{"id":12696,"date":"2023-07-14T13:25:00","date_gmt":"2023-07-14T13:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/?post_type=modelos-de-peticao&#038;p=3650"},"modified":"2023-07-14T13:25:00","modified_gmt":"2023-07-14T13:25:00","slug":"acao-de-reparacao-de-danos-morais-e-materiais-cc-pedido-de-pensao-civil-ex-delicto-morte-de-detento-por-omissao-de-atendimento-medico-durante-prisao","status":"publish","type":"modelos-de-peticao","link":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/modelos-de-peticao\/acao-de-reparacao-de-danos-morais-e-materiais-cc-pedido-de-pensao-civil-ex-delicto-morte-de-detento-por-omissao-de-atendimento-medico-durante-prisao\/","title":{"rendered":"[MODELO] A\u00e7\u00e3o de Repara\u00e7\u00e3o de Danos Morais e Materiais c\/c Pedido de Pens\u00e3o Civil ex Delicto  &#8211;  Morte de detento por omiss\u00e3o de atendimento m\u00e9dico durante pris\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>EXCELENT\u00cdSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA &#8230; VARA DE FAZENDA P\u00daBLICA ESTADUAL DA COMARCA DE MUNIC\u00cdPIO\/ESTADO<\/strong><\/p>\n<p><strong>NOME,<\/strong> nacionalidade, estado civil, profiss\u00e3o, portadora do RG n.\u00ba [&#8230;], inscrita no CPF n.\u00ba [&#8230;], titular do endere\u00e7o eletr\u00f4nico [&#8230;], e <strong>NOME,<\/strong> nacionalidade, estado civil, profiss\u00e3o, portador do RG n.\u00ba [&#8230;], inscrito no CPF n.\u00ba [&#8230;], titular do endere\u00e7o eletr\u00f4nico [&#8230;], ambos residentes e domiciliados na Rua [&#8230;], quadra [&#8230;], lote [&#8230;], bairro [&#8230;], munic\u00edpio\/estado, CEP [&#8230;]<strong>,<\/strong> por interm\u00e9dio dos advogados signat\u00e1rios (procura\u00e7\u00e3o anexa), com escrit\u00f3rio profissional localizado na Rua [&#8230;], quadra [&#8230;], lote [&#8230;], bairro [&#8230;], munic\u00edpio\/estado, v\u00eam respeitosamente \u00e0 presen\u00e7a de Vossa Excel\u00eancia propor<\/p>\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DE REPARA\u00c7\u00c3O DE DANOS MORAIS E MATERIAIS C\/C PEDIDO DE PENS\u00c3O CIVIL <em>EX DELICTO<\/em><\/strong><\/p>\n<p>contra o <strong>ESTADO DE S\u00c3O PAULO,<\/strong> pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico interno, devendo ser citado por meio da Procuradoria Geral do Estado de S\u00e3o Paulo, com sede na Rua Pamplona, n\u00famero 227, Jardim Paulista, S\u00e3o Paulo-SP, CEP 01405-902, pelos fatos e fundamentos de direito aduzidos adiante.<\/p>\n<p><strong>1. DOS FATOS<\/strong><\/p>\n<p>Os requerentes [nome] e [nome] s\u00e3o, respectivamente, vi\u00fava e filho do Sr. <strong>[nome]<\/strong>, consoante certid\u00f5es de casamento e nascimento anexas.<\/p>\n<p>Verifica-se nas c\u00f3pias da certid\u00e3o de \u00f3bito e do of\u00edcio lavrado pelo diretor t\u00e9cnico do Centro de Deten\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria (ambas anexas) que o <em>de cujus<\/em> <strong>[nome]<\/strong> <strong>deu entrada naquela unidade prisional na data de [&#8230;]<\/strong>, em raz\u00e3o de cumprimento de mandado de pris\u00e3o expedido em a\u00e7\u00e3o penal movida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em seu desfavor, em tr\u00e2mite perante o Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o de sua pris\u00e3o, [nome] apresentava excelente estado de sa\u00fade. Contudo, em [data], o detento come\u00e7ou a se queixar de fortes dores no corpo, febre, muita dificuldade para respirar, dentre outros sintomas. Diante das reiteradas queixas aos carcereiros, diretora do pres\u00eddio e \u00e0 assistente social, os servidores da unidade prisional o encaminharam \u00e0 enfermaria do local, onde foi realizada uma breve checagem e administrada dipirona, e logo o levaram de volta para a mesma cela.<\/p>\n<p>Em contato com a fam\u00edlia e a advogada nos dias [datas] por meio de [meio de comunica\u00e7\u00e3o], [nome] exp\u00f4s a lament\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o em que se encontrava na cela, mesmo depois de diversas queixas sobre seu estado de sa\u00fade e das idas \u00e0 enfermaria: [descrever sintomas e irregularidades].<\/p>\n<p>[descrever demais sintomas do preso e irregularidades]<\/p>\n<p>Na segunda-feira (data&#8230;)  o quadro de sa\u00fade estava ainda pior e [nome] j\u00e1 tinha perdido grande parte da vis\u00e3o, apresentando \u201colho branco\u201d. Somente na ter\u00e7a-feira (data&#8230;) [nome] foi encaminhado para o devido atendimento m\u00e9dico no Hospital Geral de &#8230;, onde foi diagnosticado com pneumonia decorrente de gripe H1N1 e internado, vindo a \u00f3bito na quinta-feira (data&#8230;).<\/p>\n<p>Conforme o laudo pericial necrosc\u00f3pico anexo, o diagn\u00f3stico da morte restou \u201ccaracterizado pelos seguintes fen\u00f4menos cadav\u00e9ricos abi\u00f3ticos imediatos e\/ou consecutivos: parada cardiocirculat\u00f3ria, parada respirat\u00f3ria, imobilidade, insensibilidade, inconsci\u00eancia, com hipotermia e desidrata\u00e7\u00e3o, sinais oculares instalados\u201d, o que confirma todas as queixas de sintomas feitas pelo d<em>e cujus<\/em> por v\u00e1rios dias antes do devido atendimento m\u00e9dico e interna\u00e7\u00e3o<em>,<\/em> bem como evidencia a <strong>omiss\u00e3o do Estado ao n\u00e3o providenciar imediatamente o referido atendimento e consequente viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais de [nome], das determina\u00e7\u00f5es da <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/109222\/lei-de-execu\u00e7\u00e3o-penal-lei-7210-84\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal<\/strong><\/a><strong>, bem como de outros diplomas legais, que ser\u00e3o oportunamente discutidos adiante.<\/strong><\/p>\n<p>Destacamos ainda a c\u00f3pia da not\u00edcia anexa, da qual se extrai que as visitas do pres\u00eddio foram suspensas dois dias ap\u00f3s a morte de [nome] devido \u00e0 suspeita de contamina\u00e7\u00e3o com H1N1. \u00c0 reportagem, a Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria informou que isolou os presos com suspeita de H1N1, o que n\u00e3o ocorreu quando [nome] e seus colegas de cela por v\u00e1rias vezes solicitaram atendimento m\u00e9dico, vez que j\u00e1 havia muitos dias que aquele vinha apresentando sintomas grav\u00edssimos.<\/p>\n<p>Ressalte-se que [nome] muito provavelmente estava prestes a sair da pris\u00e3o e voltar para casa, visto que foi extinta a sua punibilidade pela prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria (HC n.\u00ba &#8230;, 1\u00aa Turma,TRF-1).<\/p>\n<p>Diante da conduta negligente do Estado de S\u00e3o Paulo, acima narrada, a qual culminou na morte do Sr. [nome] e nos consequentes danos morais \u00e0 sua fam\u00edlia, n\u00e3o restou alternativa aos Requerentes sen\u00e3o o ajuizamento da presente a\u00e7\u00e3o com a finalidade de obter a devida repara\u00e7\u00e3o dos referidos danos.<\/p>\n<p><strong>2. DA COMPET\u00caNCIA DE UMA DAS VARAS DA FAZENDA P\u00daBLICA ESTADUAL<\/strong><\/p>\n<p>O artigo 52, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo de Processo Civil disp\u00f5e:<\/p>\n<p>Art. 52. [&#8230;] Par\u00e1grafo \u00fanico. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a a\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser proposta no foro de domic\u00edlio do autor, no de ocorr\u00eancia do ato ou fato que originou a demanda, no de situa\u00e7\u00e3o da coisa ou na capital do respectivo ente federado.<\/p>\n<p>Considerando a faculdade processual conferida pelo dispositivo supracitado, os Requerentes optaram por propor a a\u00e7\u00e3o em seu foro de domic\u00edlio, qual seja, a comarca de munic\u00edpio\/estado. Embora n\u00e3o exista expressa previs\u00e3o legal sobre a compet\u00eancia de Vara da Fazenda P\u00fablica Estadual para conhecer pedidos em que outras unidades federativas sejam demandadas, cumpre observar que este tem sido o posicionamento adotado, em interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do disposto no artigo 30, inciso I, al\u00ednea a<em>,<\/em> do C\u00f3digo de Organiza\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria de Goi\u00e1s, <em>in verbis:<\/em><\/p>\n<p>Art. 30 \u2013 Compete ao Juiz de Direito:<\/p>\n<p>I \u2013 Na Vara da Fazenda P\u00fablica Estadual:<\/p>\n<p>a) processar e julgar:<\/p>\n<p>1 &#8211; as causas em que o Estado de Goi\u00e1s, suas autarquias, empresas p\u00fablicas e funda\u00e7\u00f5es por ele mantidas, forem autores, r\u00e9us, assistentes, intervenientes ou oponentes, e as que lhes forem conexas ou acess\u00f3rias; [&#8230;]<\/p>\n<p>Nesse sentido, vale colacionar decis\u00e3o proferida pela magistrada [&#8230;] nos autos n.