>apresentar APELA\u00c7\u00c3O adesiva, forte no art. 500 do CPC, nos termos das RAZ\u00d5ES anexas, requerendo, ainda, a juntada dos <\/p>\n<p>comprovantes de efetiva\u00e7\u00e3o do preparo do recurso.<\/p>\n<\/p>\n<p>N. Termos,<\/p>\n<p>P.E. Deferimento.<\/p>\n<\/p>\n<p>____________, ___ de ____________ de 20__.<\/p>\n<\/p>\n<p>P.P. ____________<\/p>\n<p>OAB\/<\/p>\n<\/p>\n<p>                           RAZ\u00d5ES DE APELA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Raz\u00f5es da Apelante ____________ LTDA., na A\u00e7\u00e3o Ordin\u00e1ria, processo n\u00ba ____________, que lhe move o Apelado ____________.<\/p>\n<\/p>\n<p>Egr\u00e9gio Tribunal:<\/p>\n<\/p>\n<p>A senten\u00e7a de fls. ___ dos autos, proferida pelo M.M. Juiz de Direito da ___\u00aa Vara C\u00edvel da Comarca de ____________ &#8211; ___, nos autos <\/p>\n<p>do processo n\u00ba ____________, data maxima venia, deve ser reformada parcialmente, conforme adiante se aduz:<\/p>\n<\/p>\n<p>I &#8211; OS FUNDAMENTOS DE FATO E DE DIREITO<\/p>\n<p>a) Da Pretens\u00e3o do Apelado<\/p>\n<p>Na inicial (fls. ___) o Apelado pediu a revis\u00e3o de contrato de confiss\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas (fls. ___) firmado com a Apelante, o qual <\/p>\n<p>foi, posteriormente, aditado (fls. ___), pugnando: <\/p>\n<p>&quot;Por tais motivos tem a presente a\u00e7\u00e3o a finalidade de que sejam:<\/p>\n<p>a) &#8211; limitados os juros \u00e0 taxa de 12% a.a., com incid\u00eancia no valor inicial das parcelas ou, se assim n\u00e3o for, expurgar do valor inicial das <\/p>\n<p>parcelas o que exceder a taxa mensal de juros contratada, contados sem qualquer forma de capitaliza\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>b) exclu\u00eddos dos c\u00e1lculos, desde os contratos iniciais, os efeitos da aplica\u00e7\u00e3o da TR e posteriormente da TBF, substituindo-as por \u00edndice que <\/p>\n<p>reflita exclusivamente a infla\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>c) vedada a cumula\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de perman\u00eancia com a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria;<\/p>\n<p>d) calculado o d\u00e9bito sem a incid\u00eancia de juros capitalizados, quaisquer que sejam, desde a data inicial do contrato; e<\/p>\n<p>e) &#8211; em havendo saldo credor em favor do requerente, condenada a requerida a restituir ao requerente tais valores.&quot;<\/p>\n<p>(item 10 da inicial, fls. ___)<\/p>\n<p>Como fundamento legal a sustentar essa pretens\u00e3o, o Apelado diz: &quot;N\u00e3o se trata aqui de invocar o limite constitucional de juros, h\u00e1 que se <\/p>\n<p>interpretar as cl\u00e1usulas contratuais \u00e0 luz dos princ\u00edpios que norteiam os neg\u00f3cios jur\u00eddicos e, principalmente, as limita\u00e7\u00f5es contidas no <\/p>\n<p>&#8216;C\u00f3digo de Defesa do Consumidor&#8217; e no artigo 5\u00ba da lei de Introdu\u00e7\u00e3o ao C\u00f3digo Civil Brasileiro (&#8230;)&quot; (item 000.3 da inicial, fls. ___).<\/p>\n<\/p>\n<p>b) Da Contesta\u00e7\u00e3o da Apelante<\/p>\n<p>Em contesta\u00e7\u00e3o (fls. ___), a Apelante demonstrou, com as provas acostadas, que o Apelado foi extremamente beneficiado com o pacto <\/p>\n<p>firmado em ___ de ____________ de ______ (instrumento a fls. ___), tendo sido consolidados e novados os d\u00e9bitos oriundos de contratos <\/p>\n<p>anteriores, com redu\u00e7\u00e3o na taxa de juros e amplia\u00e7\u00e3o do prazo de pagamento.