{"id":18955,"date":"2023-07-14T18:09:18","date_gmt":"2023-07-14T18:09:18","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-14T18:09:18","modified_gmt":"2023-07-14T18:09:18","slug":"livramento-condicional-requerimento-e-comprovacao-de-pressupostos","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/livramento-condicional-requerimento-e-comprovacao-de-pressupostos\/","title":{"rendered":"[MODELO] LIVRAMENTO CONDICIONAL  &#8211;  REQUERIMENTO E COMPROVA\u00c7\u00c3O DE PRESSUPOSTOS"},"content":{"rendered":"<p>EXCELENT\u00cdSSIMO SR. DR. JUIZ FEDERAL DA MM 2\u00aa VARA DA SE\u00c7\u00c3O JUDICI\u00c1RIA DO ESTADO DO ACRE<\/p>\n<h3>Processo n\u00ba XXXX.XX.00.00XXXX-0<\/h3>\n<p>(Autos Suplementares)<\/p>\n<p><strong>O REQUERENTE<\/strong>, custodiado da Unidade de Readapta\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria Ant\u00f4nio Amaro Alves \u2013 URPAAA, vem, respeitosamente, perante Vossa Excel\u00eancia, por interm\u00e9dio do seu procurador devidamente habilitado e ao final subscrito requerer: <\/p>\n<p>LIVRAMENTO CONDICIONAL <\/p>\n<p>Assim, passa a expor as seguintes raz\u00f5es<strong>:<\/strong><\/p>\n<p>O requerente encontra-se cumprindo pena de reclus\u00e3o, em virtude de senten\u00e7a penal, desde (Dia) de (M\u00eas) de (Ano). A decis\u00e3o que o condenou, pela pr\u00e1tica do crime descrito no tipo do art. 14 da Lei n\u00ba 6368\/76, a 6 (seis) anos de reclus\u00e3o, em regime fechado de cumprimento de pena, foi combatida pelo recurso de apela\u00e7\u00e3o criminal apresentado nos autos n\u00b0 XXXX.XX.00.00XXXX-X, pendente de julgamento pela 4\u00aa Turma do Egr\u00e9gio Tribunal Regional Federal da Primeira Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Tecnicamente, pois, o requerente \u00e9 preso provis\u00f3rio. Por preso provis\u00f3rio se entende todo aquele que est\u00e1 cerceado de sua liberdade por for\u00e7a de pris\u00e3o preventiva; de pris\u00e3o decorrente de decis\u00e3o de pron\u00fancia; de pris\u00e3o tempor\u00e1ria; de pris\u00e3o em flagrante delito; e, por fim, de pris\u00e3o decorrente de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria singular recorr\u00edvel ou recorrida, sem que o julgamento da manifesta\u00e7\u00e3o de irresigna\u00e7\u00e3o tenha se ultimado. A \u00faltima hip\u00f3tese citada \u00e9, precisamente, o caso do requerente.<\/p>\n<p>Considerando que o requerente ir\u00e1 completar 2\/3 de pena cumprida, na data de (Dia) de (M\u00eas) de (Ano), o requisito temporal para concess\u00e3o do livramento condicional estar\u00e1 preenchido no curso deste feito.<\/p>\n<p>Note-se que o mesmo n\u00e3o \u00e9 reincidente espec\u00edfico em crime da mesma natureza, n\u00e3o havendo \u00f3bice objetivo \u00e0 concess\u00e3o do livramento condicional.  <\/p>\n<p>Preenchidos os pressupostos objetivos para a concess\u00e3o do livramento condicional, verifica-se tamb\u00e9m que o requerente satisfaz os pressupostos subjetivos do mesmo.   <\/p>\n<p>O comportamento a que se refere a lei \u00e9 um \u00edndice importante de adapta\u00e7\u00e3o social que h\u00e1 de ser aferido por atos positivos do sentenciado, n\u00e3o bastando a simples absten\u00e7\u00e3o de faltas disciplinares; deflui da boa conviv\u00eancia do sentenciado com os companheiros de pris\u00e3o, da aplica\u00e7\u00e3o no trabalho ou no estudo, do interc\u00e2mbio com a fam\u00edlia, etc.<sup><a href=\"#footnote-1\" id=\"footnote-ref-1\">[1]<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Notadamente, o custodiado sempre teve bom comportamento carcer\u00e1rio, o que se comprova de seus registros junto \u00e0s Unidades Prisionais por onde j\u00e1 passou.<\/p>\n<p>N\u00e3o se exige mais, regra geral, que se comprove a aus\u00eancia ou a cessa\u00e7\u00e3o de periculosidade do sentenciado para a concess\u00e3o do livramento condicional, mesmo porque, diante da nova lei, n\u00e3o se reconhece o estado perigoso nos agentes imput\u00e1veis.<sup><a href=\"#footnote-2\" id=\"footnote-ref-2\">[2]<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Ainda como pressuposto subjetivo, observa-se o par\u00e1grafo \u00fanico do art. 83, que exige a constata\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es pessoais que fa\u00e7am presumir que o liberado n\u00e3o voltar\u00e1 a delinq\u00fcir, para os casos de condenados por crime doloso, cometido com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a \u00e0 pessoa.<\/p>\n<p>Verifica-se que o paciente n\u00e3o \u00e9 condenado definitivo e principalmente, o delito que motivou sua pris\u00e3o provis\u00f3ria \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o para pr\u00e1tica dos delitos previstos no art. 14 da Lei 6368\/76, portanto, n\u00e3o configura a hip\u00f3tese do citado par\u00e1grafo \u00fanico.<\/p>\n<p>N\u00e3o se verificou em qualquer momento da instru\u00e7\u00e3o processual, ou do cumprimento da pena, a ocorr\u00eancia de viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a que pudesse ser imputada ao requerente, ou mesmo a qualquer dos outros acusados.