{"id":19076,"date":"2023-07-14T18:52:10","date_gmt":"2023-07-14T18:52:10","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-14T18:52:10","modified_gmt":"2023-07-14T18:52:10","slug":"pedido-de-intimacao-da-1a-reclamada-por-oficial-de-justica-processo-trabalhista","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/pedido-de-intimacao-da-1a-reclamada-por-oficial-de-justica-processo-trabalhista\/","title":{"rendered":"[MODELO] Pedido de intima\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Reclamada por oficial de justi\u00e7a  &#8211;  Processo trabalhista"},"content":{"rendered":"<p>EXCELENT\u00cdSSIMO SR. Dr. XXXXXXXXXXXX DE DIREITO DA 58\u00ba VARA DO TRABALHO DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO \u2013 RJ.<\/p>\n<\/p>\n<h1>PROCESSO N\uf0b0 <\/h1>\n<\/p>\n<p><strong>                                     <\/strong>, devidamente qualificado nos autos do processo em ep\u00edgrafe, vem pela presente por sua advogada e bastante procuradora, requerer a V.Ex.a a <strong>intima\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Reclamada por oficial de justi\u00e7a<\/strong>, visto que o reclamante tem conhecimento que a empresa continua funcionando no mesmo endere\u00e7o<strong>, inclusive por tamb\u00e9m ser a resid\u00eancia de seu s\u00f3cio propriet\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\tN. termos<\/p>\n<p>\t\t\t\tPede Deferimento<\/p>\n<p>\t\t\t\tRio de janeiro, 23 de mar\u00e7o de 2012.<\/p>\n<\/p>\n<p>vem respeitosamente \u00e0 presen\u00e7a de Vossa Excel\u00eancia, esclarecer o requerido:<\/p>\n<p>\t\t\t\tInforma que o condutor do ve\u00edculo Sr. \u00e9 filho de sua companheira, que o mesmo trabalha como caseiro em um s\u00edtio e ainda que o mesmo nunca prestou-lhe servi\u00e7os, visto que o 1\u00ba R\u00e9u \u00e9 funcion\u00e1rio p\u00fablico, n\u00e3o tendo nenhuma atividade profissional\/econ\u00f4mica al\u00e9m do exerc\u00edcio de sua fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>\t\t\t \tPor derradeiro informa que n\u00e3o tem conhecimento de que o condutor prestasse servi\u00e7os de qualquer natureza, visto que, o mesmo apesar do ve\u00edculo estar em seu nome foi adquirido atendendo  pedido do condutor Sr., o qual seria utilizado para sua locomo\u00e7\u00e3o, pois devido a problemas particulares n\u00e3o podia obter financiamento em seu pr\u00f3prio nome, sendo que era aquele que pagava as presta\u00e7\u00f5es do financiamento, os impostos e demais encargos.<\/p>\n<\/p>\n<p>\t\t\t\tN. termos<\/p>\n<p>\t\t\t\tPede Deferimento<\/p>\n<p>\t\t\t\tItagua\u00ed, 23 de mar\u00e7o de 2012.<\/p>\n<p>para apresentar sua <\/p>\n<h2>CONTESTA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>aos fatos e fundamentos contidos na <strong>A\u00c7\u00c3O DE REPARA\u00c7\u00c3O DE DANOS<\/strong>, que   movem <strong> ,<\/strong> da forma que passa a aduzir:<\/p>\n<p><strong>I &#8211; PRELIMINARMENTE<\/strong><\/p>\n<p><strong>I.I \u2013 DA INCOMPET\u00caNCIA DO JU\u00cdZO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\t\t\t\t<\/strong>A Lei 9.099\/95 no artigo 3\u00ba em  seus par\u00e1grafos e incisos define a compet\u00eancia dos XXXXXXXXXXXXados especiais c\u00edveis para o processo e julgamento de causas de menor complexidade, o que n\u00e3o enquadra o caso em concreto da presente lide, pela imperiosa necessidade de prova pericial ou parecer t\u00e9cnico especializado para avaliar a culpa dos condutores envolvidos no acidente de tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>\t\t\t\tPelo Boletim de Ocorr\u00eancia de Acidente, vislumbra-se inicialmente que o ve\u00edculo do autor realizou uma ultrapassagem em local proibido vindo a colidir-se com o ve\u00edculo de propriedade do r\u00e9u, havendo no m\u00ednimo culpa concorrente do autor, sen\u00e3o exclusiva, o que de qualquer forma necessita de apura\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e conclusiva a fim de apurar as respectivas responsabilidades dos envolvidos.