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a inadimpl\u00eancia do cooperado (Apelado), usando-se a linguagem m\u00e9dica que ele bem conhece, \u00e9 &quot;cr\u00f4nica&quot;.<\/p>\n<p>Dessa forma, acolhendo a solicita\u00e7\u00e3o feita pelo Apelado (fls. ___), a cooperativa concordou em aditar o contrato de confiss\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>de d\u00edvida (fls. ___), concedendo novo aumento no prazo de pagamento (de 24 para 36 meses) e FIXANDO o juro, pelos primeiros doze <\/p>\n<p>(12) meses, em 3,00% (tr\u00eas por cento) ao m\u00eas.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa de juros, a cl\u00e1usula terceira do referido aditivo (fls. ___) assim disp\u00f4s: &quot;Considerando o longo prazo de dura\u00e7\u00e3o deste <\/p>\n<p>contrato, e prevenindo-se ante a poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es no mercado financeiro, as quais podem vir a provocar distor\u00e7\u00f5es que comprometam o <\/p>\n<p>equil\u00edbrio da rela\u00e7\u00e3o contratual, as partes comprometem-se a realizar uma revis\u00e3o anual da taxa de juros ajustada, a ser feita em __\/__\/____ <\/p>\n<p>e __\/__\/____.&quot;<\/p>\n<p>Na data da primeira revis\u00e3o da taxa de juros (__\/__\/____), como a altera\u00e7\u00e3o se daria a maior (de 3,00% para 3,55% ao m\u00eas &#8211; ver item 11 <\/p>\n<p>da contesta\u00e7\u00e3o, fls. ___), a cooperativa manteve, para o per\u00edodo seguinte a taxa ent\u00e3o em vigor. Novo incentivo para que o devedor <\/p>\n<p>colocasse em dia seus pagamentos, o que n\u00e3o ocorreu (item 18 da contesta\u00e7\u00e3o, fls. ___).<\/p>\n<p>Em seguida, a cooperativa Apelante apresentou sua natureza jur\u00eddica, que em muito difere da natureza jur\u00eddica dos bancos comerciais (fls. <\/p>\n<p>___, itens 20 a 3000 da contesta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Em sendo cooperativa de cr\u00e9dito, agrupa o dinheiro captado unicamente junto a seus associados e o empresta, a taxas muito reduzidas, a <\/p>\n<p>outros associados.<\/p>\n<p>\u00c9 uma sociedade que n\u00e3o visa lucro, tendo como objetivo a elimina\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rios e, assim, a obten\u00e7\u00e3o do &quot;justo pre\u00e7o&quot; dos servi\u00e7os <\/p>\n<p>que oferece.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tanto o resultado positivo como negativo de seu balan\u00e7o s\u00e3o rateados entre os associados, na propor\u00e7\u00e3o em que cada um <\/p>\n<p>contribuiu para form\u00e1-lo, instituto este que a doutrina denomina &quot;retorno&quot;.<\/p>\n<p>Mostrou a Apelante, nos itens 40 a 51 da contesta\u00e7\u00e3o (fls. ___) de que forma comp\u00f5e as taxas de juros aplicadas, comprovando que seu <\/p>\n<p>m\u00e9todo est\u00e1 de acordo com as instru\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o normativo a que se subordina, qual seja o Conselho Monet\u00e1rio Nacional.