\u00ba [&#8230;], que tramitaram perante a comarca de munic\u00edpio\/estado:<\/p>\n<p>De acordo com a sistem\u00e1tica introduzida pelo <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/174788361\/lei-13105-15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">novo C\u00f3digo de Processo Civil<\/a>, especialmente em seu art. 52, par\u00e1grafo \u00fanico, &quot;<em>se Estado ou o Distrito Federal<\/em> <em>for o demandado, a a\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser proposta no foro de domic\u00edlio do autor, no de<\/em> <em>ocorr\u00eancia do ato ou fato que originou a demanda, no de situa\u00e7\u00e3o da coisa ou na<\/em> <em>capital do respectivo ente federado&quot;.<\/em><\/p>\n<p>[&#8230;] Ato cont\u00ednuo, cumpre esclarecer que o artigo 30, inciso I, &#8216;a&#8217;, do C\u00f3digo de Organiza\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria de Goi\u00e1s disp\u00f5e a respeito da compet\u00eancia da Vara da Fazenda P\u00fablica, o qual prev\u00ea o seguinte:<\/p>\n<p>Art. 30 \u2013 Compete ao Juiz de Direito:<\/p>\n<p>I \u2013 Na Vara da Fazenda P\u00fablica Estadual:<\/p>\n<p>a) processar e julgar:<\/p>\n<p>1 &#8211; as causas em que o Estado de Goi\u00e1s, suas autarquias, empresas p\u00fablicas e funda\u00e7\u00f5es por ele mantidas, forem autores, r\u00e9us, assistentes, intervenientes ou oponentes, e as que lhes forem conexas ou acess\u00f3rias; [&#8230;]<\/p>\n<p>Neste compasso, muito embora n\u00e3o haja expressa previs\u00e3o legal acerca da compet\u00eancia da Vara da Fazenda P\u00fablica para conhecer de pedidos envolvendo outras unidades federativas, tenho que, na hip\u00f3tese vertente, a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica deve ser prestigiada, uma vez que, <strong>apesar da omiss\u00e3o legislativa, o feito n\u00e3o perde a natureza de Fazenda P\u00fablica<\/strong>, diante da presen\u00e7a do Distrito Federal como r\u00e9u. [&#8230;]. Caldas Novas, 10 de junho de 2016. (grifamos)<\/p>\n<p>Logo, entende-se que a presente demanda deve ser processada e julgada por uma das varas da fazenda p\u00fablica estadual da comarca de munic\u00edpio\/estado.<\/p>\n<p><strong>3. DO DIREITO<\/strong><\/p>\n<p>O Estado \u00e9 respons\u00e1vel pela guarda e seguran\u00e7a das pessoas submetidas a encarceramento, enquanto permanecerem detidas. Assim, \u00e9 dever do Poder P\u00fablico mant\u00ea-las em condi\u00e7\u00f5es carcer\u00e1rias com m\u00ednimos padr\u00f5es de humanidade estabelecidos em lei, <strong>bem como, se for o caso, ressarcir os danos que da\u00ed decorrerem<\/strong>. O dever do Estado de garantir a seguran\u00e7a pessoal, f\u00edsica e ps\u00edquica dos detentos \u00e9 imposto n\u00e3o apenas pelo ordenamento nacional, mas tamb\u00e9m por compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.<\/p>\n<p>Referido dever encontra fundamento no artigo 5\u00ba, incisos XLVII, al\u00ednea e (\u201cn\u00e3o haver\u00e1 penas cru\u00e9is\u201d); XLVIII (\u201ca pena ser\u00e1 cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado\u201d); e XLIX (\u201c\u00e9 assegurado aos presos o respeito \u00e0 integridade f\u00edsica e moral\u201d); da <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>.<\/p>\n<p>Os artigos <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11702592\/artigo-10-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11702534\/artigo-11-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">11<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11702295\/artigo-12-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">12<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11702239\/artigo-14-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">14<\/a> da Lei n.\u00ba <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/109222\/lei-de-execu\u00e7\u00e3o-penal-lei-7210-84\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">7.210<\/a>\/84 (<a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/109222\/lei-de-execu\u00e7\u00e3o-penal-lei-7210-84\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal<\/a>) atribuem ao Estado o dever de garantir assist\u00eancia material e \u00e0 sa\u00fade, dentre outras, ao preso:<\/p>\n<p>Art. 10. A assist\u00eancia ao preso e ao internado \u00e9 dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno \u00e0 conviv\u00eancia em sociedade.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A assist\u00eancia estende-se ao egresso.<\/p>\n<p>Art. 11. A assist\u00eancia ser\u00e1:<\/p>\n<p>I &#8211; material; II &#8211; \u00e0 sa\u00fade; III -jur\u00eddica; IV &#8211; educacional; V &#8211; social; VI &#8211; religiosa.<\/p>\n<p>Art. 12. A assist\u00eancia material ao preso e ao internado consistir\u00e1 no fornecimento de alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio e instala\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas.<\/p>\n<p><strong>Art. 14. A assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade do preso e do internado de car\u00e1ter preventivo e curativo, compreender\u00e1 atendimento m\u00e9dico, farmac\u00eautico e odontol\u00f3gico.<\/strong><\/p>\n<p><strong>[&#8230;]<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a7 2\u00ba Quando o estabelecimento penal n\u00e3o estiver aparelhado para prover a assist\u00eancia m\u00e9dica necess\u00e1ria, esta ser\u00e1 prestada em outro local, mediante autoriza\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do estabelecimento.<\/strong><\/p>\n<p>Os artigos <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11699761\/artigo-40-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">40<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11692255\/artigo-85-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">85<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11692050\/artigo-87-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">87<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11691987\/artigo-88-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">88<\/a> da <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/109222\/lei-de-execu\u00e7\u00e3o-penal-lei-7210-84\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal<\/a> tamb\u00e9m estabelecem outras garantias dos presos e deveres do Estado:<\/p>\n<p>Art. 40 &#8211; Imp\u00f5e-se a todas as autoridades o respeito \u00e0 integridade f\u00edsica e moral dos condenados e dos presos provis\u00f3rios.<\/p>\n<p>Art. 85. O estabelecimento penal dever\u00e1 ter <strong>lota\u00e7\u00e3o compat\u00edvel<\/strong> com a sua estrutura e finalidade.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria determinar\u00e1 o limite m\u00e1ximo de capacidade do estabelecimento, atendendo a sua natureza e peculiaridades.<\/p>\n<p>Art. 87. A penitenci\u00e1ria destina-se ao condenado \u00e0 pena de reclus\u00e3o, em regime fechado.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A Uni\u00e3o Federal, os Estados, o Distrito Federal e os Territ\u00f3rios poder\u00e3o construir Penitenci\u00e1rias destinadas, exclusivamente, aos presos provis\u00f3rios e condenados que estejam em regime fechado, sujeitos ao regime disciplinar diferenciado, nos termos do art. 52 desta Lei.<\/p>\n<p>Art. 88. O condenado ser\u00e1 alojado em cela individual que conter\u00e1 dormit\u00f3rio, aparelho sanit\u00e1rio e lavat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. S\u00e3o requisitos b\u00e1sicos da unidade celular:<\/p>\n<p>a) <strong>salubridade do ambiente<\/strong> pela concorr\u00eancia dos fatores de aera\u00e7\u00e3o, insola\u00e7\u00e3o e condicionamento t\u00e9rmico adequado \u00e0 exist\u00eancia humana;<\/p>\n<p>b) \u00e1rea m\u00ednima de 6,00m2 (seis metros quadrados).<\/p>\n<p>V\u00e1lido destacar, ainda, os <strong>compromissos internacionais<\/strong> firmados pelo Brasil que estabelecem a garantia de integridade f\u00edsica e ps\u00edquica das pessoas presas, a ser promovida pelo Estado: arts. 2, 7, 10 e 14 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol\u00edticos das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de 1966; arts. 5\u00ba, 11 e 25 da Conven\u00e7\u00e3o Americana de Direitos Humanos, de 1969; Resolu\u00e7\u00e3o 01\/08, \u201cPrinc\u00edpios e Boas Pr\u00e1ticas para a Prote\u00e7\u00e3o de Pessoas Privadas de Liberdade nas Am\u00e9ricas\u201d, aprovada em 2008 pela Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos; Conven\u00e7\u00e3o da ONU contra Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cru\u00e9is, Desumanos ou Degradantes, de 1984; e Regras M\u00ednimas para o Tratamento de Prisioneiros \u2013 adotadas no 1\u00ba Congresso das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Preven\u00e7\u00e3o ao Crime e Tratamento de Delinquentes, de 1955.