<\/p>\n<p><strong>I.II \u2013 DA CAR\u00caNCIA DE A\u00c7\u00c3O (ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSUM)<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\tO r\u00e9u \u00e9 propriet\u00e1rio do ve\u00edculo envolvido no acidente que originou a lide presente, entretanto, n\u00e3o era o condutor do ve\u00edculo naquela ocasi\u00e3o, conforme se depreende do Boletim de Ocorr\u00eancia Policial, onde consta o nome do real condutor: Sr. ALEXANDRE OLIVEIRA PEREIRA, o qual \u00e9 maior, capaz e devidamente habilitado para conduzir ve\u00edculos automotores.<\/p>\n<p>\t\t\t\tComo n\u00e3o participou do evento, o r\u00e9u nada pode esclarecer sobre os fatos, somente o que se pode vislumbrar no B.O e pelas informa\u00e7\u00f5es colhidas junto ao real condutor, mas efetivamente a mec\u00e2nica do acidente e uma suposta imputa\u00e7\u00e3o de responsabilidade civil  \u00e0 aquele deveria ter sido imputada, o qual sem d\u00favida deveria figurar no p\u00f3lo passivo, e n\u00e3o o r\u00e9u.<\/p>\n<p>\t\t\t\tN\u00e3o parece sensato reputar o propriet\u00e1rio sempre culpado <em>in eligendo <\/em>ou <em>in vigilando<\/em>, quando seu carro dirigido por outra pessoa, envolve-se culposamente em acidente, salvo quando entrega o ve\u00edculo \u00e0 condu\u00e7\u00e3o de pessoa visivelmente incapaz de dirigir por estar b\u00eabada ou com o bra\u00e7o quebrado, por exemplo. Quem verifica que tem capacidade de dirigir dentro das normas de tr\u00e2nsito \u00e9 o DETRAN, havendo presun\u00e7\u00e3o de quem possui carteira de motorista \u00e9 apto \u00e0 conduzir ve\u00edculo.<\/p>\n<p>\t\t\t\tAcatar os pedidos da inicial em face do R\u00e9u, \u00e9 adotar verdadeira responsabilidade objetiva em rela\u00e7\u00e3o a algu\u00e9m que sequer participou do suposto ato il\u00edcito, subvertendo completamente a sistem\u00e1tica do C\u00f3digo Civil que exige nexo de causalidade entre v\u00edtima e transgressor, al\u00e9m da culpa deste \u00faltimo da produ\u00e7\u00e3o do alegado il\u00edcito cometido.<\/p>\n<p>                                  Pelo exposto nas preliminares arg\u00fcidas,  requer a V. Exa a extin\u00e7\u00e3o do processo sem a aprecia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, inicialmente com fulcro no art. 301 II do CPC e art.3\u00ba da lei 9.099\/95, ou ent\u00e3o que o seja com fulcro no art. 301 X  do CPC pela fragrante ilegitimidade do 1\u00ba R\u00e9u.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>II \u2013 NO M\u00c9RITO<\/strong><\/p>\n<p>                                  Mesmo diante da not\u00f3ria ilegitimidade incompet\u00eancia do ju\u00edzo, al\u00e9m da ilegitimidade do 1\u00ba R\u00e9u para figurar no p\u00f3lo passivo da presente demanda, caso V. Ex\u00aa n\u00e3o acate as preliminares  suscitadas, a R\u00c9  havendo por bem perscrutar o m\u00e9rito da a\u00e7\u00e3o, em respeito ao princ\u00edpio da oportunidade, contesta o feito comprovando que <strong>falece os autores qualquer raz\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>II.I \u2013 DOS FATOS<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\tOs autores requerem a condena\u00e7\u00e3o do R\u00e9u em danos materiais e morais, em raz\u00e3o de acidente de tr\u00e2nsito envolvendo ve\u00edculos de propriedade do autor e do r\u00e9u, juntando c\u00f3pia do B.O e de or\u00e7amentos para o conserto de seu ve\u00edculo.