<\/p>\n<p>A Apelante colacionou as raz\u00f5es de direito, com fundamento em abalizada doutrina e na jurisprud\u00eancia deste Egr\u00e9gio Tribunal e do extinto <\/p>\n<p>TARS, bem como dos Tribunais Superiores, pelas quais entende n\u00e3o ser de aplica\u00e7\u00e3o imediata a limita\u00e7\u00e3o constitucional de juros e n\u00e3o se <\/p>\n<p>aplicar \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras a Lei de Usura (Dec. 22.626\/33) &#8211; (itens 52 a 6000 da contesta\u00e7\u00e3o, fls. ___).<\/p>\n<p>Finalmente, alicer\u00e7ada em opini\u00e3o doutrin\u00e1ria e julgado do TARS, afirmou que a rela\u00e7\u00e3o existente entre cooperado e cooperativa \u00e9 uma <\/p>\n<p>rela\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, que n\u00e3o apresenta os caracteres definidores de rela\u00e7\u00e3o de consumo contidos na Lei n\u00ba 8.078\/0000 (C\u00f3digo de Defesa do <\/p>\n<p>Consumidor). Dessa forma, \u00e0s sociedades cooperativas n\u00e3o se aplica a lei especial de defesa do consumidor (itens 70 a 84 da contesta\u00e7\u00e3o, <\/p>\n<p>fls. ___).<\/p>\n<\/p>\n<p>c) Da Senten\u00e7a<\/p>\n<p>A senten\u00e7a de fls. ___, afastou a grande maioria dos pedidos formulados pelo Apelado na inicial, n\u00e3o admitindo a revis\u00e3o de contratos <\/p>\n<p>anteriores \u00e0 nova\u00e7\u00e3o, mantendo a taxa de juros remunerat\u00f3rios pactuados, mantendo a aplica\u00e7\u00e3o da multa pactuada e os juros morat\u00f3rios de <\/p>\n<p>1% (um por cento) ao m\u00eas.<\/p>\n<\/p>\n<p>II &#8211; O PEDIDO DE NOVA DECIS\u00c3O<\/p>\n<p>Dessa forma, a Apelante insurge-se somente contra parte da senten\u00e7a de fls. ___, qual seja a parte que determinou que a capitaliza\u00e7\u00e3o de <\/p>\n<p>juros fosse feita anualmente, em detrimento do per\u00edodo mensal ajustado no contrato, e a parte que afastou a eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros ap\u00f3s <\/p>\n<p>o vencimento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A M.M. Ju\u00edza fundamentou sua decis\u00e3o no art. 4\u00ba do Decreto n\u00ba 22.626\/33 e em julgados.<\/p>\n<p>Todavia, entende a Apelante que, uma vez n\u00e3o acolhida a limita\u00e7\u00e3o dos juros, quer com base na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, quer com base na Lei <\/p>\n<p>de Usura, tamb\u00e9m deve ser mantido o que as partes pactuaram com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capitaliza\u00e7\u00e3o dos juros.<\/p>\n<p>Em suas opera\u00e7\u00f5es passivas (capta\u00e7\u00e3o de recursos junto a seus associados), a cooperativa Apelante paga aos aplicadores as mesmas taxas <\/p>\n<p>m\u00e9dias que o resto do mercado financeiro, para opera\u00e7\u00f5es da mesma esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Nas citadas opera\u00e7\u00f5es, os juros pagos aos aplicadores s\u00e3o mensalmente capitalizados.<\/p>\n<p>Por esse motivo, para que seja mantido o equil\u00edbrio entre as opera\u00e7\u00f5es passivas (aplica\u00e7\u00f5es) e ativas (empr\u00e9stimos), no que diz respeito \u00e0s <\/p>\n<p>taxas de juros e ao spread (diferen\u00e7a entre a taxa de capta\u00e7\u00e3o &#8211; compra do dinheiro &#8211; e a taxa de empr\u00e9stimo &#8211; venda do dinheiro), a <\/p>\n<p>capitaliza\u00e7\u00e3o dos juros deve ser feita nos mesmos per\u00edodos.<\/p>\n<p>Para ilustrar o que ora se afirma, conv\u00e9m apresentar recente estudo realizado pelo Departamento de Estudos e Pesquisas (DEPEP) do <\/p>\n<p>Banco Central do Brasil, divulgado atrav\u00e9s da p\u00e1gina dessa institui\u00e7\u00e3o na internet (www.bcb.gov.br), intitulado &quot;Juros e Spread Banc\u00e1rio no <\/p>\n<p>Brasil&quot;.