<\/p>\n<p><strong>3.1 DA RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO ESTADO<\/strong><\/p>\n<p>Os <strong>artigos <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10718759\/artigo-186-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>186<\/strong><\/a><strong> e <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10677854\/artigo-927-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>927<\/strong><\/a><strong> do <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1035419\/c\u00f3digo-civil-lei-10406-02\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a> consagram a regra de que todo aquele que causa dano a outrem \u00e9 obrigado a repar\u00e1-lo, <em>in verbis:<\/em><\/p>\n<p>Art. 186. Aquele que, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o volunt\u00e1ria, neglig\u00eancia ou imprud\u00eancia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato il\u00edcito.<\/p>\n<p>Art. 927. Aquele que, por ato il\u00edcito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repar\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a> determina que <strong>cabe ao Estado responder pelos danos causados por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o de seus agentes<\/strong>, em face da autoaplicabilidade do art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/2186546\/artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">37<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10710882\/par\u00e1grafo-6-artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a7 6\u00ba<\/a>:<\/p>\n<p>Art. 37 (&#8230;)<\/p>\n<p>\u00a7 6\u00ba As pessoas jur\u00eddicas de direito p\u00fablico e as de direito privado prestadoras de servi\u00e7os p\u00fablicos responder\u00e3o pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o respons\u00e1vel nos casos de dolo ou culpa.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, a <strong>jurisprud\u00eancia do STF<\/strong> entende que o Estado possui <strong>responsabilidade objetiva<\/strong> pela integridade f\u00edsica e ps\u00edquica daqueles que est\u00e3o sob sua cust\u00f3dia:<\/p>\n<p>A neglig\u00eancia estatal no cumprimento do dever de guarda e vigil\u00e2ncia dos detentos configura ato omissivo a dar ensejo \u00e0 responsabilidade objetiva do Estado, uma vez que, na condi\u00e7\u00e3o de garante, tem o dever de zelar pela integridade f\u00edsica dos custodiados. (trecho do voto do Min. Gilmar Mendes no ARE 662563 AgR, julgado em 20\/03\/2012)<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o esteja expresso no artigo constitucional supracitado que a responsabilidade civil do Estado \u00e9 objetiva, a doutrina e a jurisprud\u00eancia de forma pac\u00edfica assim entendem por um motivo: <strong>o dispositivo exige dolo ou culpa para que o agente p\u00fablico responda regressivamente, mas n\u00e3o faz esta mesma exig\u00eancia para que o Estado tenha que indenizar. Logo, interpreta-se que a exig\u00eancia de dolo ou culpa \u00e9 unicamente para a a\u00e7\u00e3o regressiva<\/strong><a href=\"#footnote-1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse isso, perceba que o <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1035419\/c\u00f3digo-civil-lei-10406-02\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil<\/a> do mesmo modo adotou a orienta\u00e7\u00e3o consagrada na <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carta Pol\u00edtica<\/a>:<\/p>\n<p>Art. 43. As pessoas jur\u00eddicas de direito p\u00fablico interno s\u00e3o civilmente respons\u00e1veis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo.<\/p>\n<p><strong>Na jurisprud\u00eancia do STF tem ganhado for\u00e7a o entendimento de que a responsabilidade civil nos casos de omiss\u00e3o estatal tamb\u00e9m \u00e9 OBJETIVA<\/strong>. Isso porque o art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/2186546\/artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">37<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10710882\/par\u00e1grafo-6-artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a7 6\u00ba<\/a> da <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CF\/88<\/a> determina a responsabilidade objetiva do Estado sem fazer distin\u00e7\u00e3o se a conduta \u00e9 comissiva (a\u00e7\u00e3o) ou omissiva. N\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete estabelecer distin\u00e7\u00f5es onde o <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">texto constitucional<\/a> n\u00e3o o fez. Se a CF\/88 previu a responsabilidade objetiva do Estado, n\u00e3o pode o int\u00e9rprete dizer que essa regra n\u00e3o vale para os casos de omiss\u00e3o. Dessa forma, a responsabilidade objetiva do Estado engloba tanto os atos comissivos como os omissivos, desde que demonstrado o nexo causal entre o dano e a omiss\u00e3o espec\u00edfica do Poder P\u00fablico.<\/p>\n<p>Nesse sentido, veja-se o seguinte julgado:<\/p>\n<p>(&#8230;) A jurisprud\u00eancia da Corte firmou-se no sentido de que as pessoas jur\u00eddicas de direito p\u00fablico respondem objetivamente pelos danos que causarem a terceiros, com fundamento no art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/2186546\/artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">37<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10710882\/par\u00e1grafo-6-artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a7 6\u00ba<\/a>, da <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>, tanto por atos comissivos quanto por atos omissivos, desde que demonstrado o nexo causal entre o dano e a omiss\u00e3o do Poder P\u00fablico. (&#8230;) (STF. 2\u00aa Turma. ARE 897890 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22\/09\/2015)<\/p>\n<p>O Estado responde de forma objetiva pelas suas omiss\u00f5es, desde que ele tivesse obriga\u00e7\u00e3o legal espec\u00edfica de agir para impedir que o resultado danoso ocorresse. A isso se chama de &quot;omiss\u00e3o espec\u00edfica&quot; do Estado. Dessa forma, para que haja responsabilidade civil no caso de omiss\u00e3o, dever\u00e1 haver uma omiss\u00e3o espec\u00edfica do Poder P\u00fablico (STF. Plen\u00e1rio. RE 677139 AgR-EDv-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 22\/10\/2015).<a href=\"#footnote-2\">[2]<\/a> <strong><em>In casu<\/em>, a obriga\u00e7\u00e3o legal espec\u00edfica de agir (prestar assist\u00eancia m\u00e9dica a preso que apresentava quadro grave de sa\u00fade) para impedir que o resultado danoso (morte do ent\u00e3o detento [nome]) ocorresse est\u00e1 prevista expressamente no art. <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/11702239\/artigo-14-da-lei-n-7210-de-11-de-julho-de-1984\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>14<\/strong><\/a><strong> da Lei n.\u00ba <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/109222\/lei-de-execu\u00e7\u00e3o-penal-lei-7210-84\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>7.210<\/strong><\/a><strong>\/84 (<\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/109222\/lei-de-execu\u00e7\u00e3o-penal-lei-7210-84\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal<\/strong><\/a><strong>), j\u00e1 citado e grifado acima.<\/strong><\/p>\n<p>Se o dever estatal de manter em pres\u00eddios os padr\u00f5es m\u00ednimos de humanidade previstos no ordenamento jur\u00eddico \u00e9 descumprido, surge para o Poder P\u00fablico a responsabilidade de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em decorr\u00eancia da falta ou insufici\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es legais de encarceramento. Assim, ocorrido o dano e estabelecido o seu nexo causal com a atua\u00e7\u00e3o\/omiss\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o ou dos seus agentes, nasce a responsabilidade civil do Estado.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<ul>\n<li>\n<ol>\n<li><strong><em>DA CONDUTA IL\u00cdCITA: OMISS\u00c3O ESTATAL<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Conforme j\u00e1 exposto na narrativa f\u00e1tica, diante do p\u00e9ssimo estado geral apresentado por [nome] e dos insistentes apelos dele, de seus colegas de cela e da advogada para que fosse prestado atendimento m\u00e9dico, os servidores do pres\u00eddio se limitaram a levar o preso \u00e0 enfermaria, onde era medicado apenas com Dipirona. <strong>Na pr\u00f3pria enfermaria foram constatados sintomas de tuberculose<\/strong>, no entanto, t\u00e3o somente foi avisado que seria feito o teste de escarro cerca de cinco dias depois, data em que um m\u00e9dico estaria na unidade prisional. Mesmo ante a suspeita de tuberculose, atestada pela equipe de enfermagem, [nome] continuou sendo medicado com Dipirona e foi levado de volta \u00e0 cela superlotada e em horr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de higiene.