<\/p>\n<p>\t\t\t\tConforme j\u00e1 esclarecido nas preliminares, o 1\u00ba R\u00e9u n\u00e3o era o condutor do ve\u00edculo no momento do acidente e portanto seus esclarecimentos restringem-se as informa\u00e7\u00f5es colhidas junto ao real condutor e  pelos dados contidos no Boletim de Ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>\t\t\t\tEm an\u00e1lise superficial, visto a incapacidade t\u00e9cnica de apura\u00e7\u00e3o de culpa, verifica-se que o ve\u00edculo do autor colidiu com o do r\u00e9u no momento em que realizava uma ultrapassagem e o do r\u00e9u uma manobra de retorno, ou seja, verifica-se a\u00ed no m\u00ednimo a culpa concorrente dos motoristas, pois ambos realizavam manobras no momento da colis\u00e3o, sendo que o ve\u00edculo do r\u00e9u sofreu graves danos em sua lataria.<\/p>\n<p><strong>II. IIII &#8211; DA AUS\u00caNCIA DE RESPONSABILIDADE DO PROPRIET\u00c1RIO N\u00c3O-CONDUTOR DE VE\u00cdCULO ACIDENTADO<\/strong><\/p>\n<p>                                    Dentre as quest\u00f5es que costumeiramente se controvertem nas conturbadas \u00e1guas da ci\u00eancia jur\u00eddica, est\u00e1 a da responsabilidade civil do propriet\u00e1rio de ve\u00edculo envolvido em acidente de tr\u00e2nsito, em n\u00e3o sendo ele, no momento do sinistro, o condutor. <\/p>\n<p>                                     A nosso ver, sem embargo das abalizadas opini\u00f5es em contr\u00e1rio &#8211; que imp\u00f5em prontamente ao propriet\u00e1rio a culpa pelo sinistro -, a melhor tese, com maior solidez no sistema jur\u00eddico nacional, \u00e9 aquela que n\u00e3o admite seja demandado o propriet\u00e1rio em raz\u00e3o da simples rela\u00e7\u00e3o dominial, se n\u00e3o era ele quem estava na condu\u00e7\u00e3o f\u00edsica do autom\u00f3vel.<\/p>\n<p><strong>II.IV \u2013 DA AUS\u00caNCIA DE PREVIS\u00c3O LEGAL<\/strong><\/p>\n<p>                                      Ao adquirir um autom\u00f3vel, o indiv\u00edduo n\u00e3o adquire nem assume a obriga\u00e7\u00e3o de reparar danos em eventual abalroamento. Tal obriga\u00e7\u00e3o surge em face da concreta perpetra\u00e7\u00e3o do ato (art. 186 do CC), e ainda assim somente para aquele que o perpetrou. De fato, a responsabilidade geral delineada no sistema p\u00e1trio \u00e9 pessoal, subjetiva e, mesmo quando decorre de fato de terceiro, exsurge premente a necessidade da previs\u00e3o legal de culpabilidade. Bem adverte Caio M\u00e1rio da Silva Pereira:<\/p>\n<p><strong>&quot;Filosoficamente, a aboli\u00e7\u00e3o total do conceito de culpa vai dar num resultado anti-social e amoral, dispensando a distin\u00e7\u00e3o entre o l\u00edcito e o il\u00edcito, ou desatendendo \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o boa ou m\u00e1 da conduta, uma vez que o dever de reparar tanto corre para aquele que procede na conformidade da lei quanto para aquele outro que age ao seu arrepio.&quot; (&quot;Institui\u00e7\u00f5es de Direito Civil&quot;, vol. III, Ed. Forense, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1998, p. 396).<\/strong><\/p>\n<p>                                       E a previs\u00e3o legal para o conceito de culpa por fato de terceiro consta expressa e taxativamente do art. 932 do C\u00f3digo Civil, in verbis:<\/p>\n<p>&quot;Art. 932. S\u00e3o tamb\u00e9m respons\u00e1veis pela repara\u00e7\u00e3o civil:<\/p>\n<p>I &#8211; os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;<\/p>\n<p>II &#8211; o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condi\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>III &#8211; o empregador ou comitente, por seus empregados, servi\u00e7ais e prepostos, no exerc\u00edcio do trabalho que lhes competir, ou em raz\u00e3o deste;<\/p>\n<p>IV &#8211; os donos de hot\u00e9is, hospedarias, casas ou estabelecimentos, onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educa\u00e7\u00e3o, pelos seus h\u00f3spedes, moradores e educandos;<\/p>\n<p>V &#8211; os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, at\u00e9 a concorrente quantia.