<\/p>\n<p>O citado trabalho, que j\u00e1 integra os autos (fls. ___), demonstra de forma completa a composi\u00e7\u00e3o das taxas de juros banc\u00e1rias e aponta as <\/p>\n<p>causas que influenciam essa composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme verifica-se a p\u00e1gina sete (7) do trabalho:<\/p>\n<p>&quot;Ao analisarem-se os dados agregados (coluna &#8216;geral da tabela 1), conclui-se que a inadimpl\u00eancia \u00e9 o custo que mais onera o spread <\/p>\n<p>banc\u00e1rio &#8211; a diferen\u00e7a entre a taxa de juros com que o banco capta seus recursos e aquela paga pelo tomador do cr\u00e9dito&quot;.<\/p>\n<p>OBS: ver gr\u00e1fico 5, pg. 8.<\/p>\n<p>&quot;O diagn\u00f3stico preliminar \u00e9 de que os elevados spreads banc\u00e1rios no Brasil s\u00e3o explicados, em grande parte, pela inadimpl\u00eancia e pelo <\/p>\n<p>reduzido n\u00edvel de alavancagem de empr\u00e9stimos que limita a dilui\u00e7\u00e3o dos custos administrativos e de capital.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Como agravante das dificuldades macroecon\u00f4micas, muitos segmentos da sociedade brasileira t\u00eam uma vis\u00e3o equivocada da atividade <\/p>\n<p>banc\u00e1ria e de seu papel na economia, o que acaba gerando um adicional de risco que prejudica todos os tomadores de cr\u00e9dito e a pr\u00f3pria <\/p>\n<p>economia brasileira. Uma prote\u00e7\u00e3o indevida ou exagerada do devedor, normalmente leva a comportamentos inadequados que acabam por <\/p>\n<p>prejudicar a todos, encarecendo o custo do cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Para induzir a baixa dos juros ao tomador final, muitas medidas poderiam ser adotadas, entre as quais a redu\u00e7\u00e3o das taxas b\u00e1sicas de juros e <\/p>\n<p>a redu\u00e7\u00e3o da cunha fiscal, bem como medidas tendentes a diminuir o risco de cr\u00e9dito e a aumentar a efici\u00eancia e a alavancagem das <\/p>\n<p>institui\u00e7\u00f5es financeiras. No entanto, nenhuma delas substitui a necessidade de termos um ambiente macroecon\u00f4mico favor\u00e1vel e previs\u00edvel. A <\/p>\n<p>pr\u00f3pria redu\u00e7\u00e3o das taxas b\u00e1sicas de juros est\u00e1 condicionada, naturalmente, \u00e0 compatibilidade da trajet\u00f3ria esperada da infla\u00e7\u00e3o com as <\/p>\n<p>metas fixadas pelo governo.&quot;<\/p>\n<p>Entre as medidas legais propostas pelo Banco Central para a redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros no Brasil, est\u00e3o (pg. 26 do trabalho):<\/p>\n<p>&quot;e) separa\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o judicial de juros e principal &#8211; a demora dos processos judiciais s\u00e3o um est\u00edmulo aos devedores de m\u00e1-f\u00e9, <\/p>\n<p>conforme j\u00e1 comentado. Uma das formas de minimizar esse incentivo perverso \u00e9 a exig\u00eancia legal do dep\u00f3sito judicial da parcela <\/p>\n<p>incontroversa dos empr\u00e9stimos concedidos pelo SFN, ou seja, o dep\u00f3sito em esp\u00e9cie do principal n\u00e3o amortizado, cuja libera\u00e7\u00e3o poderia <\/p>\n<p>ser imediatamente solicitada ao juiz por parte da institui\u00e7\u00e3o financeira credora.