<\/p>\n<p>De acordo com o Manual de Recomenda\u00e7\u00f5es para o Controle da Tuberculose no Brasil<a href=\"#footnote-3\">[3]<\/a>, publicado anualmente pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, todas as pessoas privadas de liberdade que procuram o servi\u00e7o de sa\u00fade prisional com sintomas associados \u00e0 tuberculose, especialmente a tosse, devem ser imediatamente submetidas ao rastreamento diagn\u00f3stico. O referido Manual tamb\u00e9m preconiza:<\/p>\n<p>A principal medida para interromper a cadeia de transmiss\u00e3o da tuberculose \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o precoce e o tratamento oportuno dos casos existentes. Entretanto, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia considerar as medidas de biosseguran\u00e7a relacionadas \u00e0 ventila\u00e7\u00e3o e \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o natural na constru\u00e7\u00e3o de novos pres\u00eddios e na reforma dos atuais (NOESKE J. et al., 2011), como recomendado pelo conselho nacional de pol\u00edtica criminal e penitenci\u00e1ria (BRASIL, 2014) [&#8230;]. Os espa\u00e7os destinados aos servi\u00e7os de sa\u00fade no interior dos pres\u00eddios devem ser adequados \u00e0s normas vigentes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. [&#8230;]. <strong>O isolamento respirat\u00f3rio dos casos de tuberculose nas pris\u00f5es se imp\u00f5e nas seguintes situa\u00e7\u00f5es<\/strong>: casos identificados no momento do ingresso na pris\u00e3o, pelo per\u00edodo de 15 dias; <strong>casos suspeitos ou confirmados de resist\u00eancia (tosse por mais de duas semanas)<\/strong>; e quando ocorre a fal\u00eancia de tratamento.de modo similar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o livre, <strong>a interna\u00e7\u00e3o hospitalar para tratamento da tuberculose est\u00e1 justificada nos casos de hemoptise, mal estado geral e\/ou presen\u00e7a de comorbidades, grave intoler\u00e2ncia<\/strong> e hepatite medicamentosa. [grifamos]<\/p>\n<p>Vale destacar, ainda, as <strong>recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><a href=\"#footnote-4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><strong> da pr\u00f3pria Secretaria de Estado de Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo para casos de suspeita\/diagn\u00f3stico de turberculose, que incluem como protocolo m\u00ednimo a ser adotado o atendimento ambulatorial, definido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong><a href=\"#footnote-5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><strong> como assist\u00eancia\/consulta m\u00e9dica especializada sem pr\u00e9vio agendamento<\/strong>:<\/p>\n<p>QUE REM\u00c9DIOS S\u00c3O USADOS NO TRATAMENTO DA DOEN\u00c7A?<\/p>\n<p><strong>Na maior parte dos casos s\u00e3o utilizados dois medicamentos: duas c\u00e1psulas vermelhas que cont\u00e9m os rem\u00e9dios rifampicina e isoniazida e quatro comprimidos brancos que cont\u00e9m o medicamento pirazinamida.<\/strong><\/p>\n<p>QUANDO O PACIENTE PRECISA INTERNAR?<\/p>\n<p>Na maioria dos casos o tratamento deve ser ambulatorial. Quer dizer: no posto de sa\u00fade, centro de sa\u00fade, ambulat\u00f3rio. Mas, se o diagn\u00f3stico n\u00e3o for realizado o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e demore muito tempo para come\u00e7ar o tratamento, o quadro pode se agravar, ou seja, o pulm\u00e3o pode ficar muito prejudicado pelo bacilo obrigando o paciente a receber cuidados especiais. <strong>Uma destas complica\u00e7\u00f5es \u00e9 quando o paciente tosse com muito sangue e nesse caso tem que internar.<\/strong> [grifamos]<\/p>\n<p>Cumpre asseverar que aqui tratamos somente dos protocolos que deveriam ter sido adotados ante a suspeita de tuberculose, a princ\u00edpio verificada pela equipe de enfermagem do pres\u00eddio. No caso da suspeita de pneumonia e gripe H1N1, os protocolos a serem adotados deveriam ter sido ainda mais intensivos\/severos. Como j\u00e1 foi dito na narrativa f\u00e1tica, <strong>somente no dia [data], mais de DEZ DIAS ap\u00f3s [nome] come\u00e7ar a apresentar estado geral de sa\u00fade grave, ele foi encaminhado para receber assist\u00eancia m\u00e9dica.<\/strong><\/p>\n<p>Resta concluir que est\u00e1 evidente a omiss\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, respons\u00e1vel pelo Centro de Deten\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria [&#8230;], ao recusar o isolamento respirat\u00f3rio e a presta\u00e7\u00e3o do devido atendimento m\u00e9dico a [nome], que apresentava mal estado geral de sa\u00fade, com comorbidades e prov\u00e1vel necessidade de interna\u00e7\u00e3o, sendo o diagn\u00f3stico de ambas as doen\u00e7as das quais havia suspeita (tuberculose, pneumonia e gripe H1N1) f\u00e1ceis e r\u00e1pidos se tivessem sido realizados em hospital. Portanto, o Estado tinha o dever de agir prestando assist\u00eancia m\u00e9dica ao detento, o que poderia ter evitado a sua morte, por\u00e9m se omitiu.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<ul>\n<li>\n<ol>\n<li><strong><em>DOS DANOS MORAIS<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Conforme explica o Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, o \u201cpreju\u00edzo de afei\u00e7\u00e3o\u201d (<em>pr\u00e9judice d&#8217;affection<\/em>) \u00e9 o dano extrapatrimonial sofrido pelos familiares da pessoa morta. Trata-se do dano moral provocado em decorr\u00eancia da morte do ente querido, cujo sofrimento \u00e9 incomensur\u00e1vel, bastando pensar na <strong>dor e sofrimento ps\u00edquico do filho com a perda do pai, no vazio existencial da esposa com o \u00f3bito do marido, o qual muito provavelmente estava prestes a sair da pris\u00e3o e voltar para casa, visto que foi extinta a sua punibilidade pela prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria (HC n.\u00ba &#8230;, 1\u00aa Turma,TRF-1).<\/strong><\/p>\n<p>Busca-se com a indeniza\u00e7\u00e3o um paliativo para o sofrimento ps\u00edquico ensejado pelo evento danoso, sendo esse o ponto nuclear do conceito de dano moral <em>stricto sensu<\/em> (voto do Ministro no EREsp 1.127.913-RS). O preju\u00edzo de afei\u00e7\u00e3o \u00e9 um dano moral que atinge as v\u00edtimas por ricochete, considerando que a v\u00edtima direta \u00e9 o falecido e seus familiares s\u00e3o afetados reflexamente pelo evento. Segundo jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a<a href=\"#footnote-6\">[6]<\/a>, quando se vislumbra a viola\u00e7\u00e3o de um direito fundamental (<em>in casu,<\/em> o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 integridade f\u00edsica e \u00e0 dignidade da pessoa humana), assim eleito pela <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>, tamb\u00e9m se alcan\u00e7a, por consequ\u00eancia, uma inevit\u00e1vel viola\u00e7\u00e3o da dignidade do ser humano. <strong>A compensa\u00e7\u00e3o nesse caso independe da demonstra\u00e7\u00e3o da dor, traduzindo-se, pois, em consequ\u00eancia <em>in re ipsa,<\/em> intr\u00ednseca \u00e0 pr\u00f3pria conduta que injustamente atinja a referida dignidade.<\/strong><\/p>\n<p>No presente caso, o dano moral em ricochete restou inegavelmente caracterizado, tendo atingido os Requerentes de forma reflexa, em decorr\u00eancia de morte de pessoa da fam\u00edlia ([nome]) causada por conduta il\u00edcita omissiva do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O arbitramento do valor da repara\u00e7\u00e3o do dano moral deve considerar, na esteira da melhor doutrina e jurisprud\u00eancia, a extens\u00e3o do dano, as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e culturais dos envolvidos, as condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas das partes e o grau de culpa do agente, crit\u00e9rios estes que podem ser inferidos dos artigos <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10676887\/artigo-944-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">944<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10676825\/artigo-945-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">945<\/a> do <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1035419\/c\u00f3digo-civil-lei-10406-02\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil<\/a>, <em>in verbis:<\/em><\/p>\n<p>Art. 944. A indeniza\u00e7\u00e3o mede-se pela extens\u00e3o do dano.