&quot;<\/p>\n<p>                                         V\u00ea-se, pois, que a responsabilidade do propriet\u00e1rio do ve\u00edculo por fato do condutor n\u00e3o se inclui na enumera\u00e7\u00e3o legal, ressalvada, por certo, a exist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o de prepon\u00eancia entre ambos, quando ent\u00e3o caber\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o do inciso III supracitado.<\/p>\n<p>                                           Descabida tamb\u00e9m a aplica\u00e7\u00e3o do art. 936 do CC. Em primeiro, porque espec\u00edfica a situa\u00e7\u00e3o regulada: responsabilidade do dono ou detentor de animal. Em segundo, porque a hip\u00f3tese \u00e9 de culpa na modalidade in vigilando, livrando-se o dono tanto que prove que guardava o animal com cautelas de homem comum. Em terceiro, e principalmente, porque diverso o modo de produ\u00e7\u00e3o do dano: no caso do animal, \u00e9 a pr\u00f3pria coisa que provoca o preju\u00edzo &#8211; e a coisa n\u00e3o tem vontade pr\u00f3pria nem adquire obriga\u00e7\u00f5es; no caso do ve\u00edculo, por outro lado, quem provoca o preju\u00edzo \u00e9 um terceiro, servindo-se de sua pr\u00f3pria e exclusiva vontade, mediante mera utiliza\u00e7\u00e3o da coisa. Da\u00ed decorre mais um argumento favor\u00e1vel \u00e0 tese ora esposada, qual seja, o de que o ve\u00edculo \u00e9 mero meio para realiza\u00e7\u00e3o do evento danoso. Imagine-se um caso similar: algu\u00e9m que fere outrem com uso de punhal pertencente a terceiro. O dono da arma dever\u00e1 responder civilmente pelo fato?<\/p>\n<p><strong>II.V &#8211; SUBJETIVIDADE DA CONDUTA<\/strong><\/p>\n<p>                                     Ora, n\u00e3o havendo conduta volunt\u00e1ria e finalisticamente eficaz do propriet\u00e1rio, imposs\u00edvel apurar seu liame com o dano provocado. O Professor Caio M\u00e1rio assevera:<\/p>\n<p><strong>&quot;O fundamento prim\u00e1rio da repara\u00e7\u00e3o est\u00e1, como visto, no erro de conduta do agente, no seu procedimento contr\u00e1rio \u00e0 predetermina\u00e7\u00e3o da norma, que condiz com a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de culpa ou dolo. Se o agente procede em termos contr\u00e1rios ao direito, desfere o primeiro impulso, no rumo do estabelecimento do dever de reparar, que poder\u00e1 ser excepcionalmente ilidido, mas que em princ\u00edpio constitui o primeiro momento da satisfa\u00e7\u00e3o de perdas e interesses.&quot; <\/strong><\/p>\n<p>(ob. cit., vol. I, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1993, p. 236).<\/p>\n<p>                                      E, em caso espec\u00edfico de repara\u00e7\u00e3o por acidente de ve\u00edculos, assenta Wladimir Valler:<\/p>\n<p><strong>&quot;A obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano \u00e9, de regra, daquele que causar o preju\u00edzo a outrem. A responsabilidade \u00e9 individual. O motorista, propriet\u00e1rio do ve\u00edculo, que por exemplo, dirigindo imprudentemente, d\u00e1 causa a uma colis\u00e3o, produzindo danos materiais, \u00e9 obrigado a reparar, de forma integral, os preju\u00edzos, de modo a repor a v\u00edtima na situa\u00e7\u00e3o em que se encontrava antes do acidente.&quot; <\/strong><\/p>\n<p>(in &quot;Responsabilidade Civil e Criminal nos Acidentes Automobil\u00edsticos&quot;, Ed. Julex Livros, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1998, p. 59)<\/p>\n<p>                                 Observe-se que o doutrinador parte da premissa de que o motorista e o propriet\u00e1rio s\u00e3o a mesma pessoa. N\u00e3o o sendo, \u00e9 o motorista quem deve indenizar, haja vista os princ\u00edpios da individualidade e da estipula\u00e7\u00e3o legal da exist\u00eancia de culpa.<\/p>\n<p>                                   Afirma ainda Valler que &quot;Para dar lugar \u00e0 repara\u00e7\u00e3o, o dano deve decorrer diretamente do ato il\u00edcito, ou seja, \u00e9 indispens\u00e1vel uma rela\u00e7\u00e3o de causalidade entre o dano e a conduta do agente.