(&#8230;)<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>f) esclarecimento sobre anatocismo (juros sobre juros) no SFN &#8211; uma das raz\u00f5es freq\u00fcentes alegadas por devedores de m\u00e1-f\u00e9 em processos <\/p>\n<p>judiciais refere-se ao artigo 4\u00ba da antiga e n\u00e3o revogada Lei da Usura (Decreto 22.626 de 100033), que veda a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros nos <\/p>\n<p>empr\u00e9stimos. No SFN e nos sistemas financeiros de todo o mundo, a pr\u00e1tica \u00e9 a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros, tanto na capta\u00e7\u00e3o quanto na <\/p>\n<p>aplica\u00e7\u00e3o de recursos das institui\u00e7\u00f5es financeiras. Em fun\u00e7\u00e3o do disposto no artigo 10002 do texto constitucional, muitos tribunais v\u00eam dando <\/p>\n<p>ganho de causa a devedores que alegam a validade de dispositivo do Decreto 22.626\/33 que trata da n\u00e3o capitaliza\u00e7\u00e3o dos juros. Por isso o <\/p>\n<p>BC deve propor a expressa derroga\u00e7\u00e3o do artigo que trata da capitaliza\u00e7\u00e3o dos juros, refor\u00e7ando o entendimento j\u00e1 expresso na Lei <\/p>\n<p>4.50005\/64.&quot;<\/p>\n<p>O art. 4\u00ba, VI, da Lei n\u00ba 4.50005 de 31 de dezembro de 100064, disp\u00f5e que:<\/p>\n<p>&quot;Compete ao Conselho Monet\u00e1rio Nacional, segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente da Rep\u00fablica:<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>VI &#8211; Disciplinar o cr\u00e9dito em todas as suas modalidades e as opera\u00e7\u00f5es credit\u00edcias em todas as suas formas, inclusive aceites, avais e <\/p>\n<p>presta\u00e7\u00f5es de quaisquer garantias por parte das institui\u00e7\u00f5es financeiras.&quot;<\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 exposto na contesta\u00e7\u00e3o (itens 40 a 51, fls. ___), a cooperativa Apelante obedece rigorosamente a regulamenta\u00e7\u00e3o expedida <\/p>\n<p>pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional, atrav\u00e9s do Banco Central do Brasil.<\/p>\n<p>Aqui conv\u00e9m relembrar a li\u00e7\u00e3o de Nelson Abr\u00e3o, j\u00e1 invocada na contesta\u00e7\u00e3o (item 2000, ___):<\/p>\n<p>&quot;Consoante a orienta\u00e7\u00e3o supra dos juristas e fil\u00f3sofos do Direito, a Lei 4.50005 de 31.12.64, que disp\u00f5e acerca do Sistema Financeiro <\/p>\n<p>Nacional, atribuiu ao Conselho Monet\u00e1rio Nacional a finalidade de formular a pol\u00edtica da moeda e do cr\u00e9dito, podendo, para tal, tomar <\/p>\n<p>delibera\u00e7\u00f5es a respeito da mat\u00e9ria financeira, com base nas quais o Banco Central baixa Resolu\u00e7\u00f5es com efeito cogente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s <\/p>\n<p>institui\u00e7\u00f5es financeiras em geral, e aos bancos em particular, visando a adaptar o volume dos meios de pagamento \u00e0s necessidades da <\/p>\n<p>economia nacional, regular o valor interno e externo da moeda, orientar a aplica\u00e7\u00e3o dos recursos das institui\u00e7\u00f5es financeiras, zelar por sua <\/p>\n<p>liquidez e solv\u00eancia, etc. A constitucionalidade das Resolu\u00e7\u00f5es do Banco Central, com base nas delibera\u00e7\u00f5es do Conselho Monet\u00e1rio <\/p>\n<p>Nacional, nunca foi posta em xeque. Isto porque a referida Lei 4.50005 editou verdadeiras normas em