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Se houver excessiva despropor\u00e7\u00e3o entre a gravidade da culpa e o dano, poder\u00e1 o juiz reduzir, equitativamente, a indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 945. Se a v\u00edtima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indeniza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>Assim, tendo em vista o dano extenso caracterizado pelo evento morte; a perda de ente que sustentava financeiramente sua fam\u00edlia; a gravidade das condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas dos familiares que perdem ente que estava prestes a sair da pris\u00e3o e voltar para casa; e, por fim, o elevado grau de culpa do Estado de S\u00e3o Paulo, cuja conduta omissiva resultou n\u00e3o s\u00f3 na morte do preso que se encontrava sob sua cust\u00f3dia, mas no intenso sofrimento deste (e de sua fam\u00edlia diante da situa\u00e7\u00e3o), mostra-se adequada a fixa\u00e7\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o dos danos morais no valor de <strong>[valor] sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/strong>,  a ser  repartido entre os Requerentes.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<ul>\n<li>\n<ol>\n<li><strong><em>DOS DANOS MATERIAIS<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li><strong>Dos danos emergentes<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Quanto aos danos materiais emergentes no caso em an\u00e1lise, consistem na soma dos custos das in\u00fameras liga\u00e7\u00f5es interurbanas efetuadas pelos Requerentes aos servidores do pres\u00eddio (assistente social [nome], diretora, enfermeiros, etc), buscando a concess\u00e3o de assist\u00eancia m\u00e9dica a [nome], mais os gastos funer\u00e1rios para o translado do corpo, vel\u00f3rio e sepultamento do d<em>e cujus.<\/em> As liga\u00e7\u00f5es custaram cerca de R$ [valor] ([valor por extenso]) no total. No tocante aos gastos funer\u00e1rios, cumpre informar que o plano mais simples oferecido pelas funer\u00e1rias custa, em m\u00e9dia, R$ [valor] ([valor por extenso]).<\/p>\n<p>A indeniza\u00e7\u00e3o aos Requerentes pelo preju\u00edzo material experimentado \u00e9 devida com base no artigo <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10676725\/artigo-948-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">948<\/a>, inciso <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10676700\/inciso-i-do-artigo-948-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">I<\/a>, do <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1035419\/c\u00f3digo-civil-lei-10406-02\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil<\/a>, que disp\u00f5e:<\/p>\n<p>Art. 948. No caso de homic\u00eddio, a indeniza\u00e7\u00e3o consiste, sem excluir outras repara\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>I &#8211; no pagamento das despesas com o tratamento da v\u00edtima, seu funeral e o luto da fam\u00edlia;<\/p>\n<p>Sendo assim, os danos materiais emergentes suportados pelos Requerentes em raz\u00e3o da morte de [nome], diretamente causada por conduta il\u00edcita praticada pelo Estado de S\u00e3o Paulo (conforme j\u00e1 cabalmente demonstrado), totalizam o valor de <strong>R$ [valor] ([valor por extenso])<\/strong>, montante este que deve ser ressarcido pelo Estado requerido.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Da pens\u00e3o civil por ato il\u00edcito (<em>ex delicto<\/em>)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Verifica-se na certid\u00e3o de \u00f3bito anexa que [nome] tinha [idade] ([idade por extenso]) anos de idade na data de seu falecimento. Portanto, encontrava-se em idade laboral produtiva e contribu\u00eda financeiramente para o sustento de sua fam\u00edlia, de modo que esta dependia dele economicamente.<\/p>\n<p>A morte de [nome] repercutiu de modo dr\u00e1stico na vida financeira da fam\u00edlia, sobretudo porque a Requerente [nome] se encontra desempregada h\u00e1 mais de um ano e o Requerente [nome] contava com a ajuda do pai para custear sua gradua\u00e7\u00e3o em [curso], a qual teve que ser trancada perante a Faculdade [nome] (situada em munic\u00edpio\/estado) ap\u00f3s a trag\u00e9dia em quest\u00e3o. Dessa maneira, os requerentes v\u00eam enfrentando severas dificuldades financeiras e se viram obrigados a efetuarem diversas priva\u00e7\u00f5es, dentre estas, mudarem-se do apartamento em que residiam (cujo endere\u00e7o pode ser verificado no mandado de pris\u00e3o anexo) para a casa dos pais de [nome] (cujo endere\u00e7o pode ser verificado na certid\u00e3o de \u00f3bito e comprovante de endere\u00e7o, ambos anexos \u2013 &#8230;). Os \u00e1udios anexos tamb\u00e9m provam a depend\u00eancia econ\u00f4mica aqui narrada.<\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 exaustivamente apontado, a morte de [nome] decorreu diretamente da conduta il\u00edcita do Estado de S\u00e3o Paulo, ora requerido. Logo, os danos acima relatados s\u00e3o pass\u00edveis de indeniza\u00e7\u00e3o, na forma do artigo <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10676725\/artigo-948-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">948<\/a>, inciso <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10676661\/inciso-ii-do-artigo-948-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">II<\/a>, do <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1035419\/c\u00f3digo-civil-lei-10406-02\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil<\/a>, que assim disp\u00f5e:<\/p>\n<p>Art. 948. No caso de homic\u00eddio, a indeniza\u00e7\u00e3o consiste, sem excluir outras repara\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>II &#8211; na presta\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e0s pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a dura\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel da vida da v\u00edtima.<\/p>\n<p><strong>A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 pac\u00edfica nesse sentido<\/strong>:<\/p>\n<p>ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE DO ESTADO. <strong>MORTE DE DETENTO<\/strong>. DANOS MATERIAIS. FILHO. <strong>PENSIONAMENTO<\/strong>. COMPROVA\u00c7\u00c3O DO EXERC\u00cdCIO DE ATIVIDADE REMUNERADA DA V\u00cdTIMA. FAM\u00cdLIA DE BAIXA RENDA. DESNECESSIDADE. 1. <strong>Reconhecida a responsabilidade do Estado pela morte do genitor, t\u00eam os filhos direito ao recebimento de pens\u00e3o mensal calculada sobre 2\/3 (dois ter\u00e7os) da remunera\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, desde a data do \u00f3bito at\u00e9 o momento em que completarem 25 (vinte e cinco) anos de idade.<\/strong> 2. <strong>Em se tratando de fam\u00edlia de baixa renda, \u00e9 devido o pagamento ainda que o de cujus n\u00e3o exer\u00e7a atividade remunerada, porquanto presume-se a ajuda m\u00fatua entre os parentes. Essa solu\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e especialmente no caso dos descendentes \u00f3rf\u00e3os.<\/strong> 3. Ausente par\u00e2metro para a fixa\u00e7\u00e3o dos ganhos do falecido, deve o pensionamento tomar por par\u00e2metro o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Precedentes.  4. Agravo interno a que se nega provimento.  (AgInt no REsp 1603756\/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06\/12\/2018, DJe 12\/12\/2018)<\/p>\n<p>PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INOVA\u00c7\u00c3O RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. RESPONSABILIDADE DO ESTADO. <strong>MORTE DE PRESO EM ESTABELECIMENTO PRISIONAL.<\/strong> QUANTUM INDENIZAT\u00d3RIO. REVIS\u00c3O. VALOR IRRIS\u00d3RIO. POSSIBILIDADE. <strong>PENSIONAMENTO MENSAL. FAM\u00cdLIA DE BAIXA RENDA.<\/strong> CABIMENTO. [&#8230;] 3. No caso dos autos, \u00e9 insuficiente a cifra de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) para a morte de preso em estabelecimento prisional. Majora\u00e7\u00e3o do valor para R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), com amparo em precedentes de situa\u00e7\u00e3o semelhante. 4. \u00c9 devida a indeniza\u00e7\u00e3o por dano material, na forma de pensionamento mensal, aos genitores do menor falecido em raz\u00e3o de a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o estatal, ainda que o de cujus n\u00e3o exer\u00e7a atividade remunerada, porquanto se presume ajuda m\u00fatua entre os integrantes de fam\u00edlias de baixa renda. 