&quot; (ob. cit., p. 18). Efetivamente, n\u00e3o h\u00e1 sequer atitude reprov\u00e1vel que se possa imputar ao propriet\u00e1rio quando outrem provoca sinistro no uso de seu ve\u00edculo, e nem se vislumbra plaus\u00edvel afirmar que o dono concorreu para o fim atingido pelo condutor.<\/p>\n<p>                                     E acres\u00e7a-se que, mesmo para configura\u00e7\u00e3o de eventual responsabilidade objetiva, seria imprescind\u00edvel a pr\u00e9via regulamenta\u00e7\u00e3o legal. Como diz Caio M\u00e1rio da Silva Pereira:<\/p>\n<p><strong>&quot;N\u00e3o ser\u00e1 sempre que a repara\u00e7\u00e3o do dano se abstrair\u00e1 do conceito de culpa, por\u00e9m quando o autorizar a ordem jur\u00eddica positiva.&quot;<\/strong> (&quot;Institui\u00e7\u00f5es&quot;, vol. III, Ed. Forense, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p. 396).<\/p>\n<p><strong>II. VI &#8211; NATUREZA JUR\u00cdDICA<\/strong><\/p>\n<p>                                   Vislumbra-se, outrossim, que a utiliza\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo por quem n\u00e3o lhe seja o dono pressup\u00f5e precisamente um anterior empr\u00e9stimo da coisa &#8211; ou comodato verbal na express\u00e3o jur\u00eddica, regulado pelos arts. 579 a 585 do C\u00f3digo Civil. Tendo o comodat\u00e1rio\/condutor a obriga\u00e7\u00e3o de zelar pela coisa mais do que se fosse sua, deve ele responder pelos danos nela e por ela advindos, mormente quando ocasionados em decorr\u00eancia unicamente de ato comissivo seu. Ora, n\u00e3o fosse assim e ningu\u00e9m mais poderia emprestar, sob o temor da imputa\u00e7\u00e3o da responsabilidade obscura e imprevista que, escondida nas teias-de-aranha da arbitrariedade, ressurgiria cega e impetuosamente no caso concreto para pisar os C\u00f3digos e atordoar os havidos como previdentes. O Direito n\u00e3o se presta a tamanho absurdo.<\/p>\n<p><strong>II. VII &#8211; DOUTRINA E JURISPRUD\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p>                                       Por fim, traz-se \u00e0 cola\u00e7\u00e3o esc\u00f3lio de Wilson Melo da Silva, in &quot;Da Responsabilidade Civil Automobil\u00edstica&quot;, que de forma clara refor\u00e7a sobremaneira os argumentos at\u00e9 aqui expendidos, in verbis:<\/p>\n<p>&quot;Duas figuras jur\u00eddicas poderiam a\u00ed surgir: a do comodato e a da preposi\u00e7\u00e3o propriamente dita. (&#8230;)<\/p>\n<p>                                         Na hip\u00f3tese do comodato, vale dizer, da utiliza\u00e7\u00e3o gratuita do ve\u00edculo pelo amigo ou parente, pura e simplesmente, sem a obrigatoriedade de um determinado destino ou para a realiza\u00e7\u00e3o de um determinado encargo, o dono n\u00e3o se tornaria o respons\u00e1vel pela repara\u00e7\u00e3o dos danos conseq\u00fcentes de um desastre pelo s\u00f3 fato de ser dono (&#8230;).<\/p>\n<p>                                  O ser, algu\u00e9m, dono de um autom\u00f3vel, s\u00f3 por si, n\u00e3o implicaria dever, necessariamente, erigir-se, ele, no respons\u00e1vel obrigat\u00f3rio pela repara\u00e7\u00e3o dos danos ocorridos com seu ve\u00edculo.&quot; <\/p>\n<p>(Ed. Saraiva, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1975, p. 258)<\/p>\n<p>                                   E na Jurisprud\u00eancia tamb\u00e9m se pode encontrar a isen\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio inocente de ve\u00edculo acidentado, repelindo tentativas de imprimir ao Direito P\u00e1trio o v\u00edrus da imputa\u00e7\u00e3o de responsabilidade sem previs\u00e3o legal. Disse o Desembargador Waldir Meuren, em voto condutor de julgamento na 1\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel do Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal, que:<\/p>\n<p><strong> &quot;Sem prova efetiva de culpa, n\u00e3o se pode responsabilizar o propriet\u00e1rio de ve\u00edculo emprestado a outrem que, em o dirigindo, d\u00e1 causa a acidente.