branco, cujo conte\u00fado deve ser <\/p>\n<p>preenchido pelas delibera\u00e7\u00f5es do Conselho Monet\u00e1rio nacional:<\/p>\n<p>&#8216;\u00c9 esta uma t\u00e9cnica legislativa do chamado &#8216;direito econ\u00f4mico&#8217;, \u00e0 qual os nossos magistrados ainda n\u00e3o se afei\u00e7oaram de todo, e que <\/p>\n<p>costuma passar despercebida nas exposi\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e disserta\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias. Ela representa, no entanto, um instrumento <\/p>\n<p>indispens\u00e1vel de atua\u00e7\u00e3o do Poder P\u00fablico no sentido de acompanhar e influenciar a evolu\u00e7\u00e3o da conjuntura. Tais Resolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o <\/p>\n<p>constituem, como acima se frisou, um simples ato administrativo regulamentar, mas sim o preenchimento de uma norma legal em branco, <\/p>\n<p>atuando portanto como o necess\u00e1rio momento integrativo do seu conte\u00fado, e participando da sua natureza.&quot;<\/p>\n<p>Mantendo-se o mesmo racioc\u00ednio, h\u00e1 de se ter como v\u00e1lida, ainda, a eleva\u00e7\u00e3o na taxa de juros nos per\u00edodos em que ocorreu a mora.<\/p>\n<p>O art. 41 do Regulamento Anexo a Resolu\u00e7\u00e3o 1.00014 de 11 de mar\u00e7o de 10000002, que trata a respeito das cooperativas de cr\u00e9dito, assim <\/p>\n<p>determina:<\/p>\n<p>&quot;\u00c9 facultado \u00e0 cooperativa de cr\u00e9dito cobrar de seus devedores, por dia de atraso no pagamento ou na liquida\u00e7\u00e3o de seus d\u00e9bitos, al\u00e9m de <\/p>\n<p>juros de mora, comiss\u00e3o de perman\u00eancia, na forma da legisla\u00e7\u00e3o em vigor.&quot;<\/p>\n<p>\u00c9 a mesma disposi\u00e7\u00e3o contida no MNI, item 2-1-3-13 (fls. ___).<\/p>\n<p>A Apelante pratica taxa de juros reduzida, com uma margem \u00ednfima para cobrir seus custos administrativos, margem esta que, caso n\u00e3o seja <\/p>\n<p>necess\u00e1ria, \u00e9 restitu\u00edda aos cooperados.<\/p>\n<p>\u00c9 de suma import\u00e2ncia, ainda, que o Judici\u00e1rio conhe\u00e7a a composi\u00e7\u00e3o das taxas de juros e, assim, entenda como funciona o mecanismo que <\/p>\n<p>rege o sistema financeiro.<\/p>\n<p>Existem diversos fatores que influenciam na composi\u00e7\u00e3o das taxas, tais como a taxa de capta\u00e7\u00e3o, o risco, o custo administrativo, os quais <\/p>\n<p>obedecem \u00e0s leis do mercado e n\u00e3o a uma limita\u00e7\u00e3o absurda, equivocada, que n\u00e3o encontra suporte na realidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Este E. Tribunal, em decis\u00e3o recente, j\u00e1 aponta o caminho a ser seguido com rela\u00e7\u00e3o aos juros nos contratos de cr\u00e9dito banc\u00e1rios <\/p>\n<p>(Embargos Infringentes n\u00ba 10006123822, 4\u00ba Grupo C\u00edvel, 16\/06\/10000007):<\/p>\n<p>&quot;1. O BANCO DO BRASIL S\/A aforou EMBARGOS INFRINGENTES contra julgado da Colenda 000\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel, estribado no douto <\/p>\n<p>voto vencido da Dra. MARIA ISABEL DE AZEVEDO SOUZA que deu pela n\u00e3o auto-aplicabilidade do art. 10002, \u00a7 3\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Federal, bem como pela n\u00e3o aplicabilidade \u00e0 esp\u00e9cie (contrato banc\u00e1rio), do Decreto 22.626\/33. N\u00e3o houve impugna\u00e7\u00e3o ao recurso.