5<strong>. Essa orienta\u00e7\u00e3o, logicamente, deve alcan\u00e7ar os filhos maiores, pois a obriga\u00e7\u00e3o de alimentos, na forma do art. <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10615156\/artigo-1696-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>1.696<\/strong><\/a><strong> do <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1035419\/c\u00f3digo-civil-lei-10406-02\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a><strong>, \u00e9 rec\u00edproca entre pais e filhos. Ademais, ambas as Turmas componentes da Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ j\u00e1 se posicionaram pelo cabimento de pens\u00e3o aos genitores de detento morto no interior de estabelecimento prisional. 6. O encarceramento n\u00e3o afasta a presun\u00e7\u00e3o de ajuda m\u00fatua familiar, pois, ap\u00f3s a soltura, existe a possibilidade de contribui\u00e7\u00e3o do filho para o sustento da fam\u00edlia, especialmente em raz\u00e3o do avan\u00e7ar et\u00e1rio dos pais. 7. Par\u00e2metros da pensionamento: 2\/3 (dois ter\u00e7os) do sal\u00e1rio m\u00ednimo do dia da morte at\u00e9 o momento no qual o falecido completaria 25 anos de idade; 1\/3 (um ter\u00e7o) a partir da\u00ed at\u00e9 a data em que completaria 65 (sessenta e cinco) anos<\/strong>. Precedentes. 8. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 812.782\/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17\/10\/2018, DJe 23\/10\/2018)<\/p>\n<p>ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. INDENIZA\u00c7\u00c3O POR DANO MORAL. <strong>FALECIMENTO EM SISTEMA PENITENCI\u00c1RIO DO ESTADO. PENSIONAMENTO MENSAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVA\u00c7\u00c3O DO EXERC\u00cdCIO DE ATIVIDADE REMUNERADA PELA V\u00cdTIMA.<\/strong> PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. I &#8211; O Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordin\u00e1rio n. 841526, Tema n. 592, em regime de repercuss\u00e3o geral, firmou entendimento de que &quot;em caso de inobserv\u00e2ncia do seu dever espec\u00edfico de prote\u00e7\u00e3o previsto no art. 5\u00ba, inciso XLIX, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, o Estado \u00e9 respons\u00e1vel pela morte de detento&quot;. II &#8211; Assim, <strong>a jurisprud\u00eancia desta Corte consolidou-se no sentido de que em caso de responsabilidade civil por morte, \u00e9 devida a condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de pens\u00e3o mensal a familiares do falecido, ainda que a v\u00edtima n\u00e3o exer\u00e7a atividade remunerada.<\/strong> III &#8211; No caso dos autos, o Tribunal de origem, em desconformidade com a citada jurisprud\u00eancia, apesar de consignar que ficou comprovado o nexo causal entre a conduta negligente dos agentes do Estado e a morte do detento, afastou o pensionamento pleiteado pelas partes autoras. Assim sendo, o ac\u00f3rd\u00e3o regional deve ser reformado para restabelecer o pensionamento fixado na senten\u00e7a. IV &#8211; Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1605821\/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALC\u00c3O, SEGUNDA TURMA, julgado em 16\/11\/2017, DJe 22\/11\/2017)<\/p>\n<p>Ante o exposto, os Requerentes pleiteiam a condena\u00e7\u00e3o do Estado Requerido no pagamento de pens\u00e3o civil por morte (<em>ex delicto<\/em>) no valor mensal de <strong>2\/3 (dois ter\u00e7os) do sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/strong> para cada Requerente.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<ul>\n<li>\n<ol>\n<li><strong><em>DO NEXO CAUSAL<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Sem qualquer dificuldade se conclui que o \u00f3bito do preso [nome] decorreu de manifesta omiss\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, respons\u00e1vel pela sua cust\u00f3dia e ao qual \u00e9 atribu\u00eddo pela <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a> e legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria o dever de prestar assist\u00eancia m\u00e9dica \u00e0 pessoa privada de liberdade, sobretudo diante da manifesta\u00e7\u00e3o de sintomas de doen\u00e7a grave, como ocorreu no caso em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 explicado nos t\u00f3picos acima, o Estado \u00e9 objetivamente respons\u00e1vel pela morte de detento. Isso porque houve inobserv\u00e2ncia de seu dever espec\u00edfico de prote\u00e7\u00e3o previsto no art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10641516\/artigo-5-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">5\u00ba<\/a>, inciso <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10728516\/inciso-xlix-do-artigo-5-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">XLIX<\/a>, da <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CF\/88<\/a>. Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese em sede de repercuss\u00e3o geral:<\/p>\n<p><strong>Em caso de inobserv\u00e2ncia de seu dever espec\u00edfico de prote\u00e7\u00e3o previsto no art. 5\u00ba, inciso XLIX, da CF\/88, o Estado \u00e9 respons\u00e1vel pela morte de detento.<\/strong><\/p>\n<p>STF. Plen\u00e1rio. RE 841526\/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 30\/3\/2016 (repercuss\u00e3o geral) (Informativo 819).<\/p>\n<p><em>In casu<\/em>, [descrever sintomas do preso e irregularidades] [&#8230;].<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio derrame pleural e a secre\u00e7\u00e3o catarral abundante nos pulm\u00f5es foram diagnosticados logo na primeira ida de [nome] \u00e0 enfermaria da unidade prisional por meio de exame f\u00edsico e j\u00e1 eram motivos suficientes para seu encaminhamento ao hospital para a realiza\u00e7\u00e3o de exames e tratamento, vez que os problemas de sa\u00fade que geram estas condi\u00e7\u00f5es podem culminar em risco de morte<a href=\"#footnote-7\">[7]<\/a>. J\u00e1 a forma aguda do derrame peric\u00e1rdico, em geral, \u00e9 de instala\u00e7\u00e3o s\u00fabita e se estende por volta de uma a tr\u00eas semanas<a href=\"#footnote-8\">[8]<\/a>. Os sintomas relatados por [nome] eram equivalentes aos causados por essa condi\u00e7\u00e3o e, mais uma vez, nota-se que ele devia ter sido internado em hospital muito antes do que efetivamente ocorreu.<\/p>\n<p>[descrever demais irregularidades]<\/p>\n<p>Por estarem as pessoas privadas de liberdade inclu\u00eddas nos grupos de risco de doen\u00e7as como a tuberculose e a gripe H1N1, a simples verifica\u00e7\u00e3o dos sintomas destas mediante exame f\u00edsico na enfermaria da unidade prisional j\u00e1 obriga o Estado a providenciar assist\u00eancia m\u00e9dica ao preso, o que n\u00e3o ocorreu no caso em an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Desse modo, est\u00e1 cabalmente demonstrada, para al\u00e9m da responsabilidade objetiva do Estado de S\u00e3o Paulo, sua culpa administrativa, consubstanciada no servi\u00e7o p\u00fablico ineficiente e prestado de forma MUITO tardia, que resultou na morte de [nome]. Logo, <strong>mesmo que o julgador adote posicionamento que prestigia a \u201cteoria da culpa administrativa\u201d, e n\u00e3o da responsabilidade objetiva do Estado, est\u00e3o regularmente provados no presente caso a omiss\u00e3o estatal, os danos, o nexo causal e a referida culpa administrativa.<\/strong><\/p>\n<p>Vale destacar <strong>o seguinte julgado, que trata especificamente do nexo causal entre a omiss\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, que tinha a efetiva possibilidade de evitar a morte de presos prestando a devida assist\u00eancia m\u00e9dica, e o \u00f3bito destes<\/strong>:<\/p>\n<p>RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO \u2013 <strong>Danos morais em raz\u00e3o de falecimento de preso cautelar durante o encarceramento \u2013 Possibilidade \u2013 Falha no atendimento m\u00e9dico prestado ao detento junto ao CDP reconhecida<\/strong> \u2013 Dever de indenizar confirmado \u2013 Precedente \u2013 C\u00e1lculo da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e dos juros de mora que deve observar o crit\u00e9rio pacificado tanto pelo STF quanto pelo STJ nos autos do RExtr. n\u00ba 870.947-SE, rel. Min. Luiz Fux, j. 20\/09\/2017 (tema de repercuss\u00e3o geral n\u00ba 810) e do REsp. n\u00ba 1.495.146-MG, rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 22\/02\/2018 (tema de recurso repetitivo n\u00ba 905) \u2013 Verba honor\u00e1ria reduzida \u2013 Recurso parcialmente provido. (TJSP; Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 0031629-47.2011.8.26.0053; Relator (a): Lu\u00eds Francisco Aguilar Cortez; \u00d3rg\u00e3o Julgador: 1\u00aa C\u00e2mara de Direito P\u00fablico; Foro Central &#8211; Fazenda P\u00fablica\/Acidentes &#8211; 14\u00aa Vara de Fazenda P\u00fablica; Data do Julgamento: 17\/08\/2018; Data de Registro: 17\/08\/2018)<\/p>\n<p>Indispens\u00e1vel acentuar o seguinte trecho do voto do relator no recurso supracitado, que demonstra se tratar de <strong>caso MUITO parecido com o presente, inclusive ocorrido na mesma unidade prisional<\/strong>:<\/p>\n<p>Em que pese a combatividade da Procuradoria da Fazenda do Estado de S\u00e3o Paulo, diante do relato do atendimento m\u00e9dico prestado ao detento, <strong>invi\u00e1vel deixar de reconhecer que a assist\u00eancia oferecida foi falha, a ponto de contribuir com o evento morte<\/strong>. A sequ\u00eancia do atendimento prestado ao falecido est\u00e1 comprovada nos autos e foi minuciosamente descrita pelo sentenciante \u00e0s fls. 647\/649, apontado em resumo que: \u201c(&#8230;) o preso ficou tr\u00eas dias sem atendimento m\u00e9dico algum e somente em 4 de junho de 2010 foi levado para um hospital.