<\/p>\n<\/p>\n<p>Conforme doutrina do Prof. Celso Delmanto, sobre o requisito espec\u00edfico do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 83 do CPB: <\/p>\n<p>\u201c<em>Tratando-se de condenado por crime doloso, praticado com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a a pessoa, haver\u00e1 mais um requisito a ser preenchido (requisito espec\u00edfico), al\u00e9m dos requisitos gerais j\u00e1 assinalados. Note-se que o crime deve ter sido doloso e com viol\u00eancia f\u00edsica a pessoa (n\u00e3o contra coisa) com grave (s\u00e9ria) amea\u00e7a a pessoa<\/em>.\u201d   <sup><a href=\"#footnote-3\" id=\"footnote-ref-3\">[3]<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Segue o Prof. Celso Delmanto em sua brilhante li\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c<em>Constata\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es pessoais que fa\u00e7am presumir que o liberado n\u00e3o voltar\u00e1 a delinq\u00fcir (CP, art. 83, par\u00e1grafo \u00fanico). Eufemisticamente, o que aqui se pede \u00e9 a velha presun\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-periculosidade, que a reforma penal de 84 tanto combateu em nome da culpabilidade. Assim, em face dos termos da lei, deve o juiz, pela aprecia\u00e7\u00e3o da personalidade do condenado, inferir a probabilidade de que ele torne ou n\u00e3o a delinq\u00fcir. <\/em><\/p>\n<p><em>A nosso ver, tal \u201cpresun\u00e7\u00e3o\u201d afigura-se, contudo incompat\u00edvel com a fundamenta\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es judiciais exigidas pelo art. 93, X da CR\/88,  a qual deve se basear em fatos concretos e n\u00e3o em meras probabilidades<\/em>\u201d.<sup><a href=\"#footnote-4\" id=\"footnote-ref-4\">[4]<\/a><\/sup><\/p>\n<\/p>\n<p>No entanto, entendendo V. Exa. ser o caso de comprovar-se a presun\u00e7\u00e3o de que o requerente n\u00e3o voltar\u00e1 a delinq\u00fcir, fica desde j\u00e1 requerida a realiza\u00e7\u00e3o do exame psiqui\u00e1trico ou mesmo a per\u00edcia no liberando. <\/p>\n<p>Ainda de se observar, que a aptid\u00e3o para prover a pr\u00f3pria subsist\u00eancia de forma l\u00edcita n\u00e3o se confundir com a comprova\u00e7\u00e3o de j\u00e1 ter o condenado conseguido um emprego. <\/p>\n<p>Note-se a li\u00e7\u00e3o do Eminente An\u00edbal Bruno sobre o instituto: <\/p>\n<p>\u201c<em>n\u00e3o se trata de liberta\u00e7\u00e3o antecipada, mas de um est\u00e1gio do sistema penitenci\u00e1rio, que importa na progressiva adapta\u00e7\u00e3o do condenado a uma exist\u00eancia dentro do Direito e termina por esse momento de passagem entre a pris\u00e3o e a liberdade<\/em>.\u201d<sup><a href=\"#footnote-5\" id=\"footnote-ref-5\">[5]<\/a><\/sup><\/p>\n<p><strong> DO PEDIDO:<\/strong><\/p>\n<p>Tendo em vista o que restou exposto, \u00e9 a presente para requerer a V. Exa.:<\/p>\n<ol>\n<li>a realiza\u00e7\u00e3o de exame psiqui\u00e1trico para que possa ser presumido se o requerente voltar\u00e1 a delinq\u00fcir; <\/li>\n<li>a intima\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a Estadual e Eleitoral para que apresentem a folha de antecedentes do requerente, bem como do setor respons\u00e1vel nesta Justi\u00e7a Federal;<\/li>\n<li>seja oficiado ao Diretor da URPAAA para que apresente o relat\u00f3rio carcer\u00e1rio do requerente;<\/li>\n<li>a concess\u00e3o do livramento condicional em favor de (NOME DO REQUERENTE), determinando-se as condi\u00e7\u00f5es a serem cumpridas pelo mesmo; <\/li>\n<\/ol>\n<p>c) a comunica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o ao douto Diretor da URPAAA para que ponha o requerente em liberdade.<\/p>\n<p>Por todo o exposto, pede e espera deferimento.<\/p>\n<p>              Rio Branco, DD\/MM\/AAAA<\/p>\n<p><strong>NOME DO ADVOGADO<\/strong><\/p>\n<p>              OAB XXXX<\/p>\n<ol>\n<li id=\"footnote-1\">\n<p> Cf. MIRABETE, Julio Fabrini. Manual de Direito Penal I. 19\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2002, 337.  <a href=\"#footnote-ref-1\">\u2191<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"footnote-2\">\n<p> Cf. MIRABETE, Julio Fabrini. Manual de Direito Penal I. 19\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2002, 338.  <a href=\"#footnote-ref-2\">\u2191<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"footnote-3\">\n<p> Cf. DELMANTO, Celso. C\u00f3digo Penal Comentado. 6\u00aa ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2002, 165-166 <a href=\"#footnote-ref-3\">\u2191<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"footnote-4\">\n<p>  idem nota 4 <a href=\"#footnote-ref-4\">\u2191<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"footnote-5\">\n<p>5 Direito Penal, T. III, 180. <a href=\"#footnote-ref-5\">\u2191<\/a><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[921],"class_list":["post-18955","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-execucoes-criminais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/18955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=18955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}