<\/p>\n<p>2. Como se v\u00ea do relat\u00f3rio, a mat\u00e9ria \u00e9 singela.<\/p>\n<p>Efetivamente, ao julgador cumpre decidir rente \u00e0 realidade e esta aponta no sentido de que vivemos em pa\u00eds capitalista, que a atividade <\/p>\n<p>banc\u00e1ria \u00e9 atividade lucrativa, que o Governo Federal elegeu como um dos itens fundamentais do plano de estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica a pol\u00edtica <\/p>\n<p>de juros altos, que os valores captados pelos Bancos com vistas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o no mercado s\u00e3o em grande parte recolhidos como empr\u00e9stimo <\/p>\n<p>compuls\u00f3rio, impondo que a parte dispon\u00edvel seja remunerada pelo total, de modo que n\u00e3o me parece conveniente decidir contra essa <\/p>\n<p>realidade. De outra parte, cumpre ao Governo Federal estabelecer a pol\u00edtica econ\u00f4mica e monet\u00e1ria que entenda a mais adequada. Podem <\/p>\n<p>os julgadores simpatizar ou n\u00e3o com ela. N\u00e3o podem, contudo, usurpar compet\u00eancia atrav\u00e9s de seus julgados para impor outra orienta\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>em t\u00e3o delicado setor, por cujas conseq\u00fc\u00eancias n\u00e3o ir\u00e3o responder depois. De resto o S.T.F. j\u00e1 se posicionou a respeito, de modo que, <\/p>\n<p>embora a liberdade no julgar, decidir em contr\u00e1rio, ao fim e ao cabo, n\u00e3o resultar\u00e1 em qualquer resultado pr\u00e1tico, a n\u00e3o ser o de onerar os <\/p>\n<p>feitos com novos recursos, em evidente preju\u00edzo para as partes. Estou, pois, em acolher os embargos, adotando o posicionamento do douto <\/p>\n<p>voto vencido.&quot;<\/p>\n<p>A senten\u00e7a prolatada, atenta \u00e0 essa realidade, manteve praticamente intocado o pacto celebrado entre as partes.<\/p>\n<p>Todavia, para que se fa\u00e7a justi\u00e7a de forma completa, no caso em tela, n\u00e3o pode ser mantida a determina\u00e7\u00e3o de que a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros <\/p>\n<p>se fa\u00e7a anualmente e a proibi\u00e7\u00e3o na eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros em raz\u00e3o da mora. <\/p>\n<\/p>\n<p>Isto Posto, pelas raz\u00f5es acima invocadas, espera a Apelante que a decis\u00e3o monocr\u00e1tica seja reformada, somente no que diz respeito \u00e0 <\/p>\n<p>capitaliza\u00e7\u00e3o de juros e \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros em caso de mora, declarando-se v\u00e1lidas as cl\u00e1usulas contratuais que prev\u00eaem o per\u00edodo <\/p>\n<p>mensal de capitaliza\u00e7\u00e3o e a eleva\u00e7\u00e3o na taxa de juros, carreando-se ao Apelado a integral responsabilidade pelo pagamento das custas e <\/p>\n<p>honor\u00e1rios advocat\u00edcios, mantendo-se, no mais, o disposto na R. Senten\u00e7a de fls. ___.<\/p>\n<\/p>\n<p>N. Termos,<\/p>\n<p>P.E. Deferimento.<\/p>\n<\/p>\n<p>____________, ___ de ____________ de 20__.<\/p>\n<\/p>\n<p>P.P. ____________<\/p>\n<p>OAB\/<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[142],"class_list":["post-23809","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-civel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/23809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=23809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}