(&#8230;) De volta \u00e0 unidade prisional, em 4 de junho de 2010, anotou a enfermeira que teria o preso de retornar ao hospital para reavalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica ap\u00f3s o resultado dos exames colhidos \u201ccom urg\u00eancia\u201d (fls. 547). Entretanto, cinco dias ap\u00f3s aquele atendimento, Andr\u00e9 ainda n\u00e3o havia sido enviado para qualquer retorno m\u00e9dico. (&#8230;)<\/p>\n<p>No hospital, permaneceu internado at\u00e9 14 de junho de 2010, dia em que faleceu por pancreatite necro-hemorr\u00e1gica de acordo com o constatado por exame necrosc\u00f3pico realizado pelo Instituto M\u00e9dico Legal (fls. 585 e verso). O mesmo exame constatou que Andr\u00e9 sofria de tuberculose pulmonar (fls. 585)\u201d [&#8230;]. Tais fatos s\u00e3o incontroversos e est\u00e3o bem demonstrados, concluindo o sentenciante, com base na prova pericial produzida, que: \u201cA neglig\u00eancia dos agentes p\u00fablicos do CDP onde o filho da autora estava preso \u00e9 clara na medida em que foi ele deixado sem atendimento m\u00e9dico adequado e at\u00e9 mesmo sem atendimento m\u00e9dico algum ao longo de dias. Assim \u00e9 que o perito judicial (fls. 633\/634) indicou que, entre 27 de maio e 31 de maio de 2010,o preso <strong>passou 96 horas sem receber qualquer medicamento<\/strong>, <strong>mesmo com queixa de dor de garganta, fraqueza e febre<\/strong>. Atendido em 31 de maio de 2010, permaneceu por mais 96 horas sem atendimento algum e sem melhora de seu estado de sa\u00fade at\u00e9 ser finalmente levado para o hospital. [&#8230;] <strong>de 27 de maio de 2010, quando foi atendido pela primeira vez na enfermaria da unidade prisional, a 9 de junho de 2010, quando foi internado no Hospital Geral de Guarulhos, foi examinado por m\u00e9dico do CDP apenas uma vez! Nesse intervalo de 13 dias, no CDP recebeu ele um \u00fanico atendimento por m\u00e9dico e um \u00fanico atendimento no Hospital Geral de Guarulhos at\u00e9 ocorrer a sua interna\u00e7\u00e3o<\/strong> nesse mesmo nosoc\u00f4mio\u201d[&#8230;]. Houve atendimento ambulatorial em que foi constatada a gravidade (crescente) do quadro cl\u00ednico, por\u00e9m, <strong>n\u00e3o houve o atendimento m\u00e9dico recomendado pelo pr\u00f3prio atendimento ambulatorial, falha que atuou como concausa do \u00f3bito<\/strong>, tal como confirmado por perito judicial ,ex vi:\u201c(&#8230;) a demora em levar o periciando para atendimento m\u00e9dico hospitalar quando o mesmo iniciou quadro febril em 27\/05\/2010, bem como sua N\u00c3O interna\u00e7\u00e3o hospitalar em 04\/06\/2010 pela equipe m\u00e9dica assistente atuaram como CONCAUSAS do \u00f3bito\u201d [&#8230;].A enfermidade acometida pelo preso \u00e9 de \u201calta morbimortalidade\u201de a falha no atendimento m\u00e9dico oferecido permite a responsabiliza\u00e7\u00e3o do ente estatal, pois reconhecida a omiss\u00e3o espec\u00edfica do Poder P\u00fablico no tocante \u00e0 integridade f\u00edsica do custodiado. [grifamos]<\/p>\n<p><strong>O trecho acima evidencia que a omiss\u00e3o dos agentes p\u00fablicos no que diz respeito \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade dos presos tem sido pr\u00e1tica reiterada, especificamente na unidade prisional de [nome].<\/strong><\/p>\n<p>Assim, resta perfeitamente demonstrado o nexo de causalidade da conduta omissiva estatal com o \u00f3bito de [nome]. Incontroverso que o falecido foi alvo de omiss\u00e3o negligente e desumana, com a inobserv\u00e2ncia da seguran\u00e7a m\u00e1xima da integridade f\u00edsica do preso. E isso, obviamente, conduziu \u00e0 trag\u00e9dia em vertente.<\/p>\n<p><strong>3.2 DA N\u00c3O APLICA\u00c7\u00c3O DO PRINC\u00cdPIO DA RESERVA DO POSS\u00cdVEL<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como acolher o argumento comumente utilizado pelo Estado que invoca o &quot;princ\u00edpio da reserva do poss\u00edvel&quot;. Segundo este princ\u00edpio, os recursos p\u00fablicos s\u00e3o limitados e as necessidades ilimitadas, de forma que n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es financeiras de o Estado atender a todas as demandas sociais. Ocorre que s\u00f3 faz sentido considerar este princ\u00edpio em a\u00e7\u00f5es judiciais nas quais est\u00e1 sendo pedida a implementa\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais a presta\u00e7\u00f5es, especialmente direitos de natureza social (ex: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o etc.). Em tais casos, discute-se se \u00e9 poss\u00edvel conceder o direito pleiteado mesmo que n\u00e3o haja, em tese, capacidade financeira do Estado.<\/p>\n<p>Aqui, contudo, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente: a mat\u00e9ria jur\u00eddica se situa no \u00e2mbito da responsabilidade civil do Estado de responder pelos danos causados por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o de seus agentes, nos termos previstos no <strong>art. <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/2186546\/artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>37<\/strong><\/a><strong>, <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10710882\/par\u00e1grafo-6-artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>\u00a7 6\u00ba<\/strong><\/a><strong>, da <\/strong><a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>CF\/88<\/strong><\/a><strong>. Trata-se de dispositivo autoaplic\u00e1vel (de efic\u00e1cia plena), que n\u00e3o depende de lei ou de qualquer outra provid\u00eancia administrativa.<\/strong> A cria\u00e7\u00e3o de subterf\u00fagios te\u00f3ricos, tais como a separa\u00e7\u00e3o dos Poderes, a reserva do poss\u00edvel e a natureza coletiva dos danos sofridos, para afastar a responsabilidade estatal pelas calamitosas condi\u00e7\u00f5es da carceragem afronta n\u00e3o apenas o sentido do art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/2186546\/artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">37<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10710882\/par\u00e1grafo-6-artigo-37-da-constitui\u00e7\u00e3o-federal-de-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a7 6\u00ba<\/a>, da <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui\u00e7\u00e3o-federal-constitui\u00e7\u00e3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CF<\/a>, como tamb\u00e9m gera o esvaziamento dos dispositivos constitucionais, convencionais e legais que imp\u00f5em ao Estado o dever de garantir a integridade f\u00edsica e ps\u00edquica dos detentos.<\/p>\n<p><strong>3.3 DA DISTRIBUI\u00c7\u00c3O DIN\u00c2MICA DO \u00d4NUS DA PROVA<\/strong><\/p>\n<p>Vale ressaltar que \u00e9 a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica que tem o \u00f4nus de provar causa excludente de responsabilidade.<\/p>\n<p>Considerando a dificuldade de se obter os documentos relativos \u00e0 assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade do preso, cabe a invers\u00e3o dos encargos probat\u00f3rios, atentando \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica dos \u00f4nus da prova. A esse respeito, o artigo 373, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil disp\u00f5e:<\/p>\n<p>\u00a7 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas \u00e0 impossibilidade ou \u00e0 excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou \u00e0 maior facilidade de obten\u00e7\u00e3o da prova do fato contr\u00e1rio, poder\u00e1 o juiz atribuir o \u00f4nus da prova de modo diverso [&#8230;]<\/p>\n<p>Assim, como inova\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/174788361\/lei-13105-15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPC\/2015<\/a>, o sistema expressamente prev\u00ea a \u201ccarga din\u00e2mica do \u00f4nus da prova\u201d, que significa a possibilidade de o juiz, considerando as especificidades do caso concreto, fixar o encargo de provar de forma diferenciada.