&quot;<\/strong> (Emb. Infring. na Ap. C\u00edv. n\u00ba 8.153\/81 \u2013 Reg. Int. 28.817 &#8211; j. em 05\/11\/82). <\/p>\n<p>                                     Na mesma Corte disse o Des. N\u00edvio Gon\u00e7alves que &quot;O que autoriza a proced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o civil do dano contra o propriet\u00e1rio do ve\u00edculo dirigido por terceiro, n\u00e3o \u00e9 a propriedade, mas sim a preposi\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 1.521, III do C\u00f3digo Civil.&quot; (Ap. C\u00edv. n\u00ba 38.720\/95 &#8211; DJ 17\/05\/95 &#8211; p. 6.822). E na Ap. C\u00edv. n\u00ba 38.389\/95, o Egr\u00e9gio TJDF confirmou senten\u00e7a que excluiu a culpa do propriet\u00e1rio do ve\u00edculo pelo sinistro, suportando-a unicamente o condutor, ressaltando a necessidade de independ\u00eancia na atribui\u00e7\u00e3o de culpa, e a inexist\u00eancia de responsabilidade objetiva ou presun\u00e7\u00e3o a operar contra quem simplesmente det\u00e9m o dom\u00ednio (Rel. Des. Jer\u00f4nymo de Souza &#8211; DJ 11\/08\/95 &#8211; p. 8.609).<\/p>\n<p>                                     Por sua vez assentou o XXXXXXXXXXXX Pinheiro Lago, na 3\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel do Tribunal de Al\u00e7ada de Minas Gerais, que &quot;Para caracteriza\u00e7\u00e3o da responsabilidade civil por acidente de ve\u00edculo, dirigido por terceiro, n\u00e3o importa o direito de propriedade, mas a rela\u00e7\u00e3o de preposi\u00e7\u00e3o entre o propriet\u00e1rio e o agente.&quot; (Ap. C\u00edv. 38.623 &#8211; j. em 31\/05\/88). E o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 33.766, teve oportunidade de repelir responsabilidade do propriet\u00e1rio, mesmo sendo este patr\u00e3o do condutor, se n\u00e3o estava o empregado em atividade de servi\u00e7o (Rel. Min. Ant\u00f4nio Villas Boas &#8211; Ement\u00e1rio do STF vol. 389\/880; RTJ vol. 06\/231).<\/p>\n<p>                                  Concluindo, efetivamente n\u00e3o pode o propriet\u00e1rio de ve\u00edculo ser demandado por acidente quando n\u00e3o era ele seu condutor, em raz\u00e3o da total inexist\u00eancia de previs\u00e3o legal de culpa, n\u00e3o bastando para fix\u00e1-la a simples situa\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio material. <strong>E a desconsidera\u00e7\u00e3o desta assertiva implica prontamente em manifesta ilegitimidade passiva ad causam<\/strong>. <\/p>\n<p>                                     O pensamento contr\u00e1rio, <em>data venia,<\/em> op\u00f5e-se ao Direito e fere o consagrado princ\u00edpio da responsabilidade subjetiva. Resta que em sistemas positivistas, como o nacional, s\u00f3 a expressa determina\u00e7\u00e3o legal poderia autorizar, sob pena de arbitrariedade, a imposi\u00e7\u00e3o do dever de reparar a pessoa que, de forma evidente, encontra-se completamente alheia ao dano concretizado.<\/p>\n<p><strong>III &#8211; R E Q U E R :<\/strong><\/p>\n<\/p>\n<p>Pelo exposto requer sucessivamente:<\/p>\n<p>a) seja declarado extinto o processo sem julgamento do m\u00e9rito, com fulcro no art. 301 II c\/c art. 3\u00ba da lei 9099\/95 ou sen\u00e3o que o seja com fulcro no art. 301, X do CPC.<\/p>\n<p>b) Sejam julgados improcedentes os pedidos, pelas raz\u00f5es de m\u00e9rito arg\u00fcidas;<\/p>\n<\/p>\n<p>N. Termos<\/p>\n<h3>Pede Deferimento<\/h3>\n<p>Rio de Janeiro, 06 de Mar\u00e7o de 2012.<\/p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[922],"class_list":["post-19076","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-contestacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/19076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=19076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}