<\/p>\n<p>Tendo em vista as peculiaridades do presente caso, os requerentes pleiteiam a distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus da prova (art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/28893055\/artigo-373-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">373<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/28893046\/par\u00e1grafo-1-artigo-373-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a7 1\u00ba<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/174788361\/lei-13105-15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPC<\/a>) em rela\u00e7\u00e3o aos fatos que sejam de prova invi\u00e1vel por parte deles.<\/p>\n<p><strong>4. DO PEDIDO<\/strong><\/p>\n<p>Diante do exposto, requerem:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<ol>\n<li>a proced\u00eancia dos pedidos, com a condena\u00e7\u00e3o do Estado Requerido a indenizar os Requerentes pelos danos morais por eles sofridos no valor de [valor] ([valor por extenso]) sal\u00e1rios m\u00ednimos;<\/li>\n<li>a condena\u00e7\u00e3o do Estado Requerido ao pagamento de danos materiais no valor de R$ [valor] ([valor por extenso]);<\/li>\n<li>a condena\u00e7\u00e3o do Estado Requerido ao pagamento de pens\u00e3o civil por morte (<em>ex delicto<\/em>) no valor mensal de 2\/3 (dois ter\u00e7os) do sal\u00e1rio m\u00ednimo para cada Requerente;<\/li>\n<li>a concess\u00e3o da gratuidade da justi\u00e7a, em concord\u00e2ncia com o art. 98 e seguintes do C\u00f3digo de Processo Civil, por serem os Requerentes pessoas pobres na acep\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do termo e n\u00e3o reunirem condi\u00e7\u00f5es para arcar com as despesas e custas processuais sem preju\u00edzo de sua pr\u00f3pria subsist\u00eancia, conforme a declara\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-financeiras anexas;<\/li>\n<li>a cita\u00e7\u00e3o do Estado Requerido por mandado (<a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/174788361\/lei-13105-15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPC<\/a>, art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/28894506\/artigo-247-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">247<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/28894500\/inciso-iii-do-artigo-247-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">III<\/a>) na pessoa de seu representante legal, Procurador Geral do Estado de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/174788361\/lei-13105-15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPC<\/a>, art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/28895906\/artigo-75-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">75<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/28895902\/inciso-ii-do-artigo-75-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">II<\/a>), com escrit\u00f3rio na Rua Pamplona, n\u00famero 227, Jardim Paulista, S\u00e3o Paulo-SP, CEP 01405-902, para que, querendo, ofere\u00e7a resposta no prazo legal, sob pena de se sujeitar aos efeitos da revelia;<\/li>\n<li>a n\u00e3o designa\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>que seja determinada ao Estado requerido a juntada de todos os laudos e prontu\u00e1rios m\u00e9dicos de [nome], confeccionados no Centro de Deten\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria [nome] e no Hospital Geral de [nome], bem como da apura\u00e7\u00e3o administrativa do caso;<\/li>\n<li>a condena\u00e7\u00e3o do Estado Requerido ao pagamento das custas processuais e honor\u00e1rios advocat\u00edcios;<\/li>\n<li>que todas as comunica\u00e7\u00f5es dos atos e termos do processo sejam feitas em nome da advogada Sarah Mikelly Abr\u00e3o da Luz (OAB-GO 54689), com a sua habilita\u00e7\u00e3o no processo judicial eletr\u00f4nico, sob pena de nulidade, nos termos do artigo 272, \u00a7 5\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por fim, protestam provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pericial e testemunhal. Pugnam desde j\u00e1 pela distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus da prova (art. <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/28893055\/artigo-373-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">373<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/28893046\/par\u00e1grafo-1-artigo-373-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a7 1\u00ba<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/174788361\/lei-13105-15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPC<\/a>) em rela\u00e7\u00e3o aos fatos que sejam de prova invi\u00e1vel pelos requerentes (e logicamente vi\u00e1vel para a parte requerida).<\/p>\n<p>D\u00e1-se \u00e0 causa o valor de [soma de todos os valores pretendidos].<\/p>\n<p>Nesses termos, pede deferimento.<\/p>\n<p>Munic\u00edpio, data.<\/p>\n<p>Sarah Mikelly Abr\u00e3o da Luz<\/p>\n<p>OAB-GO n.\u00ba 54689<\/p>\n<p>(assinado eletronicamente)<\/p>\n<ol>\n<li>CAVALCANTE, M\u00e1rcio Andr\u00e9 Lopes. <strong>Responsabilidade civil do Estado em caso de morte de detento<\/strong>. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.buscadordizerodireito.com.br\/jurisprudencia\/detalhes\/9dfcd5e558dfa04aaf37f137a1d9d3e5&gt;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.buscadordizerodireito.com.br\/jurisprudencia\/detalhes\/9dfcd5e558dfa04aaf37f137a1d9d3e5&gt;&#8230;<\/a>. Acesso em: 10\/08\/2019 <a href=\"#footnote-ref-1\">\u2191<\/a><\/li>\n<li>CAVALCANTE, M\u00e1rcio Andr\u00e9 Lopes. <strong>Responsabilidade civil do Estado em caso de morte de detento<\/strong>. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.buscadordizerodireito.com.br\/jurisprudencia\/detalhes\/9dfcd5e558dfa04aaf37f137a1d9d3e5&gt;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.buscadordizerodireito.com.br\/jurisprudencia\/detalhes\/9dfcd5e558dfa04aaf37f137a1d9d3e5&gt;&#8230;<\/a>. Acesso em: 10\/08\/2019. <a href=\"#footnote-ref-2\">\u2191<\/a><\/li>\n<li>A cole\u00e7\u00e3o institucional do Minist\u00e9rio da sa\u00fade pode ser acessada, na \u00edntegra, na biblioteca Virtual em sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade: &lt;<a href=\"http:\/\/www.saude.gov.br\/bvs&gt;.tiragem\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.sa\u00fade.gov.br\/bvs&gt;.tiragem<\/a>: 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o atualizada \u2013 2019. <a href=\"#footnote-ref-3\">\u2191<\/a><\/li>\n<li>Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.saude.sp.gov.br\/ses\/perfil\/cidadao\/temas-de-saude\/tuberculose\/tratamento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.sa\u00fade.sp.gov.br\/ses\/perfil\/cidadao\/temas-de-sa\u00fade\/tuberculose\/tratamento<\/a>. Acesso em: agosto de 2019. <a href=\"#footnote-ref-4\">\u2191<\/a><\/li>\n<li>Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Protocolos de acesso ambulatorial: consultas especializadas\/ Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Secretaria de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade. \u2013 Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2015. <a href=\"#footnote-ref-5\">\u2191<\/a><\/li>\n<li>REsp 1.292.141\/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 04.12.2012, publicado no Informativo 513 do STJ. <a href=\"#footnote-ref-6\">\u2191<\/a><\/li>\n<li>Derrame pleural (\u00e1gua na pleura). Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/drauziovarella.uol.com.br\/doencas-e-sintomas\/derrame-pleural-agua-na-pleura\/&gt;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/drauziovarella.uol.com.br\/doencasesintomas\/derrame-pleural-agua-na-pleura\/&gt;<\/a>. Acesso em: 10 de agosto de 2019. <a href=\"#footnote-ref-7\">\u2191<\/a><\/li>\n<li>Pericardite. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/drauziovarella.uol.com.br\/doencas-e-sintomas\/pericardite\/&gt;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/drauziovarella.uol.com.br\/doencasesintomas\/pericardite\/&gt;<\/a>. Acesso em: 10 de agosto de 2019. <a href=\"#footnote-ref-8\">\u2191<\/a><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","meta":{"content-type":""},"categoria-modelo":[500],"class_list":["post-12696","modelos-de-peticao","type-modelos-de-peticao","status-publish","hentry","categoria-modelo-covid-19"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao\/12696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/modelos-de-peticao"}],"about":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/modelos-de-peticao"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"categoria-modelo","embeddable":true,"href":"https:\/\/easyjur.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categoria-modelo?post=12696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}